Ler Fuja se puder – Capítulo 71 Online

Modo Claro

Os nomes das peças e até as regras básicas eram apenas coisas que ele tinha decorado às pressas nos últimos dois dias. Mas, apesar disso, Chrissy escolheu o xadrez por uma única razão: acreditava que só assim poderia derrubar aquele homem arrogante.

Claro, não era nem de longe um método honesto.

— Ah, ah… está me ouvindo?

Chrissy tirou do bolso interno da roupa o pequeno dispositivo que havia escondido ali, apertou o botão e falou. Um som respondeu imediatamente no aparelho encaixado dentro de seu ouvido.

[Sim, estou aqui, aguardando.]

Depois de confirmar que a comunicação estava funcionando, Chrissy empurrou com cuidado o fio de volta para dentro da roupa, garantindo que nada ficasse visível, e ajeitou a aparência. No mundo, há pessoas dispostas a fazer qualquer coisa por dinheiro. O que ele precisava era de alguém que não se metesse na vida alheia e só se importasse em receber o pagamento, e foi exatamente esse tipo de pessoa que ele encontrou.

— Está enxergando bem?

Chrissy colocou as lentes especiais que tinha preparado previamente e olhou-se no espelho. O homem respondeu:

[Dois… agora acabo de ver três.]

Levando três dedos, Chrissy finalizou a checagem. Ele assentiu e reforçou:

— Tudo que precisa fazer é me dizer para onde mover cada peça conforme elas aparecem no computador. O restante do pagamento será transferido em até uma hora após o fim do jogo.

[Entendido.]

O homem respondeu prontamente e ficou em silêncio. Chrissy apreciou o fato dele não dizer coisas desnecessárias. Ele soltou um longo suspiro para se acalmar, virou-se e saiu do banheiro.

Nathaniel Miller já estava sentado na sala de jogos, esperando. Sua postura relaxada, recostado na cadeira com as pernas cruzadas e fumando um cigarro, parecia mais descontraída do que nunca. Natural: quem corria o risco de ficar nu se as coisas não ocorressem como o planejado não era ele. Chrissy pensou, irritado, enquanto se sentava de frente para o homem. Sobre a mesa, haviam copos com suas respectivas bebidas e um tabuleiro de xadrez esculpido com precisão. Quando seu olhar se fixou sobre o tabuleiro, Nathaniel comentou casualmente:

— É uma herança deixada por meu avô.

Ao ouvir isso, Chrissy desviou o olhar para uma caixa colocada sobre a mesa. A cobertura de couro de crocodilo deixava claro que era o estojo do conjunto de xadrez. O tabuleiro, igualmente impecável, com madeira entrelaçada sem nenhuma fresta, padrões detalhados em todos os quatro lados e peças banhadas a ouro… mesmo para um leigo como Chrissy, era óbvio que aquilo valia uma fortuna.

Só de imaginar que poderia derrubar alguma peça ou causar um arranhão, um arrepio gelado percorreu seu peito. Fingindo naturalidade, ele ignorou o frio nas mãos e encarou Nathaniel.

— Vamos começar, então?

— Que pressa.

Chrissy queria acabar logo com aquilo, mas Nathaniel claramente não compartilhava da mesma urgência. Ele levantou o copo de whisky e propôs:

— Primeiro, um brinde.

— Brindar ao quê?

Chrissy franziu o rosto. Nathaniel hesitou por um momento, disse — Bem…, — então estreitou os olhos e sorriu de maneira peculiar.

— Para que tudo aconteça exatamente como você deseja.

Chrissy ergueu o copo d’água no ar, sem expressão, encarando o rosto de Nathaniel, que claramente zombava dele.

— E para que chegue o dia em que você se arrependa do seu passado.

— Ha.

Nathaniel soltou uma risada curta. Era difícil saber se achou graça ou se estava simplesmente incrédulo. Chrissy não se importou em descobrir; bebeu um gole de água e pousou o copo.

— Então, quem começa?

Diante da pergunta de Chrissy, Nathaniel respondeu com calma:

— Vamos seguir o método tradicional. Eu fico com “cara”.

Ele falou isso enquanto tirava uma moeda do bolso, como se já tivesse planejado tudo. Chrissy apenas assentiu. Não importava quem começasse, afinal, quem ia jogar de verdade era a IA, não ele. Nathaniel girou a moeda entre os dedos e a lançou; quando pegou e abriu a mão, deu “coroa”. Ele colocou a moeda, que já cumpriu sua função, sobre a mesa e pegou as peças pretas. Por coincidência, as peças douradas ficaram com Chrissy. Ele as colocou no tabuleiro com extremo cuidado, para não arranhar nada.

[Espere, o bispo e o cavalo estão trocados.]

A voz soou dentro do ouvido dele. Chrissy gelou por um instante, percebendo que realmente tinha colocado as peças no lugar errado. Fingindo naturalidade, corrigiu rapidamente.

— Há quanto tempo você joga xadrez?

Nathaniel perguntou enquanto movia uma peça. Chrissy respondeu conforme o roteiro que havia decorado:

— Não faz muito. Peguei gosto recentemente.

Era melhor deixar a resposta vaga, para evitar contradições mais tarde. De qualquer forma, ele já tinha se preparado para o nível de deboche que um campeão mundial de xadrez poderia dirigir a um iniciante completo como ele. Mas, surpreendentemente, Nathaniel não zombou, apenas perguntou num tom perfeitamente neutro:

— Recentemente… um ano? Seis meses?

