Ler Fuja se puder – Capítulo 79 Online
Chrissy também não respondeu, como se concordasse com aquilo. Apenas fez uma expressão de desagrado, deixando claro que não queria admitir nada.
‘Ah… que visão mais lastimável.’
Nathaniel pensou automaticamente. Estar naquela posição – naquele corpo frágil, incapaz de fazer qualquer coisa, olhando impotente para um oponente impossível de vencer – era realmente miserável.
A bengala, que ele havia deixado cair quando foi atacado de surpresa, estava largada alguns passos adiante. Nathaniel caminhou até ela devagar, tropeçando ligeiramente, como se não tivesse outra escolha.
— Então.
Só depois de apoiar-se na bengala e ficar totalmente ereto, ele se virou para Chrissy e perguntou:
— O evento de hoje termina aqui?
Era difícil dizer se ele estava debochando ou se estava realmente desapontado. Chrissy ficou em silêncio por alguns instantes, mas respondeu com naturalidade:
— Termina sim, infelizmente. — Surpreendentemente, ele teve uma recuperação até que boa. Logo até sorriu antes de completar: — Mas o evento de hoje não foi tão ruim, não acha?
— Ah, sim. Com certeza. — Nathaniel assentiu de imediato e abriu um sorriso significativo. —Você é a primeira pessoa que me atacou de cima.
Era óbvio. Não havia muitas pessoas no mundo mais altas do que Nathaniel. Por isso, ele nunca precisava se preocupar com golpes vindos de cima, e Chrissy havia percebido isso. Mesmo tendo falhado, a tentativa não foi ruim. No entanto, o fato de que Chrissy provavelmente não pensou nas consequências pareceu curioso para Nathaniel. Como se estivesse pensando em algo, o homem acariciou o queixo com uma mão e então falou:
— Porque fez isso? Não considerou essa possibilidade? Eu poderia matá-lo aqui e agora, sabia?
Poderia ser raiva por ele ter ousado fazer algo assim, ou por puro incômodo. Poderia ser qualquer coisa. O fato é que era plausível. Ninguém sabia que Chrissy estava sendo mantido ali e mesmo que alguém descobrisse, Nathaniel tinha dinheiro e poder suficientes para encobrir qualquer coisa. Chrissy certamente sabia disso.
— Porque essa era a única escolha que eu tinha.
Era a resposta que Nathaniel já esperava. Ele continuou:
— Mesmo correndo o risco de morrer?
Era isso o que realmente o intrigava. Chrissy realmente não considerava a possibilidade de Nathaniel matá-lo? Talvez fosse algo difícil para Chrissy, ou para qualquer pessoa comum, mas para certos tipos de homens, como Nathaniel, matar não era nada. E Chrissy sabia disso. O homem à sua frente tinha tentado queimar seus olhos e não hesitava em estrangulá-lo. Apesar disso, Chrissy olhou para ele com um rosto impassível e disse:
— E daí?
Nathaniel ficou em silêncio por um momento. Apenas fitou o rosto de Chrissy intensamente, como se estivesse tentando discernir se o que o homem dissera era sincero ou não.
— Qual é o seu objetivo indo tão longe assim?
Algum tempo se passou até que Nathaniel finalmente falasse. Chrissy franziu a testa sem perceber. Teria que repetir novamente o que já disse várias vezes?
— Acho que já disse que quero salvar o detetive Simmons?
Nathaniel calou-se novamente. Suas sobrancelhas levemente franzidas, no entanto, de alguma forma faziam parecer que ele não acreditava nas palavras de Chrissy.
Definitivamente eles não tinham um laço familiar.
A investigação sobre Chrissy já tinha sido concluída fazia tempo. Ele e o detetive Simmons só tinham trabalhado juntos por coincidência em um caso – nada mais. Ainda assim, ele estava indo tão longe por alguém com quem não tinha qualquer vínculo?
Ele ficou em silêncio por um momento, perdido em seus pensamentos, enquanto observava Chrissy. Se o Beta realmente acreditava naquilo, então Nathaniel também precisaria mudar de abordagem. Pessoas que carregam um “dever” não se dobram facilmente. Se Chrissy estivesse agindo movido pela “missão” de salvar Simmons, então, por mais difícil que fosse o caminho, ele suportaria tudo. Claro que haveria um limite, mas continuar assim seria apenas desperdiçar tempo.
