Ler Fuja se puder – Capítulo 11 Online
Aquilo era tudo o que eu havia aprendido, e tudo o que sabia, sobre os gamas.
— Os seguranças do senhor Miller são todos gamas.
Disse Alice, de modo casual, como se esclarecesse uma dúvida.
— Você não considerou que eu poderia ser beta?
Perguntei em tom de brincadeira. Ela respondeu com uma voz desanimada, como se estivesse relutante.
— Bem, pela sua aparência, achei que fosse um alfa ou um ômega. É realmente raro ver um beta tão bonito quanto você… Claro, eu considerei a hipótese de ser beta, mas ainda assim. — Alice logo franziu a testa. — Mas não que fosse gay…
— Cof-cof. —Fingi uma tosse e mudei de assunto. — Há algum motivo específico para os seguranças do Miller serem todos gamas?
De propósito, omiti a forma de tratamento respeitoso, mas Alice respondeu sem se importar muito.
— É algo comum entre os “alfas dominantes”. Seria problemático se algum subordinado se transformasse em ômega por causa dos feromônios deles ou acabasse entrando no cio. Isso atrapalharia o trabalho. Nesse aspecto, nós somos extremamente adequados.
Era uma explicação razoável. Ela continuou:
— Mas não quer dizer que os gamas consigam bloquear cem por cento dos feromônios de um alfa dominante. Se ele decidir liberar o feromônio de propósito, nós também não temos como resistir.
— Gamas também sofrem mutação?
Perguntei, curioso. Como beta, eu raramente tinha a chance de ouvir detalhes sobre outros tipos. Além disso, informações sobre gamas são impossíveis de encontrar em qualquer lugar. Tudo o que eu sabia era que, diferente dos demais, eles nasciam já com aquela característica definida. Fiz a pergunta sem pensar muito, mas Alice respondeu sem se mostrar incomodada:
— É raro, mas sim, nós também sofremos mutações. Embora, no nosso caso, mesmo que um Alfa dominante libere feromônios, não é necessariamente por causa disso que sofremos mutação. Na maioria das vezes, só sentimos os feromônios e pronto… Mas, se tivermos o azar de sofrer uma mutação, é realmente problemático. Betas como você, quando sofrem mutação, acabam se tornando ômegas, e é só isso, mas nós podemos morrer ou ter a nossa expectativa de vida cortada pela metade. Mesmo aqueles que sobrevivem – se engravidam, geralmente morrem ao dar a luz. Dizem que há raros casos de sobrevivência, mas é quase um milagre. E ainda ficam tão debilitados que não conseguem nem sair da cama, passando anos deitados até morrer… É o pior cenário possível.
Ela balançou a cabeça e acrescentou com um tom de voz apático:
— No caso de vocês, betas, depois dos vinte anos quase não há risco de mutação. Mas os gamas, apesar de terem alta resistência aos feromônios, convivem com o risco de sofrer mutação a vida toda.
Alice inalou calmamente a fumaça do cigarro.
— É uma merda, não acha?
Diante de sua pergunta cínica, respondi com a mesma naturalidade:
— O fato do homem que você queria ser gay deve ser mais merda ainda.
Ela caiu na risada. Seus olhos, de um castanho suave, brilharam de forma bonita. Por um instante, lamentei não ser heterossexual.
— E o seu olho, como está?
Percebi, então, que havia esquecido completamente da dor. Toquei-o cuidadosamente; ainda havia uma sensação de ardência, mas não estava tão dolorido quanto antes. Pisquei algumas vezes; infelizmente, a visão ainda não estava totalmente nítida.
— De qualquer forma, não vou poder dirigir por um tempo.
Suas palavras finalmente me trouxeram uma lembrança.
— Aquele homem realmente ia queimar meu olho? Com a ponta do cigarro?
Alice arqueou as sobrancelhas, surpresa.
— Por que você acha que ele não faria isso?
Fiquei sem palavras. Pisquei, confuso, e ela jogou o cigarro já curto no chão, tirando outro do maço.
— Mas é raro ele fazer isso em um local público, o que foi que aconteceu?
A expressão “em um local público” chamou minha atenção. Então, em lugares mais reservados, algo assim acontecia com frequência?
— Nada demais… eu só me meti na frente dele, e quando disse que ele também tinha culpa, ele simplesmente começou a me estrangular.
— Disse isso ao senhor Miller?!
Exclamou Alice, pálida como um fantasma. Parecia realmente assustada. Não sabia se o medo era de Nathaniel Miller ou de outra coisa. Eu apenas assenti. Com o rosto ainda mais branco, ela voltou a perguntar:
— Por acaso… você o encarou?
Não respondi, mas ela suspirou: “Ah…”, e balançou a cabeça.
