Ler Fuja se puder – Capítulo 49 Online

Modo Claro

— Vim comemorar o fim da nossa guerra.

A voz dele era descontraída, e junto dela veio um perfume adocicado. Era o cheiro do feromônio desse homem. Assim que o aroma que eu tinha esquecido tocou a ponta do meu nariz, todos os pelos do meu corpo se arrepiaram de repente.

— Beber? Agora? Comigo?

Diante de uma proposta tão absurda, franzi a testa e perguntei, sem conseguir conectar direito o começo e o fim da frase. Ele, no entanto, respondeu como se fosse algo óbvio:

— Você disse não para o café. Mas não menciono que champanhe era proibido.

— …Hah.

Por onde eu deveria começar a rebater essa lógica absurda? Era tão insensata quanto a alegação de que o crime de Davis foi legítima defesa. Mas havia uma coisa da qual eu tinha plena certeza:

Esse homem não iria sair daqui facilmente.

— Champanhe? Do nada? Por que eu deveria beber champanhe com você?

Cruzei os braços, encarando-o, e ele respondeu com total naturalidade:

— Como o julgamento acabou, precisamos comemorar. — Depois disso, Nathaniel Miller acrescentou, com a maior cara de pau: — Ou devo dizer… celebrar o fim da guerra?

Tecnicamente, o caso tinha sido apenas encerrado. Mas, em vez de corrigir sua escolha de palavras, eu escolhi apontar outra coisa:

— Eu por acaso prometi que dormiria com você depois que o julgamento acabasse?

Queria ter dito com frieza, mas minha voz tremeu. ‘Merda.’ No momento em que senti essa frustração, Nathaniel esboçou um sorriso peculiar. Como se pudesse ver exatamente o nervosismo dentro de mim. Seus olhos violeta frios pousaram sobre mim, quase me perfurando.

— Bem… isso importa para mim?

Aquela resposta foi suficiente. E, ao mesmo tempo, minha mente esfriou de uma vez.

O que ele estava dizendo era:

‘Eu não dou a mínima para o que você quer.’

O ar entre nós ficou tenso num instante.

‘Calma. Esta é a minha casa.’

Tentei rapidamente esfriar a cabeça. ‘Sim, esta é a casa onde eu moro. Então, estou em vantagem. Se necessário, posso até chamar a polícia.’ Medindo mentalmente a distância até a porta, pensei: ‘o estúdio tem paredes finas, se eu fizer algum barulho, os vizinhos logo chamaram a polícia.’

Mesmo assim, eu estava tenso. Meu estúdio era muito pequeno, Nathaniel Miller era muito grande, e estávamos apenas nós dois ali. ‘Por que eu deixei esse homem entrar na minha casa?’ Não – nem isso foi decisão minha. Ele simplesmente tinha invadido e entrado sem cerimônia. No meu quarto, na minha casa… na minha vida…

Ele ainda estava sentado na minha cadeira. Tranquilo, com o braço apoiado, olhando para mim.

Ao contrário do que suas palavras sugeriam, ele não fazia nenhum movimento. Mesmo tendo falado como se fosse me derrubar e abrir minhas pernas impiedosamente a qualquer momento, na verdade ele parecia tão à vontade que nada parecia prestes a acontecer.

— Então. — Eu tomei cuidado para que minha voz não tremesse enquanto falava: — Tudo o que eu preciso fazer é beber champanhe com você?

Não esperei resposta. Arranquei a caixa das mãos dele e fui até a cozinha. Coloquei sobre a pia e abri o armário. Não havia taças de champanhe na minha casa. Peguei uma caneca que eu tinha ganhado na época da faculdade e um copo plástico barato comprado em promoção, um para cada um. E, mesmo assim, ofereci a caneca para ele, era a cortesia mínima para um suposto convidado.

Quando servi um Dom Pérignon de 1996 na caneca, Nathaniel ergueu o canto da boca, como se achasse aquilo divertido.

— Uma experiência peculiar.

‘Claro que seria.’

