Ler Beije o canalha. – Capítulo 05 Online
A tensão esmagadora não lhe permitia sequer respirar fundo. Soltando o ar pesado com dificuldade, Yujin olhou para ele. A escuridão projetava uma sombra perfeita sobre seu rosto de traços definidos, tornando impossível discernir suas feições. Em contraste, Yujin estava totalmente exposto à luz da lua, que revelava cada nuance de sua expressão. Só de pensar que Winston examinava seu rosto centímetro por centímetro, o deixou ainda mais inquieto.
Mas ele não podia simplesmente empurrar o homem para longe. O peso do cano da arma pressionado contra sua têmpora era claro demais, lembrando-o brutalmente da realidade. O homem havia engatilhado a arma. Se Yujin se movesse de forma imprudente e, por acidente, o gatilho fosse puxado, tudo acabaria ali. A imagem da criança que ficaria sozinha surgiu nítida diante de seus olhos. Ele não podia fazer Ângela passar pelo mesmo destino que o seu. Permanecendo imóvel, Yujin abriu a boca para falar, mas a garganta estava seca demais, e emitir som não era fácil. A voz que conseguiu soltar saiu rouca, arranhada.
— …O que você está fazendo?
Diante da pergunta feita com esforço, Winston soltou uma risada abafada, como ar escapando.
— Bem, era isso que eu queria perguntar. O que você está fazendo na minha cama, querido?
A palavra “querido” soou estranho e tardio, mas não era hora de se apegar a isso. Ele se concentrou no restante da frase.
— Sua cama? O que você quer dizer com isso? Este lugar é… o seu quarto?
— Pff…
Winston voltou a rir. Era uma risada irritada, quase autodepreciativa. Ele se inclinou como se fosse avançar, aproximando o rosto até que o hálito quase tocasse o rosto de Yujin, e encarou seus olhos de perto.
— Querido, você precisava praticar mais. Isso foi muito amador.
Só então Yujin entendeu por que a porta do quarto não estava trancada.
Era um quarto que já estava sendo usado.
O objetivo deles não era apenas separá-lo da criança. Seus métodos eram muito mais cruéis, e Yujin ainda estava um passo atrás deles. Um frio cortante percorreu seu peito diante da sensação de fracasso, mas não era hora de entrar em pânico. O cano da arma encostado em sua têmpora deixava claro demais que aquilo era realidade.
— Não me chame assim.
Yujin disparou, com a voz carregada de tensão. Seu corpo estava tão rígido que mal conseguia mexer um dedo, mas, ainda assim, a voz saiu surpreendentemente firme. Ele expressou sua recusa de forma clara, mas Winston não se importou.
— Então como devo chamá-lo? Garoto de programa? Vadio?
Winston riu, os ombros tremendo, mas para Yujin aquilo não tinha nada de engraçado. Cada vez que ele ria, zombando sozinho, o cano da arma pressionado contra sua têmpora tremia levemente. Yujin ficou tão aterrorizado, com medo de que ele puxasse o gatilho por engano, que nem conseguiu sentir raiva.
— Querido, o que você estava esperando, afinal?
Winston perguntou, ainda com a voz cheia de riso. Com os olhos já mais acostumados à escuridão, Yujin agora conseguia distinguir vagamente sua expressão.
— Achou que, enchendo o quarto inteiro com seus feromônios e se deitando nu, eu ia perder a cabeça e te abraçar? Ha ha ha…
Winston riu como se não aguentasse mais, seu rosto distorcido por uma expressão de puro desprezo.
— O cheiro dos seus feromônios me dá ânsia.
‘Esse homem ainda me odeia.’
Yujin pensou vagamente.
‘Claro que odeia. Você esqueceu o quão cruelmente ele te rejeitou naquela época? Não tinha como esse homem ter mudado.’
Mas, ainda assim, ele não imaginava que fosse ser odiado a esse ponto.
— Eu não sabia…
Yujin continuou, a voz tremendo.
— Pensa bem. Como eu poderia saber que este era o seu quarto?
