Ler Fuja se puder – Capítulo 46 Online

Modo Claro

 

Logo a porta se abriu e fechou, e enfim eu fiquei sozinho.

— Haa……

Um suspiro escapou involuntariamente. Só então, levando uma mão à testa, fechei os olhos com força e balancei a cabeça. Senti o pescoço e o rosto inteiro esquentarem, como se tivessem pegado fogo de repente. Que diabos eu tinha acabado de fazer? A constatação tardia de que eu estava completamente nu, sentado na cama como um prostituto barato, provocando um homem, fez meu estômago se embrulhar.

Eu ainda estava bêbado?

Não conseguia pensar em outra explicação. Senti-me enojado de mim mesmo e inspirei fundo, soltando o ar lentamente. O relógio na parede já marcava meio-dia. Era hora de começar a me arrumar e ir embora. Eu estava prestes a descer da cama quando algo estranho entrou no meu campo de visão.

…Hã?

Parei e inclinei a cabeça. O lençol que eu havia puxado às pressas mal cobria minha cintura e parte das coxas. Daí para baixo, minhas pernas estavam completamente expostas. Passei a mão pela própria pele até que meu movimento se interrompeu no tornozelo nu. A pele ali estava avermelhada.

Franzindo a testa, puxei a perna para perto e, inclinando a cabeça, examinei o tornozelo de um lado para o outro, mas não consegui encontrar uma razão. Eu tinha me machucado ali?

A resposta deveria ser simples: provavelmente eu tinha batido em alguma coisa. Eu estava tão bêbado que seria normal nem lembrar. Poderia facilmente ignorar e seguir em frente – mas algo me incomodava. Aquela marca não era um hematoma comum. Tinha uma forma oval alongada, com uma mancha uniforme. Como se fosse…

Uma marca de mordida. Ou melhor… de beijo.

Na mesma hora, a imagem de Nathaniel Miller antes de sair – aquele breve momento em que seu olhar pareceu parar em algum ponto – me veio à mente.

— Claro que não. Isso é ridículo…

Neguei com a cabeça de imediato. Sim, era absurdo. Uma loucura sem cabimento. Se ele tivesse feito algo desse tipo… não, eu devo estar ficando louco.

— Cai na real, Chrissy Jin. Não é hora de ficar pensando besteira.

Falei alto de propósito, para me forçar a parar. Saí da cama de um salto e peguei as roupas que estavam penduradas no encosto da cadeira da mesa de chá. As roupas que tinham se molhado completamente na noite anterior estavam limpas e cuidadosamente secas. Isso também devia ter sido obra de Nathaniel.

Não era difícil imaginar esse homem tirando minhas roupas, passando-as para um dos empregados lavar. Só era difícil acreditar que Nathaniel Miller tivesse sido tão gentil comigo.

— Tsk.

Um som irritado escapou de meus lábios ao pegar a roupa íntima, macia e seca. Vestindo todas as minhas roupas rapidamente, saí sem sequer olhar para a xícara de café fria deixada na mesa de cabeceira, tendo apenas lavado rapidamente o rosto no banheiro conectado.

 

*

Desci correndo para o andar de baixo e vi que as pessoas já estavam indo embora. Entre elas, encontrei o Procurador-Chefe e sua esposa. Caminhei direto até eles.

— Oh, Jin. Dormiu bem?

O Procurador-Chefe me notou um segundo depois e me cumprimentou com uma risada aberta. Senti um leve constrangimento, mas também um alívio. Pela atitude dele, parecia que eu não tinha cometido um desastre imperdoável na noite anterior.

— Graças a você, descansei muito bem. Hm… é que… houve algum problema ontem…?

Perguntei com cuidado. Ele riu forte e deu um tapinha no meu braço.

— Não se preocupe, não aconteceu nada. Disseram que você desmaiou depois de beber, e o Miller levou você para o quarto.

— O quê? Como o senhor sabe disso?

Meu coração gelou por um instante. O procurador pensou um pouco, coçando o queixo.

