Ler Fuja se puder – Capítulo 80 Online
Pela primeira vez, uma expressão confusa cruzou o rosto de Chrissy. Era uma reação perfeitamente normal para qualquer pessoa comum. Nathaniel observou com interesse que tipo de ação este homem tomaria a seguir. Perguntaria o que aquilo significava? Ou fingiria que não ouviu?
Chrissy escolheu a segunda opção. Ele logo apagou a expressão de seu rosto e baixou os olhos. Seu olhar se direcionou para suas próprias pernas esticadas sob a camisa larga – que não lhe servia e tinha as mangas dobradas ao máximo – e passou devagar a mão pelo próprio tornozelo. Nathaniel acompanhou o movimento com os olhos, fixando-os no mesmo lugar: o tornozelo longo e delicado estava realmente inchado. Seu olhar se estreitou e o aroma de feromônio que estava sutilmente disperso ao redor se intensificou momentaneamente a ponto do próprio Nathaniel perceber. Chrissy certamente também notou aquilo, mas abriu a boca como se nada estivesse acontecendo.
—…… então?
Só então Nathaniel percebeu que não tinha entendido metade do que Chrissy havia dito.
— Perdão, o que disse?
Perguntou com uma naturalidade que não negava nem admitia a própria distração. Chrissy repetiu sem alterar a expressão:
— Perguntei se posso tomar banho sozinho. Porque não aguento mais.
Ele franziu ligeiramente o rosto ao dizer a última parte. Quando viu que Nathaniel não respondeu de imediato, Chrissy entortou o canto da boca e acrescentou com um tom claramente sarcástico:
— Não foi você quem disse que iria me dar banho? Achei que tinha que esperar até você voltar do trabalho.
Houve um breve silêncio, e então Nathaniel relaxou a boca e respondeu:
— É verdade, eu disse isso mesmo.
Falando em um tom estranhamente misturado com riso, ele de repente se virou e instruiu:
— Espere um pouco. Vou encher a banheira.
Nathaniel desapareceu no banheiro conectado ao quarto e, surpreendentemente, alguns instantes depois, Chrissy ouviu o som da água correndo. Ele ficou sentado onde estava, quieto, até o homem retornar apenas de camisa, sem o paletó do terno. Chrissy já tinha se preparado para ser jogado novamente no ombro como um saco de tralhas, mas de repente Nathaniel estendeu o braço para ele.
— Venha. Suba.
Pegos de surpresa, os olhos de Chrissy piscaram algumas vezes. Mas Nathaniel não esperou: simplesmente o tomou nos braços e o ergueu. Chrissy acabou sentando como uma criança no colo do homem e, no susto, agarrou-se aos ombros dele. Nathaniel então perguntou, olhando para ele:
— Assim é melhor, não é?
Chrissy ficou tão confuso que não respondeu. Nathaniel caminhou como se a resposta fosse óbvia e sem alternativa, Chrissy acabou abraçando o pescoço dele. Com uma mão segurando a bengala e a outra sustentando Chrissy, Nathaniel caminhou com sua habitual tranquilidade. Seu braço não tremia, não vacilava; era como se carregar um adulto fosse tão simples quanto erguer uma criança de três anos. Isso deixou Chrissy, por dentro, completamente desconcertado.
Mas o constrangimento estava apenas começando. Depois de colocá-lo dentro da banheira, o homem pegou uma esponja, aplicou sabão e começou a fazer espuma.
— É melhor manter o tornozelo elevado para não inchar ainda mais.
Disse isso enquanto segurava o tornozelo machucado de Chrissy e o apoiava suavemente na borda da banheira. Chrissy involuntariamente fez uma careta, mas não o empurrou. Mais importante que isso era o porquê desse homem está agindo assim com ela agora.
— Por que você está sendo tão gentil? Justo você, que não hesitou em me dar ração de cachorro.
Incapaz de suportar o silêncio, Chrissy finalmente disparou. Nathaniel soltou um breve riso.
— Eu disse que daria banho em você, então devo cumprir minha promessa.
Não era uma afirmação errada, mas o método não fazia o menor sentido. Chrissy havia pensado que, no máximo, levaria um jato de água fria como um prisioneiro. Mas aquilo? O que significava aquilo? Percebendo a confusão estampada no rosto dele, Nathaniel acrescentou:
— É a primeira vez que faço algo assim por alguém.
Dessa vez, Chrissy não deixou passar.
— Devo me sentir honrado?
Nathaniel apenas sorriu diante da provocação dele. A esponja cheia de espuma tocou o pescoço de Chrissy. O movimento lento, esfregando seu corpo, era extremamente calmo, mas Chrissy não se deixou enganar. O motivo de ele estar ali, obedientemente mantendo o tornozelo para fora da água, era porque tinha outros planos.
— …Ugh.
O corpo mal se mexeu, mas o tornozelo latejou com uma dor aguda. Ele conteve um gemido e encolheu os dedos dos pés; e, como esperado, o olhar de Nathaniel caiu naquela direção. Chrissy não perdeu aquele momento. Percebeu nitidamente a parte frontal da calça do homem inchar.
