Ler Fuja se puder – Capítulo 59 Online
Eu me pus em alerta por um instante, mas Nathaniel Miller, que estendia a mão por cima do balcão do bar, não parecia se importar nem um pouco. Ele com certeza sabia o quanto eu estava com o corpo inteiro tenso. Ainda assim, o canto dos lábios dele se curvou de maneira relaxada, como se aquilo por si só provasse o que estava acontecendo. No mesmo instante, toda a hostilidade e raiva que eu sentia em relação àquele homem desapareceram, dando lugar apenas ao vazio.
‘Será que, para ele, a minha resistência desesperada não passava de diversão?’
Eu mordi lentamente o lábio inferior e comecei a dar passos adiante. A cada passo que eu dava, ele apenas esperava. Sem um milímetro de hesitação, mantendo a mão estendida.
Mas, ao invés de colocar meu braço naquela mão vazia, eu o mantive suspenso no ar. Se eu dissesse que colocar meu braço na mão dele me dava a mesma sensação sinistra de colocar uma corda no pescoço, aposto que todos ririam de mim. E, ainda assim, mesmo me sentindo ridículo, eu não conseguia entregar meu pulso àquele homem. Nathaniel, que me encarava com os olhos semicerrados, soltou uma risada baixa, como um sopro no canto dos lábios, e então moveu a mão que esperava para agarrar meu pulso.
‘Eu me pergunto o que ele pensa sobre o fato de eu resistir tanto, se no fim ele me pegaria com essa facilidade de qualquer forma.’
Mas agora, já não havia como puxar o braço de volta. Apenas permaneci ali, imóvel, sentindo algo frio percorrer a pele onde ele segurava. Nathaniel Miller, ainda segurando minha mão com uma das suas, apoiou a bengala no balcão com a outra e abriu a gaveta ao lado. Ele tirou um lenço de álcool embalado individualmente, levou a embalagem até os dentes e a abriu num leve rasgo, revelando o algodão branco encharcado.
Por um instante, pensei na minha gaveta cheia de preservativos. Então Nathaniel pousou o algodão sobre a mesa e começou a retirar o curativo do meu braço. Observei com um sentimento estranho enquanto aqueles dedos longos e delicados retiravam a agulha com habilidade e pressionavam o algodão. Consegui imaginar facilmente este homem como médico, surpreendentemente.
De repente, nossos olhares se encontraram. Ele inclinou a cabeça e me encarou, como se soubesse exatamente o que eu estava pensando. Mais uma vez, o perfume dele se espalhou ao nosso redor.
‘Ele sabe que eu sou um beta, então por que libera feromônio desse jeito? Deve saber muito bem que não adianta nada.’
— Promotor.
Falou devagar. Eu automaticamente franzi o rosto, ao ver minha reação, Nathaniel perguntou:
— Está doendo?
Era uma pergunta curta, mas meu corpo se sobressaltou. Só então senti a dor no braço. Quando olhei para baixo, a área onde ele segurava estava esbranquiçada. De repente, Nathaniel franziu a testa e lançou um olhar rápido para o local.
— Parece que perdi a noção da força. Pressione você mesmo.
Ele indicou minha outra mão. Rapidamente puxei o braço e pressionei o algodão contra o local onde a agulha fora retirada. Nathaniel massageou a própria testa e soltou um suspiro longo. Por um instante, esse homem arrogante parecia incrivelmente cansado. Surpreso, pisquei algumas vezes e olhei de relance para o relógio na parede. Já passava das duas e meia da manhã.
— …Você só chegou agora?
Nathaniel parou de massagear a testa e me encarou por entre os dedos antes de responder de modo despreocupado:
— Tinha muito trabalho.
Depois, ele tirou a mão do rosto e sorriu levemente.
— Domar um gato de rua leva muito tempo, afinal.
— Isso não tem graça. Pode parar com essa piada — eu avisei com sinceridade. Não estava disposto a ouvir aquele tipo de bobagem. Então mudei de assunto sem hesitar:
— Onde estão minhas roupas? Tirar só a minha calça é o seu hobby?
Eu disse aquilo provocando, obviamente. E, como esperado, ele respondeu sem nenhum pudor:
— Eu detesto coisas sujas.
De repente, eu me lembrei dos sapatos engraxados de Nathaniel Miller, onde não se via um único grão de poeira. Da mesma forma, em nenhum lugar da casa havia sequer uma partícula solta; tudo brilhava, impecável. Só então me dei conta de que ele estava usando pantufas. Instintivamente, baixei os olhos e encarei meus pés descalços. A imagem das marcas que meus pés deveriam ter deixado sobre o mármore me veio à mente quando Nathaniel acrescentou:
— É agradável aos olhos.
Quando ergui a cabeça, notei que os olhos dele estavam fixos em algum ponto mais abaixo. Cheguei a pensar, com certo desgosto, que talvez fossem as minhas pernas que chamavam sua atenção – mas havia algo estranho nisso. Na verdade, Nathaniel estava olhando ainda mais embaixo.
‘…Não pode ser.’
Franzi o rosto, meio desconfiado, quando ele falou de repente:
— Quer comer alguma coisa?
Levantei o olhar, pego de surpresa, mas ele nem esperou minha resposta. Já estava abrindo a geladeira e tirando coisas de lá.