— Ouvi do dono da casa. Disse que o Miller encontrou um quarto vazio e colocou você lá. Quanto você bebeu, afinal? E desde quando você e o Miller ficaram tão próximos? Não imagina como fiquei surpreso ao ouvir que foi ele quem te carregou. E aí? Estavam bebendo juntos? Ou, surpreendentemente, descobriram que têm algo em comum?

Ele lançou uma enxurrada de perguntas, os olhos brilhando de curiosidade. Eu não consegui responder de imediato, um suor frio escorreu pelas minhas costas.

— Não, não foi nada demais… eu só exagerei um pouco.

Era tudo que eu podia dizer. Ele parecia esperar mais, mas eu não tinha nada a acrescentar. Então forcei um sorriso.

— É sério. Nem conversamos direito. Só fiquei sabendo agora que o Miller me ajudou.

Se eu contasse que o homem me despiu e ficou ali até eu acordar, o procurador provavelmente teria um ataque. Eu mesmo ainda não tinha certeza se tudo aquilo não tinha sido um delírio alcoólico.

— Obrigado por me convidar para esse encontro, aliás. Me diverti bastante.

Ao desviar o assunto, o Procurador assentiu, satisfeito.

— Eu disse, não disse? Que você ia gostar daqui. Se houver outra oportunidade, eu aviso.

— Claro, muito obrigado.

Depois de me despedir dele e de sua esposa, os acompanhei até o carro e me virei para voltar. Antes de deixar a mansão, eu também precisava agradecer ao anfitrião.

Não foi difícil encontrá-lo. Assim como eu, havia várias pessoas se reunindo em torno dele para se despedir antes de partir. Esperei discretamente a conversa anterior terminar e então me aproximei rapidamente.

— Senhor Field, foi um prazer. Agradeço por toda a consideração.

Ele pareceu ligeiramente confuso por um instante.

— Hm? Ah… certo, Chrissy Jin. Senhor promotor.

Com certeza ele não havia me reconhecido de imediato. Mas logo sorriu de maneira calorosa e disse meu nome, apertando meu braço com uma familiaridade exagerada.

— Ora, ora, que bom que parece ter se divertido de verdade ontem. Na próxima festa, venha de novo, sim? É claro que virá, não é?

Sua risada — Wahaha. — soava exagerada para qualquer um que a ouvisse. Talvez estivesse tentando me poupar do constrangimento por ter causado problemas na noite anterior. Eu troquei mais algumas palavras formais e encerrei a despedida. Depois disso, movi-me depressa. Minha intenção era ir embora antes que encontrasse Nathaniel Miller.

Mas.

Como sempre, eu era uma pessoa com uma sorte terrivelmente ruim. No momento em que me virei para ir até meu carro, a figura daquele homem parado em frente a um sedã preto entrou no meu campo de visão. Reflexivamente, escondi-me atrás de um pilar. Acalmando meu coração surpreso, quando deslizei minha cabeça para fora, ele ainda estava no mesmo lugar. Vi a parceira dele,  a mesma que eu tinha visto no dia anterior, entrando no carro enquanto Nathaniel segurava a porta do passageiro. Logo em seguida, Nathaniel voltou para o lado do motorista e entrou no veículo. Não demorou muito para ele ligar o carro e sair do local. Só depois que o carro desapareceu completamente da minha vista é que finalmente saí de trás do pilar.

Depois disso, não havia mais motivo para pressa. Esperei o fluxo diminuir, caminhei até meu carro e liguei o motor com calma. Nada aconteceu. Nenhum encontro inesperado, nenhum olhar atravessado.

— Haaa…

Quando cheguei à estrada, o suspiro saiu sozinho. O cansaço veio como uma onda. Eu só queria chegar em casa e desmaiar, mas ainda teria que dirigir por algumas horas. Apertei o volante, respirei fundo e pisei no acelerador. Quando finalmente devolvi o carro alugado e cheguei em casa, já era quase  meia-noite. Caí na cama e apaguei.

 

***

— E então, como foi, senhor Promotor?

