Ler Fuja se puder – Capítulo 76 Online

Modo Claro

Chrissy continuou apenas olhando para ele com o rosto ainda completamente chocado.

‘Ele colocou uma coleira de cachorro em mim?’

Mas a dor que sentiu instantes atrás era prova mais do que suficiente. Com a mão trêmula, ele levou os dedos ao próprio pescoço para confirmar. Os dedos tremiam tanto que mal conseguiu sentir o objeto antes de perdê-lo de novo. Desta vez, Chrissy reuniu coragem e apertou a coleira com mais firmeza. A sensação estranha, porém suave, era inconfundível. Ele achava até que sentiu o leve cheiro de couro legítimo.

‘Esse desgraçado realmente colocou uma coleira de cachorro… no meu pescoço…!’

E como se não bastasse, ainda era um objeto equipado com choque elétrico. Como alguém em sã consciência teria a ideia de colocar isso em outra pessoa? E, pior, por que ele tinha algo assim em casa…?

— Entendo. — Chrissy murmurou sem perceber. Ele se assustou de imediato, mas o choque não veio como antes. Confirmando que a coleira estava inativa, ele continuou, com uma voz entrecortada pela respiração ofegante, sussurrando o mais baixo que conseguia: — Você sabia que isso ia acontecer. Não é? Planejou tudo desde o começo, não foi?

Não fazia sentido de outra forma. As correntes de ferro prendendo seus membros, a coleira de cachorro que dá choque, um quarto escuro onde nem a luz entrava…. Será que ele poderia ter improvisado tudo isso e preparado os itens a tempo? Chrissy tinha certeza de que não ficou inconsciente por tanto tempo.

Enquanto observava os olhos trêmulos de Chrissy, a boca de Nathaniel lentamente se curvou para cima. Ele sorriu sem som algum e respondeu devagar:

— Você não teria me desafiado sem se preparar antes.

Sentado com as pernas cruzadas, ele olhava para Chrissy com total tranquilidade. Nathaniel ergueu a mão que repousava no braço da cadeira e a levou aos lábios, dobrando o segundo dedo para encostar a articulação na boca, como se quisesse ocultar o sorriso malicioso.

— Não medir esforços para vencer é uma boa atitude. Só escolheu a pessoa errada.

— E você está dizendo que a razão de eu ter acabado assim é porque não fui mais sórdido do que você?

Chrissy rosnou essas palavras, com a voz baixa e os dentes cerrados. Os olhos de Nathaniel estreitaram-se levemente, apenas isso, mas Chrissy percebeu que ele estava sorrindo.

— Digamos que você foi ingênuo.

Com a mesma calma irritante, Nathaniel falava como se nada estivesse fora do normal. Chrissy segurou a raiva e perguntou, quase cuspindo as palavras:

— Quer dizer que você também previu que eu levaria uma arma?

— Claro.

— Hã…

Chrissy soltou uma exclamação curta de incredulidade. Mas como ele pôde agir tão tranquilamente, como se nada estivesse acontecendo? Pensando bem, mesmo naquela hora, esse homem transbordava confiança. Mesmo que tivesse preparado esse desfecho, se Chrissy tivesse realmente puxado o gatilho, tudo teria acabado ali.

— Como você consegue ficar tão calmo? …Não pensou que poderia morrer? Se eu realmente tivesse puxado o gatilho, você teria morrido.

— Não teria. Você não seria capaz.

A resposta veio imediata – e, pior ainda, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. Chrissy ficou sem saber o que dizer por um momento, e Nathaniel continuou no mesmo tom monótono:

— Matar alguém não é algo que se faz facilmente. Você é um homem absolutamente racional, com valores morais. E, além disso, tem um senso de justiça levemente acima da média. Não faria isso, mesmo que o alvo fosse eu.

Saber que ele não estava errado tornava tudo ainda mais humilhante para Chrissy. Afinal, ele falhou, e agora estava reduzido àquela situação. Mas ainda havia algo que ele simplesmente não conseguia aceitar.

— Eu perguntei se você não teve medo.

— Nenhum.