‘Ele… cozinha? Impossível…’
E de fato, não era isso. Ele apenas cortou uma variedade de queijos, quebrou um bloco de chocolate em pedaços e colocou tudo junto num prato. Depois dispôs alguns biscoitos e o colocou sobre o balcão. Quando vi o resultado, finalmente falei:
— Achei que você ia cozinhar mesmo.
Eu ri sozinho da ideia absurda que me ocorreu, e ele respondeu sem dar importância:
— Já disse, estou cansado.
Ao ouvir aquilo, sem perceber, voltei a encará-lo. Ele serviu whisky no copo vazio que estava diante de mim, sem nem perguntar, e também encheu o dele e tomou um gole. Eu não estava exatamente com vontade de beber, então levei um pedacinho de queijo à boca. O sabor ácido e a textura cremosa do queijo se desfez suavemente na boca, enquanto saboreava lentamente, acabei tendo de recorrer ao whisky. Quando o líquido alcoólico desceu gelado pela garganta, tive a sensação estranha de que minha mente ficou mais clara.
O relógio já se aproximava das três da manhã. Logo o dia iria amanhecer. Eu voltaria para casa – e talvez não houvesse outra oportunidade. Então precisava dizer agora.
— Eu quero saber sobre Anthony Smith.
Diante do assunto trazido do nada, Nathaniel, que ia enchendo novamente o copo vazio de whisky, hesitou. Com a garrafa suspensa no ar, manteve o olhar fixo em mim, em silêncio. Sem esperar que ele respondesse, eu continuei:
— O que é que eu não sei? Com o que você chantageou a Sra. Smith? Diga, preciso saber. O que realmente aconteceu com Anthony Smith?
Diante da minha insistência, Nathaniel pousou lentamente a garrafa sobre a mesa. Houve um pequeno toc. E então, silêncio.
— Uma pergunta bem difícil — ele murmurou, como se falasse sozinho. Com uma expressão que não parecia nada constrangida, continuou: — Eu sou advogado. Não posso revelar segredos de um cliente que descobri durante um julgamento.
— Anthony Smith não é seu cliente…
Eu parei no meio da frase. Aquele não era um segredo apenas de Anthony. Era um segredo ligado também a Jonathan Davis. Um segredo tão pesado que até a Sra. Smith não teve escolha senão desistir de tudo.
Um segredo que poderia destruir ambos.
Senti uma friagem num canto do meu coração. Esse segredo poderia ser maior do que eu imaginava. Será que eu realmente deveria investigar o segredo dele, que até a família da vítima queria abafar?
…Mas.
— Se foi um crime, eu preciso saber.
Eu o encarei com firmeza.
— Se ele cometeu um crime, deve ser punido pela lei. Seja qual for o crime, grande ou pequeno, não pode ser resolvido por um indivíduo. Não é o Jonathan Davis que deve resolver isso. Ele não tem esse direito.
Nathaniel me observou em silêncio. Não dava para saber o que ele estava pensando, seu rosto não revelava nada. Eu apenas esperei e os poucos, os lábios dele se moveram e ele falou:
— Vamos fazer o seguinte.
Prendi involuntariamente a respiração, e uma voz baixa chegou aos meus ouvidos.
— Cada vez que você me satisfizer, eu lhe darei uma pista. O que acha desse acordo?
Eu fiquei boquiaberto. A proposta era tão inesperada que só consegui encará-lo.
— Satisfazer… de que jeito?
Minha voz saiu incerta. O olhar dele desceu novamente, desta vez, de forma clara, sem esconder o rumo. Quando tive certeza do que ele estava insinuando, Nathaniel falou:
— Isso é você que tem que descobrir. Estou arriscando minha licença de advogado, afinal.
Em seguida, ele ergueu o olhar com um sorriso sutil. Como se dissesse que agora era a minha vez de escolher.
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Continua…
Ler Fuja se puder Yaoi Mangá Online
m caso chocante acontece: um alfa, junto com seu grupo, estupra e assassina um ômega. O promotor encarregado do caso, Chrissy Jin, recusa qualquer acordo e decide levar o caso a julgamento, determinado a garantir uma punição adequada.
É nesse contexto que ele encontra pela primeira vez Nathaniel Miller, representante da maior firma de advocacia dos Estados Unidos, o Miller. Mas a arrogância de Nathaniel não lhe agrada em nada.
Pouco depois, ao voltar de um encontro com seus pais adotivos, Chrissy se envolve num acidente de trânsito: por azar, o carro em que bateu é justamente o de Nathaniel. Diante do valor absurdo do conserto, Chrissy não tem escolha a não ser ir até o homem para explicar sua situação, mas o lugar onde Nathaniel se encontra é, na verdade, uma festa de feromônios.
Lá, Chrissy quase acaba sendo violentado por Nathaniel, mas consegue atingi-lo com um caco de vidro e escapa. A partir desse incidente, a atitude de Nathaniel muda radicalmente: ele demite o advogado responsável pelo caso e decide assumir a defesa pessoalmente.
Os dois passam a se enfrentar no tribunal. No entanto, mesmo em meio a essa relação de hostilidade, Chrissy se sente estranhamente atraído por ele. Nathaniel, por sua vez, não disfarça seu interesse por ele. Em meio a essa tensão crescente, um dos membros do júri surpreende Chrissy com uma revelação inesperada….
Nome alternativo: Run Away If You Can