Ele apresentou uma justificativa lógica, algo que qualquer um acharia razoável. Mas, é claro, aquilo não funcionou com Winston.
— O lugar está impregnado com o cheiro dos meus feromônios, e você não sabia que era meu quarto?
Ao ouvir as palavras cheias de deboche, Yujin se sobressaltou e ficou rígido. Aquele homem não sabia que, desde aquele dia, ele havia perdido a capacidade de sentir certos aromas específicos. Yujin estava tão distraído com a arma que mal conseguia pensar direito, mas de alguma forma conseguiu lembrar de uma coisa.
— Eu posso ter entrado por engano achando que era o quarto do Harold, não posso?
Os alfas dominantes distinguiam o próprio feromônio do feromônio alheio. Mas, para outras pessoas, todos os feromônios eram iguais. O dele e o do pai dele tinham exatamente o mesmo cheiro para Yujin. E isso atingiu Winston em cheio. Ao ver o rosto dele congelar por um instante, Yujin sentiu um leve prazer. No entanto, não durou muito. Winston logo voltou a sorrir e inclinou a cabeça. Parou tão perto que as respirações quase se tocavam e então falou.
— Como daquela vez, não é?
Com a voz baixa, Winston provocou, balançando lentamente a cabeça. Franzindo a testa, ele continuou com uma voz carinhosa, como se estivesse acalmando uma criança.
— Não, não é isso. Querido, você com certeza sabia. Como naquela vez. Assim como quando foi com as próprias pernas até o quarto do meu pai, agora também sabia exatamente de quem era este quarto. Você nunca erra, porque seu alvo sempre é claro.
Ele não respondeu. Não adiantava dizer nada, Winston não iria acreditar de qualquer forma. Preferiu deixá-lo falar o que quisesse e apenas torcer para que aquele momento passasse logo. Interpretando aquele silêncio como lhe convinha, Winston murmurou com deboche.
— Que pena. Agora você não pode mais entrar e sair livremente do quarto do meu pai. Ele está morto.
A voz transbordava desprezo. Não dava para saber se era direcionado ao próprio pai ou a Yujin. Talvez fosse para ambos. Winston inclinou a cabeça e perguntou com um tom curioso, quase infantil.
— Não vai me dizer que pretende segui-lo até o túmulo, vai?
— Claro que não.
Ao negar imediatamente, Winston caiu na gargalhada.
— Já imaginava. O que você amava não era meu pai, e sim o dinheiro dele.
O cano da arma ainda estava fixo na têmpora de Yujin. Ele estava apavorado, sentindo que ia enlouquecer a qualquer momento. Contendo a respiração trêmula com dificuldade, conseguiu falar.
— Winnie… não, Winston.
Sem querer, deixou escapar o apelido antigo e se corrigiu às pressas. Ao confirmar que Winston não reagia, Yujin continuou, espremendo as palavras para fora.
— Não faz isso. Vamos conversar como adultos, com racionalidade. Abaixa essa arma, é perigoso.
O tom foi se transformando em súplica, mas o cano da arma não se moveu nem um centímetro. Ele sentiu vontade de chorar e, com o rosto desesperado, implorou.
— Não há necessidade de chegar a esse ponto, eu errei. O que aconteceu hoje foi realmente um engano. Mesmo que você não acredite, é a verdade. Eu só entrei no quarto que me indicaram, tomei banho e fui dormir.
Implorava para que ele acreditasse, mesmo sabendo que Winston jamais acreditaria nele.
Observando o rosto distorcido de Yujin, Winston ergueu lentamente o canto dos lábios. Então, de sua boca escapou um sussurro baixo.
— Nu?
Por um instante, Yujin ficou confuso, mas logo percebeu. O roupão que usava para dormir havia se aberto completamente durante a noite, expondo seu corpo nu.
— É um mal-entendido.
Com dificuldade, Yujin forçou a voz a sair.
— Eu disse que era o quarto para o qual me guiaram. Eu realmente não sabia. Pensa bem, se eu soubesse que era o seu quarto, porque faria algo assim? É o mesmo para mim, eu também não queria mais te ver.
