Ler Fuja se puder – Capítulo 73 Online

Modo Claro

Chrissy levou a mão até a cintura sem dizer nada. Nathaniel observou atentamente os dedos do outro abrirem o fecho da fivela devagar e puxarem uma das pontas do cinto. Clang. O som metálico ecoou mais alto do que deveria. Chrissy não queria deixar transparecer que se sentia incomodada sob seu olhar, então fingiu normalidade enquanto tirava o cinto. Depois de mais alguns ruídos ásperos do metal, ele finalmente puxou o couro barato, comprido como uma cobra, para fora das presilhas. Em seguida, deixou o objeto cair no chão de propósito e, encarando diretamente o homem à sua frente, falou:

— Pronto, agora está satisfeito?

A boca de Nathaniel se curvou em um sorriso relaxado diante da provocação. De alguma forma, ele parecia genuinamente satisfeito. E isso apesar de ter jogado esse tipo de partida de xadrez incontáveis vezes antes.

— Posso fazer uma pergunta pessoal?

Antes de retomar o jogo, Chrissy perguntou, e Nathaniel, ainda sorrindo, assentiu.

— O quanto quiser.

Chrissy imaginou que perguntas pessoais seriam algo que ele evitaria, mas para sua surpresa não foi o caso. Ele respirou fundo e falou com calma:

— Por que você largou o xadrez? Seu histórico era bem impressionante.

Na verdade, ele havia desaparecido completamente do mundo do xadrez desde a adolescência. Embora se pudesse pensar que ele abandonou o xadrez para assumir o negócio da família, pelo que Chrissy conhecia de Nathaniel Miller até agora, provavelmente haveria outro motivo. Uma explicação como “para seguir a tradição familiar e virar advogado” seria simplória demais para ele.

— Com certeza não foi para se dedicar à advocacia.

Chrissy acrescentou de propósito, e Nathaniel soltou um riso curto.

— Você me conhece bem.

Mas aquilo não era verdade. Chrissy não conhecia Nathaniel Miller nem um pouco. Só sabia de uma coisa: o homem à sua frente parecia tão entediado com a própria vida que podia enlouquecer por causa disso. Portanto, sua suposição sobre o motivo baseava-se apenas nisso.

— Achei que esse motivo sozinho seria simples demais.

Ao responder num tom seco, Chrissy viu Nathaniel dar de ombros, indiferente.

— Simplesmente perdeu a graça, só isso.

Como esperado, ele continuou como se não fosse grande coisa:

— Mesmo quando eu ganhava não tinha graça nenhuma. Só perdia tempo me arrastando em partidas sem emoção. Pensei se não haveria algo novo, mas sabia que era impossível existir tal coisa. Então, apenas escolhi seguir o caminho garantido.

— Alguém como você poderia ter aberto um novo escritório de advocacia ou mesmo tentado um caminho completamente diferente. Não teria sido ruim, e você tem recursos para isso.

‘Será que Ashley Miller impediu?’

Quando esse pensamento surgiu, Nathaniel respondeu sem demora:

— Tanto faz. Achei que nenhuma opção faria diferença. E eu detesto coisas que dão trabalho.

Então ele sorriu de leve enquanto olhava Chrissy nos olhos.

— E além do mais, graças a isso, esse tipo de evento acabou acontecendo… então não foi uma má escolha.

Chrissy não sabia se aquilo deveria alegrá-lo, ser alguém capaz de aliviar o tédio desse homem era… complicado. Mas, no fim das contas, se conseguisse obter o que desejava, isso bastava.

— Agora é minha vez, certo?

Ele mudou de assunto, e assim que ouviu a voz de Chrissy, o homem que observava a partida disse prontamente:

[Mova o peão para F3.]

Chrissy obedeceu em silêncio. Depois de colocar a peça no lugar, olhou discretamente para Nathaniel, mas o rosto dele permanecia inalterado. Nathaniel moveu a rainha, e Chrissy respondeu com a torre. Durante alguns momentos de ataque e defesa, nada de especial parecia ter acontecido.

‘Será que foram apenas jogadas óbvias?’

Chrissy ponderou, desconfiado. Alguém com o talento de Nathaniel para o xadrez certamente conseguia ler os movimentos do oponente com facilidade. Então, se ele havia percebido as intenções de Chrissy, não havia motivo para surpresa, nem o medo de ter sido descoberto.

‘No fim, tudo o que importa é vencer. Quer ele tenha percebido, ou tenha descoberto alguma coisa… tanto faz. O importante é o resultado.’

Foi quando pensou nisso que uma oportunidade inesperada surgiu.

[Pegue a torre em D2 com o seu cavalo!]

A voz animada ecoou dentro do ouvido de Chrissy. Ele moveu o cavalo imediatamente e derrubou a torre de Nathaniel.

[Isso! Excelente!]

O homem celebrou, visivelmente animado. Pela primeira vez, Nathaniel reagiu à perda de uma peça importante.

— Ahh…

Foi apenas um breve suspiro, acompanhado de um franzir de testa – mas para Chrissy aquilo já era uma grande conquista. Ele rapidamente tirou a torre derrotada do tabuleiro e fez sua pergunta seguinte:

— O que é o ‘Filho da Lua’?

A razão para não perguntar “você sabe?” Era porque ele não queria desperdiçar tempo com perguntas inúteis. Nathaniel sabia – disso Chrissy tinha certeza absoluta.

