Ler Fuja se puder – Capítulo 47 Online
— Promotor.
— Senhora.
A mulher de meia-idade que entrou e me cumprimentou com uma leve inclinação de cabeça parecia extremamente cansada. Pedi à minha assistente que trouxesse algo para ela beber e puxei uma cadeira para que a Sra. Smith se sentasse. Assim que se acomodou, ela começou a mexer nervosamente as mãos, entrelaçando e soltando os dedos, até finalmente abrir a boca com uma voz trêmula.
— Obrigada, senhor promotor. Por… me tratar com tanta gentileza assim.
— Não há de quê, é o mínimo. O que a traz aqui hoje? Nada aconteceu, certo?
Ao fazer a pergunta, ela balançou a cabeça de imediato, antes de pigarrear e responder:
— Sim, está tudo bem. Dizer que está bem quando meu filho morreu… que tipo de mãe eu sou… que absurdo…
— Não diga isso.
Interrompi, colocando firmeza na voz, para impedir que ela se afundasse naquele desespero.
— Eu sei que a senhora lutou com tudo o que tinha. Sei disso melhor do que ninguém. Então, por favor, não se culpe.
Nesse momento, ouviram-se batidas leves na porta e minha assistente entrou, colocando uma xícara sobre a mesa. Ela nos olhou de relance, soltou um suspiro pesaroso e saiu da sala. Ficamos só nós dois, e eu cuidadosamente ofereci o chá.
— Tome, senhora.
A Sra. Smith assentiu, mas nem ao menos levantou a mão para pegar a xícara. Permanecemos em silêncio por alguns instantes, até que, respirando lenta e tremidamente, ela finalmente voltou a falar.
— Eu… quero me desculpar por ter pedido o acordo de negociação de pena depois de todo o seu esforço. Achei que deveria contar isso pessoalmente ao senhor…
Sua voz trêmula estava carregada de arrependimento e culpa. Mas ela não tinha culpa alguma. Para um pai – para uma mãe – abrir mão de ver o assassino do próprio filho sendo condenado publicamente… nunca seria uma escolha simples.
— Imagino que a senhora tenha tido suas razões. Está tudo bem. E, de fato, negociações de pena são bem comuns…
Mesmo dizendo isso para confortá-la, eu ainda sentia um gosto amargo na boca.
— Suponho que eu não tenha sido convincente o bastante.
— Não é porque eu não confio no senhor.
A Sra. Smith cortou minhas palavras, rapidamente. Quando levantei os olhos para ela, vi que seu olhar vacilante se fixava diretamente no meu.
— Ainda acredito que o senhor promotor fez o seu melhor. E as provas são sólidas, o senhor disse que tínhamos chances. Eu também acreditava nisso. Acreditava que tudo daria certo. Que finalmente não haveria mais injustiça contra o meu filho. Eu realmente acreditava, mas…
Sua voz se dissolveu no ar. Eu apenas esperei. Não havia nada a dizer naquele momento. Então, como se o peso dentro do peito tivesse enfim explodido, ela deixou escapar um desabafo:
— Mas se nós perdermos… tudo será inútil.
Continuei ouvindo em silêncio enquanto sua voz ficava mais pesada.
— O Miller nunca perdeu. Três gerações dessa família de advogados… e nunca perderam. Parece absurdo, eu sei. Alguns dizem que é exagero, que o escritório deles já teve derrotas, sim… mas isso é sobre o escritório. Estou falando de Nathaniel Miller. Ele nunca perdeu, nem uma única vez!
E antes dele, Ashley Miller. E antes dele, Dominic Miller. A linhagem inteira.
Foi por isso que a família Miller se tornou um reino que ninguém ousa desafiar. Dizem que é impossível vencê-los. Uma posição tacitamente reconhecida como royalty na sociedade americana, que não tem um sistema aristocrático. Isso instalou nas pessoas um medo da família Miller. Esse medo lhes rouba a coragem de enfrentá-los. Então o escritório Miller vence mais uma vez, e o medo das pessoas cresce ainda mais – um ciclo vicioso.
A Sra. Smith não é diferente. Ela simplesmente foi arrastada para esse ciclo. Apenas isso.
Eu entendia. De verdade.
Mas mesmo assim, um sentimento de insatisfação persistia dentro de mim . Ainda inquieto, passei os dedos entrelaçados pelas mãos e, incapaz de suportar o silêncio, finalmente falei.
— O que aconteceu exatamente? Houve alguma proposta por parte da defesa? Ou… algum tipo de contato impróprio…?