Desta vez também não houve hesitação. Pelo contrário, com uma voz que parecia conter um sorriso, Nathaniel acrescentou:

— Eu nunca senti esse tipo de emoção na minha vida.

De repente, Chrissy lembrou-se de uma característica sua que havia esquecido. Pela primeira vez, o rosto daquele homem sorrindo diante dele pareceu completamente vazio. Chrissy, ainda cético, perguntou novamente:

— Eu não devo ser o primeiro a apontar uma arma para a sua cabeça. Você está me dizendo que não sente nenhum tipo de tensão? Nenhum instinto de perigo? Nenhuma emoção?

Nathaniel abriu as mãos, indiferente, e deu de ombros.

—Fiquei um pouco curioso sobre como você pretenderia lidar com as consequências, se fizesse isso.

— …Ha.

Chrissy soltou outro suspiro frustrado. Pela primeira vez, sentiu que havia uma parede espessa diante dele – uma parede tão alta que não havia como ultrapassar. Mas aquilo não foi o fim.

— Ah, há uma coisa que devo te contar. Não precisa se preocupar com possíveis problemas por não conseguir ir trabalhar.

No mesmo instante em que Chrissy lembrou do assunto, Nathaniel apresentou a “solução”.

— Eu entreguei sua carta de demissão ao Boyd. Ele ficou desapontado, mas desistiu facilmente quando eu disse que você estava se transferindo para a minha empresa.

— O quê…?

Aquela notícia caiu sobre Chrissy como um trovão em céu limpo. Ele ergueu a voz sem perceber e, logo depois, caiu novamente, incapacitado. Era preciso um tempo para suportar o choque e a dor absurda que atravessaram seu corpo. Ofegando, a saliva escorreu de sua boca aberta. A tontura misturada à dor tornou difícil focar o olhar; Chrissy piscava repetidamente. Na visão embaçada, a figura de Nathaniel aparecia distorcida.

— Agora não existe nada que impeça você de ficar aqui, certo?

Claro que não era preocupação verdadeira com a vida de Chrissy. Pelo contrário: aquela maneira de falar, como se estivesse sendo generoso, fez Chrissy sentir ainda mais raiva.

— Por quê…? Por que você está fazendo tudo isso? É porque eu te enganei no jogo?

Mesmo falando o mais baixo possível, Chrissy tremia, temendo levar outro choque elétrico a qualquer momento. Sua voz estava reprimida, mas ainda assim entrecortada pelo medo. Nathaniel o observou como quem aprecia uma obra curiosa e respondeu:

— Quem sabe? — Ele continuou com calma: — Desde o início, não havia nenhuma regra dizendo que o jogo seria um contra um. Você não quebrou nenhuma das regras durante a partida. O que você descumpriu foi o prêmio que tinha prometido entregar.

Chrissy realmente havia falado com sinceridade quando prometeu fazer qualquer coisa, desde que Nathaniel lhe desse notícias sobre o detetive Simmons. Mas colocar condições sobre o prêmio era, sim, quebrar as regras. E, dessa vez, Nathaniel estava certo. Não havia como contestar. Ainda assim, Chrissy se surpreendeu com o fato dele simplesmente ignorar a parte da trapaça durante o jogo, como se isso não tivesse a menor importância.

— Então… o que você vai fazer agora? O que você pretende fazer comigo nesse estado?

Era a única coisa que podia perguntar naquele momento. Desde que puxou a arma, ele já tinha aceitado que o pior poderia acontecer – mas não conseguir garantir a segurança do detetive Simmons era o que mais o atormentava. O olhar de Chrissy, cheio de desconfiança e medo, encontrou o de Nathaniel, que, com um sorriso satisfeito, finalmente parecia pronto para revelar o verdadeiro propósito.

— Vamos jogar um novo jogo. Se você me satisfizer, eu soltarei uma das suas amarras de cada vez.

— Satisfazer? Eu… satisfazer você?

— Isso mesmo.

Nathaniel respondeu sem hesitar, confirmando como se fosse a coisa mais simples do mundo.

— Você é a estrela do espetáculo. E, mesmo que eu seja o único espectador, se conseguir me entreter, será devidamente recompensado. Não é um mau negócio, certo?