Chrissy o encarou diretamente, mas o outro homem continuava olhando para o tabuleiro com a testa franzida, calado. ‘Parece que perder a torre o chateou mesmo’, pensou Chrissy. Então Nathaniel finalmente respondeu:

— Você deveria ter perguntado quem e não o quê.

— Como é?

Era uma pessoa? Aquilo?

Chrissy quase soltou um gemido frustrado ao perceber seu erro. Ele tinha certeza de que era o nome de um grupo, uma organização, algo do tipo, não de alguém.

‘Então quem…?’

A ansiedade o corroía, mas a chance de perguntar já havia passado. Só restava capturar a próxima peça. Chrissy voltou a se concentrar.

A peça seguinte foi o bispo. Ele facilmente derrubou a peça de Nathaniel, e este outra vez franziu o rosto e murmurou algo baixo. Chrissy não deu importância e atirou outra pergunta:

— Quem é o Filho da Lua?

A pergunta saiu depressa. Nathaniel passou os olhos pelo tabuleiro e respondeu:

— Não sei.

— Como é que é?

A resposta inesperada fez Chrissy levantar a voz sem perceber. Mas, ao contrário dele, que estava perplexo, Nathaniel, ainda com um tom indiferente, continuou focado no tabuleiro.

— Eu também não sei. Só ouvi sobre o nome.

‘Droga. Outra pergunta desperdiçada.’

Chrissy levou a mão à testa, frustrado. Ele pensou que finalmente poderia descobrir a verdade, mas tudo voou para longe novamente.

Desanimou por um instante, mas logo se obrigou a se recompor e focar no jogo. Em seguida, capturou um peão, e depois a torre restante. A sequência de oportunidades o deixou confuso.

‘Estou vencendo tão fácil assim? Como?’

O oponente era um ex-campeão de xadrez. E não um qualquer: era Nathaniel Miller. Era inimaginável que ele estivesse tão encurralado. E contra uma iniciante como Chrissy.

Mas é claro, Nathaniel não estava jogando contra Chrissy. Estava jogando contra um computador. E nenhum humano vence um computador nessas partidas que exigem precisão absoluta. A expressão rígida do alfa era a prova disso.

Quando Chrissy derrubou a dama dele, sua suspeita virou certeza: Nathaniel estava sendo completamente esmagado.

O entusiasmo cresceu dentro dele. Para se acalmar, Chrissy fechou o punho com força. Quando as unhas se cravaram na palma, a dor trouxe de volta um pouco de lucidez. Agora precisava escolher suas perguntas com cuidado. Não restavam muitas oportunidades.

O Filho da Lua era o anfitrião de um certo grupo secreto. Nathaniel Miller fora apenas convidado e participou do encontro, mas jamais chegou a ver o homem em pessoa. Quanto ao detetive Simmons, ele só ouviu falar que um detetive que se infiltrou para investigar o encontro foi capturado.

Foi isso que Chrissy conseguiu arrancar de Nathaniel. Agora, o que precisava era de informações sobre o grupo em si. Então, de repente, ele se lembrou de algo que Nathaniel havia dito uma vez.

— James Barry.

Ele pronunciou o nome que havia sussurrado baixinho, agora com mais ênfase.

— Quem é James Barry? E qual é a relação dele com essas reuniões?

Sua fala estava um pouco mais rápida que antes, mas não havia como evitar isso. Ao ouvir a pergunta, Nathaniel soltou um sorriso curto e respondeu:

— Faça apenas uma pergunta por vez, promotor.

Era como se ele tivesse lido a ansiedade de Chrissy; sua atitude era tranquila, quase relaxada. E, de fato, quem estava desesperado naquele jogo era apenas Chrissy, então talvez fosse uma reação natural. Em vez de fulminá-lo com o olhar, Chrissy inspirou fundo, soltou o ar e falou novamente, agora num tom mais contido:

— Quem é James Barry?

Diante da pergunta calma, Nathaniel ergueu um sorriso leve e finalmente respondeu:

— Um escritor. Autor de um livro famoso.

Ao ouvir isso, Crissy franziu a testa e fixou o olhar nele.

 

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Continua…

 

 

 

 

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m caso chocante acontece: um alfa, junto com seu grupo, estupra e assassina um ômega. O promotor encarregado do caso, Chrissy Jin, recusa qualquer acordo e decide levar o caso a julgamento, determinado a garantir uma punição adequada.
É nesse contexto que ele encontra pela primeira vez Nathaniel Miller, representante da maior firma de advocacia dos Estados Unidos, o Miller. Mas a arrogância de Nathaniel não lhe agrada em nada.
Pouco depois, ao voltar de um encontro com seus pais adotivos, Chrissy se envolve num acidente de trânsito: por azar, o carro em que bateu é justamente o de Nathaniel. Diante do valor absurdo do conserto, Chrissy não tem escolha a não ser ir até o homem para explicar sua situação, mas o lugar onde Nathaniel se encontra é, na verdade, uma festa de feromônios.
Lá, Chrissy quase acaba sendo violentado por Nathaniel, mas consegue atingi-lo com um caco de vidro e escapa. A partir desse incidente, a atitude de Nathaniel muda radicalmente: ele demite o advogado responsável pelo caso e decide assumir a defesa pessoalmente.
Os dois passam a se enfrentar no tribunal. No entanto, mesmo em meio a essa relação de hostilidade, Chrissy se sente estranhamente atraído por ele. Nathaniel, por sua vez, não disfarça seu interesse por ele. Em meio a essa tensão crescente, um dos membros do júri surpreende Chrissy com uma revelação inesperada….
Nome alternativo: Run Away If You Can

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