Ler Passion – Novel – Capítulo 02 Online
Embora não estivesse nem um pouco divertido, Jeong Taeui não podia simplesmente ignorar um convidado em sua casa sem ao menos convidá-lo para comer, mesmo que estivesse com fome.
Ele mesmo já não tinha mais apetite, mas ainda assim se sentou na cadeira em frente ao tio, na mesa de jantar.
— Isso é o que chamam de uma refeição frugal?
O tio riu ao ver os pratos colocados sobre a mesa: uma tigela de arroz, uma tigela de sopa de algas e dois ou três acompanhamentos.
— O que você esperava de um jovem pobre e desempregado como eu? Só no seu exército mesmo pra ter comidas gostosas.
— Claro. Se você treinar pesado e a comida não for suficiente, vai acabar rolando confusão. Mas aquele lugar também não é exatamente um exército.
— Sim, mas ouvi dizer que não é muito diferente do exército. Só que lá a autossuficiência é mais independente do que no exército.
— Mesmo assim, tinha gente ansiosa pra entrar lá fazendo fila até do outro lado do mundo. E o nome também impressiona: Organização de Treinamento de Recursos Humanos das Nações Unidas — UNHRDO.
— Ninguém consegue lembrar de um nome tão longo assim.
O tio falava enquanto comia.
— Faz tempo que não como uma refeição simples assim… tá realmente deliciosa.
Jeong Taeui suspirou e pegou a colher ao ouvir o tio elogiar e reclamar na mesma frase. Mesmo sem a menor vontade de comer, ele sabia que provavelmente teria que encarar mais algumas tigelas de arroz antes de poder parar.
Jeong Taeui tomava a sopa quando, de repente, seus olhos pararam nos hashis que se moviam à sua frente. Ele já tinha pensado nisso antes, mas o jeito como o tio segurava os hashis era realmente bonito. Assim como o do irmão.
Jeong Taeui pensou enquanto levantava os olhos para olhar o tio. Aparência educada e gentil. Igualzinha ao irmão.
Bom, como não seria parecido? Afinal, geneticamente, esse homem era o pai deles, mesmo que não se parecesse em nada com o tio.
— O terceiro aniversário da morte dele é no mês que vem, não é?
Mesmo sem ter dito o nome, Jeong Taeui logo entendeu de quem ele estava falando.
— Sim, no dia 20 do calendário lunar. Você vai?
— Deve ser muito difícil.
Pensando bem, a última vez que ele viu seu tio foi no funeral de seu pai. Depois disso, ele nunca mais apareceu nos aniversários de morte nos anos seguintes. Mas Jeong Taeui sabe que ele é uma pessoa ocupada, então não tem outra escolha.
Embora ele seja um convidado incômodo para Jeong Taeui, a realidade é que ele sempre é requisitado em qualquer país.
— Não sei quando ele vai voltar pra casa, mas se ele voltar, eu peço pra ele te ligar, tá bom?
Mesmo sabendo que, se fosse algo urgente, seria mais fácil para seu tio encontrá-lo diretamente, Jeong Taeui ainda assim abriu a boca.
É claro que, se algo acontecesse com seu irmão, seu tio com certeza jamais encontraria Jaeui.
— Não… Eu não tenho tanto tempo assim.
Ele terminou rapidamente uma tigela de arroz, resmungando enquanto limpava a boca com as pontas dos dedos e encarava Jeong Taeui. Naquele momento, o mau pressentimento que Taeui havia esquecido ressurgiu.
— Jeong Taeui…
— Tio… Eu não sei para que você quer encontrá-lo, mas enfim, você sabe que ele e eu somos muito diferentes, né? Eu sou do tipo que, mesmo que você trouxesse as fórmulas químicas que o Jaeui resolveu quando tinha 5 anos na minha frente, eu ainda não entenderia nada.
