Ler Fuja se puder – Capítulo 41 Online
Numa situação como aquela, a única coisa que eu podia fazer era beber. Toda vez que um garçom passava, eu pegava mais uma taça de champanhe da bandeja. Estava parado ali, apenas bebendo, quando alguém falou de repente:
— Nossa, é a minha música favorita.
Ao ouvir isso, o marido dela passou naturalmente o braço pela cintura da esposa. Os dois começaram a se mover devagar ao ritmo da música, dançando. Enquanto eu bebia, observava algumas outras pessoas formando pares e dançando blues. Parecia que a música vinha de muito longe, talvez fosse porque eu já estava bêbado. Mesmo pensando assim, entreguei minha taça vazia a um garçom e peguei uma nova. Devia ser uma bebida cara, mas estranhamente não sentia nenhum sabor. ‘Que estranho,’ pensei, piscando meus olhos embaçados.
Levei novamente a taça à boca, mas de repente ela pareceu muito leve. Olhei para dentro e percebi que já estava vazia. Foi quando soltei um breve suspiro. — Ah.
Foi nesse momento que alguém estendeu uma taça de champanhe para mim. Pisquei algumas vezes e levantei a cabeça. Um homem de rosto familiar estava parado ali. Quem era mesmo? Franzi a testa, tentando lembrar, mas logo desisti e simplesmente aceitei a taça.
— Obrigado.
— Não há de quê.
Ele sorriu ao falar, e em seguida encostou de leve sua taça na minha. O som fraco do vidro ecoou, como um brinde. Em silêncio, levei o champanhe à boca e bebi.
— Não vai dançar?
Ele perguntou como se estivesse apenas esperando eu tirar a taça dos lábios. Engoli o álcool e respondi:
— Só de olhar já é suficiente.
Meu tom era desinteressado, não havia nenhum entusiasmo ali, mas isso não pareceu incomodá-lo. Ele se aproximou um pouco mais, inclinando o corpo deliberadamente na minha direção para dizer:
— Vim sozinho para um evento desses é sempre solitário. Ficar só assistindo assim…
Eu não sentia nenhum tipo de pena de mim mesmo e, esse homem também parecia estar longe de tal sentimento. Então, a razão dessa aproximação só podia ser uma. Enquanto eu voltava a beber um gole de champanhe, ouvi o jazz do conjunto musical se espalhar pelo salão. Ver alguns casais balançando como algas marinhas ondulando na água, de alguma forma, me fez sentir mais intoxicado com o álcool.
Eu só estava olhando, meio absorto, quando o homem se encostou ainda mais. A proximidade era claramente exagerada. Hesitei por um instante, mas não o afastei. Minha capacidade de julgamento estava enfraquecida pelo álcool, e eu havia perdido o momento de agir, mas ele pareceu ganhar confiança com isso e colocou sorrateiramente uma mão na minha cintura. O homem, que havia se aproximado descaradamente, sussurrou perto do meu ouvido:
— No fim das contas, é sempre melhor a dois, não acha?
Ergui apenas os olhos para encará-lo e ele sorriu de modo sugestivo. A mão que me segurava começou a acariciar de forma lenta e insinuante. Agora era inegável: aquilo era uma investida. Um flerte explícito. Fazer esse tipo de coisa aqui… Bêbado como eu estava, ainda assim pude ouvir um pequeno alarme de alerta tocando na minha cabeça.
Quase ninguém sabia que eu era gay. A maioria achava estranho ou peculiar um Beta ser atraído por outro homem. Minha mãe adotiva considerava gente assim “desviada”, e até repulsiva. Por isso, eu aprendi a esconder isso o máximo possível.
Mas este lugar não era o mundo lá fora. Era o mundo deles. As regras eram outras. Tudo que acontecia ali permanecia ali. Por isso ele estava tão confiante para me seduzir, provavelmente existia uma regra de silêncio entre todos.
Mas eu simplesmente não estava com humor para isso.
Eu respirei fundo, já prestes a afastar a mão dele e rejeitá-lo, quando levantei a cabeça, e parei de repente.
Entre as pessoas que se moviam devagar como se estivessem submersas na água, o rosto de um homem apareceu subitamente. Mesmo estando bem distante, eu sabia com certeza que ele estava olhando diretamente para mim. Pisquei algumas vezes. Nada mudou.
Os olhos roxos profundos continuavam cravados no meu rosto, sem se mover um único milímetro.
