Ler Fuja se puder – Capítulo 92 Online

Modo Claro

ATENÇÃO – AVISO DE GATILHO. Este capítulo pode conter cenas descritivas desconfortáveis

 

***

‘Esse filho da puta.’

A visão estava turva. Por mais que piscasse várias vezes, o foco não voltava. Ben forçou a consciência que insistia em afundar e começou a se arrastar pelo chão. Fingir que tinha perdido os sentidos tinha sido uma boa escolha. Chrissy caiu direitinho, saiu dali carregando apenas um peso inútil. O rádio comunicador tinha sido levado, mas isso não importava. Ofegante, ele estendeu a mão em direção a uma das paredes. Lá, havia um botão de emergência, preparado para um caso como esse.

‘Hope… como você vira um adulto tão esperto assim?’

Com o corpo inteiro tremendo, ele reuniu as forças que lhe restavam e apoiou a mão na parede. Sentiu sob a ponta dos dedos o botão levemente elevado. Um sorriso amargo surgiu nos lábios de Ben.

‘Crianças levadas precisam ser punidas.’

Depois de apertar o botão com toda a força, ele desabou no chão, completamente exausto. Enquanto o som estridente do alarme ecoava por todo o prédio, Ben perdeu a consciência, ainda com um leve sorriso no canto da boca.

***

— …

Um som vago vinha de algum lugar. Não dava para distinguir se era riso, conversa ou música. Talvez fosse tudo isso misturado. À medida que a consciência voltava aos poucos, Chrissy percebeu que essa última suposição estava correta. Junto com isso, veio a compreensão de que havia sido atirado de volta em um pesadelo.

Clang.

Ao se mover, um som metálico desagradável ecoou. Foi então que ele viu a corrente pesada presa ao seu tornozelo. Deitado no chão, Chrissy baixou o olhar e depois virou a cabeça devagar.

As lembranças recentes se espalharam pela mente como um panorama acelerado e logo se desfizeram. O alarme estridente que soou antes mesmo de conseguirem sair completamente do corredor. Os homens surgindo de todos os lados. As crianças fugindo deles, sua própria luta desesperada para impedi-los… e então o golpe na cabeça e a escuridão.

‘O que aconteceu com as crianças?’

Em um mar de ansiedade e agonia, ele tentou entender a situação. Chrissy estava deitado no canto de um salão enorme. Para impedi-lo de fugir novamente, ou talvez para lembrá-lo de que, ali, sua existência não passava de gado, uma corrente estava presa a um de seus tornozelos. Mais importante do que saber onde ele estava preso era saber o que, ou melhor, quem estava ao seu redor.

O salão estava escuro. O ar pesado estava carregado com fumaça de cigarro, que embrulhava o estômago. Em sofás espalhados, várias pessoas estavam sentadas, todas rindo e conversando enquanto assistiam a uma projeção em uma das paredes. A cena lembrava vagamente um salão elegante, mas havia algo profundamente sinistro ali. Não era apenas por causa da escuridão. O problema era o vídeo exibido à frente deles.

A câmera percorria de forma obsessiva o corpo de um garoto nu. Quando a lente, que se movia lentamente, fez um close-up de uma parte específica do corpo, uma voz soou acima de sua cabeça.

— Olha só, você acordou.

Surpreso, Chrissy levantou o rosto. Um homem grande o encarava de cima, sorrindo. Antes que pudesse reagir, ele continuou falando.

— Não imaginava que você estivesse planejando um evento desses. Estava preocupado que ficaríamos entediados? Obrigado, nos divertimos bastante, graças a você.

O coração de Chrissy despencou. Ele tinha falhado? Ninguém tinha conseguido escapar? E se as crianças tivessem se machucado…?

Sua mente se agitava com a ansiedade quando o homem prosseguiu.

— Como você soube que hoje era justamente o dia? Já que você fez isso por nós, achamos justo retribuir e preparar um lugar especial.

A voz dele soava estranhamente animada. Quando Chrissy sentiu o mau pressentimento, um assobio curto soou em seus ouvidos. Seu corpo enrijeceu por completo e ao mesmo tempo, ele percebeu algo estranho: o ambiente estava quieto demais.

Muito devagar, Chrissy virou a cabeça. O assobio soou outra vez. Ele sabia. Sabia exatamente o que aquele som significava. E quando o terceiro assobio ecoou, Chrissy finalmente reconheceu quem era o protagonista do vídeo.

