Ler Fuja se puder – Capítulo 32 Online
— E se eu ganhar?
Por um instante, eu não entendi. Seus olhos puxados, que me fitavam, estreitaram-se.
— Senhor Promotor.
Nathaniel Miller me chamou com tom de deboche. Mas eu não respondi. Apenas continuei encarando aqueles olhos violeta, escurecidos quase um preto. Uma mão grande vasculhou meu paletó, entrando por dentro dele. Os dedos longos tocaram o cinto, deslizando pela minha cintura até parar em um ponto específico. Nathaniel dobrou o outro braço e se apoiou na porta da entrada, curvando-se sobre mim como se fosse me dominar. Os dedos longos e graciosos que rondavam meu quadril desceram devagar.
— E se eu ganhar.
Eu senti o sopro da respiração dele na minha orelha. Meu corpo reagiu sozinho, um sobressalto pequeno, involuntário. Nathaniel soltou um suspiro profundo, quase um gemido baixo. E eu simplesmente congelei. Os dedos dele deslizaram lentamente por cima do tecido fino da minha calça, subindo pela curva da minha bunda. A sensação era tão explicitamente clara que a pele do meu corpo inteiro ficou arrepiada, e a região abaixo da minha cintura esquentou. Eu não conseguia mexer um músculo. Acima de mim, com aquela voz desgraçadamente baixa, Nathaniel murmurou:
— O que vai me dar?
Senti ele inspirar atrás da minha orelha. Ridículo, porque não havia perfume nenhum ali – mas ele respirava como se estivesse inalando o cheiro de um ômega no cio. Tive que me agarrar com força aos restos da minha sanidade para não perder o controle.
— Honorários de êxito, o senhor discute com seu cliente.
Em contraste com o coração que batia loucamente de excitação, minha voz saiu extremamente fria e indiferente. Era como se meu corpo e minha cabeça estivessem em guerra.
O som da respiração profunda perto da minha orelha pareceu parar subitamente. Após um breve silêncio, Nathaniel ergueu a cabeça lentamente. Na proporção inversa do hálito que se afastava, eu sentia a razão voltar. Ele abriu a boca, olhando diretamente nos meus olhos, com uma voz baixa, como um sussurro:
— Então, eu tenho que chupar seu pau, mas você não vai me dar nada em troca? Que injustiça.
A última parte soou, de alguma forma, como uma acusação. Claro, em vez de me sentir culpado, retruquei com frieza:
— O mundo está cheio de coisas injustas. Aproveite para aprender isso agora.
O rosto dele, olhando para mim, ainda não mostrava nenhuma expressão. Enquanto recebia seu olhar indiferente, como se estivesse olhando para um objeto, eu mantive o queixo teimosamente erguido. Como se perguntasse se ele tinha mais algo a dizer.
De repente, tive a sensação de que os cantos de sua boca se curvaram para cima. Talvez eu tivesse imaginado? Enquanto estava confuso, de repente, Nathaniel se afastou de mim. Ao mesmo tempo, a mão que estava na minha nádega deslizou naturalmente pela curva arredondada. Claro, foi uma ação obviamente intencional. Como eu tinha momentaneamente esquecido a presença daquela mão, não pude evitar de abrir os olhos de surpresa. Vendo minha expressão, Nathaniel cumprimentou com naturalidade:
— Então, senhor Promotor, lhe desejo bons sonhos.
Inacreditavelmente, embora suas mãos não fossem diferentes das de um pervertido, suas palavras eram extremamente educadas, como as do maior cavalheiro do mundo. Quem diabos esse homem pensa que é? Deixando-me para trás, piscando os olhos e de boca aberta em incredulidade, ele desceu as escadas. Mesmo apoiado na bengala, seus movimentos eram suaves e precisos. Ele chegou à calçada, parou como se lembrasse de algo – ou fingisse lembrar – e virou-se de novo, levantando o rosto para olhar na minha direção.
O encarei, franzindo a testa. Os lábios grossos dele se moveram devagar:
— Sua mesa está muito desorganizada. Gostaria que você a limpasse bem no dia do veredicto.
Minha sobrancelha se arqueou imediatamente.
‘De que merda ele está falando…?’
Eu nem tive tempo de perguntar. Nathaniel continuou, com os olhos semicerrados e um tom quase satisfeito:
— Porque quero deitá-lo na mesa do seu escritório e comemorar a vitória gozando dentro de você.
‘Que absurdo sem sentido é esse…?’
Fiquei tão chocado que fiquei sem palavras. Não fazia ideia por onde começar a apontar o que estava errado. Ele, no entanto, teve o desplante de acrescentar ainda uma última coisa:
— Seria problemático se, por acaso, algum material de escritório rolasse e machucasse as costas do Sr. Promotor, não acha?