— Deveria agradecer por ainda estar vivo. Se não tivéssemos chegado naquele exato momento para interromper…
Alice fez o sinal da cruz, como se estivesse horrorizada. Vendo aquilo, me veio o pensamento de que talvez o que ela temesse não fosse Nathaniel Miller em si, mas o que ele poderia ter feito. De repente, uma curiosidade maliciosa me tomou.
— O que teria acontecido comigo se fosse o caso?
Alice me olhou com uma expressão de questionamento. Imediatamente, percebi que havia feito uma pergunta estúpida e óbvia.
— No mínimo, você teria morrido ou ficado cego. Não é óbvio? — respondeu ela, fria.
A resposta dela me fez pensar em várias coisas.
— Ele… já fez isso antes? Já queimou o olho de alguém?
Ela permaneceu em silêncio. Então insisti:
— E já matou alguém?
Alice continuou calada. Mas eu senti que já tinha todas as respostas.
E, mesmo assim, como alguém assim podia andar pelas ruas com tanta tranquilidade?
A resposta era simples: porque ele era um alfa. Um alfa dominante, da mais alta linhagem.
Alfas não são punidos por seus crimes. Mesmo que matem alguém.
Assim como meu pai biológico também não foi.
Por um momento, pensei em ter ouvido um disparo ecoando na minha mente.
***
3
Na manhã seguinte, felizmente, a sensação de ardência no meu olho havia desaparecido. Mas uma dor latejante e sutil permanecia e, somada à falta de sono, uma sensação áspera e desagradável surgia toda vez que eu fechava e abria os olhos.
Peguei um táxi para o trabalho e aproveitei o trajeto para descansar um pouco com os olhos fechados. Pensei que, na hora do almoço, precisava comprar um colírio.
— Você está com uma cara péssima. Aconteceu alguma coisa?
Assim que me encontrou no corredor, Doug perguntou, surpreso. Eu apenas olhei para o rosto dele, exausto. Mesmo naquele estado, eu havia me esfregado inteiro antes de sair de casa – especialmente o pescoço e as mãos, que lavei até ficarem vermelhas. Por isso, acordei com a pele inchada, os olhos ardendo e o rosto cheio de olheiras.
— O seu rosto bonito está acabado.
Doug estalou a língua e bateu de leve na minha bochecha. Virei o rosto, desviando da mão dele, e apertei o botão da máquina para tirar uma lata de refrigerante.
— Os preparativos estão indo bem?
Ele perguntou, colocando uma nota na máquina e escolhendo a própria bebida.
Massageei o canto dos olhos e respondi com um aceno cansado. Engoli um gole do refrigerante gelado, sentindo o gás arranhar minha garganta. Doug abriu a própria lata e perguntou:
— Vai ter aquela festa de aniversário do prefeito, você vai?
— Não tenho tempo pra isso.
O julgamento se aproximava. Eu ainda precisava revisar o testemunho, confirmar a fala das testemunhas e conferir todas as provas e documentos.
Doug soltou uma risadinha e disse:
— Não se mate de trabalhar, hein.
Ele então se afastou, me deixando sozinho. Fiquei ali, tomando a coca devagar, tentando organizar os pensamentos. Minha cabeça parecia enevoada, pesada demais por não ter dormido direito.
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Continua….
Ler Fuja se puder Yaoi Mangá Online
m caso chocante acontece: um alfa, junto com seu grupo, estupra e assassina um ômega. O promotor encarregado do caso, Chrissy Jin, recusa qualquer acordo e decide levar o caso a julgamento, determinado a garantir uma punição adequada.
É nesse contexto que ele encontra pela primeira vez Nathaniel Miller, representante da maior firma de advocacia dos Estados Unidos, o Miller. Mas a arrogância de Nathaniel não lhe agrada em nada.
Pouco depois, ao voltar de um encontro com seus pais adotivos, Chrissy se envolve num acidente de trânsito: por azar, o carro em que bateu é justamente o de Nathaniel. Diante do valor absurdo do conserto, Chrissy não tem escolha a não ser ir até o homem para explicar sua situação, mas o lugar onde Nathaniel se encontra é, na verdade, uma festa de feromônios.
Lá, Chrissy quase acaba sendo violentado por Nathaniel, mas consegue atingi-lo com um caco de vidro e escapa. A partir desse incidente, a atitude de Nathaniel muda radicalmente: ele demite o advogado responsável pelo caso e decide assumir a defesa pessoalmente.
Os dois passam a se enfrentar no tribunal. No entanto, mesmo em meio a essa relação de hostilidade, Chrissy se sente estranhamente atraído por ele. Nathaniel, por sua vez, não disfarça seu interesse por ele. Em meio a essa tensão crescente, um dos membros do júri surpreende Chrissy com uma revelação inesperada….
Nome alternativo: Run Away If You Can