Ler Fuja se puder – Capítulo 42 Online

Modo Claro

 

— Há uma adega no subsolo. Ninguém costuma ir até lá, então é perfeito.

A voz do homem saiu baixa, como se estivesse me confidenciando um segredo, mas a respiração misturada nela estava quente de excitação. Ele me encarava fixamente, sussurrando com entusiasmo.

— Talvez esteja um pouco frio lá embaixo, mas não tem problema, certo? Logo vai ficar quente.

Eu não respondi nada – apenas sorri. A mão dele ainda acariciava a pele nua da minha cintura. Depois, ela deslizou devagar para baixo e, como se fosse por acaso, passou por cima da minha calça, roçando minha bunda. Ele e eu sabíamos muito bem que não havia nada de inocente naquele gesto. O homem esvaziou o champanhe de um gole e, segurando a taça vazia, acrescentou:

— Eu vou na frente. Espero por você.

Então ele ergueu a mão, a mesma que havia passado pelo meu corpo, como se quisesse que eu lembrasse e deu alguns passos para trás antes de se virar e ir embora. Ele deixou a taça vazia na bandeja de um garçom que passava e desapareceu às pressas. Eu o encarei por um momento, depois terminei o champanhe que restava na minha taça e, então, caminhei na direção por onde ele havia ido.

Sentindo os olhos roxos presos em mim com tanta nitidez que minha pele chegou a formigar, e mesmo assim, não olhei para trás.

 

***

Parecia que eu ouvia vagamente o som de insetos. Ou talvez fossem apenas vozes distantes das pessoas lá dentro. Não importava muito. Deitado na espreguiçadeira, eu apenas olhava para o céu.

‘Por que eu estou deitado aqui mesmo?’

Pensei nisso de forma vaga, mas não tive nenhuma resposta. Nunca tive realmente a intenção de transar com aquele homem, e já passei da idade de rolar bêbado no chão de pedra de um porão com alguém cujo rosto eu nem lembraria depois. Talvez tenha sido só um impulso de alguém que tinha bebido demais. Mas, no fim das contas, foi a escolha certa.

— Haa…

Um suspiro satisfeito escapou sozinho. Meu corpo, quente de álcool, recebeu suavemente o frescor da brisa noturna. Não precisa fazer sexo, aquilo já era suficiente. Talvez aquele homem ainda estivesse me esperando na adega, impaciente. Mas isso também não importava. Ficar aqui, descansando, era melhor. Os problemas de amanhã poderiam ser pensados quando a bebida passasse. Por agora, assim… já me sinto bem…

Acho que acabei cochilando. Algo suave despertou meus sentidos embotados. Após alguns segundos, percebi que era o som de passos sobre a grama. Suspirei, meio irritado, e abri os olhos lentamente. Talvez fosse o homem, vagueando à minha procura e tendo me encontrado aqui. Ou talvez fosse o anfitrião, vindo verificar se os hóspedes estavam bem. Ou simplesmente algum funcionário passando…

Mas não era nenhum dos três. A estranheza do som ficou clara quando o barulho de grama pisada se transformou em passos sobre o deque de madeira. Um som marcado, regular e junto a ele, outro som: algo sólido tocando o chão a cada passo.

Um homem incrivelmente alto caminhava lentamente, apoiado em uma bengala, tirando um pé de cada vez. Eu apenas o encarei com olhos vazios enquanto ele vinha em minha direção, seguindo uma linha reta, sem hesitação.

Ele parou a poucos passos de mim. Vestia calças de algodão confortáveis e uma camisa polo com dois botões abertos. Apoiado na bengala com uma das mãos, ele me observava. Eu só fiquei ali, olhando a lentidão sedutora com que seus lábios se separaram.

— Oi, promotor.

‘…Talvez porque eu já estivesse previsto isso?’

Com a mente atordoada pela bebida, foi só o que consegui pensar.

Ao redor, havia um silêncio quase doloroso. De vez em quando, ouvia-se apenas o vento sacudindo as árvores. Estranhamente, o fato de eu estar aqui, sozinho com esse homem, parecia algo natural. Eu ainda estava deitado, com o corpo todo relaxado. Percebendo vagamente o quanto eu tinha me colocado numa posição completamente desprotegida sob o olhar lento que vagava pelo meu corpo – e mesmo assim, sem mover um único dedo.

Talvez, desde o momento em que nossos olhares se encontraram no salão, eu já soubesse que este instante chegaria. Talvez fosse por isso que eu não sentia confusão, nem constrangimento.

Ou talvez simplesmente porque eu estava bêbado.

Pensei nisso enquanto piscava devagar. Por estar olhando para ele de baixo, o homem parecia ainda maior. ‘Desgraçadamente grande.’ Eu me sentia como uma criança encolhida aos pés de um gigante, e uma risada baixa escapou dos meus lábios com descrença. Foi então que Nathaniel Miller, que até aquele momento apenas me observava em silêncio, inclinou levemente a cabeça e falou:

— Não esperava encontrar você aqui.

Eu pensei:

‘Mentiroso.’

Nathaniel Miller parou por um instante. O sorriso suave que estava em seus lábios desapareceu devagar, e eu apenas assisti. Depois de uma curta pausa, ele voltou a falar – com aquele maldito sorriso sutil novamente.

