Ler Fuja se puder – Capítulo 64 Online
Por um longo tempo, ninguém disse uma única palavra. Chrissy, sentindo uma tensão inexplicável e um peso sufocante no ar, permaneceu ali, meio caído sobre o sofá, olhando para Nathaniel sem conseguir se mover.
Nathaniel moveu o olhar muito lentamente: primeiro para o rosto de Koy, depois para a camisa semiaberta e os ombros e braços totalmente expostos do Beta, em seguida para a mão que segurava a roupa do homem, depois para a clavícula e pescoço claramente visíveis abaixo, e finalmente fixou os olhos no rosto de Chrissy. Então, abrindo os lábios, falou num tom tão frio que fez o ar ao redor parecer gelar.
— Eu perguntei o que está acontecendo aqui.
O tom de voz mais lento que o habitual soou ainda mais ameaçador por isso. Chrissy ficou imóvel, paralisado. Um medo puro, instintivo, rastejou de dentro dele, o mesmo que sentiu quando quase perdera a visão daquela vez. Será que ele ainda está excitado? De repente, veio à tona um pensamento desnecessário. Foi quando Koy, que estava em cima de Chrissy, subitamente falou:
— Me desculpe, Nathaniel. Aconteceu uma coisa…
Ele se levantou às pressas, tentando recompor a roupa, mas Nathaniel o observou de cima com a testa visivelmente franzida.
— Senhor Nilles.
Chamando-o pelo sobrenome, Nathaniel falou com uma rigidez cortante. Koy congelou por um instante, e então ouviu a voz gélida continuar:
— O que está fazendo aqui?
A linguagem era formal, mas o tom era cruelmente frio. Koy, claramente desconcertado, piscou várias vezes, tentando explicar:
— Bem… eu… você tinha dito que a pia do banheiro não estava drenando direito, lembra? Então eu vim ver isso…
— O meu pai sabe que o senhor Nilles veio sozinho até a minha casa e que eu estou na cidade?
Nathaniel cortou suas palavras friamente, sem nem ouvir tudo. Até o desastrado Koy percebeu que ele não havia feito aquela pergunta por curiosidade genuína. Koy, que havia fechado a boca constrangido, respondeu hesitante:
— O Ash disse que iria se atrasar hoje, e eu também… disse que eu ia ficar ocupado… Ah, eu… eu não cheguei a contar para ele que vinha aqui…
— Se o seu serviço acabou, poderia por favor ir embora agora, senhor Nilles? — Dessa vez, Koy também não pôde terminar sua frase. Sobressaltado, ouviu Nathaniel acrescentar: — E, da próxima vez, não apareça assim, sem avisar. Isso é inconveniente.
— Eu já ia embora antes de você chegar.
Koy, constrangido, baixou o olhar com um ar envergonhado. Ainda bem que consegui conter o impulso de dizer algo como: “Como a fada madrinha da Cinderela”. Se tivesse dito em voz alta, Nathaniel certamente o teria expulso como se estivesse pegando um rato pelo cangote e o colocado no elevador. Felizmente, Koy, mantendo sua última dignidade, saiu andando com suas próprias pernas. Ao passar, acenou timidamente para Chrissy, sem dizer nada, e seguiu em direção à porta de entrada.
— Ah…
Chrissy, ainda meio atordoado, não conseguiu sequer responder direito. Ficou ali, observando Koy desaparecer, até que o som mecânico frio do elevador se perdeu na distância.
O silêncio tomou conta do lugar. Agora, só restavam ele e Nathaniel.
Então, finalmente, o homem que acabara de chegar falou, pela primeira vez, com ele.
— Você….
Chrissy sentiu um arrepio percorrer-lhe a espinha. Lentamente, virou a cabeça. Os olhos violetas de Nathaniel o encaravam de cima, intensos e sombrios. Ele congelou, e Nathaniel continuou, com uma voz baixa, porém rígida:
— Já parou para pensar que você é muito promíscuo?
— O quê?
Surpreso com a pergunta inesperada, Chrissy, sem perceber, respondeu com outra pergunta. Nathaniel continuou, ainda com uma expressão fria.
— Se encontrasse alguém rolando na sala com um homem que acabou de conhecer, na ausência do dono da casa…, não pensaria o mesmo que eu?
— Hah…
Chrissy soltou um suspiro, incrédulo. Não sabia nem por onde começar – nem o que deveria dizer primeiro. A situação era tão absurda que, antes da raiva, veio a perplexidade. Esfregando os olhos com uma das mãos, ele respirou fundo e ergueu a cabeça.
— Eu sei que não sou exatamente o exemplo de virtude, mas nem por isso sairia drolando com alguém na casa de outra pessoa sem a presença do dono.
Na tentativa desesperada de se justificar, Chrissy nem percebeu que não havia negado a expressão “rolando na sala com um homem que acabou de conhecer”. Em vez disso, Chrissy tentou desviar o assunto para outra direção.
— Se quiser colocar assim… digamos que era uma surpresa que eu tinha preparado para você.
O plano, de certa forma, tinha funcionado, Nathaniel realmente parecia surpreso. Mas longe de reagir com humor, ele apenas endureceu o rosto ainda mais, a expressão gelada. ‘É, foi uma péssima ideia,’ pensou Chrissy, reprimindo um suspiro antes de continuar:
— Foi só um acidente. Sinto muito por ter te feito ver algo que não queria… e logo no seu sofá.
