Ler Passion – Novel – Capítulo 03 Online
Jeong Taeui suspirou, lembrando-se com tristeza daquelas memórias esquecidas.
Ele foi dispensado do exército há quatro meses e, no momento, é um jovem desempregado. Ainda sente uma dor aguda no joelho sempre que o tempo esfria, mas sua perna já cicatrizou e seu corpo se recuperou completamente, então ele estava planejando encontrar algo para fazer.
— Ah, é mesmo? E por que de repente você precisa do seu filho? Vai mandá-lo pra onde?
Ao ouvir a pergunta de Jeong Taeui, Changin sorriu mais uma vez.
— Qualquer garoto pode servir. Mas, de todo jeito, eu preciso de alguém. Recentemente tivemos um conflito com o pessoal da filial europeia, e acabamos perdendo muitos dos nossos. Agora precisamos repor o número de agentes.
— ….
— …isso é só uma desculpa. A verdade é que eu preciso de alguém com sorte.
O tio parou por um momento, e Jeong Taeui aguardou em silêncio as próximas palavras.
Não precisava que ele dissesse nada para saber que equilibrar o número de pessoas era apenas uma desculpa.
Pelo tanto de gente fazendo fila desesperadamente para entrar, esse assunto era o de menos, não havia motivo para ele vir até aqui por isso.
No entanto, se o assunto for sorte… Jeong Taeui era ainda menos qualificado. E seu tio certamente sabia disso muito bem.
— Daqui a meio ano, o chefe da filial será transferido para a sede nos Estados Unidos. Então, os dois vice-diretores começaram uma disputa silenciosa pelo cargo. Na verdade, até mesmo um beco pequeno acaba dividido em facções, então eu preciso ajudar meu superior direto a se tornar o próximo chefe. Ou seja, nos próximos seis meses, vai haver uma luta feroz dentro da filial, e muitas jogadas sujas também. Isso significa que eu preciso de um subordinado sortudo… alguém que consiga sobreviver até o fim.
— Eu não sou muito sortudo.
— Hm, mesmo que não seja uma fênix, ainda é uma galinha. Como assim?
— Como assim? Quem ficaria feliz em ouvir que é uma galinha e não uma fênix?
Jeong Taeui respondeu com um tom despreocupado, mas, no fundo, aquelas palavras não o incomodavam nem um pouco.
Se um gênio incomparável como Jeong Jaeui era chamado de “fênix”, então ele mesmo não se importava em ser só uma “galinha” até daria um certo orgulho. Jeong Jaeui era realmente alguém fora do comum.
Quanto a ele… só conseguia entender metade do que acabara de ser dito. E, dessa metade, a única coisa clara era: “Se você se meter nisso, vai acabar com dor de cabeça.”
Brigas entre colegas, anotações confusas, ambientes militares que ele já tinha jurado evitar… Tudo isso era parte de um mundo com o qual ele não queria mais esbarrar.
— Você é da filial da Ásia?
— Isso mesmo.
— Se você quer alguém mais sortudo e mais competente do que eu, então talvez consiga encontrar tantas pessoas quanto há estrelas no céu. Pode pegar qualquer uma delas e levá-la para lá.
— Eu te contei todos os segredos da organização. Depois de ouvir tudo isso, como é que você ainda me joga na fogueira desse jeito?
— Que segredo? Enfim, isso não é nada de mais. Se vire aí e lute bem pra ser promovido em segurança.
Jeong Taeui apertou a mão do tio, como se quisesse encerrar a conversa por ali. Em seguida, se levantou e começou a recolher os pratos vazios. Mas o tio segurou firme o pulso de Taeui e soltou um estalo com a língua. Pelo olhar sério em seu rosto, dava pra ver que ele estava falando sério. E, diante disso, seria difícil para Taeui recusar.
— Tio… Sabe por quê? Eu não posso — murmurou Jeong Taeui com um suspiro.
O tio voltou a perguntar, agora com seriedade:
— Me diga por que não pode. Se for um motivo legítimo, eu procuro outra pessoa.
— Você também sabe disso…
— Sei…? Me diz, então…
Jeong Taeui não fazia ideia do que aquele homem estava pensando para ser tão teimoso. Se fosse apenas pelas palavras dele, não havia motivo algum para que precisasse justamente de Jeong Taeui. Comparado a Jeong Jaeui, não existiam pessoas como Jeong Taeui aos montes por aí?
