Ler Fuja se puder – Capítulo 88 Online

Modo Claro

 

‘… Minha cabeça dói.’

— Ugh…

Chrissy gemeu baixinho e abriu os olhos com dificuldade. Não era só a cabeça que doía. O tornozelo, o corpo inteiro, tudo parecia prestes a se despedaçar. Afinal, qual era a origem de toda aquela dor? Ao vasculhar a memória, ele conseguiu, com esforço, entender como havia acabado perdendo a consciência.

— Eu… ngh.

Ele tentou se levantar rapidamente, mas logo se encolheu com um gemido. Esperou a dor lancinante que se espalhava pelo corpo inteiro diminuir um pouco e, só então, conseguiu erguer a cabeça e perceber onde estava.

‘Uma jaula.’

Na pequena gaiola, em que mal cabia um adulto agachado, grossas barras de ferro estavam erguidas em intervalos regulares, e o cadeado pesado preso à fechadura parecia avisar para nem sonhar em escapar.

‘Onde caralhos é este lugar…?’

A lâmpada que iluminava o ambiente era fraca, mas suficiente para distinguir as coisas ao redor. Chrissy logo percebeu que não havia apenas uma ou duas jaulas ali, e que ele não era o único preso. Em cada jaula havia uma pessoa e pouco depois ele também entendeu por que aquelas jaulas eram tão pequenas.

Todos os que estavam presos, exceto Chrissy, eram crianças.

Ao constatar os corpos pequenos, que pareciam não ter nem dez anos de idade, Chrissy engoliu em seco sem perceber. Mesmo quando desviava o olhar para o lado ou mais adiante, nada mudava. Ao ver aqueles corpos magros e pequenos em seu campo de visão, ele quase gritou.

— Haa, haa. Haa, haa.

A respiração ofegante fez a tontura subir. Ele fechou os olhos com força e prendeu o ar. Permaneceu assim até que a vertigem diminuísse lentamente e só quando a falta de oxigênio começou a doer, soltou o fôlego de uma vez. À medida que recuperava um pouco da lucidez, sons baixos começaram a chegar aos seus ouvidos. Não demorou para perceber que eram soluços de crianças chorando.

Ao abrir os olhos novamente e olhar em volta, Chrissy teve dificuldade em aceitar que a cena diante dele era real. Era doloroso demais, mas aquilo estava realmente acontecendo. Colocar crianças tão pequenas e indefesas em jaulas, como se fossem gado….

De forma terrível, ele já tinha visto jaulas como aquelas antes. Mais precisamente, ele já havia estado ali dentro, preso como aquelas crianças. Talvez por isso, mais do que nunca, ele não queria acreditar que aquilo fosse a mesma situação daquela época.

‘Por favor… que não seja isso.’

Chrissy mordeu o lábio inferior e engoliu um gemido profundo. Forçando-se a manter a calma, tentou entender a situação. Quando seus olhos se acostumaram à escuridão, avistou um menino agachado na jaula à sua frente. Ele abriu a boca, engoliu a saliva seca uma vez e com dificuldade chamou a criança.

— Ei, garoto. Você está me ouvindo? Aqui… olhe para cá.

Ele bateu levemente nas grades da jaula com os dedos para fazer barulho, viu a criança se encolher. A reação veio com um pequeno atraso. O garoto ergueu a cabeça lentamente e ainda abraçando os joelhos, encarou Chrissy em silêncio. Tentando a todo custo fazer contato visual e não assustá-lo, Chrissy abriu um sorriso gentil e falou com cuidado.

— Oi, eu sou o Chrissy Jin. Qual é o seu nome?

O menino não respondeu, apenas continuou olhando para ele. Chrissy não parou por aí e continuou falando.

— O que é este lugar? Como você veio parar aqui? Tudo bem, eu sou um promotor. Se alguém fez algo ruim com você, eu posso ajudar. Você pode me contar o que houve?

Mesmo com as palavras contínuas de Chrissy, o garoto apenas escutava. De vários pontos, os sons de choro abafado continuavam a ecoar. Chrissy esperou pacientemente até que o menino se sentisse minimamente à vontade para falar. Finalmente, ele murmurou em uma voz muito baixa:

— … Mas você também está preso na jaula.

Como se achasse absurdo alguém dizer aquilo naquela situação, o garoto falou com indiferença. Ele podia ser jovem, mas não era idiota. Estando praticamente na mesma condição que ele, era natural não confiar em palavras como aquelas. Chrissy compreendia perfeitamente o que se passava no coração do menino e, ainda assim, continuou falando.

— Eu me deixei ser capturado de propósito. Logo a polícia virá me resgatar, então você só precisa me contar o que sabe.

O garoto respondeu, ainda desconfiado.

— Por que alguém viria ser capturado de propósito? Então você não veio já sabendo de tudo?

Felizmente, Chrissy era um adulto. Diferente de uma criança, um adulto sabe mentir com habilidade. E ele era um adulto já bem calejado, acostumado a mentir.

— Claro que eu sei. Mas saber algo e ouvir de quem realmente viveu é  totalmente diferente. Você entende, não entende? O quanto o depoimento de uma testemunha é importante.

A parte final era verdade. Embora ainda fossem crianças, se houvesse depoimentos coincidentes, aquilo seria mais do que suficiente para serem aceitos.

‘Por favor… que não seja aquilo.’

Enquanto Chrissy rezava em silêncio, o garoto pareceu hesitar, meio convencido, meio desconfiado e então abriu a boca com cautela.

— Eu sou o Scott Payne.

— Oi, Scott. Prazer em te conhecer.

