Ler Passion – Novel – Capítulo 10 Online
Jeong Taeui verificou as gavetas, o guarda-roupa e a escrivaninha. No entanto, não estavam completamente limpos, então ainda restavam algumas roupas, livros e pequenos objetos. Parece que o armário vazio, sem um grão de poeira, era o que havia sido usado anteriormente pelo falecido.
De qualquer forma, aquela pessoa não vai voltar. Mas você não pode mexer arbitrariamente em lugares que já têm donos. Jeong Taeui olhou cuidadosamente ao redor do quarto. Ele havia deixado sua bagagem com o outro grupo, então não havia nada para organizar, nem nada importante que precisasse ser guardado com cuidado. De qualquer maneira, meu tio ficava insistindo que estava com pressa e sem tempo, e eu não trouxe nada comigo além do que precisaria nos próximos seis meses. Diziam que aqui forneciam tudo, desde roupas, uniformes, até roupas íntimas e escovas de dente, para cada pessoa, então ele não trouxe nada.
A coisa mais importante naquela bolsa é… a chave, certo? A chave jogada dentro da bolsa… era a chave de que ele precisaria dali a seis meses.
Antes de sair, ele limpou a casa mais uma vez e deixou uma mensagem simples para o irmão, que não sabia quando ele voltaria.
Ele se pergunta o que Jaeui está fazendo agora. Mas não importa o que ele faça ou onde esteja, Taeui não precisa se preocupar com ele. Porque, mesmo que seu avião caia, não há com o que se preocupar.
Não importa onde ele esteja, contanto que queira, você o verá novamente. Porque qualquer coisa que ele queira pode ser facilmente feita.
Jeong Taeui caminhou até a cama bem arrumada e se deitou.
Seu corpo estava cansado, mas o sono não durou tanto quanto ele imaginava. Seu espírito estava estranhamente desperto.
Em um futuro próximo, ele estará aqui sozinho. Silencioso e confortável, mas também há inconvenientes para alguém que acabou de chegar aqui pela primeira vez. Se quiser perguntar algo simples, precisa bater na porta de outra pessoa.
Pensando nisso, Jeong Taeui de repente abriu os olhos, olhou para o teto e então se levantou lentamente.
De qualquer forma, ele não trancaria a porta, então realmente não precisava de uma chave do quarto. Mas ainda assim deviam existir regras de convivência aqui. Ele não sabe onde comer ou o que fazer amanhã de manhã.
Tou disse que havia alguém chamado Xin Lu. Quanto a Kyoho, essas pessoas são do setor de logística?
Jeong Taeui coçou a cabeça e se levantou da cama. Só se passou meio ano, mas ele sente como se estivesse prestes a atravessar mil anos.
É verdade que, se não estrangular o tio uma vez, o incômodo em seu coração não será aliviado. Por isso, no caminho para cima, ele precisou passar pelo quarto do tio, no primeiro subsolo, para massagear um pouco aquela cara antes de ficar satisfeito.
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Jeong Taeui estalou a língua.
Ele não achava que pudesse se perder nesse prédio, mesmo sendo a primeira vez que vinha aqui. E ainda por cima se perder em um lugar do tamanho do pátio de uma escola primária.
Todos os problemas começaram por causa daquele elevador.
Ele sabia exatamente onde ficava o elevador para o qual Tou o levou. Era um elevador com aparência antiga, localizado bem no canto da escada. Mesmo tendo passado por aquele lugar algumas vezes, ele ainda não conseguia esquecer o caminho que percorreu naquela única vez.
Então, seria melhor ir por aquele elevador, mas ele ficava longe do quarto de Jeong Taeui. Ele não pensava em sair do quarto para depois ir mais longe só para usar aquele elevador.
Como a estrutura de cada andar do prédio é relativamente parecida, mesmo havendo diferenças na disposição, esses tipos de edifícios são notavelmente semelhantes no design arquitetônico.
Por isso, Jeong Taeui pensou que poderia simplesmente pegar o elevador mais próximo e depois seguir na direção oposta à original.
— Maldição. Que tipo de design é esse prédio? Não parece completamente diferente do andar de baixo?
Era a primeira vez na vida dele que via um prédio com uma estrutura de andar completamente diferente assim. Tudo bem ter corredores diferentes, até a localização do banheiro é outra… sem palavras. Esse tipo de design não é absurdo e nada útil? E o sistema de drenagem, como fica?
Em menos de dez minutos vagando por aquele andar, ele encontrou mais alguns elevadores, mas nenhum era o que ele procurava. Aquele devia ser o elevador no canto da escada.