Jeong Taeui rapidamente interrompeu antes que Jeong Changin pudesse dizer qualquer coisa. Os olhos do tio se curvaram suavemente para cima novamente, como se tivesse sentido algo interessante.
— Você e o Jaeui sempre souberam que um de vocês era meu filho, né?
Antes daquelas palavras súbitas, por mais inesperadas que fossem, Taeui nunca imaginou que ele as diria num contexto como aquele. Jeong Taeui olhou para ele e suspirou.
— Ah, não é um de nós, mas os dois são seus filhos. Geneticamente. Eu sei. Mas e quanto a isso?
Isso não era um grande segredo. Quando era jovem, ouviu isso diretamente do pai. Ele não sabia se o pai tinha em mente que os dois já eram velhos o bastante para entender aquelas palavras, mas deixou que eles se sentassem e conversassem devagar. A condição física do pai não permitia que ele tivesse filhos, então ele pediu ajuda ao tio e teve os dois irmãos.
Nada mudou depois daquele dia. O pai continua sendo meu pai, o tio continua sendo meu tio.
No entanto, naquela época, meu pai também alertou os dois irmãos:
— Então, se algum dia seu tio disser algo estranho, que também for verdade, por favor, ouçam ele.
Não foi necessariamente por causa das palavras do meu pai, mas os dois irmãos ouviam muito o tio. Tirando as vezes que ele arrumava confusão, o tio continuava sendo um tio gentil e alegre.
Mas meu pai está no céu. E o tio falou coisas estranhas, não uma ou duas vezes.
— Não, não são os dois, só um. Antes de vocês nascerem, como seu pai sabia que vocês eram gêmeos, ele disse que me daria um de vocês. Então, no começo, assim que vocês nasceram, estavam destinados a serem separados e viverem como primos… Mas, assim que vocês dois estavam juntos, ficaram tão apegados um ao outro que desisti de separá-los, para que vocês, que nasceram, pudessem escapar dessa situação de separação.
Pai, olha só. Ele ainda tá falando coisas estranhas, não tá?
Quando Jeong Taeui olhou pro tio, meio sem reação, o tio logo tratou de reforçar o que tinha dito.
— O que eu disse é verdade.
Mesmo ainda achando tudo meio suspeito, ele não era alguém que mentiria. Além disso, por algum motivo, havia uma sensação… O que era, exatamente?
Será que o pai não quis contar diretamente aos dois filhos que havia se oferecido para dar um deles ao irmão mais novo?
É isso… Aquela palavra estranha devia ser isso.
Pensando bem, naquela época o pai ficou em silêncio por um tempo e, então, acrescentou calmamente:
— Quando chegar a hora, trate seu tio como um pai e ouça o que ele disser.
Quando é “quando”? Seria quando o tio pedisse?
Jeong Taeui não sabia. Mas, se aquilo foi o que o pai lhe disse, ele não tinha a menor intenção de questionar. Mesmo com o irmão ausente, provavelmente ele também chegaria à mesma conclusão que Taeui. A personalidade de Jeong Taeui era assim: ele conseguia deixar as coisas de lado com facilidade e se adaptar ao ambiente. Em outras palavras, se adaptava rápido a tudo.
— Sim. Tio… Meu primo não tá aqui. Quando ele voltar pra casa, eu peço pra ele te ligar, tá bom?
Ao ouvir o que Jeong Taeui disse, ele caiu na risada.
O sorriso em seu rosto era idêntico ao do irmão de Taeui.
Bem, se os dois ficassem lado a lado, com certeza as pessoas pensariam que eram pai e filho, até as personalidades deles eram parecidas em certos pontos.
De qualquer forma, desta vez, quando o irmão dele voltar, provavelmente vai se surpreender com a mudança repentina do pai. Ou talvez nem se surpreenda. Jeong Taeui não se lembrava de já ter visto o irmão surpreso com alguma coisa, ou, pelo menos, demonstrando isso.
