Ler Fuja se puder – Capítulo 75 Online

Modo Claro

3. Engravings

 

 

 

De repente, foi como se a temperatura do ambiente tivesse despencado. Chrissy sentiu um frio percorrer todo o corpo. Ele sabia exatamente o que precisava fazer a seguir. Já tinha planejado com antecedência qual seria o segundo passo caso o primeiro plano falhasse.

Nathaniel ainda estava esperando, mas não restaria muito tempo. Ele precisava agir rápido, mover a cabeça, o corpo, os dedos.

— Senhor Miller.

Mesmo assim, Chrissy tentou se agarrar a mais uma chance.

— Eu não me importo de dormir com você, quantas vezes quiser. Mas uma coisa… por favor, liberte o detetive Simmons. Se fizer isso, eu faço qualquer coisa.

Era uma súplica patética, mas era a única coisa que ele podia dizer. Quando fez esse último apelo com todas as suas forças, os olhos alongados de Nathaniel, que até então o observavam em silêncio, estreitaram-se lentamente. Chrissy teve a impressão de que ele soltou um suspiro, e então a voz baixa de Nathaniel escapou devagar entre os lábios.

— Está me pedindo para pagar uma taxa extra?

Os lábios largos dele se curvaram em um sorriso frio. A palavra “taxa” não era nada agradável, mas se fosse “compensação”, ele já havia pago. Afinal, Nathaniel venceu a partida, ainda assim, Chrissy não tinha escolha a não ser responder.

— Prometo que darei o meu melhor na mesma medida que você pagou.

Era sua última esperança. Mas Nathaniel não reagiu imediatamente. Apenas seus olhos, já semicerrados, inclinaram-se um pouco mais.

— E como você sabe o que eu quero?

A voz dele tinha um tom estranho, diferente do habitual. Chrissy sentiu um arrepio percorrer a espinha, encarando a verdade que tentava ignorar, mas Simmons vinha antes de tudo.

— Não me importo com o que seja. Então, por favor… — Antes de continuar, Chrissy inspirou fundo e soltou o ar. — Mesmo que isso signifique me matar, eu aceito.

Ele já tinha tomado sua decisão. Se Simmons saísse vivo, Chrissy estava disposto a pagar qualquer preço. Afinal, tudo aquilo era culpa dele.

A expressão de Nathaniel foi sumindo aos poucos. Ou melhor: o sorriso falso desapareceu e seu rosto ficou totalmente neutro, quase como uma máscara. A mudança foi tão lenta que Chrissy nem percebeu de imediato quando a boca dele perdeu o sorriso, ou quando os olhos voltaram ao tamanho normal. Ele só se lembrou vagamente da brasa do cigarro tentando queimar seus olhos antes… e pensou que, desta vez, talvez doesse ainda mais. No momento em que as palavras de Alice lhe vieram à mente, Nathaniel abriu a boca lentamente.

— Isso não é necessário. Fui eu quem venceu a aposta.

Ele falou em um tom monótono, quase sem entonação, e de repente se moveu.

— Está começando a ficar tedioso. Se é só isso que tinha para dizer, podemos encerrar por aqui.

Soava como um “pare com essa perda de tempo”. Ao vê-lo levantar seu corpo grande lentamente, Chrissy engoliu em seco. Como esperado, não adiantou. Ele soltou um curto suspiro e então esticou a mão. Nathaniel provavelmente pensou que Chrissy tentaria fugir quando viu sua mão agarrar a barra do paletó. Mas, em vez de correr em direção à entrada, ele puxou “aquilo” que estava escondido em seu bolso interno.

— Tsk.

Ao apontar diretamente para a cabeça de Nathaniel, ouviu-se um breve estalo de desaprovação escapando dos lábios dele.

— No fim, foi essa a sua opção. Que decepção, promotor.