Ao encarar de frente o rosto exibido na tela, seu corpo inteiro congelou. Pálido como se todo o sangue tivesse sido drenado, Chrissy ouviu o homem gritar com uma voz carregada de excitação.

— Aqui, Hope. É uma exibição só para você.

— Papaaaai…

No vídeo, o garoto sussurrava a boca bem aberta. Chrissy Jin, agora adulto, sentiu o estômago revirar ao reconhecer a própria imagem do passado, ele tinha apenas 7 anos.

***

— Sr. Miller, seja bem-vindo.

O dono da mansão, cumprimentou o homem de cabelos platinados, que havia acabado de descer do carro, com uma mistura de nervosismo e confusão.

— O que… o que o traz aqui? Fiquei muito surpreso com o contato repentino. Ouvi dizer que o senhor não compareceria à reunião de hoje…

Até vê-lo pessoalmente, o dono permaneceu meio cético. Era extremamente incomum, já que Nathaniel Miller raramente aparecia nos encontros. Além disso, era a primeira vez que o via exalando uma névoa de feromônios tão densa e intensa. Alfas dominantes naturalmente liberavam feromônios, mas vê-lo assim, praticamente transbordando, era raro. O dono só conhecia aquele aroma sutil, quase como uma lembrança de perfume no ar, então a confusão era compreensível. Aquilo só podia significar uma de duas coisas: uma excitação colossal ou uma fúria descomunal. E ele apostaria toda sua fortuna que não era a primeira.

— Por favor… me deixe saber se houve algo que o desagradou de alguma forma…?

O dono perguntou, apressando o passo para acompanhar Nathaniel, que já o havia ultrapassado e seguia direto para dentro da mansão. Mesmo apoiado na bengala, Nathaniel caminhava com passos longos e firmes, obrigando o outro a quase correr para não ficar para trás. Sem lhe dar atenção, ele manteve o olhar fixo à frente e perguntou:

— Ele está aqui?

— De quem o senhor está falando?

Felizmente, a voz de Nathaniel soava calma e fria, como sempre. O homem, ainda apreensivo, forçou um sorriso enquanto sua mente corria em desespero, tentando lembrar quem, dentro daquela casa, poderia ser o alvo daquela pergunta.

— …O promotor.

Nathaniel fez uma breve pausa antes de responder. Então, pela primeira vez, voltou o olhar para o dono. Sob aquele olhar, o homem estremeceu e encolheu os ombros. Em tom baixo e ameaçador, Nathaniel murmurou:

— Onde está Chrissy Jin?

***

Chrissy estava completamente destruído, sentado no chão como um trapo. Ele nem piscava. Na parede à sua frente, sua própria imagem tremulava, ampliada e distorcida. A cena que exibia o garoto, forçando um sorriso cheio de medo, curvando-se e abrindo as pernas conforme ordenado, preenchia seus olhos arregalados.

“Papai, eu te amo.”

“Papai, me dá um doce. Eu adoro o doce grande do papai.”

“Papai, dá umas palmadas na minha bunda, Smack, smack, assim.”

“Sim, eu gosto. Eu gosto muito. A Hope adora ser tocada aqui…”

— Ah… não é algo realmente heróico?

O homem suspirou e murmurou acima dele. De vários cantos, sons de fivelas sendo abertas ecoaram. O homem também começou a esfregar a frente de suas calças, enquanto continuava falando.

— Você foi mesmo uma espécie de superestrela. Ainda não vi uma criança tão obscena e provocante quanto você. Se ainda fosse assim, todos nós continuaríamos mimando você.

A mente de Chrissy girava. A náusea subiu, mas o que veio foi apenas um gosto amargo de suco gástrico. Seu corpo inteiro tremeu; ele cuspiu saliva no chão. O homem, porém, ignorou completamente o estado dele e continuou tagarelando.

— Você era uma criança com um talento fora do comum. Nunca vi uma criança lamber um pirulito tão deliciosamente.

— …Cala a boca.

Chrissy conseguiu forçar a voz para fora, mas o homem não deu atenção e seguiu falando sem parar.

— Ah, como você lambia meu pirulito tão deliciosamente. Maravilhoso, uma criança tão talentosa quanto você nunca deveria ter crescido. Veja, aquela boquinha está cheia do creme que seu pai colocou nela…

— Cala a boca! Cala a boca! Cala a porra da boca!