— Não tenho tempo pra sair procurando aquele garoto sem saber nem pra onde ir. Vamos, Jeong Taeui. A partir de hoje, você é meu filho. Vou preparar minha bagagem. Lá eles vão fornecer o básico, então você só precisa levar o que for realmente necessário.
Changin esfregou o queixo de Taeui e falou de maneira descontraída. A voz dele estava cheia de riso. O único que não parecia nem um pouco feliz ali era Jeong Taeui. Aqueles sons estranhos não tinham graça nenhuma para ele.
— Eu?
— Isso mesmo. Jeong Taeui. Meu filho.
Parecia que um peso enorme estava prestes a cair sobre os seus ombros. Jeong Taeui franziu a testa e olhou para o tio com uma expressão séria.
O tio apareceu de repente e, do nada, reivindicou seus direitos de pai. Mas por que esse tio solteiro, que não tinha intenção nenhuma de casar, precisava de um filho?
— Tudo bem se eu não for?
— Pense nisso como um ato de respeito filial, garoto.
— Pai, eu não gosto disso. Posso ser um filho ingrato?
Changin riu alto. O pai dele e o tio tinham uma diferença de idade enorme. A distância entre a idade do pai e do tio era apenas três anos menor do que entre o tio e Jeong Taeui.
Então, em vez de parecer um tio, Changin parecia mais um irmão mais velho. O tio riu alto, levantou-se e se aproximou de Jeong Taeui. Ele olhou desconfiado para o tio que apareceu de repente na sua frente.
*Ploc*
Jeong Taeui agarrou a cabeça ao levar um cascudo do tio.
— Esse garoto… Eu me esforcei tanto para você ser dispensado do exército, e nem uma palavra de agradecimento? Isso não é respeito filial suficiente? Vou ter que bater mais.
— Ai! Ah! Uau! Está doendo muito, tio! De verdade, está doendo!
Até esse jeito de brigar é parecido com o do Jaeui. De fato, seria melhor se o irmão dele fosse filho desse tio. Parece que o irmão não tem nada a ver com violência por causa da personalidade indiferente, mas quando a mão do Jaeui bate nas costas dele enquanto ele fica parado, é quase como se estivesse perdendo a consciência, ou quando ele dá um tapinha na bochecha para acordá-lo, é exatamente assim.
O tio deu um golpe em Jeong Taeui, depois calmamente esfregou as mãos e se sentou como se nada tivesse acontecido. Jeong Taeui passou a mão na cabeça e resmungou com voz rouca.
— Ainda tenho muito tempo pra cumprir o serviço militar obrigatório, mas achei que tinha sido dispensado de boa… Foi você que me ajudou?
— Sim. Jaeui me contou que o irmão mais novo estava cheio de machucados, tanto no corpo quanto na mente, e chorando no exército.
—…Esse corpo e essa mente estão mesmo machucados…?
Ele quase perdeu a vida no hospital militar, os colegas ao redor também causaram problemas, então ele ficou muito cansado… mas até agora… ele não quer mais lembrar dessas coisas.
O problema começou quando ele foi designado para a mesma unidade das pessoas com quem teve o pior relacionamento na escola de oficiais. No fim, ele quase matou alguém, quase perdeu a própria vida, foi dispensado do exército e agora cortou totalmente o contato com essa pessoa. Agora, ele não quer mais pensar nisso e não tem mais nada em que pensar.
* Traduzido por Mandy Fujoshi. Até o próximo capítulo! *
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Jeong Taeui, cujo irmão mais velho é o gênio Jeong Jaeui, é um ex-soldado que se considera uma pessoa comum. Atendendo à recomendação de seu tio, Jeong Chang-in, Jeong Taeui decidiu trabalhar por seis meses na Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento de Recursos Humanos (UNHRDO). Mas, ao se envolver com um homem maluco de mãos bonitas, Ilay Riegrow, ele nem imaginava que sua vida começaria a desandar em uma direção totalmente inesperada.
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