Eu troquei “aquele desgraçado” por “a defesa” e “ameaça” por “contato impróprio” para aliviar as palavras. Mas assim que perguntei, o corpo inteiro da Sra. Smith ficou rígido. Aquela reação dizia tudo. Era praticamente uma confirmação. Ao ver isso, senti minha indignação fervilhar de novo no peito.
— Senhora, mesmo que tenha recebido alguma ameaça, eu posso resolver isso. O que foi que aquele desgrac–… digo, o lado do Miller disse? O que a senhora ouviu para desistir do julgamento? Se me contar o que aconteceu, eu vou fazer o possível para ajudar. Então, por favor…
Foi minha última tentativa de convencê-la. Talvez mais tarde ela se arrependa da decisão que estava tomando. Ainda havia tempo para voltar atrás – mas seria agora ou nunca. Mas apesar da minha insistência, a Sra. Smith balançou a cabeça.
— Eu já não tenho forças, promotor. Eu… não posso mais lutar.
— Senhora…
— Aquele homem…!
Quando voltou a falar, a Sra. Smith explodiu com uma voz tomada pelo desespero. Eu me assustei e parei de falar. Ela me encarou com o rosto completamente contorcido. Seus olhos brilhavam, cheios de lágrimas, e seus lábios tremiam de emoção descontrolada.
— Aquele homem…. sabia coisas sobre o Anthony.
— …Como é?
Ao ouvir aquelas palavras repentinas, perguntei, atônito, sem entender. A Sra. Smith continuou, com uma voz dolorosa.
— Ele sabia de tudo o que o Anthony tinha feito. Coisas que nem eu mesma sabia. Ele sabia o que meu filho fez… antes de morrer. Meu Deus, como… como isso é possível? Meu Deus…
— Senhora…
— Não…!
Ela balançou a cabeça com violência.
— Se o julgamento acontecer, tudo vai vir à tona. O mundo inteiro vai saber. Eu não posso permitir isso. Eu preciso proteger a honra do Anthony. Então, por favor… negocie. Por favor, eu imploro. Qualquer condição serve… só… por favor.
Ela começou a me suplicar. Por um instante, tudo ficou distante, vazio. Eu respirei fundo, prendendo o raciocínio antes que escapasse, e avisei uma última vez:
— A senhora sabe que, dependendo dos termos desse acordo, ele pode não receber a punição adequada.
Quando apontei isso, lembrando das bobagens que o advogado de defesa havia dito no início, ela mordeu o lábio inferior com força. A Sra. Smith, que ficou em silêncio por um momento com os olhos fechados como se estivesse agonizando, finalmente relaxou a mandíbula e falou, sem energia.
— Proteger a honra do meu filho é mais importante.
Depois disso… eu não tinha mais nada a dizer.
***
<Caso Smith vs. Davis é concluído com acordo de negociação de pena.>
A manchete estampada ocupava metade da primeira página. Peguei um dos jornais expostos na banca, paguei e segui caminhando enquanto lia.
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Continua…
Ler Fuja se puder Yaoi Mangá Online
m caso chocante acontece: um alfa, junto com seu grupo, estupra e assassina um ômega. O promotor encarregado do caso, Chrissy Jin, recusa qualquer acordo e decide levar o caso a julgamento, determinado a garantir uma punição adequada.
É nesse contexto que ele encontra pela primeira vez Nathaniel Miller, representante da maior firma de advocacia dos Estados Unidos, o Miller. Mas a arrogância de Nathaniel não lhe agrada em nada.
Pouco depois, ao voltar de um encontro com seus pais adotivos, Chrissy se envolve num acidente de trânsito: por azar, o carro em que bateu é justamente o de Nathaniel. Diante do valor absurdo do conserto, Chrissy não tem escolha a não ser ir até o homem para explicar sua situação, mas o lugar onde Nathaniel se encontra é, na verdade, uma festa de feromônios.
Lá, Chrissy quase acaba sendo violentado por Nathaniel, mas consegue atingi-lo com um caco de vidro e escapa. A partir desse incidente, a atitude de Nathaniel muda radicalmente: ele demite o advogado responsável pelo caso e decide assumir a defesa pessoalmente.
Os dois passam a se enfrentar no tribunal. No entanto, mesmo em meio a essa relação de hostilidade, Chrissy se sente estranhamente atraído por ele. Nathaniel, por sua vez, não disfarça seu interesse por ele. Em meio a essa tensão crescente, um dos membros do júri surpreende Chrissy com uma revelação inesperada….
Nome alternativo: Run Away If You Can