Pensei com indiferença, enquanto servia minha parte de champanhe no copo de plástico. Não tinha o menor clima para brindar, então simplesmente virei tudo de uma vez só. Nathaniel me observou, e logo levou o copo aos lábios também. Fiquei olhando enquanto ele inclinava a cabeça e esvaziava o copo de uma só vez, exatamente como eu.

Eu esperava por isso – assim que ele terminou, voltei a encher o copo dele até a borda e depois o meu, e novamente virei tudo de um só gole. Nathaniel repetiu o gesto de antes, mas dessa vez mais devagar. E quando eu ia servir o resto da garrafa no meu copo..

A mão grande de Nathaniel Miller pousou sobre a minha, cobrindo-a onde eu segurava a garrafa. O toque foi natural, quase suave, fazendo parecer por um instante que talvez ele não estivesse tentando me impedir.

— Promotor. —Ele falou no mesmo tom relaxado de sempre:— Seria uma pena se você acertasse meu rosto de novo hoje.

Ele estava falando do que aconteceu na piscina. Eu ainda me remoía pensando naquela cena patética, então respondi com um fio de voz resignado:

— Eu estava bem bêbado naquele dia.

Mesmo após minha confissão, ele não tirou a mão. Ainda mantinha a dele sobre a minha quando perguntou:

— E hoje?

Parecia que ele estava me provocando. Como se eu pudesse ficar bêbado com apenas dois copos de champanhe, ele devia saber que era um absurdo.

— Quem sabe. — Respondi olhando diretamente para o rosto dele. — Venha verificar.

Nathaniel não desviou o olhar dos meus olhos. Lentamente, os dedos longos dele se moveram. Ele pegou a garrafa da minha mão e a colocou sobre a mesa – tudo isso entrou na minha visão ao mesmo tempo em que sentia sua aproximação.

Nathaniel inclinou o rosto. Como se quisesse sentir o cheiro do álcool em mim. Ele respirou devagar, tão perto que sua respiração quente roçou minha pele. Na bochecha, no ouvido, no pescoço.

— Chrissy Jin. — Ele sussurrou sobre meu ombro, exposto pela gola folgada da camiseta: — De qualquer jeito, você vai acabar na minha cama.

Cada palavra vinha acompanhada da respiração dele se movendo pela minha pele. O som baixo, quase um ronronar, fez cócegas na minha orelha. E então, num tom ainda mais baixo, Nathaniel me “aconselhou”:

— Acho que vai doer menos se você se entregar do que se for forçado.

Fechei a mão em um punho antes que pudesse perceber. Em qualquer momento, eu poderia jurar que os lábios dele tocariam minha pele. A sensação áspera de alguém arrastar a boca e sugar minha pele parecia tão real que eu quase perdi o ar.

Mas ele esperou.

Mesmo tendo acabado de dizer que cometer estupro seria fácil para ele – ele esperava que eu dissesse sim. Como se estivesse avisando: tudo o que vai acontecer daqui para frente será com o seu consentimento.

Claro.

De repente, me veio à mente.

‘No final das contas, que diferença isso faz? Se eu chupar o pau desse homem ou o de qualquer outro, o mundo não vai mudar.’

‘Se já perdi… então que eu me deite por completo.’

Mas antes de me render por inteiro, havia algo que eu precisava confirmar. Quando Nathaniel deu um passo na minha direção, eu dei um passo para trás e disse:

— Eu não transo com homens que estão em um relacionamento sério.

— Relacionamento sério? Eu?

Nathaniel franziu a testa imediatamente. Essa reação, à primeira vista, o fazia parecer inocente, mas eu não podia acreditar nisso de imediato.

— A Evelyn. Aquela mulher que eu vi com você. A modelo.

Nathaniel piscou, como se tentasse buscar alguma lembrança, e em seguida soltou uma risada breve, incrédulo, como se a situação fosse um  absurdo.

— Pelo amor de Deus, relacionamento sério? Eu e a Evelyn?

Ele soltou uma risada nervosa e logo franziu o cenho, irritado.

— Você acha mesmo que eu me casaria com uma mulher como ela?