— Bom, talvez não quisesse ver meu rosto, mas abrir as pernas você conseguiria sem problema, não é?
Winston provocou sem piedade. Mantendo o cano da arma pressionado contra a têmpora de Yujin, ele murmurou.
— Você é uma vadia.
Mesmo ouvindo aquelas palavras humilhantes, não conseguiu rebater. O medo era tão grande que nem conseguia sentir raiva. Forçou saliva na boca seca e falou.
— É verdade que eu vim por dinheiro, mas…
O cano da arma pressionou ainda mais sua têmpora. Assustado, Yujin se desesperou e acabou confessando tudo de uma vez.
— Eu tenho uma filha.
Com a voz trêmula, começou a chorar enquanto implorava.
— Minha filha está dormindo em outro quarto. Por favor, eu não posso morrer aqui.
Yujin desejou com todas as forças que ainda restasse, no fundo do coração dele, nem que fosse um fiapo de compaixão. Há muito tempo atrás, Winston tinha sido alguém misericordioso. A ponto de se aproximar e se apaixonar por uma criança rejeitada e isolada por toda a família.
Carregando essa última esperança, Yujin ergueu o olhar para ele e travou. Pela primeira vez, o rosto de Winston, que até então só o havia ridicularizado e humilhado, estava completamente vazio de expressão.
— …Uma criança?
Sem nenhum vestígio de riso, Winston murmurou. Logo um silêncio sufocante tomou conta do ambiente.
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Continua…
Ler Beije o canalha. Yaoi Mangá Online
Interesse Romântico Seme / Gong: Winston Campbell (terceiro filho e caçula. Alfa dominante. Herdeiro do conglomerado familiar. 28 anos) Protagonista masculino. 198 cm/90 kg. Cabelo castanho-escuro. Olhos roxos. Homem de físico enorme e musculoso.
Há cinco anos, manteve um relacionamento amoroso com Seol Yujin, mas acabou se separando ao acreditar que ele havia cometido adultério com seu pai.
— Querido, ninguém neste mundo sabe melhor do que eu que tipo de vadia barata você é.
***
Personagem Principal Uke/Su: Seol Yujin (ômega. 28 anos) 178 cm/60 kg. Órfão. Corpo magro, de ossatura longa. Cabelo castanho-claro. Olhos castanhos. Pele branca. Teve uma filha, Angela, com Winston, mas é acusado de que a criança seria de outro homem.
— O que aquele homem faria se soubesse que Angela é filha dele?
***
— De quem é essa criança?
Eles foram um casal apaixonado cinco anos atrás, mas se separaram devido a um grave mal-entendido. Winston ainda acredita que Yujin manteve um caso com seu próprio pai. Após ser descartado de forma cruel, Yujin passou a viver acreditando que nunca mais voltaria a encontrá-lo e, enquanto lutava para sobreviver com a filha, acabou perdendo tudo quando um incêndio destruiu seu apartamento, deixando-os na rua.
Em meio ao desespero, ele descobre que Harold Campbell, pai de Winston, deixou um testamento em seu nome. Na esperança de conseguir ao menos alguma ajuda, Yujin decide retornar à mansão.
O reencontro com Winston é marcado por ódio ainda mais intenso. Enquanto Winston continua desprezando-o, Yujin deseja apenas receber rapidamente a herança e ir embora. Para sua surpresa, Harold lhe deixou uma herança muito maior do que o esperado. No entanto, há uma condição.
Ele deve se casar com Winston e engravidar dentro de um ano.
Yujin tentou recusar, mas a realidade não era tão simples. Como forma de vingança pelas humilhações constantes que sofre de Winston, ele acaba aceitando o casamento. O alfa, por sua vez, deixa claro que tudo não passa do cumprimento do testamento e que entre eles não resta absolutamente nada.
No entanto, contra suas expectativas, eles não conseguem controlar a atração constante que sentem um pelo outro. Ambos tentam ignorar isso, convencendo-se de que não passa de desejo carnal…
mas será mesmo?
Nome alternativo: Kiss The Scumbag