‘Vamos, venha. Depressa.’
Ele praguejou por dentro.
‘Desta vez, vou morder seu pescoço e rasgá-lo.’
***
Algumas horas antes.
— Merda.
Chrissy soltou o palavrão entre os dentes. Depois de vasculhar a casa inteira como um louco, mas quando finalmente encontrou a chave da biblioteca, o arquivo que ele buscava, o de Anthony, não estava lá. Vendo o espaço vazio onde deveria estar, ele enterrou o rosto nas mãos.
Haah…
Uma longa respiração escapou, acompanhada de um profundo sentimento de frustração. Tinha suportado todas aquelas perversões daquele desgraçado para nada. E agora? O que ele deveria fazer?
Ele já tinha procurado a casa inteira em busca da chave, mas nada útil tinha aparecido. Restavam poucas opções. A primeira era simplesmente ir embora dali e largar tudo. Para si mesmo, sem dúvida, era a melhor escolha. Fugir daquele advogado imprevisível e lunático e nunca mais cruzar com ele. Mas isso significava carregar, até a morte, a culpa por abandonar o detetive Simmons.
Chrissy negou com a cabeça. Se fosse desistir, não teria chegado até ali. Então qual era o próximo passo?
No fim das contas, todas as chaves estavam nas mãos de Nathaniel. Chrissy conhecia apenas uma solução – usá-lo. De algum jeito.
Frustrado, ele soltou um gemido profundo quando, de repente, um alarme estridente soou. Assustado com o som inesperado, Chrissy congelou e moveu os olhos rapidamente. Era fogo? Alarme de incêndio? O que…?
A resposta veio com o som da impressora. Chrissy virou rapidamente e soltou o ar num suspiro quase aliviado. Era um fax. Sentindo-se bobo por ter se assustado, ele hesitou, mas acabou caminhando até lá. A máquina ao lado da escrivaninha continuava cuspindo folhas. Na parte superior de cada página havia a mesma palavra, e Chrissy franziu a testa.
‘…Um laboratório?’
Quando o aparelho terminou de imprimir, ele pegou o maço de folhas. O nome daquele laboratório lhe era familiar. Um centro de pesquisa sobre características biológicas – especialmente alfas dominantes. Existiam duas unidades, uma no oeste e outra no leste, mas a principal ficava no oeste. Era tudo o que Chrissy sabia, mas o suficiente para suspeitar que aquilo tinha relação com Nathaniel. E, de fato, a primeira folha confirmava: N. Miller estava escrito no topo.
‘Por que usar fax e não e-mail?’
Era estranho, mas para Chrissy aquilo era uma sorte colossal. Qualquer informação sobre Nathaniel era valiosa.
As duas primeiras páginas eram apenas gráficos e números caóticos. Ele passou por elas até encontrar alguma explicação. Então, finalmente, achou o que queria.
<Foi confirmado que seus atuais níveis de feromônio estão em um patamar consideravelmente perigoso..>
Chrissy parou ao ler a primeira frase. Rapidamente, correu os olhos pelo resto do texto, absorvendo tudo.
<Nathaniel Miller está há meses sem liberar feromônios.>
Ele leu repetidamente, mas o conteúdo do relatório não mudava. Os feromônios de Nathaniel estavam, portanto, atingindo seu limite, e um incidente poderia ocorrer a qualquer momento.
<Rut. Perda de memória.>
Chrissy ficou parado, encarando aquelas palavras. Uma leve excitação se espalhou lentamente por todo o seu corpo. Suas mãos, segurando os documentos, tremiam levemente.
Ele havia encontrado, o ponto fraco de Nathaniel Miller.
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Continua…
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m caso chocante acontece: um alfa, junto com seu grupo, estupra e assassina um ômega. O promotor encarregado do caso, Chrissy Jin, recusa qualquer acordo e decide levar o caso a julgamento, determinado a garantir uma punição adequada.
É nesse contexto que ele encontra pela primeira vez Nathaniel Miller, representante da maior firma de advocacia dos Estados Unidos, o Miller. Mas a arrogância de Nathaniel não lhe agrada em nada.
Pouco depois, ao voltar de um encontro com seus pais adotivos, Chrissy se envolve num acidente de trânsito: por azar, o carro em que bateu é justamente o de Nathaniel. Diante do valor absurdo do conserto, Chrissy não tem escolha a não ser ir até o homem para explicar sua situação, mas o lugar onde Nathaniel se encontra é, na verdade, uma festa de feromônios.
Lá, Chrissy quase acaba sendo violentado por Nathaniel, mas consegue atingi-lo com um caco de vidro e escapa. A partir desse incidente, a atitude de Nathaniel muda radicalmente: ele demite o advogado responsável pelo caso e decide assumir a defesa pessoalmente.
Os dois passam a se enfrentar no tribunal. No entanto, mesmo em meio a essa relação de hostilidade, Chrissy se sente estranhamente atraído por ele. Nathaniel, por sua vez, não disfarça seu interesse por ele. Em meio a essa tensão crescente, um dos membros do júri surpreende Chrissy com uma revelação inesperada….
Nome alternativo: Run Away If You Can