Falou com sinceridade, tentando preservar um mínimo de dignidade. Mas a camisa, com vários botões arrancados, pendia frouxa sobre o corpo, revelando pedaços de pele. Ele tentou, com um gesto rápido, fechar o paletó para esconder o máximo possível, e então, com a voz mais firme, perguntou aquilo que já o incomodava desde o início:
— E vocês dois… que tipo de relação têm? Não parecem ser apenas conhecidos.
Diante da pergunta que finalmente retornou ao ponto inicial, Nathaniel replicou em um tom lento:
— Que tipo de relação, você diz? Entre mim e o senhor Nilles?
Ele semicerrou os olhos e o canto da boca se curvou num sorriso torto.
— E o que parece para você?
Chrissy olhou fixamente para seu rosto e então falou em um tom mais duro e rígido do que antes:
— Se estão saindo juntos, ou algo assim…
— De jeito nenhum. O senhor Nilles não é nem um pouco o meu tipo.
Nathaniel franziu a testa, negando de imediato. No mesmo instante, Chrissy ficou constrangido consigo mesmo por sentir um alívio involuntário.
‘ Eu… estou aliviado porque ele é solteiro? Ou porque…?’
Enquanto ainda tentava entender seus próprios sentimentos, Nathaniel o encarou e perguntou, de repente:
— Por acaso ele é o seu tipo?
Chrissy se sobressaltou, erguendo a cabeça e percebeu que Nathaniel já estava bem diante dele. Antes que conseguisse recuar, o homem o agarrou pela cintura e o puxou para si.
— É melhor parar por aqui… a menos que queira ser jogado no Rio Hudson e ser encontrado como um cadáver.
Num piscar de olhos, o corpo de Nathaniel estava colado ao dele. O homem se inclinou sobre Chrissy e murmurou num tom baixo, quase um sussurro ameaçador.
‘O que isso quer dizer? Está insinuando que ele e Koy têm… alguma coisa?’
Chrissy nem teve tempo de concluir o pensamento, porque sentiu claramente, pressionado contra o corpo, a ereção rígida de Nathaniel. E junto dela, o aroma intenso e entorpecente que o deixava tonto.
— Eu nunca durmo com alguém que já tem um parceiro, seja você… ou qualquer outro.
Chrissy tentou se afastar, lutando para manter a razão, mas o corpo de Nathaniel não cedeu nem um centímetro. Pelo contrário, ele o empurrou, fazendo-o cair de costas no sofá onde antes estivera com Koy. Chrissy se apoiou com dificuldade, tentando não tombar completamente, e exclamou com urgência:
— Então, se aquele homem não é seu parceiro, o que ele é? Apenas um amigo?
Nathaniel, sem responder de imediato, aproximou os lábios da orelha dele, sugando-lhe o lóbulo antes de murmurar, em tom rouco:
— Ele é o meu pai.
— O quê?
O corpo inteiro de Chrissy perdeu a força de repente. E foi nesse exato instante que Nathaniel aproveitou a brecha para empurrá-lo completamente sobre o sofá, dominando-o enquanto repetia, com o mesmo tom gélido e implacável:
— Não ouviu direito? Vou repetir: o senhor Nilles é o ômega que me deu à luz.
Chrissy ficou tão chocado que até se esqueceu de que ainda estava deitado no sofá, com Nathaniel Miller por cima dele.
‘O que foi que ele acabou de dizer? Konnor Niles… Koy… é um ômega? E ele deu à luz ao Nathaniel?’
Quando os lábios de alfa estavam prestes a tocá-lo, Chrissy, incrédulo, acabou dizendo a primeira coisa que lhe veio à cabeça:
— Você… também tem pais?
O beijo iminente parou abruptamente. Mais uma vez, um silêncio gelado pairou no ar. Nathaniel levantou a cabeça devagar e o encarou com uma expressão de pura incredulidade antes de responder, em tom frio:
— Você percebe que acabou de dizer algo tremendamente absurdo, não é?
No mesmo instante, Chris, constrangido se calou, mas já era tarde demais: um constrangimento denso e irreversível havia se instalado entre os dois.
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Continua…
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m caso chocante acontece: um alfa, junto com seu grupo, estupra e assassina um ômega. O promotor encarregado do caso, Chrissy Jin, recusa qualquer acordo e decide levar o caso a julgamento, determinado a garantir uma punição adequada.
É nesse contexto que ele encontra pela primeira vez Nathaniel Miller, representante da maior firma de advocacia dos Estados Unidos, o Miller. Mas a arrogância de Nathaniel não lhe agrada em nada.
Pouco depois, ao voltar de um encontro com seus pais adotivos, Chrissy se envolve num acidente de trânsito: por azar, o carro em que bateu é justamente o de Nathaniel. Diante do valor absurdo do conserto, Chrissy não tem escolha a não ser ir até o homem para explicar sua situação, mas o lugar onde Nathaniel se encontra é, na verdade, uma festa de feromônios.
Lá, Chrissy quase acaba sendo violentado por Nathaniel, mas consegue atingi-lo com um caco de vidro e escapa. A partir desse incidente, a atitude de Nathaniel muda radicalmente: ele demite o advogado responsável pelo caso e decide assumir a defesa pessoalmente.
Os dois passam a se enfrentar no tribunal. No entanto, mesmo em meio a essa relação de hostilidade, Chrissy se sente estranhamente atraído por ele. Nathaniel, por sua vez, não disfarça seu interesse por ele. Em meio a essa tensão crescente, um dos membros do júri surpreende Chrissy com uma revelação inesperada….
Nome alternativo: Run Away If You Can