— Tio… Antes de mais nada, eu odeio o exército. Já tive mais do que o suficiente daquele lugar fechado e cheio de autoridade.
— Essa organização não é um ambiente militar. O que tem de diferente é só que os exercícios físicos são um pouco mais puxados. A hierarquia e o clima interno também são totalmente diferentes do exército. De vez em quando surgem casos confidenciais, então talvez dê pra dizer que é um pouco fechado nesse aspecto… mas, no geral, não é um lugar exclusivo ou restrito. Se você entrar agora, seus superiores serão um Diretor, dois vice-diretores e seis instrutores. Mas, normalmente, você quase não vai ter contato direto com o Diretor ou os vice-diretores. O restante são todos colegas no mesmo nível. Agora me diga… existe outro motivo?
— … Meu corpo também é muito fraco.
— Eu sei que você já se recuperou completamente.
— É só que eu não preciso mais ir ao hospital, mas ainda sinto dores nos joelhos e no corpo toda vez que o tempo muda.
— Lá não tem ninguém que não seja assim. Todos já levaram um ou dois tiros e quebraram vários ossos. Mais algum motivo?
— Também não me encaixo nas condições que você quer. Sorte normal, habilidade normal.
Então, ele fechou os olhos por um instante, olhando para Jeong Taeui com significado, e falou lentamente.
— Preciso de alguém que consiga sobreviver o máximo possível enquanto faz bem o trabalho necessário. Mesmo assim, eu agradeço você, Jeong Taeui. Sinto que tenho uma certa noção sobre você, mas mesmo assim, revisei seus registros desde a época da academia militar até agora. Você tem algo muito importante para conseguir se manter seguro.
— O que é?
— Instinto.
— ….
Jeong Taeui achava que o tio estava falando sério, mas uma palavra fora do lugar escapou. Ele estava prestando atenção para entender qual era o elogio do tio, mas aquilo acabou lhe tirando todas as forças.
— Você… você disse instinto… isso significa que…
— Por que essa expressão tão decepcionada?
— Decepcionada é pouco… na verdade, é bem pior que isso.
Jeong Taeui balançou a cabeça e murmurou frustrado. Changin sorriu baixinho e disse:
— Não há motivo para se desapontar. Um garoto com a sorte especial de Jeong Jaeui é diferente, mas para crianças normais, o que é preciso para sobreviver é perspicácia. Em outras palavras, sentidos aguçados. Viver ou morrer. Dependendo da situação, esses sentidos funcionam um pouco melhor do que os dos outros.
A voz do tio de Jeong Taeui ficou um pouco mais grave. Taeui nunca tinha passado por uma encruzilhada entre a vida e a morte como aquela. O fato de ele quase ter morrido não aconteceu em um ambiente tão severo, foi apenas um acidente que qualquer pessoa poderia enfrentar. Ainda assim, parecia que ele entendia o sentimento do qual o tio falava.
— E agora? Qual é o próximo motivo?
— O quê?
— Tem mais algum motivo?
Changin acenou com a mão, sinalizando para Taeui falar, caso ainda tivesse mais alguma coisa a dizer. Mas todos os motivos que ele havia dado foram rebatidos, sem deixar brechas. Jeong Taeui apenas o encarou em silêncio. Seu tio também o observava calmamente, sem dizer mais nada, esperando pacientemente que Jeong Taeui abrisse a boca.
Às vezes, Jeong Taeui ainda se surpreende com seu irmão. Não por causa da sorte ou do gênio que ele é, mas pelo fato de conhecer Taeui melhor do que ele mesmo se conhece.
Embora a vida das pessoas nem sempre esteja entrelaçada só porque cresceram juntas por um quarto de século, elas provavelmente já sabem o suficiente uma sobre a outra. E Jeong Jaeui capta com facilidade a essência de uma pessoa.
Nesse ponto, seu tio era igual a ele.
Taeui nunca havia falado aquelas coisas em voz alta e também não o via com frequência, mas Changin parecia saber exatamente o que ele iria dizer, e rebatia tudo, sem deixar escapar nada. Ou então, mesmo que não soubesse com antecedência, não demonstrava a menor surpresa ao ouvir aquelas palavras saindo da boca de Jeong Taeui.
— … É perigoso entrar num lugar onde só tem homens reunidos daquele jeito — murmurou Jeong Taeui, com um ar triste.
Ao ver a expressão abatida dele, Jeong Changin arqueou as sobrancelhas e, no segundo seguinte, caiu na risada como se tivesse ouvido algo engraçado.