Ao chegar a essa conclusão, o olhar de Nathaniel repentinamente se voltou para as pernas de Chrissy. Ele vestia uma camisa que era claramente de Nathaniel, mas a parte inferior do corpo estava nua, como de manhã. A camisa oversized tinha as mangas dobradas, servindo apenas para cobrir o essencial, mas quanto à calça… talvez fosse até melhor que ele realmente não estivesse usando nada. A ponta dos seus dedos repousava em um dos seus tornozelos. Ao notar que aquele tornozelo parecia inchado em comparação ao outro, Nathaniel parou o olhar ali, sem disfarçar.
Logo em seguida, apoiado na bengala, ele deu passos largos – maiores que o normal – aproximando-se com determinação de Chrissy. A situação surgiu tão abruptamente que Chrissy nem teve tempo de reagir antes que, em três ou quatro passos, Nathaniel já estivesse parado bem diante dele.
— Você se machucou?
Ao ouvir a pergunta, dita de súbito enquanto Nathaniel se inclinava sobre ele, Chrissy ficou tão surpreso que tentou afastar o corpo para trás. Mas, novamente, Nathaniel foi mais rápido: ele agarrou o tornozelo nu de Chrissy com uma das mãos, e o outro, sem querer, prendeu a respiração. Ele empalideceu ao perceber que quase provocou outro choque elétrico só por reflexo. Nathaniel o olhou de relance, observando sua reação e voltou a fixar a atenção no tornozelo.
— Você foi realmente imprudente.
Ele falou num tom que soava como desdém, mas, na verdade, era uma das poucas vezes em que dizia algo com sinceridade. Qualquer pedaço de papel teria mais resistência do que aquele corpo. Nathaniel já tinha visto, mais de uma vez, esse homem terminar ferido diante dele.
‘Então, por que diabos ele sempre joga seu corpo no perigo assim, sempre como se não fosse nada?’
— Não queria morrer de verdade, certo?
Ao ouvir a pergunta desconfiada, Chrissy soltou um riso curto, incrédulo.
— Por favor… Eu jamais cometeria suicídio.
Ele não podia matar ninguém, mas também não podia matar a si mesmo. Ser morto por outra pessoa e tirar a própria vida eram coisas completamente diferentes. E por isso ele acabou nessa situação. Se pudesse matar Nathaniel, ou ao menos chantageá-lo colocando a própria vida em risco, a história teria sido completamente outra.
Diante das palavras de Chrissy, Nathaniel ficou em silêncio por um momento, com uma expressão sombria. ‘No que ele está pensando agora?’ Chrissy se perguntou, mas logo desistiu. ‘Como eu poderia entender o que se passa na mente deste homem?’
Foi nesse momento que, de repente, Nathaniel passou um braço em torno da cintura de Chrissy. Surpreso, ele prendeu a respiração, e Nathaniel falou imediatamente:
— Fique quieto. Como pode ver, minha perna está nesse estado, então não tenho como carregá-lo de forma elegante nos braços.
E assim Chrissy foi erguido, e colocado sobre o ombro de Nathaniel. Atônito, ele virou o rosto depressa, mas só conseguiu ver a nuca do homem. Como se carregasse um saco pesado cheio de quinquilharias, Nathaniel o acomodou no ombro sem nenhum cuidado e começou a subir as escadas. A cada passo, o corpo de Chrissy balançava; o campo de visão tremia tanto que lhe deu enjoo. Ele queria protestar, mas o medo de cair o deixou incapaz de resistir muito.
‘O que é isso… de repente… o que está acontecendo…’
Ele repetiu as mesmas palavras na mente, mas não por muito tempo. No fim, Chrissy apenas enterrou o rosto nas mãos e soltou um xingamento abafado.
***
Chrissy tinha certeza absoluta de que seria trancado novamente no quarto escuro e sombrio onde havia adormecido no dia anterior, mas sua expectativa estava completamente errada. Ao ouvir o som da porta se abrindo, ele abaixou as mãos, e imediatamente franziu a testa ao ser atingido pela luz clara do ambiente, em seguida, ficou perplexo. O cômodo amplo e impecavelmente organizado era familiar. Ele o reconheceu na hora, era o quarto em que se escondeu mais cedo para procurar a chave da biblioteca. As pinturas penduradas na parede, as esculturas elegantes, a mesa de chá e até a enorme cama no centro – tudo estava exatamente igual. E, surpreendentemente, Nathaniel o colocou naquela cama.