Havia arrogância em cada palavra. Queria dizer que uma simples modelo, por mais famosa que fosse, estava muito abaixo dele – e, claro, eu também devia estar.

— Não acredito no que você diz. Prove que não tem nenhum relacionamento com ela.

Mesmo sabendo que eu próprio não estava à altura deste homem, insisti:

— Me dê uma prova. Algo que eu possa acreditar.

Nathaniel balançou a cabeça como se estivesse cansado.

— Você é mesmo difícil de lidar.

O tom sugeria que ele poderia muito bem dizer “você não vale o esforço” e simplesmente ir embora. Mas, em vez de virar as costas e sair, ele permaneceu no mesmo lugar, acariciando o queixo com uma das mãos, pensativo por um momento. Como se estivesse tentando pensar em alguma solução.

Não levou muito tempo, uns três, quatro segundos no máximo, até que Nathaniel fizesse uma proposta.

— Então, devemos chamá-la aqui? Não me importo se formos a três.

A ideia absurda me fez recuar, chocado.

— Do que está falando? A três?!

Gritei, a voz subindo como um reflexo, mas Nathaniel apenas franziu a testa, contrariado.

— Não seria estranho chamá-la aqui só para ver eu e você transando? A menos, claro, que ela fosse participar da brincadeira. Ou você quer que eu a traga apenas para dizer, na frente dela, que não tenho nada com ela?

Fiquei sem palavras. O raciocínio dele, por mais distorcido que fosse, fazia sentido – e todas as opções que ele havia citado eram absurdas. Seria uma falta de respeito monstruosa com aquela mulher. Algo que jamais deveria acontecer.

‘Mas, então…. como posso saber se as palavras desse homem são verdade?’

Eu estava encurralado. Não tinha outra escolha a não ser acreditar em Nathaniel Miller. E mesmo que ele me mostrasse alguma prova, qualquer uma, o que me garantiria que não era tudo fabricado por ele mesmo?

— …Não a chame. Não é necessário.

No final, só restava uma coisa: a minha decisão. Acreditar, ou não, na arrogância desse homem.

Respirei fundo e abri a boca devagar. Ao inspirar, senti o aroma doce da champanhe ainda pairando no ar. Então, num suspiro que pareceu escapar por vontade própria, falei:

— Se você não colocar por baixo… tudo bem.

Minha voz, que se tornou fraca como um sussurro, fez Nathaniel parar seus movimentos. O silêncio que se seguiu era tenso, quase palpável.

— Então… — ele murmurou, pressionando de leve meu queixo para abrir meus lábios. — Posso colocar na boca?

 

°

°

Continua…

 

 

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m caso chocante acontece: um alfa, junto com seu grupo, estupra e assassina um ômega. O promotor encarregado do caso, Chrissy Jin, recusa qualquer acordo e decide levar o caso a julgamento, determinado a garantir uma punição adequada.
É nesse contexto que ele encontra pela primeira vez Nathaniel Miller, representante da maior firma de advocacia dos Estados Unidos, o Miller. Mas a arrogância de Nathaniel não lhe agrada em nada.
Pouco depois, ao voltar de um encontro com seus pais adotivos, Chrissy se envolve num acidente de trânsito: por azar, o carro em que bateu é justamente o de Nathaniel. Diante do valor absurdo do conserto, Chrissy não tem escolha a não ser ir até o homem para explicar sua situação, mas o lugar onde Nathaniel se encontra é, na verdade, uma festa de feromônios.
Lá, Chrissy quase acaba sendo violentado por Nathaniel, mas consegue atingi-lo com um caco de vidro e escapa. A partir desse incidente, a atitude de Nathaniel muda radicalmente: ele demite o advogado responsável pelo caso e decide assumir a defesa pessoalmente.
Os dois passam a se enfrentar no tribunal. No entanto, mesmo em meio a essa relação de hostilidade, Chrissy se sente estranhamente atraído por ele. Nathaniel, por sua vez, não disfarça seu interesse por ele. Em meio a essa tensão crescente, um dos membros do júri surpreende Chrissy com uma revelação inesperada….
Nome alternativo: Run Away If You Can

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