Por fim, Chrissy acabou gritando e tentou avançar contra ele. Mas logo seus pés foram presos pela corrente, e ele caiu desajeitadamente no chão. Ao verem aquilo, os homens ao redor explodiram em gargalhadas. Entre elas, ouviam-se gemidos excitados e ofegantes. Eram sons das pessoas se masturbando enquanto assistiam ao vídeo. No seu limite, Chrissy acabou soltando um grito que mais parecia um berro de desespero.

— Não! Eu não queria isso! Eu só estava com medo, nunca, nem uma única vez, fiz isso porque quis!

— Não. Você quis.

O homem negou suas palavras sem hesitar.

— Foi por isso que ficou tão excitado. Se você não tivesse provocado, acha que seu pai teria feito aquilo com você?

— Não! Eu não fiz nada!

— Ah, fez sim. Todos nós somos testemunhas.

O homem sorriu e olhou ao redor. Alguns dos outros homens riram em concordância. Um deles se levantou e caminhou até Chrissy, dizendo:

— Você estava de shorts, balançando sua bundinha sexy para o seu papai.

— Eu tinha cinco anos! Só estava mostrando a dança e a música que aprendi na escola.

‘Porque queria ser amado.’

Chrissy sentiu, de repente, como se algo grande estivesse preso no fundo da garganta. Sim, porque queria ser amado. Pelos meus pais adotivos. Por aquele maldito pedófilo pervertido.

‘Era só isso.’

— Não foi minha vontade…

— É uma pena.

Ao som da voz que saiu quase espremida de sua garganta, outro homem suspirou enquanto o observava de cima.

— Você ficou velho demais. Infelizmente.

Ele realmente parecia pensar assim.

— É por isso que você sente inveja do seu eu do passado.

Ele se inclinou e sussurrou perto da orelha de Chrissy.

— Coitado, você cresceu demais para ser considerado fofo e não recebe mais carinho de ninguém.

No vídeo, o menino pequeno gritava. Os homens gemeram e ejacularam como se aqueles gritos fossem de prazer. Mas Chrissy sabia. Aquilo não era um gemido, eram gritos de socorro.

Ele sempre rezava. Rezava para que aquela porta se abrisse e alguém viesse salvá-lo.

Olhando para a porta firmemente fechada do salão com olhos vazios, ele se lembrou.

Todas as noites rezava. Para que aquele homem não viesse ao seu quarto.

Toda vez que tomava banho com ele, o garoto implorava: por favor, que um anjo descesse e o tirasse dali.

Quantas vezes desejou que aquela câmera quebrasse e aquilo tudo acabasse.

Mesmo sabendo muito bem que isso nunca aconteceria.

‘Por favor, por favor….. Alguém me tire desse inferno…’

Foi então que, com um som áspero, a porta se abriu e a luz inundou o recinto.

 

 

°

°

Continua….

 

 

 

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m caso chocante acontece: um alfa, junto com seu grupo, estupra e assassina um ômega. O promotor encarregado do caso, Chrissy Jin, recusa qualquer acordo e decide levar o caso a julgamento, determinado a garantir uma punição adequada.
É nesse contexto que ele encontra pela primeira vez Nathaniel Miller, representante da maior firma de advocacia dos Estados Unidos, o Miller. Mas a arrogância de Nathaniel não lhe agrada em nada.
Pouco depois, ao voltar de um encontro com seus pais adotivos, Chrissy se envolve num acidente de trânsito: por azar, o carro em que bateu é justamente o de Nathaniel. Diante do valor absurdo do conserto, Chrissy não tem escolha a não ser ir até o homem para explicar sua situação, mas o lugar onde Nathaniel se encontra é, na verdade, uma festa de feromônios.
Lá, Chrissy quase acaba sendo violentado por Nathaniel, mas consegue atingi-lo com um caco de vidro e escapa. A partir desse incidente, a atitude de Nathaniel muda radicalmente: ele demite o advogado responsável pelo caso e decide assumir a defesa pessoalmente.
Os dois passam a se enfrentar no tribunal. No entanto, mesmo em meio a essa relação de hostilidade, Chrissy se sente estranhamente atraído por ele. Nathaniel, por sua vez, não disfarça seu interesse por ele. Em meio a essa tensão crescente, um dos membros do júri surpreende Chrissy com uma revelação inesperada….
Nome alternativo: Run Away If You Can

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