De repente, uma fragrância absurdamente doce passou pela ponta do meu nariz. Claro, era uma alucinação. Não havia como eu, sendo um Beta, sentir o cheiro dos feromônios daquele homem a essa distância.
Mas, ainda assim, minha garganta secou na hora. Inclinei a taça devagar e deixei o champanhe descer pela garganta, mas mesmo enquanto bebia eu não desviei o olhar do rosto daquele homem. Entre o balanço nebuloso das pessoas dançando no salão, eu e Nathaniel Miller apenas nos encaramos. Nenhum dos dois desviou o olhar. Ficamos ali, imóveis. Como se o tempo ao nosso redor tivesse parado.
Então, de repente, senti um sopro quente junto ao meu ouvido. Só então percebi, tardiamente, a presença do homem que estava comigo. Abaixo da minha cintura, senti seu pênis quente e inchado roçar em mim. Sua intenção era óbvia. Quando virei a cabeça devagar, a distância entre nós desapareceu de imediato. Ele inclinou o rosto como se já soubesse de tudo. Mesmo bêbado, senti-me agudamente consciente de que Nathaniel Miller estava captando aquela cena sem filtro, com seus olhos roxos.
A respiração animada de um homem cujo nome eu nem lembrava tocou meus lábios. Talvez eu nem estivesse bêbado, afinal. Porque sabia exatamente o que estava prestes a fazer.
— Hm…
O homem soltou um gemido satisfeito. Fechei os olhos, encarei seu rosto corado com meu olhar voltado para baixo e lentamente lambi seus lábios. Era claramente uma provocação intencional. Não só para ele, mas para o homem de olhos roxos que observava tudo, à distância.
Quando cerrei os dentes e mordi suavemente seu lábio inferior, o homem, como se achasse delicioso, abriu a boca e cobriu meus lábios. Sua língua grossa revirou minha boca impacientemente. De propósito, inclinei-me contra ele e mantive nossos lábios unidos. O pênis que se esfregava contra meu corpo estava claramente ereto. O homem, esfregando a parte inferior do corpo contra mim, ofegante, puxou minha camisa e acariciou a pele exposta. Parecia que ele iria gozar apenas com o beijo, se continuasse um pouco mais. Não seria difícil.
Mas, no momento em que a mão dele tentou entrar dentro da minha calça, eu segurei seu ombro e o empurrei levemente, afastando nossos corpos. Os lábios se separaram de surpresa, e o homem me olhou com os olhos meio turvos.
— …Hã?
Com as bochechas vermelhas e respirando pesado, ele me fez lembrar de um cachorro no cio. Eu o encarei de olhos semicerrados e murmurei:
— Que tal… continuarmos isso em outro lugar?
Ele demorou um segundo para entender, mas felizmente não levou muito tempo. Como se de repente lembrasse de onde estava, piscou devagar, voltando a si. O foco retornou aos seus olhos, mas o brilho pegajoso do desejo permaneceu exatamente o mesmo.
°
°
Continua….
Ler Fuja se puder Yaoi Mangá Online
m caso chocante acontece: um alfa, junto com seu grupo, estupra e assassina um ômega. O promotor encarregado do caso, Chrissy Jin, recusa qualquer acordo e decide levar o caso a julgamento, determinado a garantir uma punição adequada.
É nesse contexto que ele encontra pela primeira vez Nathaniel Miller, representante da maior firma de advocacia dos Estados Unidos, o Miller. Mas a arrogância de Nathaniel não lhe agrada em nada.
Pouco depois, ao voltar de um encontro com seus pais adotivos, Chrissy se envolve num acidente de trânsito: por azar, o carro em que bateu é justamente o de Nathaniel. Diante do valor absurdo do conserto, Chrissy não tem escolha a não ser ir até o homem para explicar sua situação, mas o lugar onde Nathaniel se encontra é, na verdade, uma festa de feromônios.
Lá, Chrissy quase acaba sendo violentado por Nathaniel, mas consegue atingi-lo com um caco de vidro e escapa. A partir desse incidente, a atitude de Nathaniel muda radicalmente: ele demite o advogado responsável pelo caso e decide assumir a defesa pessoalmente.
Os dois passam a se enfrentar no tribunal. No entanto, mesmo em meio a essa relação de hostilidade, Chrissy se sente estranhamente atraído por ele. Nathaniel, por sua vez, não disfarça seu interesse por ele. Em meio a essa tensão crescente, um dos membros do júri surpreende Chrissy com uma revelação inesperada….
Nome alternativo: Run Away If You Can