Assim que cheguei ao trabalho, minha assistente perguntou, sem conseguir esconder a empolgação. Parecia que ela passou o fim de semana inteiro esperando por notícias. Eu fiz uma expressão de quem não sabia se ria ou chorava.

— Foi… aceitável.

— Aceitável? Como assim, aceitável?

Ela me seguiu até minha mesa e, quando me sentei, inclinou-se bem perto.

— Dizem que aparecem muitos figurões nessas festas. Você viu muitos? Eram apenas políticos e pessoas assim? Tinha celebridade também, certo? Tinha? Tinha??

Ela queria fofoca. Claramente. Mas eu não saberia reconhecer celebridades mesmo se esbarrasse nelas. Com exceção de uma.

Evelyn.

— Evelyn.

A reação dela foi imediata.

— Evelyn? A Evelyn com E maiúsculo? A modelo mais em alta do momento? Cabelo vermelho, alta desse tamanho, um rosto absurdamente bonito? E com uma cintura assim de fina?

Ela juntou os dedos formando um círculo minúsculo. Sim, provavelmente era ela.

— Não sei bem se ela apareceu como acompanhante de alguém ou se foi convidada diretamente.

— Provavelmente era acompanhante. Mas, quem no mundo recusaria uma mulher tão deslumbrante? Ah, se eu tivesse a chance, eu mesma namoraria Evelyn!

Ela suspirou, já perdida em fantasia. E esperava que eu contasse mais, mas não havia mais nada a contar. Minha participação se resumia a beber demais e fazer papel de ridículo. Se eu pudesse voltar no tempo, teria preferido me jogar no Rio Hudson.

— Sinto muito, mas realmente não tenho nada para contar. Eu mal consegui acompanhar metade das conversas.

Sorri de forma amarga. Ela murchou os ombros, desapontada… mas não derrotada.

— Na próxima, seja mais ousado.

Ela disse, antes de sair da sala.

Só então pude respirar. Sinto muito por ela, mas eu não tinha qualquer intenção de voltar àquela festa. Ascensão social? Influência? Era algo que não tinha nada a ver comigo.

Com esse pensamento em mente, puxei o próximo arquivo da pilha e comecei a trabalhar.

***

A senhora Smith me procurou três dias depois. Eu estava, como sempre, enterrado em papéis quando minha assistente anunciou a visita – aquilo bastou para  que eu levantar da cadeira, surpreso.

 

°

°

Continua…

 

Ler Fuja se puder Yaoi Mangá Online

m caso chocante acontece: um alfa, junto com seu grupo, estupra e assassina um ômega. O promotor encarregado do caso, Chrissy Jin, recusa qualquer acordo e decide levar o caso a julgamento, determinado a garantir uma punição adequada.
É nesse contexto que ele encontra pela primeira vez Nathaniel Miller, representante da maior firma de advocacia dos Estados Unidos, o Miller. Mas a arrogância de Nathaniel não lhe agrada em nada.
Pouco depois, ao voltar de um encontro com seus pais adotivos, Chrissy se envolve num acidente de trânsito: por azar, o carro em que bateu é justamente o de Nathaniel. Diante do valor absurdo do conserto, Chrissy não tem escolha a não ser ir até o homem para explicar sua situação, mas o lugar onde Nathaniel se encontra é, na verdade, uma festa de feromônios.
Lá, Chrissy quase acaba sendo violentado por Nathaniel, mas consegue atingi-lo com um caco de vidro e escapa. A partir desse incidente, a atitude de Nathaniel muda radicalmente: ele demite o advogado responsável pelo caso e decide assumir a defesa pessoalmente.
Os dois passam a se enfrentar no tribunal. No entanto, mesmo em meio a essa relação de hostilidade, Chrissy se sente estranhamente atraído por ele. Nathaniel, por sua vez, não disfarça seu interesse por ele. Em meio a essa tensão crescente, um dos membros do júri surpreende Chrissy com uma revelação inesperada….
Nome alternativo: Run Away If You Can

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