Ao dizer isso, o homem exibiu o mesmo sorriso tênue de sempre – mas, pela primeira vez, fez a espinha de Chrissy gelar. Um arrepio percorreu todo o corpo dele no instante em que Nathaniel sussurrou:

— Eu, ao contrário de você, cumpro minhas promessas, promotor.

Chrissy não conseguiu dizer mais nada.

***

O som suave de uma porta se abrindo ecoou pelo cômodo. Deitado nu na cama, Chrissy levantou lentamente a cabeça lentamente e olhou na direção da porta. Como esperado, viu Nathaniel Miller caminhando em sua direção.

— Dormiu bem?

A fala era estranhamente gentil, completamente incompatível com ele. Além disso, ele realmente achava que essa era uma saudação adequada para alguém que adormeceu exausto, nesse estado? E, para piorar, Chrissy mal havia dormido. Cochilava por instantes, acordava assustado, voltava a cair no sono, tornava a despertar em sobressalto – até que, no final, simplesmente desabou como se tivesse perdido a consciência.

Provavelmente, todo seu comportamento foi capturado pelas câmeras de segurança. Chrissy não sabia se Nathaniel havia assistido às imagens, mas só o fato de ele poder assistir era suficiente para manter sua ansiedade acesa.

O primeiro dia, ao menos, tinha passado sem grandes acontecimentos. Mas o que viria a seguir? Ninguém sabia. Apenas aquele homem sabia. Apenas Nathaniel Miller, que agora tinha controle absoluto sobre tudo que dizia respeito a Chrissy.

Sentado em silêncio sobre a cama, Chrissy levantou o olhar para Nathaniel e, de repente, viu o homem tirar algo do bolso da calça. Mesmo na iluminação fraca, deu para identificar claramente: era uma chave simples. Sem entender nada, Chrissy voltou o olhar para o rosto dele, e Nathaniel falou:

— Você precisa ser capaz de cuidar do básico para viver.

Logo depois, ele destravou a corrente de metal presa ao pulso de Chrissy. Surpreso, o Beta piscou várias vezes, arregalando os olhos. E não parou por aí: em seguida, Nathaniel libertou também uma das pernas. Atônito, Chrissy apenas observava, quando Nathaniel pegou a ponta da corrente ainda presa ao seu outro pulso. Depois de soltá-lo do pé da cama, suas ações seguintes fizeram Chrissy perceber o que o homem estava fazendo.

Nathaniel conectou as correntes de ambas as mãos e ambos os pés, como um escravo, e então fez um convite absurdamente cortês:

— Vamos, está na hora de ir.

°

°

Continua…

 

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m caso chocante acontece: um alfa, junto com seu grupo, estupra e assassina um ômega. O promotor encarregado do caso, Chrissy Jin, recusa qualquer acordo e decide levar o caso a julgamento, determinado a garantir uma punição adequada.
É nesse contexto que ele encontra pela primeira vez Nathaniel Miller, representante da maior firma de advocacia dos Estados Unidos, o Miller. Mas a arrogância de Nathaniel não lhe agrada em nada.
Pouco depois, ao voltar de um encontro com seus pais adotivos, Chrissy se envolve num acidente de trânsito: por azar, o carro em que bateu é justamente o de Nathaniel. Diante do valor absurdo do conserto, Chrissy não tem escolha a não ser ir até o homem para explicar sua situação, mas o lugar onde Nathaniel se encontra é, na verdade, uma festa de feromônios.
Lá, Chrissy quase acaba sendo violentado por Nathaniel, mas consegue atingi-lo com um caco de vidro e escapa. A partir desse incidente, a atitude de Nathaniel muda radicalmente: ele demite o advogado responsável pelo caso e decide assumir a defesa pessoalmente.
Os dois passam a se enfrentar no tribunal. No entanto, mesmo em meio a essa relação de hostilidade, Chrissy se sente estranhamente atraído por ele. Nathaniel, por sua vez, não disfarça seu interesse por ele. Em meio a essa tensão crescente, um dos membros do júri surpreende Chrissy com uma revelação inesperada….
Nome alternativo: Run Away If You Can

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