Ler Fuja se puder – Capítulo 67 Online

Modo Claro

Três dias depois, Simmons entrou em contato. Foi no momento perfeito: Chrissy vinha realizando várias investigações com base nas informações que já havia levantado.

[Podemos nos encontrar agora? Eu vou até aí.]

A voz do detetive soou um tanto impaciente; Chrissy respondeu com calma.

— Estou prestes a sair do trabalho, então venha até a minha casa.

[Certo. Chego por volta das oito.]

O detetive, que marcou o horário por conta própria, desligou na sequência. Chrissy hesitou por um momento, mas logo enviou uma mensagem com seu endereço. Curioso para saber o que Simmons havia descoberto, e lutando contra a ansiedade de ouvir tudo imediatamente, ele seguiu para casa e, depois de preparar tudo para receber o investigador, ficou à espera. Simmons chegou dez minutos antes do horário que havia dito e, assim que Chrissy abriu a porta, ele perguntou sem rodeios.

— Isso realmente não tem ligação nenhuma com o Anthony Smith?

Ao ser questionado daquela forma, quase acusatória, Chrissy o conteve deliberadamente com tranquilidade.

— Entre e vamos conversar.

Ao indicar uma cadeira que já havia preparado, Simmons bufou, franziu o cenho e batendo o pé ao entrar, sentou-se pesadamente. Quando Chrissy se sentou à sua frente e olhou para o detetive, ele finalmente continuou rapidamente:

— Vamos logo, fale. O caso Anthony Smith ainda não está encerrado, certo? Está ou não?

— Por que pensa assim?

Em vez de responder, ele retribuiu com outra pergunta; Simmons abriu a boca como quem não acreditava e, em seguida, balançou a cabeça com uma expressão incrédula.

— Olha, Chrissy. Vamos, seja sincero. Você também tinha um objetivo ao me passar essa informação, não tinha? Então, desde o início você deveria ter sido claro comigo. Está me testando agora, é isso?

Ele parecia até irritado, mas Chrissy, em vez de acalmá-lo, mudou de assunto.

— Conte-me primeiro o que descobriu para ter essa reação.

Simmons era um parceiro com quem já trabalhava há vários anos. Apesar de muitas vezes confiar mais na intuição do que nas provas e por isso, ter cometido alguns erros, sua paixão e convicção por justiça eram reconhecidas por todos – e isso fazia com que, em certa medida, se tolerasse suas falhas. Chrissy escolheu trabalhar com Simmons entre tantos investigadores exatamente por conhecê-lo bem.

Simmons mostrou-se incomodado com a resistência de Chrissy em ir direto ao ponto, mas acabou desistindo e começou a falar.

— Não consegui encontrar o Bahama pessoalmente. Mas, enquanto investigava  aquele sujeito, descobri algo estranho.

Ao chegar a esse ponto, o investigador encarou cuidadosamente o rosto de Chrissy e formulou a pergunta.

— Promotor, você sabia que a droga que aquele traficante vendia era um reagente fabricado por uma empresa farmacêutica?

Chrissy manteve contato visual com o olhar penetrante do detetive Simmons sem dizer uma palavra. Ele estava satisfeito por Simmons ter encontrado a resposta que ele queria, mesmo sem ter encontrado Bahama pessoalmente – sua escolha não havia sido equivocada.

— Sim. Era um reagente ilegal, sem autorização oficial. Era como se tivessem feito experimentos em humanos na rua.

— Então você sabia desde o início.

Simmons ergueu e baixou as mãos, como se aquilo confirmasse suas suspeitas. Chrissy sorriu, com um misto de constrangimento e desculpas.

— Achei que o detetive descobriria por conta própria.

— Muito obrigado, então.

Simmons falou com ironia, virou o rosto num gesto de raiva por um momento e voltou a se concentrar em Chrissy.

— Agora conta logo. Preciso saber o que estamos fazendo aqui. Só assim poderei entender o quadro geral, não é?

— Pode ser algo mais perigoso do que pensa.

— Eu sou detetive, acha que me importo com isso?

Mesmo diante do aviso de Chrissy, Simmons retrucou com descaramento. Na verdade, Chrissy sabia que era uma reação óbvia – aquela pergunta equivalia, de certa forma, a uma tentativa de evitar responsabilidades.