Agora Chrissy teria que responder com precisão. Mas, em vez de cair na armadilha, ele deu um sorriso leve e devolveu:

— Já começamos o jogo? Parece que nem todas as peças foram colocadas ainda.

Ele lançou um olhar rápido ao tabuleiro do outro lado e voltou a encará-lo. Nathaniel sorriu silenciosamente, levantou a peça do rei e a posicionou. Depois fixou os olhos em Chrissy por cima da mesa.

— Então vamos começar.

Chrissy prendeu um pouco o ar e olhou para o tabuleiro. Assim que a tela indicou o movimento inicial, ele avançou o peão para o E4. Nathaniel respondeu imediatamente, sem perder tempo. Ao ver que Nathaniel movia seu peão assim que ele colocava sua peça, Chrissy sentiu um frio na barriga. ‘Deve ser porque é o início’, pensou, mas o mesmo aconteceu nos próximos movimentos. O ritmo era tão rápido que parecia até que ele estava tentando impedir Chrissy de pensar. Se a IA não estivesse conduzindo a partida, ele certamente estaria em pânico.

Após apenas alguns lances curtos, um dos peões de Chrissy tombou.

Ah.

Quase deixou escapar um suspiro. Mas aquela perda estava dentro do esperado. Ele não poderia conseguir tudo sem sacrificar nada.

— O que quer que eu tire primeiro?

Perguntou com indiferença. Nathaniel, que havia capturado o peão de Chrissy e o removido do tabuleiro, respondeu com um leve sorriso:

— Acho melhor começar pelo paletó. Vai ajudar você a relaxar.

Sem protestar, ele se levantou, tirou o paletó e o dobrou com capricho, colocando-o ao lado.

— Pensei que você fosse mandar eu tirar as meias primeiro.

Sentando-se novamente, ele provocou intencionalmente com um sorriso. Nathaniel, sem parecer nem um pouco perturbado, continuou olhando para ele com um sorriso sutil.

— Gosto de deixar o melhor para depois.

— Ha-ha.

Chrissy soltou uma risada curta – sem alegria alguma. O jogo continuou. Desta vez, conseguiu capturar o cavalo de Nathaniel. Ele aproveitou o momento para ir direto ao ponto:

— Quero saber sobre o detetive Simmons. Ele ainda está vivo?

Existia a possibilidade de Nathaniel simplesmente dizer: “Não conheço esse homem”. Mas Chrissy tinha certeza de que ele não faria isso. Porque ele queria tornar o jogo mais interessante.

Como esperado, Nathaniel abriu a boca calmamente.

— Ele deve estar vivo. Não posso afirmar com certeza.

— Então…

Ele tentou perguntar mais, mas Nathaniel moveu sua torre imediatamente, obrigando Chrissy a se calar e fazer o próximo movimento. Por alguns instantes, só o som das peças tocando o tabuleiro quebrou o silêncio.

— Nossa… perdi outra peça

Nathaniel disse quando Chrissy derrubou o peão dele, fingindo estar desapontado. Claro que aquele sentimento não era real. Aquele homem era bom em fingir. Ignorando o tom falso, Chrissy fez outra pergunta:

— Você sabe onde o detetive Simmons está? Ou consegue descobrir?

— Digamos que… consigo descobrir.

O jogo recomeçou imediatamente. O tempo parecia estar passando sem problemas. Até que Chrissy tentou atacar o bispo de Nathaniel.

Quando ele moveu a torre conforme as instruções, de repente sentiu algo estranho. Diferente de antes, Nathaniel não estava movendo suas peças, mas apenas observando o rosto de Chrissy em silêncio. Confuso, ele levantou os olhos, e Nathaniel sorriu de maneira peculiar. No momento em que Chrissy sentiu um calafrio percorrer suas costas, o homem moveu seu cavalo subitamente, mudando completamente a situação do jogo.

No instante em que a torre capturaria o bispo de Nathaniel, o cavalo acabou capturando a torre. No ouvido de Chrissy, a voz do homem soou alarmada:

[Ele… ele sabe o que a gente vai fazer a seguir.]

 

°

°

Continua….

 

Ler Fuja se puder Yaoi Mangá Online

m caso chocante acontece: um alfa, junto com seu grupo, estupra e assassina um ômega. O promotor encarregado do caso, Chrissy Jin, recusa qualquer acordo e decide levar o caso a julgamento, determinado a garantir uma punição adequada.
É nesse contexto que ele encontra pela primeira vez Nathaniel Miller, representante da maior firma de advocacia dos Estados Unidos, o Miller. Mas a arrogância de Nathaniel não lhe agrada em nada.
Pouco depois, ao voltar de um encontro com seus pais adotivos, Chrissy se envolve num acidente de trânsito: por azar, o carro em que bateu é justamente o de Nathaniel. Diante do valor absurdo do conserto, Chrissy não tem escolha a não ser ir até o homem para explicar sua situação, mas o lugar onde Nathaniel se encontra é, na verdade, uma festa de feromônios.
Lá, Chrissy quase acaba sendo violentado por Nathaniel, mas consegue atingi-lo com um caco de vidro e escapa. A partir desse incidente, a atitude de Nathaniel muda radicalmente: ele demite o advogado responsável pelo caso e decide assumir a defesa pessoalmente.
Os dois passam a se enfrentar no tribunal. No entanto, mesmo em meio a essa relação de hostilidade, Chrissy se sente estranhamente atraído por ele. Nathaniel, por sua vez, não disfarça seu interesse por ele. Em meio a essa tensão crescente, um dos membros do júri surpreende Chrissy com uma revelação inesperada….
Nome alternativo: Run Away If You Can

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