Ler Fuja se puder – Capítulo 17 Online

Modo Claro

É claro que, assim que virei a esquina, o último resquício de orgulho que eu tinha desapareceu completamente.

— Ugh…

Assim que me escondi no beco, me agachei segurando a cabeça entre as mãos. Eu havia passado a semana inteira correndo de um banco para outro, espremendo o tempo que não tinha na minha agenda, mas todas as respostas foram as mesmas. E agora era sexta-feira à tarde. Eu estava encurralado, sem saída.

‘O que eu vou fazer agora?’

Mesmo juntando todo o dinheiro que eu tinha, ainda era uma quantia absurda de se conseguir. E pedir ajuda aos meus pais adotivos estava completamente fora de questão. Só de imaginar a cena – eu, pedindo dinheiro ao meu pai adotivo – me dava vontade de enfiar a cabeça numa corda e acabar com tudo.

Não importava o quanto eu pensasse, não havia outra solução. Por um momento, até considerei comprar um bilhete de loteria no caminho de volta, mas percebi que eu teria mais chances indo a Las Vegas e tentando a sorte nas máquinas caça-níqueis.

‘Maldito desgraçado, devia ter deixado aquele carro trancado na garagem… por que diabos precisava dirigir um carro tão caro?’

Eu sabia que xingar não adiantava nada, mas ainda assim deixei a raiva escapar.

A única opção que restava…

Por mais que pensasse, só havia uma. E era justamente a que eu mais queria evitar, todavia naquela altura, preso entre a parede e o abismo não dava para ser seletivo. Respirei fundo, esfreguei o rosto com as mãos secas, fiquei agachado de olhos fechados por um momento e então me levantei. Peguei o celular no bolso e procurei o número do homem. Eu tinha salvado o número do cartão de visitas que ele me deu no primeiro dia que nos conhecemos, por precaução.

Mas nunca imaginei que usaria dessa forma.

A ligação não foi atendida. Um sinal monótono tocou por um tempo e então mudou para a caixa postal. Tentei novamente, mas foi a mesma coisa. Franzi a testa e fiquei olhando para o celular por um tempo, mas desliguei. Não era o que eu queria, mas parecia que eu não teria escolha a não ser encontrá-lo pessoalmente. Antes que me faltasse coragem comecei a andar rápido de volta até onde tinha estacionado o carro.

 

***

No centro da cidade, onde o preço do metro quadrado era conhecido por ser absurdo, estava o imponente edifício negro. O prédio pertencia ao escritório de advocacia Miller & Associates. Cinquenta andares de puro poder. Era impossível olhar para aquilo e não sentir o peso da autoridade e do dinheiro. A estrutura parecia gritar: “Se  você não tem dinheiro, caia fora!”.

Fiquei parado diante dele inclinando a cabeça até o pescoço doer só para tentar medir sua altura.

Era essa a realidade de um escritório de advocacia cuja taxa de retenção básica chegava a centenas de milhares de dólares?

Um gosto amargo subiu pela minha garganta, um misto de desconforto e desprezo. No topo daquele edifício devia estar ele – o próprio Nathaniel L. Miller – olhando o mundo lá de cima com aquele rosto arrogante.

Só de lembrar a frieza com que ele quase queimou meus olhos da última vez, meus olhos arderam como se o corpo tivesse registrado a lembrança como uma queimadura. Reprimi o medo que insistia em surgir e me forcei a andar mais rápido, com passos firmes demais para parecerem naturais.

— Com licença, vim encontrar uma pessoa.

Falei com o atendente da recepção, que me recebeu com um sorriso educado.

— Sim, claro. Com quem deseja falar?

Respirei fundo antes de responder:

— Gostaria de falar com o senhor Nathaniel L. Miller.

Foi como se o fluxo de ar tivesse parado momentaneamente. O som ambiente do saguão – vozes, passos, toques de teclado – sumiu, como se alguém tivesse abaixado o volume do mundo. Fiquei em silêncio, esperando por uma reação, e o funcionário, que havia piscado os olhos surpreso, finalmente abriu a boca.

— Ah… O senhor Miller não está no momento. Eu o vi sair há pouco, ele já foi embora.

— Já foi?

Surpreso, verifiquei a hora, e ele perguntou cautelosamente:

— Por acaso você tinha um horário marcado?

— Não… quer dizer, não exatamente.

Foi só então que percebi a estupidez que tinha cometido. É claro que aparecer de repente não funcionaria. Ele não era o tipo de homem que atendia alguém sem aviso prévio.

Ainda assim, eu esperava pelo menos conseguir deixar um recado com a secretária. Mas nem isso parecia possível.

Eu estava completamente sem saída.

Eu franzi a testa sem perceber e abri a boca pronto para pedir que deixassem ao menos um recado para o senhor Miller. Mas o funcionário falou antes de mim.

— O senhor Miller sempre sai mais cedo às sextas-feiras… Ele sempre vai a festas nos fins de semana.

— Festas?

Repeti, incrédulo e o funcionário assentiu.