— Se no meio do caminho achar que não dá mais, sai sem olhar para trás. Eu, claro, farei o mesmo.

— Entendido, então desembucha.

Diante do aviso que Chrissy dera mais uma vez, Simmons o pressionou. Chrissy permaneceu em silêncio, levantou-se e foi até a escrivaninha. De lá, trouxe um álbum de recortes e o colocou sobre a mesa. Simmons o observou com uma expressão de curiosidade e inquietação que se misturavam. Assim que o abriu, viu cerca de uma dezena de palavras desconhecidas escritas nas páginas.

— O que é isso?

Diante da pergunta óbvia, Chrissy respondeu com indiferença:

— São as drogas com as quais Bahama está lidando. Recebi a informação diretamente dele.

— Diretamente…? Você encontrou aquele desgraçado pessoalmente?

Simmons ergueu a voz, e logo em seguida soltou um suspiro pesado. Chrissy sorriu de leve e respondeu:

— Precisava avaliar até onde o senhor estaria disposto a se envolver. Espero que entenda.

— Ah, claro. Que consideração a sua.

Simmons ironizou, como de costume. Antes de virar a página, Chrissy falou primeiro:

— Tudo isso ainda é apenas uma suposição minha. Então…

— E confirmar se é verdade ou não fica por minha conta, certo? Entendido, pode virar.

Chrissy sorriu amargamente e virou a página. A seguinte estava coberta por fotos e nomes, todos ligados entre si por linhas que formavam uma teia confusa.

— Quando ouvi que era um reagente de uma empresa farmacêutica, uma pessoa me veio logo à mente.

— Jonathan Davis…!

Simmons completou as palavras de Chrissy quase no mesmo instante. Ele assentiu e continuou:

— Anthony costumava comprar drogas de Bahama de vez em quando. E, todas as vezes, fazia perguntas aleatórias sobre a empresa farmacêutica Davis. Bahama era apenas o vendedor, então provavelmente não tinha muita informação…

— Se Anthony estava investigando isso por conta própria, pode ter descoberto algo importante. Talvez por isso tenha tido aquele fim horrível…

— Ainda não chegamos a esse ponto.

Chrissy interrompeu friamente as palavras de Simmons. Fazer suposições apressadas sem provas só atrapalharia a investigação. Primeiro, era preciso entender os fatos.

— Vamos deixar apenas o seguinte estabelecido: Anthony estava reunindo informações sobre a empresa Davis. A partir daí, começamos a investigar essa farmacêutica.

Chrissy acrescentou logo em seguida:

— Por precaução, verifiquei o laudo da autópsia. As substâncias encontradas no corpo de Anthony foram apenas um sedativo e um anticonvulsivante. O legista disse que provavelmente foram administradas para facilitar uma relação sexual forçada.

— Desgraçados nojentos.

Simmons cerrou os dentes de raiva.

— Concordo plenamente. De qualquer forma, isso é o essencial. As entrevistas com as pessoas próximas de Anthony Smith e outros detalhes da investigação estão todas organizadas aqui. Dê uma olhada, pode ser útil.

Chrissy entregou os documentos a Simmons, que os pegou e perguntou:

— Está me incomodando o fato de você não ter encontrado Bahamas. Será que aconteceu algo?

Simmons balançou a cabeça imediatamente e respondeu:

— Acho que não. Esses traficantes vivem aparecendo e sumindo, não há por que se preocupar antes da hora. De qualquer modo, continuarei procurando. Mesmo que ele não pareça muito útil, seria problemático se algo acontecesse.

Enquanto folheava distraidamente os documentos que recebeu de Chrissy, Simmons lançou de repente outra pergunta:

— Mas por que decidiu reabrir o caso de Anthony Smith? Deve haver um motivo para retomar algo que já estava encerrado, não?

Chrissy respondeu com naturalidade à pergunta lógica:

— Alguém me disse que Anthony Smith talvez não fosse uma vítima tão inocente quanto parecia.