Ele parecia realmente desapontado. Uma sombra leve cruzou o rosto dele enquanto suspirava. Olhando para aquele homem, Chrissy respondeu de forma seca:

— Eu também gostaria de tê-lo entretido mais, advogado, mas como pode ver, estamos sem tempo. Lamento ter que recorrer a métodos tão… bárbaros.

A palma da mão dele estava coberta de suor frio. Para não deixar transparecer que estava nervoso, ele apertou com força o punho e continuou falando de maneira calma.

— Eu só quero uma coisa. Solte o detetive Simmons.

Os lábios de Nathaniel Miller relaxaram.

— Como eu poderia?

Ele levantou as mãos, como que zombando, e falou. Embora estivesse fingindo modéstia, na prática, não passava de uma provocação. Por isso, Chrissy também rebateu com frieza.

— Não existe nada que você não possa fazer. É só uma questão de vontade.

Nathaniel não fez questão de negar. O sorriso sutil e enigmático em seu rosto parecia comprovar exatamente o que Chrissy acabara de dizer. Ele reajustou a arma na mão e falou novamente.

— Eu vou cumprir minha parte. Liberte o detetive Simmons. Depois disso, farei o que você quiser. Pode me fazer ficar de quatro como um cachorro, me enforcar, qualquer coisa.

— Atire.

No começo, Chrissy nem conseguiu entender direito o que tinha acabado de ouvir. Piscou, atônito, enquanto Nathaniel acrescentava com toda naturalidade:

— Eu disse para atirar. Agora. O que está esperando? Me mate e leve, meu telefone está em cima do balcão do bar.

Em seguida, ele acrescentou, como que zombando:

— Pode coletar minha digital ou usar o reconhecimento da íris do meu cadáver à vontade. Matar uma pessoa não deve ser tão difícil.

‘Matar uma pessoa.’

As palavras dele eram claramente intencionais. Apontar uma arma e puxar o gatilho eram duas coisas completamente diferentes. Qualquer um ficaria abalado ao ouvir aquilo. Se não fosse a situação atual, Chrissy também teria ficado, mas, por outro lado, se não fosse por essa situação, ele nunca teria feito isso em primeiro lugar.

Mesmo assim, a ponta da arma tremia. Embora ele já esperasse o que poderia acontecer, as palavras de Nathaniel a abalaram. E foi nessa brevíssima brecha que tudo mudou.

— Ugh…!

Um grito surpreso escapou da boca de Chrissy. Nathaniel avançou em uma velocidade impossível de acreditar, movendo-se até ele num piscar de olhos. No instante em que seus olhares se cruzaram, Nathaniel arrancou a arma das mãos de Chrissy e a lançou para longe. Logo em seguida, Chrissy foi empurrado pelo corpo dele e caiu rolando no chão.

Crash!

O estrondo ecoou enquanto sua cabeça latejou com força. Uma tontura o tomou, como se o teto estivesse girando sem parar, e a luz branca da lâmpada atravessou seus olhos como uma lâmina quente. A lembrança de Chrissy terminava ali.

“Te peguei.”

Sussurrado, baixo e triunfante.

***

A cabeça doía. A primeira coisa que sentiu foi uma dor absurda na parte de trás do crânio. Ele não conseguiu evitar o gemido que escapou de seus lábios – e, ironicamente, foi exatamente aquele som que ajudou alguma parcela de sua consciência a despertar.

— Uuugh…

Dessa vez, fazendo um som mais perceptível do que antes, Chrissy contorceu o rosto. Sentia uma vibração dentro da cabeça, mas se esforçou para abrir os olhos. Após algumas tentativas, ele finalmente conseguiu e pôde enxergar o mundo novamente.

…Hã?

O ambiente tinha uma escuridão estranha. Havia luz, mas muito fraca; a lâmpada iluminava apenas de modo tênue ao redor, sem qualquer traço de luz do sol entrando. Em sua visão turva, Chrissy identificou apenas as paredes escuras e a cama na qual estava deitado. Pelo menos, uma coisa era certa: o cômodo não era grande. No máximo, devia ter o tamanho do estúdio dele. Depois de processar isso, ele tentou se sentar mas, de repente, um som e uma sensação desconhecida o detiveram.