Por mais estranho que seja o design deste prédio, a localização do elevador em cada andar não pode ser diferente. Se existisse um prédio com uma arquitetura tão fora da realidade, não deveria ser denunciado à associação de arquitetura?
— Droga. Por que não tem ninguém aqui?
Pensando bem, a maioria das pessoas aqui fica concentrada no quinto ou sexto andar, e normalmente, se nada de especial acontece, elas não vão ao primeiro subsolo para fazer nada. Mas, mesmo assim, Jeong Taeui não conseguiu segurar algumas maldições ao pisar naquele andar.
Quando estava no exército, ele tinha muita confiança em sua habilidade de ler mapas. Não, na verdade, mesmo sem precisar de um mapa, ele tinha um bom senso de direção, nunca se perdendo, mesmo quando precisava carregar a mochila nas costas e atravessar um atalho que era mais curto do que a estrada principal na floresta, mesmo estando com o espírito pouco alerta por não ter dormido bem na noite anterior.
Neste prédio, você não pode nem sequer ter um mapa e só pode contar inteiramente com a intuição.
“Tio, você e todos realmente trabalharam duro. Como conseguem viver em um prédio como este?”
Jeong Taeui cerrou os dentes e parou, tentando estimar a posição. Ele não conhecia toda a estrutura daquele prédio e não sabia o que havia na parede interna, mas foi tentando se lembrar, aos poucos, da distância que tinha percorrido desde que entrou ali… É claro que ainda estava tudo confuso. Então, só lhe restava vagar até encontrar o que procurava.
Jeong Taeui suspirou. Mesmo sabendo que não era a melhor maneira, ainda assim avançou sem rumo.
O corredor por onde ele caminhava parecia ser semelhante ao andar inferior e tinha portas idênticas, simetricamente dispostas em um padrão em zigue-zague.
Talvez esses quartos, assim como os de baixo, sejam as salas de estar de alguém que precisa permanecer aqui. Provavelmente de pessoas de alto escalão neste prédio… às vezes ele acabava chegando ao lugar certo sem nem perceber.
Pensando nisso por um instante, Jeong Taeui suspirou ao ver uma porta de vidro de correr no fim de seu campo de visão.
Não.
Há pouco, Tou o havia guiado pelo banheiro, e era exatamente assim que parecia. Ao abrir a porta de vidro de correr e entrar, haveria outra porta de vidro fosco; entrando mais um pouco e virando, ficava o vestiário e, dentro dele, o banheiro.
— Mas por que pessoas de alto escalão usariam o mesmo banheiro? Ou então isso não é um banheiro.
Jeong Taeui parou a um passo daquela porta.
Mesmo que não fosse uma boa ideia, ele ainda estava um pouco curioso. O tempo não era urgente, encontrar o quarto do tio não era um grande problema. Bastava descer por qualquer elevador deste andar até o sexto subsolo ou voltar para o térreo e então pegar o mesmo elevador em que entrou da primeira vez.
— Se estamos perdidos e temos que andar por aí assim, será que deveríamos tomar um banho?
Jeong Taeui abriu a porta do banheiro enquanto resmungava desesperadamente. Como esperado, também era um banheiro. Quando abriu a porta opaca lá dentro, surgiu uma parede servindo de divisória, igual à do andar inferior; dentro dela havia um vestiário.
Tinha alguém lá dentro.
Assim que Jeong Taeui abriu a porta e entrou, pareceu ficar muito surpreso.
— Hum… ah… isso.
A pessoa à sua frente o olhou com os olhos bem abertos; parecia mais um garoto do que um homem adulto. E não poderia haver menores de idade naquele prédio. Ele estava vestindo apenas uma calça, como se tivesse acabado de tomar banho, ainda segurando uma camisa na mão. Não, seu cabelo não estava molhado, então provavelmente ele estava planejando tomar banho.
Jeong Taeui ficou imóvel por um momento.
Ah, parece que ele cometeu algum engano. Mas não era nada que valesse a pena chamar de erro, era apenas um encontro casual. Mas, de qualquer forma, parecia que ele tinha se enganado, então por que precisaria se desculpar?
Esse pensamento passou rapidamente por sua mente vazia. Mas Jeong Taeui ainda não conseguia encontrar uma razão, porque sua pele lisa, cor de pêssego e rosada chamou toda a sua atenção. Era tão macia que, se tocasse, a penugem pareceria igualmente suave. Seu corpo exalava um leve cheiro de sabonete, ou seria o cheiro de leite?