Mas não acabou aí. Antes que Chrissy pudesse dizer qualquer coisa, Nathaniel saiu e voltou logo depois, com uma pequena chave na mão. Quando ele se aproximou, a coleira de cão que apertava o seu pescoço a um tempo se abriu e caiu.
Chrissy olhou para o objeto de couro, incrédulo, depois levantou os olhos lentamente para Nathaniel.
— I-Isso … o quê isso significa?
Chrissy conseguiu finalmente abrir a boca, mas logo olhou para Nathaniel com um rosto cheio de desconfiança enquanto perguntava:
— O que exatamente você está tramando agora? O que está planejando?
Antes de responder, Nathaniel se sentou na beira da cama e estendeu a mão. Seus dedos longos tocaram o tornozelo de Chrissy e, só então, quando o viu se encolher de susto, ele abriu a boca:
— Amanhã vai estar tão inchado que você mal vai conseguir andar. Então a nossa brincadeira vai ter que ser interrompida por um tempo.
A palavra “brincadeira” soou ofensiva aos ouvidos de Chrissy, mas havia outra coisa que ele queria perguntar antes.
— Este é o seu quarto. Você está dizendo que… eu devo dormir aqui?
Nathaniel respondeu mantendo a mão no tornozelo de Chrissy:
— Não vou forçá-lo a nada, senhor promotor. Se a minha outra perna também ficar inutilizada, seria bem problemático.
Tinha feito todo tipo de coisa coercitiva até agora, mas justo o sexo ele decide que deve ser por vontade própria? Que tipo de pervertido grandioso esse homem achava que era? Chrissy soltou um suspiro incrédulo.
— Então não é como se trancar alguém naquele quarto e torturar a pessoa seja o seu tipo de diversão, é isso?
Diante da provocação de Chrissy, Nathaniel surpreendentemente sorriu.
— Aquele quarto não foi feito por mim. Ele já existia na casa.
O tom era descontraído, como de costume, mas ele sentiu como se o homem estivesse de alguma forma zombando dele. Chrissy olhou para ele com um olhar cheio de desconfiança e repetiu as palavras.
— Já existia?
— Sim.
Nathaniel assentiu brevemente e acrescentou:
— Atualmente, apenas duas pessoas sabem da existência daquele quarto, provavelmente.
Então, com um sorriso estranho, ele fixou os olhos em Chrissy.
— As pessoas que o construíram e usaram pela primeira vez… todas, já estão mortas.
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Continua…
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m caso chocante acontece: um alfa, junto com seu grupo, estupra e assassina um ômega. O promotor encarregado do caso, Chrissy Jin, recusa qualquer acordo e decide levar o caso a julgamento, determinado a garantir uma punição adequada.
É nesse contexto que ele encontra pela primeira vez Nathaniel Miller, representante da maior firma de advocacia dos Estados Unidos, o Miller. Mas a arrogância de Nathaniel não lhe agrada em nada.
Pouco depois, ao voltar de um encontro com seus pais adotivos, Chrissy se envolve num acidente de trânsito: por azar, o carro em que bateu é justamente o de Nathaniel. Diante do valor absurdo do conserto, Chrissy não tem escolha a não ser ir até o homem para explicar sua situação, mas o lugar onde Nathaniel se encontra é, na verdade, uma festa de feromônios.
Lá, Chrissy quase acaba sendo violentado por Nathaniel, mas consegue atingi-lo com um caco de vidro e escapa. A partir desse incidente, a atitude de Nathaniel muda radicalmente: ele demite o advogado responsável pelo caso e decide assumir a defesa pessoalmente.
Os dois passam a se enfrentar no tribunal. No entanto, mesmo em meio a essa relação de hostilidade, Chrissy se sente estranhamente atraído por ele. Nathaniel, por sua vez, não disfarça seu interesse por ele. Em meio a essa tensão crescente, um dos membros do júri surpreende Chrissy com uma revelação inesperada….
Nome alternativo: Run Away If You Can