— Que filho da puta! Quem foi o idiota que disse uma besteira dessas? Se ele foi vítima de um crime, é vítima, ponto final! Que diferença faz ser mais ou menos “inocente”? Ele continua sendo vítima de um crime.

Simmons explodiu em palavrões, tomado pela raiva, e Chrissy esboçou um sorriso breve, em sinal de concordância.

— Pois é.

Ele continuou falando num tom calmo, mas carregado de seriedade:

— Mas se houver algum segredo oculto por trás da morte de Anthony Smith, algo que ainda não conhecemos, acho que devemos investigar. E se aquele acordo de redução de pena, que anulou o julgamento, tiver servido apenas para encobrir outro crime…

— Estou ficando louco de curiosidade para saber que tipo de segredo tão grande eles estão escondendo.

O investigador arregalou os olhos enquanto falava, depois dobrou os papéis que Chrissy lhe entregou e os enfiou no bolso interno do paletó, levantando-se em seguida.

— Parece que vamos ficar ocupados daqui pra frente. Entendido, por enquanto é isso. Se eu descobrir algo mais, entro em contato de novo. E o senhor, promotor, o que pretende fazer agora?

Chrissy levantou-se também e respondeu:

— Fazer o meu trabalho. E, se houver algo que eu possa fazer do meu lado, farei isso também.

— Ótimo. Vamos dar o nosso melhor.

Simmons estendeu a mão primeiro, e os dois trocaram um aperto firme. Depois, o detetive saiu às pressas do estúdio, do mesmo jeito que havia chegado.

Sozinho, Chrissy ficou por um momento parado, atordoado pelo silêncio repentino, até que acabou soltando um sorriso amargo.

Quando olhou a data, percebeu que já haviam se passado dois meses desde aquele dia. É claro que Nathaniel Miller não havia dado qualquer sinal, e Chrissy também não tentou entrar em contato.

‘Será que tudo terminaria assim?’

Era o desfecho mais natural. Agora era como se ele tivesse voltado à rotina que tinha antes de conhecer aquele homem. Trabalhando até cansar e, ocasionalmente, encontrando companhia de uma noite para aliviar a tensão.

‘Sim, isso é o melhor.’

Chrissy assentiu levemente com a cabeça. Não ter mais nenhum tipo de contato com Nathaniel Miller seria, sem dúvida, o mais saudável. Se continuasse quieto, respirando fundo e voltando à rotina de sempre, tudo terminaria ali.

Mas, infelizmente, seus desejos não seriam atendidos com tanta facilidade.

 

°

°

Continua…

 

Ler Fuja se puder Yaoi Mangá Online

m caso chocante acontece: um alfa, junto com seu grupo, estupra e assassina um ômega. O promotor encarregado do caso, Chrissy Jin, recusa qualquer acordo e decide levar o caso a julgamento, determinado a garantir uma punição adequada.
É nesse contexto que ele encontra pela primeira vez Nathaniel Miller, representante da maior firma de advocacia dos Estados Unidos, o Miller. Mas a arrogância de Nathaniel não lhe agrada em nada.
Pouco depois, ao voltar de um encontro com seus pais adotivos, Chrissy se envolve num acidente de trânsito: por azar, o carro em que bateu é justamente o de Nathaniel. Diante do valor absurdo do conserto, Chrissy não tem escolha a não ser ir até o homem para explicar sua situação, mas o lugar onde Nathaniel se encontra é, na verdade, uma festa de feromônios.
Lá, Chrissy quase acaba sendo violentado por Nathaniel, mas consegue atingi-lo com um caco de vidro e escapa. A partir desse incidente, a atitude de Nathaniel muda radicalmente: ele demite o advogado responsável pelo caso e decide assumir a defesa pessoalmente.
Os dois passam a se enfrentar no tribunal. No entanto, mesmo em meio a essa relação de hostilidade, Chrissy se sente estranhamente atraído por ele. Nathaniel, por sua vez, não disfarça seu interesse por ele. Em meio a essa tensão crescente, um dos membros do júri surpreende Chrissy com uma revelação inesperada….
Nome alternativo: Run Away If You Can

Gostou de ler Fuja se puder – Capítulo 67?
Então compartilhe o anime hentai com seus amigos para que todos conheçam o nosso trabalho!