Nesse momento, Jeong Taeui de repente ficou confuso. Parecia que ele entendia por que sentia que tinha cometido um erro. Mas essa razão também não fazia muito sentido, ele nem sequer tinha visto o que havia por baixo daquele garoto. Então, por quê?
Naquele momento, seu rosto exibiu um sorriso malicioso quando ele disse que violar menores é crime neste país. Não, mas esta filial não tem menores, então não se pode dizer que seja crime. Seria até estranho tornar isso crime só porque um homem acidentalmente viu outro homem nu.
Talvez a expressão confusa de Jeong Taeui estivesse estampada em seu rosto. Sua aparência desajeitada, sem saber o que fazer, se refletiu nos olhos daquele jovem. Sua expressão surpresa desapareceu rapidamente e foi substituída por um rosto calmo, como de costume.
— Esta é a primeira vez que eu te vejo… Quem é você?
O jovem perguntou calmamente. Jeong Taeui ficou chocado mais uma vez. Até mesmo aquela voz soava infantil. Como dizer… aquela maneira de falar suavemente e manter distância nas palavras parecia novidade. Era isso. Se alguém pensasse que ele era menor de idade, não seria nada estranho.
Jeong Taeui cobriu a boca com a mão para esconder seu constrangimento, mas não percebeu que aquele gesto o deixava ainda mais envergonhado.
“Será que não seria grosseiro perguntar quantos anos ele tem?”
— Desculpe, mas… quantos anos você tem?
Mesmo tendo pensado nisso, Jeong Taeui ainda assim não conseguiu evitar de perguntar ao garoto. Como se adivinhasse o motivo pelo rosto confuso e pelo gesto de Jeong Taeui, o jovem respondeu com uma voz levemente irritada e impaciente:
— Vinte e dois. Mas quem é você?
Vinte e dois. Ainda jovem, mas mesmo que você o tocasse, não seria acusado de nada… Não, como podia pensar assim!
— Hum… você trabalha aqui?
Jeong Taeui sentiu pena daquele jovem aparentemente honesto ter que trabalhar entre aquelas pessoas ferozes e brutais. Numa situação cercada por cobras venenosas por todos os lados.
Dessa vez, o incômodo ficou ainda mais evidente no rosto daquele rapaz. Sua expressão parecia questionar quem diabos era aquele cara que, de repente, invadia o banheiro de outra pessoa, não respondia a nenhuma pergunta, começava a falar bobagens e ainda o tratava como uma criança.
— De qual equipe você é e a qual vice-diretor está subordinado? Ou veio aqui para ouvir alguma notícia de mim? Está vindo como carcereiro ou como instrutor?
Ele disse friamente, com uma expressão fria.
Só então Jeong Taeui se sobressaltou, como se tivesse acabado de acordar de um sonho, e coçou o pescoço. Parecia que o humor dele tinha ficado tão desagradável por sua causa.
— Eu me perdi… só ia ver o Instrutor Jeong.
— É o Instrutor Jeong Changin? Saia desta sala, vá até o fim e então vire à direita, siga até o fim do corredor sem saída, depois vire à direita novamente, olhe para a direita e você verá o elevador. Vire para o canto direito e vá até a segunda sala ao lado dele.
— Hum… certo.
Mesmo que fosse uma resposta sem muita sinceridade, ainda assim era muito útil. Se pudesse calcular a direção, seria fácil de encontrar.
— Então… obrigado.
Jeong Taeui cumprimentou de forma desajeitada. Aquele jovem ainda mostrava uma expressão de incômodo, mas apenas deu de ombros como resposta. Seus ombros nus pareciam brilhar.
Agora ele só precisava sair dali, mas as pernas de Jeong Taeui se recusavam a se mover. Um jovem tão bonito… seria bom se pudesse olhar um pouco mais. Ele imediatamente desviou os olhos para Taeui quando este falou e se mexeu.
— Ainda não vai?
Parecia que ele estava prestes a tirar a roupa. O jovem jogou a camisa no cesto e começou a desabotoar o cinto, como se quisesse tirar a calça. Ao ver Jeong Taeui ainda parado ali, franziu a testa com desconfiança.
Jeong Taeui corou. Estava envergonhado sem motivo algum.
— Não… eu já vou. Então, até logo.
Jeong Taeui acenou e saiu do banheiro sem olhar para trás. Ele andou devagar para a direita, como o jovem havia dito. Precisou caminhar até o fim do corredor antes que sua mente se acalmasse um pouco. Jeong Taeui levantou a mão e tocou a própria bochecha, até suas orelhas estavam quentes.