Com essas palavras, meu queixo quase caiu. E ainda por cima, o que significava aquela frase? Não sabia se era um aviso ou uma ordem, mas soou como se ele quisesse dizer que minha concordância ou permissão não importavam. Ok, fui eu quem o provocou primeiro, mas isso não vem ao caso. A raiva subiu tanto que meus músculos faciais se contraíram; mesmo assim ele me cumprimentou com toda a polidez até o fim. Mesmo que sua educação fosse apenas nas palavras e gestos.
— Boa noite. Nos vemos no julgamento.
Com essa frase, Nathaniel entrou no carro. Em segundos o veículo sumiu da vista. Quando percebi o silêncio pesado que pairou no ar, minha tensão finalmente se dissolveu e eu desabei no chão.
— Huah, ahhh.
Só então minha respiração pesada explodiu e as batidas do coração que eu tanto me esforcei para esconder ecoaram por todo o meu corpo. Incapaz de controlar as pulsações violentas que pareciam querer perfurar minhas costelas, eu levantei e acompanhei com os olhos o rastro do carro que já havia partido. Mesmo que não pudesse mais vê-lo, fiquei ali sentado na escuridão vazia por um longo tempo.
Com meu corpo queimando tardiamente, a raiva transbordou. Tudo isso aconteceu porque eu não consegui resolver o que deveria ter resolvido hoje. Por causa daquele maldito lixo, que tem uma esposa e três filhos, mas fui ao bar procurar alguém para transar, acabei nem fazendo sexo e ainda perdi a cabeça por um homem daquele.
— Maldito, seu merda, morra!
Explodi de raiva e despejei insultos e maldições naquele homem. Claro, Jonathan Davis e Nathaniel Miller também estavam incluídos. E eu mesmo, o culpado por todo esse caso, também não me poupei.
***
‘Que porra esse filho da puta acha que eu sou?’
Sem conseguir conter a raiva, caminhei pelo corredor com passos bruscos. Amanheceu e eu continuava do mesmo jeito. Com o passar do tempo a fúria mudou de foco.
‘Dormir? Como ousa falar assim com um promotor que está no mesmo caso? Acha que, porque eu sou gay, qualquer homem me serve? Se isso não é assédio sexual, não sei o que é.’
‘… Embora seja verdade que, no passado, se eu me sentisse atraído, eu transava com qualquer um.’
Minha raiva, que por um momento hesitou, ferveu violentamente novamente. Mesmo assim, eu tinha meus limites.
‘Nunca me aproximei de homens casados, ou que tinham namoradas, enfim, que tinham um parceiro fixo. E ele ignorou essa minha linha que eu mantive rigorosamente até agora? Que filho da puta, quem ele pensa que, porque ele transa com qualquer um, todo mundo é assim.’
— Maldito!
Cuspi um palavrão como se estivesse descontando minha raiva e joguei uma pilha de documentos sobre a mesa com um baque. Quanto mais lembrava o quanto ele me subestimava mais minha raiva crescia incontrolavelmente. Se eu não arruinasse aquele rosto bonito, não conseguiria fechar os olhos nem depois de morto. Alguns instantes depois ouviram-se batidas na porta e ela se abriu devagar.
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Continua…
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m caso chocante acontece: um alfa, junto com seu grupo, estupra e assassina um ômega. O promotor encarregado do caso, Chrissy Jin, recusa qualquer acordo e decide levar o caso a julgamento, determinado a garantir uma punição adequada.
É nesse contexto que ele encontra pela primeira vez Nathaniel Miller, representante da maior firma de advocacia dos Estados Unidos, o Miller. Mas a arrogância de Nathaniel não lhe agrada em nada.
Pouco depois, ao voltar de um encontro com seus pais adotivos, Chrissy se envolve num acidente de trânsito: por azar, o carro em que bateu é justamente o de Nathaniel. Diante do valor absurdo do conserto, Chrissy não tem escolha a não ser ir até o homem para explicar sua situação, mas o lugar onde Nathaniel se encontra é, na verdade, uma festa de feromônios.
Lá, Chrissy quase acaba sendo violentado por Nathaniel, mas consegue atingi-lo com um caco de vidro e escapa. A partir desse incidente, a atitude de Nathaniel muda radicalmente: ele demite o advogado responsável pelo caso e decide assumir a defesa pessoalmente.
Os dois passam a se enfrentar no tribunal. No entanto, mesmo em meio a essa relação de hostilidade, Chrissy se sente estranhamente atraído por ele. Nathaniel, por sua vez, não disfarça seu interesse por ele. Em meio a essa tensão crescente, um dos membros do júri surpreende Chrissy com uma revelação inesperada….
Nome alternativo: Run Away If You Can