— Quem?
Por um momento, Jeong Taeui não entendeu a pergunta do tio.
— É você quem está em perigo… ou são os outros?
— Se for pra dizer a verdade, é claro que sou eu.
— Você? Por quê? Acha que eles vão vir te “atacar”?
Jeong Taeui encarou o tio ao ouvir aquele tom de voz, como se ele estivesse se divertindo com o assunto. Por fim, Taeui soltou a língua com um estalo, como quem desiste de argumentar.
— Eu tô com medo é de eu acabar “atacando” o pessoal de lá, tá bom?
— Eu não sabia que seu alcance era tão amplo assim. Se quiser, e, se conseguir, pode atacar o quanto quiser. É uma sociedade onde manda quem tem força… tirando os seus superiores, claro.
— …Quer dizer que se eu for forte o bastante, posso atacar qualquer um ao meu redor?!
Jeong Taeui exclamou, incrédulo, abriu os braços e sorriu. Às vezes, ele não conseguia saber se aquele homem estava brincando ou falando sério. Taeui estalou a língua, coçou a cabeça nervoso e então lançou um olhar repreensivo para o tio.
— Você já sabe, mas ainda finge que não sabe?
— Bom, nesse caso, só posso supor que você tende a se sentir atraído sexualmente por pessoas do mesmo sexo. Mas o que mais?
— Já chega. Estou cansado.
— E quando você atacou um colega da mesma unidade e teve que ser dispensado do exército, estava cansado também?
Jeong Taeui lançou um olhar feroz para o tio, suspirou cansado e apoiou a cabeça na parede. “Olha só, finalmente ele sabe de tudo.” Ele já tinha desconfiado, então não ficou tão surpreso assim.
O tio pegou uma xícara que estava ao alcance na mesa, segurou o bule e despejou água nela. Bebeu a água clara, como se estivesse saboreando um delicioso chá.
— Jeong Taeui, sobre esse assunto, eu tenho uma perspectiva diferente.
— Outra perspectiva? Qual seria?
Jeong Taeui respondeu desanimado, e seu tio logo sorriu, falando como se estivesse brincando.
— Por exemplo, tenho medo de que os outros vão “atacar” você.
— Tio, essa piada não tem a menor graça…
Jeong Taeui suspirou, mas o que o tio disse em seguida não parecia brincadeira alguma.
— Certo. Tem mais algum motivo?
Jeong Taeui suspirou profundamente mais uma vez. Depois disso, ficou em silêncio por um tempo e, finalmente, murmurou como se tivesse desistido completamente.
— … Meio ano, certo?
Então, ele o viu sorrindo com uma felicidade enorme.
— Isso mesmo, meio ano. Até que o próximo diretor seja definido. Depois disso, faça o que quiser. Pode até sair do trabalho, se quiser. Se estiver satisfeito com a vida lá, pode continuar. Além disso, mesmo que você peça demissão, não precisa se preocupar com o desemprego, as propostas de trabalho vão chover assim que você sair. E, se estiver em dúvida sobre para onde ir, fazer parte da nossa organização é uma carreira promissora.
— Sim. Provavelmente, sim.
Jeong Taeui parecia ter perdido todas as forças e se recostou na cadeira. Sentia como se tivesse acabado de correr uma maratona em pleno verão escaldante, embora não sentisse nenhum orgulho pelo resultado. No entanto, o relógio pendurado na parede chamou sua atenção. Já era hora de todos começarem o dia de trabalho.
Dizem que é impossível prever o futuro, mas ele realmente não esperava uma reviravolta tão repentina assim.
É verdade, ele já estava com um pressentimento ruim desde cedo. No fim das contas, as coisas acabaram mesmo desse jeito. Vendo por esse lado, talvez fosse verdade o que o tio disse — que teve um bom pressentimento sobre Jeong Taeui, e por isso o levou com ele.
* Traduzido por Mandy Fujoshi. Até o próximo capítulo! *
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Jeong Taeui, cujo irmão mais velho é o gênio Jeong Jaeui, é um ex-soldado que se considera uma pessoa comum. Atendendo à recomendação de seu tio, Jeong Chang-in, Jeong Taeui decidiu trabalhar por seis meses na Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento de Recursos Humanos (UNHRDO). Mas, ao se envolver com um homem maluco de mãos bonitas, Ilay Riegrow, ele nem imaginava que sua vida começaria a desandar em uma direção totalmente inesperada.
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