Ao chamá-lo pelo nome com familiaridade e sorrir, o garoto assentiu levemente e continuou falando.

— Eu estava brincando na frente de casa quando, de repente, um carro veio e me pegou. Ali… a Maple disse que o pai mandou ela seguir um homem de repente e foi assim que ela veio parar aqui…

As histórias que se seguiram eram todas parecidas. No fim das contas, aquelas crianças haviam chegado ali por caminhos semelhantes: tinham sido vendidas pelos próprios pais ou sequestradas enquanto brincavam. E, assim que chegavam, eram jogadas nas jaulas, recebiam apenas o mínimo de comida e esperavam o dia em que seriam levadas embora.

— Levadas embora? O que você quer dizer com isso? Para onde vão?

Diante da pergunta de Chrissy, o garoto respondeu com uma voz quase inaudível.

— Eu não sei. Só sei que, de vez em quando, algumas pessoas saem… e depois disso nunca mais voltam…

Depois de dizer isso, Scott murmurou com a voz completamente embargada.

— Eu quero ir pra casa. Mamãe… papai…

O choro de Scott se misturou aos soluços que ecoavam por todo o lugar. Chrissy queria abraçá-lo, mas isso era impossível, já que ele também estava preso dentro de uma jaula.

— Não chore, Scott. Eu prometo que vou tirar todos vocês daqui.

Ele tentou, de todas as formas, consolar a criança. Nem queria imaginar o que pretendiam fazer ao sequestrar crianças daquele jeito. Afinal, Chrissy já sabia muito bem.

“Não… não… por favor, para! Eu não quero! Não…!”

A própria voz, chorando e implorando, ecoou em seus ouvidos. Ele enterrou o rosto entre as mãos e respirou fundo. Não era hora de ficar relembrando o passado nem de se afundar em autopiedade. Ele precisava sair dali. Precisava ajudar aquelas crianças a escaparem.

‘Mas como?’

Chrissy apalpou o interior da jaula às pressas, examinando tudo. Se era um lugar feito para manter crianças presas, talvez não fosse tão resistente assim. As crianças não teriam força suficiente, mas um homem adulto talvez…

— Droga.

Ao tentar chutar a parede oposta às grades, ele acabou soltando um palavrão. A dor tardia atravessou seu tornozelo ferido. Usar as duas pernas era impossível. Será que conseguiria quebrar aquela parede usando apenas uma perna?

Foi enquanto tateava seriamente as junções das grades com as mãos que, de repente, ouviu o som de uma porta se abrindo. Em seguida, o ambiente inteiro se iluminou. Alguém entrou e acendeu todas as luzes.

Com a luz repentina, Chrissy franziu o rosto e cobriu os olhos com uma das mãos. Logo depois, ouviu passos pesados, ritmados. Era o som de alguém descendo as escadas. Piscando rapidamente para se acostumar à claridade, ele olhou apressado para fora da jaula. No interior do recinto, jaulas empilhadas em dois andares estavam alinhadas em fileiras e em cada uma delas havia, sem exceção, uma criança presa.

Ao ver aquelas crianças apavoradas e assustadoramente magras, Chrissy sentiu o coração afundar no peito. ‘Acorda, Chrissy. A única pessoa que pode salvá-las agora é você.’ Ele fechou os olhos com força e tornou a abri-los, examinando o entorno mais uma vez. Os passos se aproximavam cada vez mais. Segurando as grades com força, Chrissy tentou identificar quem se aproximava. Por fim, o homem parou diante da jaula em que ele estava preso e, abrindo um sorriso radiante, o cumprimentou.

— Ora, então você acordou. É uma honra infinita encontrá-lo assim. Nossa superestrela!

Abrindo bem os braços, ele falou de forma exagerada. Chrissy olhou para o rosto do homem, confuso.

‘Onde foi que eu já vi esse rosto? Definitivamente já o vi antes…’

‘Ah.’

Logo ele percebeu. A identidade do homem que sorria para ele.

O homem que havia se apresentado como “Ben”.

Por que aquele homem, que criou obstáculos e implicou com tudo durante o Grande Júri, estava ali?

 

°

°

Continua…

 

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m caso chocante acontece: um alfa, junto com seu grupo, estupra e assassina um ômega. O promotor encarregado do caso, Chrissy Jin, recusa qualquer acordo e decide levar o caso a julgamento, determinado a garantir uma punição adequada.
É nesse contexto que ele encontra pela primeira vez Nathaniel Miller, representante da maior firma de advocacia dos Estados Unidos, o Miller. Mas a arrogância de Nathaniel não lhe agrada em nada.
Pouco depois, ao voltar de um encontro com seus pais adotivos, Chrissy se envolve num acidente de trânsito: por azar, o carro em que bateu é justamente o de Nathaniel. Diante do valor absurdo do conserto, Chrissy não tem escolha a não ser ir até o homem para explicar sua situação, mas o lugar onde Nathaniel se encontra é, na verdade, uma festa de feromônios.
Lá, Chrissy quase acaba sendo violentado por Nathaniel, mas consegue atingi-lo com um caco de vidro e escapa. A partir desse incidente, a atitude de Nathaniel muda radicalmente: ele demite o advogado responsável pelo caso e decide assumir a defesa pessoalmente.
Os dois passam a se enfrentar no tribunal. No entanto, mesmo em meio a essa relação de hostilidade, Chrissy se sente estranhamente atraído por ele. Nathaniel, por sua vez, não disfarça seu interesse por ele. Em meio a essa tensão crescente, um dos membros do júri surpreende Chrissy com uma revelação inesperada….
Nome alternativo: Run Away If You Can

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