Um “Clank” metálico, áspero, soou quando algo puxou seus membros. Chrissy prendeu a respiração de susto e, só então, olhou ao redor. E ficou completamente imóvel.

Ele estava completamente nu, e o único objeto que tinha sobre o corpo eram as correntes que prendiam seus quatro membros, cada um ligado a um dos pilares da cama, além de algo envolta do seu pescoço.

‘Isso… o que é isto…?!’

Incapaz de acreditar no que estava vendo, Chrissy sacudiu desesperadamente os braços e as pernas. A cada movimento, o som metálico, agudo e desagradável, além do peso que sentia nos membros, deixavam claro – de forma cruel – que aquela situação inacreditável era, de fato, real.

Enquanto Chrissy empalidecia num instante, um riso baixo soou perto de seu ouvido. Ele se sobressaltou violentamente e virou-se para trás, apenas para ficar completamente imóvel, de olhos arregalados.

Nathaniel Miller estava sentado em uma cadeira, observando Chrissy, e rindo baixinho.

— Como se sente, senhor promotor?

Ao ouvir a pergunta carregada de zombaria, Chrissy finalmente entendeu a situação. O que esse maldito advogado tinha feito agora?

— Seu fi…!

No instante em que tentou soltar o xingamento, uma dor absurda atravessou seu corpo inteiro. Chrissy engasgou e desabou, incapaz de se mover por alguns instantes, apenas encolhido, respirando em desespero. ‘O que…? O que foi isso agora?’ Mesmo depois que o choque inicial passou, seu corpo inteiro ainda tremia de forma involuntária.

Enquanto ele arfava, completamente confuso, acima dele Nathaniel abriu a boca novamente.

— Cachorros que latem a todo momento não são bem-vindos em lugar nenhum.

Nathaniel continuou falando no mesmo tom calmo de sempre, quase como se estivesse se divertindo.

— Coleiras que dão choque eram eficazes para corrigir maus hábitos quando os animais latem alto, mas foram proibidas por serem consideradas maus-tratos a animais. Entretanto…

Nathaniel fez uma pausa, como se tivesse dificuldade de conter o riso, e completou:

— E se for usada em um ser humano?

 

 

°

°

Continua…

 

 

 

 

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m caso chocante acontece: um alfa, junto com seu grupo, estupra e assassina um ômega. O promotor encarregado do caso, Chrissy Jin, recusa qualquer acordo e decide levar o caso a julgamento, determinado a garantir uma punição adequada.
É nesse contexto que ele encontra pela primeira vez Nathaniel Miller, representante da maior firma de advocacia dos Estados Unidos, o Miller. Mas a arrogância de Nathaniel não lhe agrada em nada.
Pouco depois, ao voltar de um encontro com seus pais adotivos, Chrissy se envolve num acidente de trânsito: por azar, o carro em que bateu é justamente o de Nathaniel. Diante do valor absurdo do conserto, Chrissy não tem escolha a não ser ir até o homem para explicar sua situação, mas o lugar onde Nathaniel se encontra é, na verdade, uma festa de feromônios.
Lá, Chrissy quase acaba sendo violentado por Nathaniel, mas consegue atingi-lo com um caco de vidro e escapa. A partir desse incidente, a atitude de Nathaniel muda radicalmente: ele demite o advogado responsável pelo caso e decide assumir a defesa pessoalmente.
Os dois passam a se enfrentar no tribunal. No entanto, mesmo em meio a essa relação de hostilidade, Chrissy se sente estranhamente atraído por ele. Nathaniel, por sua vez, não disfarça seu interesse por ele. Em meio a essa tensão crescente, um dos membros do júri surpreende Chrissy com uma revelação inesperada….
Nome alternativo: Run Away If You Can

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