Ler Fuja se puder – Capítulo 70 Online
Era uma pergunta que Chrissy já esperava. E, naquele momento, ele não podia se dar ao luxo nem tinha disposição para esconder suas verdadeiras intenções atrás de joguinhos de palavras. Ainda assim, antes de falar, respirou fundo, tentando ganhar alguns segundos.
— Um detetive amigo meu desapareceu. — Ele continuou em seu tom habitual, frio e profissional: — E a única pessoa que pode saber algo sobre isso é você. Por isso eu vim.
Nathaniel ficou em silêncio por alguns instantes. O que estaria pensando? A inquietação fez o estômago de Chrissy se revirar de ansiedade, mas ele manteve os lábios cerrados, esperando sem dizer nada. Nathaniel passou a mão no queixo devagar, e quando finalmente abriu a boca, suas sobrancelhas se contraíram levemente.
— Você dormiu com esse homem?
— O quê…? Não!
A pergunta repentina fez Chrissy elevar o tom de voz sem querer, mas logo abaixou, respondendo com firmeza, embora com certo desconforto.
— Eu e ele não temos esse tipo de relação. É apenas trabalho e nada mais. Por que…?
Ele acabou falando mais do que queria, com a voz carregada de incredulidade. Fechou a boca, com uma expressão totalmente distorcida, mas mesmo assim Nathaniel não aliviou o olhar nem desfez o vinco entre as sobrancelhas. Parecia avaliá-lo, tentando decidir se dizia a verdade – ou talvez por outro motivo. De qualquer forma, não havia razão alguma para que aquele homem se metesse na vida íntima dele, afinal, com quem Chrissy transava não era problema dele.
Então Chrissy se deu conta: o último com quem ele havia se deitado… era justamente Nathaniel. A lembrança o atingiu como um golpe, deixando um gosto amargo que não tinha nada de agradável.
— Então o que pretende fazer agora? Você me chamou aqui porque resolveu aceitar a minha proposta, não foi?
Chrissy perguntou novamente, sem emoção. Precisava manter o controle a todo custo, não podia se deixar levar. Aquela talvez fosse sua última chance de salvar o detetive Simmons. Nathaniel, que o observava em silêncio, deixou de alisar o queixo e ergueu o canto dos lábios num sorriso enviesado.
— Vou assumir que acredito em você.
Chrissy soltou um suspiro curto e abafado. Mas Nathaniel, ainda com aquele ar de deboche, mudou de assunto com naturalidade.
— Então me diga, promotor… o que pretende fazer a partir de agora?
Era como se ele estivesse dizendo: “Vá em frente, me entretenha”. O homem parecia dizer isso. Ele não perguntou quem era o detetive, nem o motivo da busca, tampouco porque achava que isso tinha relação com ele. Justamente por isso, Chrissy teve ainda mais certeza de que aquele homem sabia de tudo sobre Simmons.
— É um filme antigo, mas talvez já tenha visto. Há uma cena famosa, em que um assassino e um agente do FBI fazem perguntas um ao outro para se conhecerem melhor.
— …Ah. — Nathaniel soltou um breve som como se tivesse entendido. — Quer dizer que, nesse caso, o promotor seria o assassino em série.
— Ha ha!
Chrissy soltou um riso seco, completamente sem humor. Brincadeiras eram a última coisa em que queria pensar. Nathaniel o olhou de cima, com a voz arrastada e calma como sempre:
— Também achei aquele filme muito interessante. Mas, sinceramente, trocar perguntas com você assim não me parece algo muito divertido.
Em seguida, um sorriso enigmático curvou seus lábios.
— A menos, é claro, que você fosse realmente um assassino em série.
De certa forma, ele não estava mentindo. Para despertar o interesse de Nathaniel Miller, algo comum jamais seria suficiente. Ainda assim, aquele homem havia aceitado o convite. O que significava que havia algo em Chrissy que despertou o interesse do homem, e era nisso que ele precisaria apostar.
— Claro, filmes são diferentes da realidade , então não tem como aplicar as mesmas regras.
Chrissy falou, mantendo o tom frio e profissional. Depois de se certificar de que Nathaniel o ouvia em silêncio, ele finalmente foi direto ao ponto.
— Que tal jogarmos xadrez, e o vencedor de cada partida tem direito a fazer uma pergunta?
Nathaniel não demonstrou qualquer reação especial. Limitou-se a encarar Chrissy com aquela expressão indecifrável de sempre, enquanto o leve aroma de seus feromônios continuava a se espalhar pelo ar. Ele esperou com paciência, até que Nathaniel inclinou a cabeça para o lado, e, num tom pouco entusiasmado, respondeu:
— Se a partida de xadrez demorar para acabar, não vamos conseguir fazer nem uma pergunta direito. Será que isso é realmente divertido?
Na verdade, o que ele queria dizer era o oposto, algo como: “Eu acabaria com você em menos de cinco minutos, então que sentido teria?” Afinal, aquele homem foi campeão mundial de xadrez ainda na adolescência. Era natural que pensasse assim. Mas Chrissy já havia previsto essa resposta.
— Podemos fazer de outro modo. A cada peça capturada, o jogador ganha o direito de fazer uma pergunta.
Ele disse, mantendo a calma. E, de propósito, acrescentou um incentivo.
— E quem capturar o rei no final tem direito a pedir o que quiser.
‘Será que essas condições não são razoáveis o bastante?’
Chrissy pensou, mas Nathaniel não se deixou convencer tão facilmente.