Jeong Taeui estava envergonhado e ficou paralisado no lugar. Depois, balançou a cabeça, virou-se para a direita e foi embora.
Ele não era uma pessoa fácil de se abalar. Com frequência ouvia dizerem que era um tanto indiferente, como uma pedra feita de madeira. Mas a verdade é que, mesmo quando estava envergonhado, nunca deixava transparecer em seu rosto. Agora, porém, sem sequer precisar olhar no espelho, sabia o quanto sua expressão denunciava sua vergonha.
— Droga… Por que você não me contou que havia um garoto tão jovem?
Jeong Taeui tentou, por uma vez, culpar seu pobre e desajeitado tio. Claro que não houve resposta.
Ele já tinha passado por isso antes. A sensação de a mente ficar repentinamente em branco, deixando-o apenas confuso e hesitante. As memórias daquele momento passado haviam caído no esquecimento.
Isso aconteceu quando ele ainda era um estudante jovem. Jeong Taeui, um adolescente que sempre quis crescer rápido, ou de maneira precipitada, tentava de tudo desde o ensino médio para provar que era maduro. Ele já havia se envolvido tanto com homens quanto com mulheres. E logo percebeu que se sentia mais atraído por outros homens do que por mulheres. Além disso, os corpos macios dos homens, quando abraçados, eram mais do seu gosto.
Quando foi à casa de um amigo nas férias de verão e conheceu o primo desse amigo, parece que aquela pessoa se tornou seu primeiro amor.
Não muito magro, com a pele lisa e branca, olhos grandes e uma expressão fofa, como algodão doce.
Naquela época, ele era exatamente como é agora.
O rosto ficava quente, o coração batia acelerado, a mente ficava em branco e a respiração tremia.
Alguns dias depois, ele arrumou uma desculpa para ir à casa do amigo e, aos poucos, foi conhecendo melhor o primo. Embora a relação entre eles tivesse se aproximado, toda vez que o via, ainda se sentia nervoso. Até seus olhos não conseguiam deixar de se deter naquela pele lisa.
Não muito tempo depois, o primo daquele amigo voltou para casa com o fim das férias de verão, encerrando também o primeiro amor platônico de Jeong Taeui.
Mesmo depois disso, o gosto de Jeong Taeui continuava o mesmo: caras fofos, adoráveis, frescos, que faziam seu coração derreter.
Mas caras da mesma idade que ele, ou até mais velhos, com esse tipo de aparência eram raros de encontrar. Por isso, ele quase nunca via alguém assim de verdade. De vez em quando, ficava impressionado com alguém com aparência parecida em algum clube (bar), apenas se satisfazia alegremente.
No entanto, ele jamais imaginou que alguém exatamente assim apareceria em um lugar tão remoto como este.
— O que eu faço…?
Jeong Taeui murmurou para si mesmo.
O que fazer agora? Por que alguém exatamente do seu tipo está aqui?
Na verdade, pensando bem, era pouco provável que os dois fossem para a cama juntos. Ele não tinha absolutamente nenhuma intenção de estuprar ou assediar sexualmente outra pessoa, então, se fosse um cara hétero, acabaria neste lugar. A probabilidade disso era muito alta. Mesmo que tivesse a sorte de ter a mesma orientação sexual que ele, o tempo aqui seria de apenas meio ano.
“O que fazer agora?” Jeong Taeui murmurou, sem saber o que fazer.
Enquanto isso, o longo corredor chegava ao fim. Jeong Taeui olhou para a parede à sua frente e não pôde deixar de suspirar, antes de virar à direita novamente.
Como o jovem havia dito, o elevador ficava bem ao lado da escada. Era o mesmo elevador que Tou havia usado para levá-lo lá embaixo no início.
— Vire à direita na segunda… segunda curva, erro… Isso, certo.
Jeong Taeui seguiu as instruções do jovem e logo encontrou o quarto do tio.
* Traduzido por Mandy Fujoshi. Até o próximo capítulo! *
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Jeong Taeui, cujo irmão mais velho é o gênio Jeong Jaeui, é um ex-soldado que se considera uma pessoa comum. Atendendo à recomendação de seu tio, Jeong Chang-in, Jeong Taeui decidiu trabalhar por seis meses na Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento de Recursos Humanos (UNHRDO). Mas, ao se envolver com um homem maluco de mãos bonitas, Ilay Riegrow, ele nem imaginava que sua vida começaria a desandar em uma direção totalmente inesperada.
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