— Não achei que fosse tão fácil perceber o que você realmente pensa.

Só então eu entendi por que o que eu pensava estava sendo ouvido, como se eu tivesse dito em voz alta. Eu deveria sentir vergonha, mas não senti nada. Em vez disso, eu soltei uma risadinha de canto. ‘Ah… eu realmente bebi champanhe demais.’ Era mais uma constatação do que arrependimento. Pisquei e franzi o rosto, percebendo algo. ‘Não está com ele.’ Por mais que eu olhasse, não estava ali.

— …Onde está sua parceira?

A mulher que, até pouco tempo atrás, estava colada ao lado dele não aparecia em lugar nenhum. Ao questionar o homem que agora me encarava sozinho, Nathaniel respondeu sem dar importância:

— Ela não é uma criança. Deve estar se divertindo por conta própria.

Não era exatamente uma mentira. Mesmo quem chega acompanhado pode se separar se encontrar algo – ou alguém – mais interessante.

‘Então… que tipo de relação eles têm, afinal?’

Como se tivesse lido meu pensamento, Nathaniel falou:

— Em ocasiões como esta, é mais conveniente aparecer com um parceiro. Independentemente do tipo de relação. — Era como se estivesse dizendo que era apenas um acordo necessário. E então, acrescentou de forma significativa: — Assim também não precisa se preocupar com investidas inúteis.

Claramente era uma provocação direcionada a mim. Eu não deixei barato:

— Então o que está dizendo é que entre vocês são só negócios? Uma relação platônica?

Era ridículo, mas ele respondeu como se fosse óbvio:

— Só porque você transa com alguém não significa que vai casar com essa pessoa. Nem adolescentes acreditam nisso.

O tom deixava claro que ele estava me considerando ingênuo. Ele estava certo, então eu não tinha muito o que retrucar. No fim das contas, que diferença fazia para mim qual tipo de relação eles tinham? Quando me calei, o silêncio voltou. Um silêncio que parecia um pouco desconfortável. Até que Nathaniel falou novamente:

— O que aconteceu com aquele homem de antes?

— Quem sabe? Eu não sei de nada. Como pode ver, estou sozinho aqui, talvez seja melhor procurar em outro lugar. — Olhei preguiçosamente ao redor e acrescentei: — A menos que esteja bravo comigo por ter flertado com seu tipo preferido.

Disse isso com um sorriso educado. Surpreendentemente, os olhos longos e estreitos de Nathaniel se curvaram de leve.

…Hã?

Com uma mão apoiada na bengala, ele estendeu a outra – a mão livre – na minha direção. Ao ver aquela mão se aproximando do meu rosto, eu, sem perceber, prendi a respiração. Por um instante, tive a vaga sensação de que o calor do corpo dele poderia aquecer instantaneamente minha pele gelada…

Mas meu corpo reagiu antes que minha mente pudesse pensar. Me levantei da espreguiçadeira tão rápido que nem eu mesmo consegui acreditar que até poucos segundos atrás eu estava completamente deitado relaxando e vulnerável  lá. No breve momento em que fugi, a ponta dos meus dedos dele roçou no meu rosto. Recuando alguns passos, fiquei a uma distância segura, e Nathaniel Miller apenas me observou em silêncio. De repente, senti a brisa fria da noite passar por meu rosto. Lentamente, o homem se endireitou. Eu o observei, com a respiração presa, enquanto ele ficava de pé, seu olhar ainda fixo em mim.

— Que pena…

Nathaniel falou em seu tom arrastado característico, quase como um suspiro. Então, com a mesma mão que quase tocou minha pele, ele passou os dedos pelos cabelos impecavelmente alinhados, antes de continuar:

°

°

Continua…

 

 

 

Ler Fuja se puder Yaoi Mangá Online

m caso chocante acontece: um alfa, junto com seu grupo, estupra e assassina um ômega. O promotor encarregado do caso, Chrissy Jin, recusa qualquer acordo e decide levar o caso a julgamento, determinado a garantir uma punição adequada.
É nesse contexto que ele encontra pela primeira vez Nathaniel Miller, representante da maior firma de advocacia dos Estados Unidos, o Miller. Mas a arrogância de Nathaniel não lhe agrada em nada.
Pouco depois, ao voltar de um encontro com seus pais adotivos, Chrissy se envolve num acidente de trânsito: por azar, o carro em que bateu é justamente o de Nathaniel. Diante do valor absurdo do conserto, Chrissy não tem escolha a não ser ir até o homem para explicar sua situação, mas o lugar onde Nathaniel se encontra é, na verdade, uma festa de feromônios.
Lá, Chrissy quase acaba sendo violentado por Nathaniel, mas consegue atingi-lo com um caco de vidro e escapa. A partir desse incidente, a atitude de Nathaniel muda radicalmente: ele demite o advogado responsável pelo caso e decide assumir a defesa pessoalmente.
Os dois passam a se enfrentar no tribunal. No entanto, mesmo em meio a essa relação de hostilidade, Chrissy se sente estranhamente atraído por ele. Nathaniel, por sua vez, não disfarça seu interesse por ele. Em meio a essa tensão crescente, um dos membros do júri surpreende Chrissy com uma revelação inesperada….
Nome alternativo: Run Away If You Can

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