Ler Fuja se puder – Capítulo 65 Online

Modo Claro

— Hah.

Nathaniel soltou um suspiro curto e irritado antes de se levantar de repente. Chrissy, ainda meio desajeitado, ergueu o tronco e o observou dar a volta pelo bar e seguir até o armário de bebidas. Depois de um breve momento de confusão, ele esperou que Nathaniel enchesse o copo e começasse a beber, então abriu a boca:

— Não acha que chamar um dos seus pais biológicos de “ômega”, ou de “senhor Nilles”, é um pouco demais?

‘Ou será que todos os alfas dominantes são assim?’

Nathaniel pousou o copo sobre o balcão e respondeu com calma:

— Cresci demais pra chamar de “papai” ou “pai”.

Após uma breve pausa, impossível saber se intencional ou apenas habitual, ele acrescentou em seu tom caracteristicamente lento:

— É melhor para todos manter uma certa distância.

Chrissy não conseguiu entender bem o que ele queria dizer, mas sabia que não era o momento de insistir. Nem precisava. Ele não estava ali para discutir a relação familiar de Nathaniel, estava ali por um único motivo: descobrir a verdade escondida sobre Anthony Smith.

— Preciso de mais pistas. — Chrissy disse, puxando a camisa rasgada que insistia em escorregar pelo ombro. — Pesquisei sobre James Barry. Revirei os registros do caso, mas não encontrei nenhum nome parecido.

— Acho que já deixei claro minhas condições. — respondeu Nathaniel, olhando-o de cima a baixo com aquele olhar afiado e sarcástico. — O show de hoje foi lamentável, promotor. Então, sem recompensa.

Ele serviu outra dose, ergueu o copo como se brindasse e bebeu, com um sorriso debochado nos lábios. Era óbvio que o homem estava profundamente irritado.

— Droga… — resmungou, passando a mão pelos cabelos e franzindo a testa.

Ele nunca havia concordado com aquele “jogo” em primeiro lugar. O homem simplesmente começou por conta própria, e ele foi arrastado para dentro. Mas não pretendia continuar sendo manipulado daquele jeito.

— Advogado. — Chamou, segurando as bordas do balcão com as duas mãos e inclinando o corpo na direção dele. — Eu não sou como você, que brinca com a vida dos outros. Eu trabalho dando o meu máximo, diferentemente de alguém.

Ele deu ênfase na palavra alguém, encarando-o com firmeza.

— Então, ou conversamos de forma séria, ou se não quiser, recuse de uma vez. Se não quiser, eu vou embora agora e nunca mais volto.

Chrissy se calou e esperou. Nathaniel Miller apenas levou o copo aos lábios, bebendo devagar. Ele observou o movimento do pomo de adão do advogado subindo e descendo enquanto o álcool descia pela garganta. O tempo passou, então Chrissy começou a contar em silêncio. Dez segundos. Nove. Oito.

— Cuide-se. Espero nunca mais te ver.

Após contar o tempo exato, ele se despediu com sarcasmo. Virou-se e começou a caminhar. Por um instante, teve a esperança de que Nathaniel o chamaria de volta,  mas isso nunca aconteceu.

Droga.

Chrissy xingou internamente dentro do elevador. …Tinha voltado à estaca zero.

 

***

— Trabalhar excessivamente também não faz bem, Chrissy.

A terapeuta sorriu de modo gentil. Chrissy respondeu com um ar cansado:

— Estou bem. Não tem nada de errado comigo.

— A falta de sono constante também não é algo bom.

Ela ignorou levemente a negação casual de Chrissy e acrescentou. Chrissy soltou um longo suspiro audível.

— Ainda tem pesadelos?

— Que tipo de pesadelos? Do primeiro pai… ou do segundo?

Sem querer, saiu uma pergunta sarcástica, mas ela respondeu com a mesma serenidade de sempre.

— Qual dos dois? Ou talvez… os dois?

— Haa…

Chrissy suspirou mais uma vez. Ele sabia muito bem o motivo de estar agindo de forma tão irritadiça. No fim, reagir assim durante uma sessão tão cara só o prejudicava. Decidido a se recompor, ele fechou os olhos por um momento e depois os abriu novamente. Deitado na longa poltrona de consultas, olhando para o teto, Chrissy começou a falar:

— Eu não tenho tido pesadelos. A não ser que… a própria realidade tenha virado um pesadelo.

— Aconteceu alguma coisa?

Chrissy fez uma pausa antes de responder:

— Estou reabrindo um caso que achei que já tinha sido encerrado.

— Não estava mesmo encerrado?

— Sim… não, quer dizer… eu não sei. — Ele esfregou os olhos cansados e continuou: — Não consigo entender nada. Revirei os arquivos, perguntei aos investigadores, mas não havia nenhum segredo que eu não soubesse. Visitar os familiares da vítima é o último recurso que me resta, e…

— O que está te incomodando agora é só o caso?

A terapeuta perguntou. Chrissy ficou pensativo por alguns segundos antes de negar:

— Há um homem que anda me tirando o sono.

— Em que sentido? É algo romântico? Ou talvez…

— Não é romance. Eu não perco tempo com esse tipo de bobagem.

Ele negou veementemente, mas não conseguiu continuar. Vendo que Chrissy havia se calado a terapeuta apenas disse com calma:

— Você sabe que é quem melhor entende os próprios sentimentos. Mas é preciso colocá-los para fora, senão será impossível dar o próximo passo, não é?