— Imagino que o troféu inclua o seu corpo, certo?
—… Claro.
Não havia motivo para fingir o contrário. O único “prêmio” que Chrissy tinha a oferecer era ele mesmo e, portanto, o troféu era ele. Era uma aposta arriscada, só faria sentido se fosse considerado como tendo tal valor, mas será que funcionaria com este homem?
Nathaniel soltou um breve som pensativo, quase como se calculasse mentalmente algo, antes de esboçar um sorriso enviesado. O coração de Chrissy deu um salto quando ele enfim disse:
— Que entediante.
‘Tudo bem, eu tenho outro plano.’
Chrissy abriu a boca para fazer uma nova proposta, mas Nathaniel foi mais rápido:
— E se fizermos assim? Quando você capturar uma das minhas peças, eu responderei à sua pergunta. Mas se eu capturar uma das suas…
Os olhos violetas do homem o percorreram lentamente de cima a baixo, pousando por fim em seus tornozelos, parcialmente ocultos sob a barra do terno barato. A voz dele saiu baixa, quase um sussurro:
— …você tira uma peça de roupa.
Chrissy sentiu os dedos ficarem frios. Já esperava algo desse tipo. Simmons estava em perigo por causa dele e, diante disso, o que seria um pouco de humilhação? Ainda assim, não conseguiu esconder o tom ríspido ao responder:
— Já viu o suficiente do meu corpo, não acha?
— Obras-primas devem ser apreciadas várias vezes. E, além disso… — O sorriso se alargou, cheio de malícia. — Quando eu vencer, prefiro não perder tempo tirando sua roupa.
Depois disso, virou-se tranquilamente, encerrando o assunto.
— Quer beber alguma coisa? Só percebi agora que ainda não ofereci nada.
— Água é suficiente. Obrigado.
Ao ouvir a resposta formal, Nathaniel parou de repente e se virou, com um leve sorriso nos lábios.
— Fiquei curioso… se eu não tivesse feito essa proposta, qual seria sua próxima jogada?
Ele claramente se lembrava de que Chrissy estava prestes a dizer algo antes de ser interrompido. Chrissy respondeu de forma neutra, quase entediada:
— Ia propor que, a cada peça que você capturasse, eu te fizesse um boquete.
Pela primeira vez, Nathaniel pareceu genuinamente surpreso, como se nunca tivesse imaginado que ele chegaria a esse ponto. Ver aquela reação fez Chrissy se sentir um pouco melhor.
— Ora… é por isso que devemos ser mais cautelosos em uma negociação.
Diante do suspiro que parecia genuinamente arrependido, Chrissy respondeu com indiferença:
— A água que já passou pelo rio não move mais moinho.
— É verdade. Perdi uma oportunidade e tanto. Poderia ter visto algo realmente bom.
Tendo dito isso, Nathaniel, ainda com um sorriso no rosto, apontou para um lado.
— Pode me esperar na sala de jogos. Siga em frente até o último cômodo à direita.
Chrissy fez exatamente o que lhe foi dito e começou a caminhar. Depois de dar apenas alguns passos, fingiu se lembrar de algo e perguntou a Nathaniel:
— Posso usar o banheiro por um momento?
— Claro.
Nathaniel respondeu enquanto contornava o balcão do bar e tirava uma garrafa do armário.
— Fica logo ao lado da sala de jogos. Fique à vontade.
As últimas palavras soaram como uma provocação. Chrissy manteve a rigidez no rosto e apenas agradeceu de forma educada antes de seguir na direção indicada.
O coração dele começou a disparar descompassadamente. Tentou manter a calma ao entrar no banheiro, mas assim que ficou sozinho, o medo e a tensão que vinha reprimindo o invadiram de uma vez. Ao encarar o próprio reflexo no espelho sobre a pia, viu os olhos arregalados, o rosto completamente pálido e a respiração pesada e irregular.
Era natural. Afinal, ele nunca tinha jogado uma única partida de xadrez na vida.
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Continua…
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m caso chocante acontece: um alfa, junto com seu grupo, estupra e assassina um ômega. O promotor encarregado do caso, Chrissy Jin, recusa qualquer acordo e decide levar o caso a julgamento, determinado a garantir uma punição adequada.
É nesse contexto que ele encontra pela primeira vez Nathaniel Miller, representante da maior firma de advocacia dos Estados Unidos, o Miller. Mas a arrogância de Nathaniel não lhe agrada em nada.
Pouco depois, ao voltar de um encontro com seus pais adotivos, Chrissy se envolve num acidente de trânsito: por azar, o carro em que bateu é justamente o de Nathaniel. Diante do valor absurdo do conserto, Chrissy não tem escolha a não ser ir até o homem para explicar sua situação, mas o lugar onde Nathaniel se encontra é, na verdade, uma festa de feromônios.
Lá, Chrissy quase acaba sendo violentado por Nathaniel, mas consegue atingi-lo com um caco de vidro e escapa. A partir desse incidente, a atitude de Nathaniel muda radicalmente: ele demite o advogado responsável pelo caso e decide assumir a defesa pessoalmente.
Os dois passam a se enfrentar no tribunal. No entanto, mesmo em meio a essa relação de hostilidade, Chrissy se sente estranhamente atraído por ele. Nathaniel, por sua vez, não disfarça seu interesse por ele. Em meio a essa tensão crescente, um dos membros do júri surpreende Chrissy com uma revelação inesperada….
Nome alternativo: Run Away If You Can