— Ouvi dizer que, desta vez, será na mansão dos So-you. Se for realmente urgente, talvez o senhor possa ir até lá.

Pisquei, surpreso com a sugestão inesperada.

— Posso… Fazer isso?

— Sim… Bem, na verdade, quase todos os funcionários daqui sabem onde é então… — ele respondeu, dando de ombros, como se não fosse nada demais. Anotou o endereço num papel e me entregou.

— Obrigado.

Murmurei, agradecendo rapidamente antes de sair do prédio.

‘Mansão dos So-you, hein?’

Baixei o olhar para o bilhete que segurava e permaneci um tempo parado, olhando fixamente para o papel, com uma expressão tensa. Quando vim até aqui, não havia nenhuma hesitação em mim, mas agora… Parecia que as coisas estavam começando a se complicar.

‘Talvez eu devesse voltar outro dia?’

Fiquei ali, indeciso. Ele provavelmente não atendeu ao telefone porque estava na festa. Talvez também não tenha reconhecido o número. Ou quem sabe nem estivesse com o celular por perto. Não, isso é improvável. Então…

Foi aí que me ocorreu um pensamento.

‘Se eu for sem um convite, certamente não vou conseguir entrar. Talvez eu pudesse pedir para chamá-lo do lado de fora?’

A ideia me pareceu patética, e ainda assim… No fundo, percebi que já não havia mais nada a perder. Não tinha como afundar mais do que eu já estava. Se eu desse meia-volta agora, sabia que nunca mais encontraria coragem para vir de novo. E, no momento em que decidi vir até aqui, meu orgulho já tinha ficado pelo caminho.

‘Eu vou.’

Endureci a expressão e comecei a andar, um sorriso amargo surgindo junto ao pensamento:

‘Desde quando alguma coisa na minha vida foi fácil?’

Naquele momento, eu ainda não fazia ideia de que a situação estava prestes a se tornar muito pior do que eu podia imaginar. Mesmo depois de todas as vezes em que a vida já tinha provado isso.

 

***

 

Segui o GPS por um longo caminho até chegar a um local afastado, longe do centro da cidade. Passei pelos portões de ferro de um famoso country club e continuei dirigindo por um tempo, até que as casas desapareceram por completo, substituídas por uma fileira interminável de pinheiros altos e escuros. Depois de uma estrada monótona e longa o bastante para testar minha paciência, finalmente avistei o que só podia ser meu destino.

A mansão se erguia imponente do outro lado de um vasto jardim, tão grande que fazia a estrada até ali parecer insignificante. A construção era colossal – e a simples presença dela impunha respeito, quase medo. Era a primeira vez que eu via de perto uma propriedade tão grandiosa, e por um instante meu coração gelou.

Tive a impressão absurda de que aquele gigante de pedra, aquele titã moderno, poderia a qualquer momento se levantar do chão e, com o colossal polegar, esmagar meu carro alugado até reduzi-lo a uma moeda amassada.

‘Mas que merda eu tô pensando?’

Sacudi a cabeça, tentando afastar o nervosismo. Depois de ter vindo até aqui, não podia me deixar intimidar logo na porta. Eu tinha um problema muito mais urgente para resolver.

À medida que me aproximava da mansão, percebi homens de terno preto espalhados pelo jardim, quase todos usando fones de ouvido. E quanto mais perto eu chegava, mais deles surgiam. Quando finalmente estacionei o carro diante da entrada, um grupo inteiro de seguranças, que já me observava desde antes, veio ao meu encontro de uma só vez.

°

°

Continua…

 

Ler Fuja se puder Yaoi Mangá Online

m caso chocante acontece: um alfa, junto com seu grupo, estupra e assassina um ômega. O promotor encarregado do caso, Chrissy Jin, recusa qualquer acordo e decide levar o caso a julgamento, determinado a garantir uma punição adequada.
É nesse contexto que ele encontra pela primeira vez Nathaniel Miller, representante da maior firma de advocacia dos Estados Unidos, o Miller. Mas a arrogância de Nathaniel não lhe agrada em nada.
Pouco depois, ao voltar de um encontro com seus pais adotivos, Chrissy se envolve num acidente de trânsito: por azar, o carro em que bateu é justamente o de Nathaniel. Diante do valor absurdo do conserto, Chrissy não tem escolha a não ser ir até o homem para explicar sua situação, mas o lugar onde Nathaniel se encontra é, na verdade, uma festa de feromônios.
Lá, Chrissy quase acaba sendo violentado por Nathaniel, mas consegue atingi-lo com um caco de vidro e escapa. A partir desse incidente, a atitude de Nathaniel muda radicalmente: ele demite o advogado responsável pelo caso e decide assumir a defesa pessoalmente.
Os dois passam a se enfrentar no tribunal. No entanto, mesmo em meio a essa relação de hostilidade, Chrissy se sente estranhamente atraído por ele. Nathaniel, por sua vez, não disfarça seu interesse por ele. Em meio a essa tensão crescente, um dos membros do júri surpreende Chrissy com uma revelação inesperada….
Nome alternativo: Run Away If You Can

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