Claro que sabia. Já ouviu aquela frase inúmeras vezes. Mas falar em voz alta não era nada fácil – mesmo diante de alguém que conhecia suas partes mais sombrias.

Depois de outro suspiro profundo, ele finalmente murmurou, constrangido:

— …Pensei em dormir com ele.

Assim que as palavras escaparam, o coração de Chrissy começou a disparar violentamente, como se tivesse confessado um crime. A culpa apertava seu coração, e ele mudou a posição das mãos entrelaçadas sobre o peito e, com o rosto franzido, relembrou a contragosto.

‘Admita. Você se sentiu sexualmente atraído por aquele homem.’

— Mas eu nunca vou dormir com ele.

‘Apesar de algo parecido já ter acontecido…’

Enquanto pensava isso, a terapeuta perguntou:

— Você me disse antes que uma vida sexual ativa te ajuda a lidar com o estresse do trabalho e de outras questões. Mas há uma razão específica para não ser com esse homem?

Antes mesmo das sessões, Chrissy já levava uma vida bastante libertina. Quando contou isso à terapeuta, imaginou que ela o repreenderia, mas, surpreendentemente, ela não impôs qualquer restrição sobre o assunto. Diante da pergunta, ele refletiu um pouco antes de responder:

— Ele é um alfa dominante. E, por causa disso, eu sempre acabo sendo arrastado pelo feromônio dele.

— Ah… Isso faz sentido.

Ela disse, assentindo. Sendo também uma beta, assim como Chrissy, a terapeuta compreendia bem.

— Os feromônios de um alfa dominante podem afetar até nós, betas. Podendo até provocar mutações… É por isso que você evita ele? Por medo de que uma mutação ocorra?

— Não posso dizer que não seja por isso… — Chrissy respondeu relutantemente. — Mas é melhor não chegar tão perto desse homem.

— Em que sentido?

— Porque ele é um lixo.

Ele respondeu, cuspindo as palavras com desprezo. A terapeuta o observou com uma expressão de surpresa.

— Entendo. Bem, dizem que a maioria dos alfas dominantes não tem exatamente uma boa índole. Pode ser algo inerente à própria natureza deles, mas ainda assim…

Ela continuou, com voz calma.

— No seu caso, Chrissy, considerando a constituição dos seus pais, há também o fator genético. Isso significa que você tende a ser mais sensível do que a maioria dos betas nascidos de pais betas comuns. Você sabia disso?

— Não, mas entendi o que quer dizer.

Respondeu, seco, ainda olhando para o teto.

— Certo.

A terapeuta disse, assentindo.

— Se for necessário, posso prescrever um medicamento para neutralizar os feromônios. Se você tiver que encontrá-lo de novo no futuro, tomar o remédio antes ajudará. Para resistir à tentação, e em vários outros aspectos.

— Não precisa.

Chrissy, ainda encarando o teto, falou como se estivesse fazendo uma promessa a si mesma.

— Porque não vou encontrá-lo de novo.

— Então vou receitar também um sonífero.

Desta vez, ela sorriu suavemente.

— Quando precisar, é melhor depender de um remédio do que continuar sem dormir. Fico feliz que não esteja mais tendo pesadelos. Mas, se o medicamento não funcionar direito, entre em contato comigo. Ah, e o tempo acabou. Vamos marcar a próxima consulta…

Mais tarde, na recepção, Chrissy pagava a sessão quando percebeu algo estranho na receita. Entre os medicamentos listados, havia um que ele não reconhecia – a terapeuta havia incluído o neutralizador de feromônios mesmo depois dele ter dito que não precisava.

— Haa…

Suspirou baixinho. Entregou a receita na farmácia e enquanto esperava o remédio ser separado, abriu o celular para verificar as mensagens. Parou de repente.

Havia uma nova mensagem do amigo de Anthony Smith, aquele com quem ele havia entrado em contato no dia anterior.

 

°

°

Continua…

 

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m caso chocante acontece: um alfa, junto com seu grupo, estupra e assassina um ômega. O promotor encarregado do caso, Chrissy Jin, recusa qualquer acordo e decide levar o caso a julgamento, determinado a garantir uma punição adequada.
É nesse contexto que ele encontra pela primeira vez Nathaniel Miller, representante da maior firma de advocacia dos Estados Unidos, o Miller. Mas a arrogância de Nathaniel não lhe agrada em nada.
Pouco depois, ao voltar de um encontro com seus pais adotivos, Chrissy se envolve num acidente de trânsito: por azar, o carro em que bateu é justamente o de Nathaniel. Diante do valor absurdo do conserto, Chrissy não tem escolha a não ser ir até o homem para explicar sua situação, mas o lugar onde Nathaniel se encontra é, na verdade, uma festa de feromônios.
Lá, Chrissy quase acaba sendo violentado por Nathaniel, mas consegue atingi-lo com um caco de vidro e escapa. A partir desse incidente, a atitude de Nathaniel muda radicalmente: ele demite o advogado responsável pelo caso e decide assumir a defesa pessoalmente.
Os dois passam a se enfrentar no tribunal. No entanto, mesmo em meio a essa relação de hostilidade, Chrissy se sente estranhamente atraído por ele. Nathaniel, por sua vez, não disfarça seu interesse por ele. Em meio a essa tensão crescente, um dos membros do júri surpreende Chrissy com uma revelação inesperada….
Nome alternativo: Run Away If You Can

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