Ler Fuja se puder – Capítulo 04 Online
— Sim. Assim que a audiência terminou, eles tentaram negociar.
— Hmm, então logo isso vai se encerrar. Entendido.
O procurador-chefe assentiu sem dar muita importância e desviou o olhar, era o sinal para que eu me retirasse. Mas permaneci sentado.
— Há mais alguma coisa?
Respirei fundo e respondi:
— Recusei a proposta.
O procurador ficou me olhando em silêncio.
— Por quê? As condições eram ruins?
— Sim. — Tentei manter o semblante neutro, controlando a raiva. — Eles queriam rebaixar a acusação para homicídio de terceiro grau e dar apenas cinco anos de prisão. Recusei, é claro.
— Hm. Isso é demais.
Ele franziu o rosto, desaprovando.
Mas não parei ali:
— E ainda fizeram a proposta no corredor. Assim que a audiência preliminar terminou.
— Quer dizer que ele nem sequer foi ao seu escritório?
— Não. Ele disse isso no corredor.
O procurador assentiu, compreendendo o meu desagrado.
— E qual era a nossa contraproposta?
Respondi sem hesitar:
— Eu pretendia propor homicídio de segundo grau com pena de trinta anos, mas…
— “Mas”?
Ele repetiu, franzindo a testa.
— Se eles não aceitarem, teremos que seguir com o julgamento. Se os pais não o ensinaram a assumir responsabilidade pelo que fez, então a lei ensinará.
Falei com calma. O procurador piscou, surpreso.
— Escute…
Ele começou, mas não encontrou as palavras. Continuei em seu lugar:
— É um crime claro, sem margem para negociação. A única proposta que considerei aceitável seria trinta anos de prisão sem possibilidade de condicional, o pagamento de um milhão de dólares de indenização à família da vítima e uma carta pública de desculpas reconhecendo os crimes. Nada abaixo disso. E mesmo isso já seria o mínimo. Se ele não fosse rico o bastante para contratar o escritório Miller, jamais sairia da prisão até morrer.
— … Você…
O procurador abriu e fechou a boca várias vezes, sem saber por onde começar.
— Então, pretende levar o caso a julgamento?
— Sim. A não ser que aceitem a proposta.
Ele soltou um longo suspiro, passando os dedos pelos olhos como se tentasse aliviar uma dor de cabeça.
— Por que complicar as coisas?
A frase ecoou – exatamente as mesmas palavras que o advogado de defesa havia me dito. Ele ainda acrescentou:
— E o orçamento já anda apertado…
— Eles não demonstram o menor arrependimento.
Rebati, irritado. Ele balançou a cabeça.
— Isso é algo com que teremos que lidar. Você sabe como os alfas são. E o que podemos fazer? Se prendermos todos os alfas que cometem crimes, quem vai bancar a economia? O país quebraria, os impostos subiriam, e os cidadãos se revoltariam! Céus, só de imaginar já me dá calafrios!
Exclamou, abrindo os braços teatralmente. Depois de um suspiro dramático, ele retomou um tom mais contido:
— Há um limite que nós, betas, simplesmente não podemos ultrapassar. Eles estão num patamar que não nos pertence.
— Quer dizer que, além de já termos que aguentar calados por sermos betas, ainda vamos ter que suportar mais essa humilhação?
A veia da têmpora dele saltou.
— Não estou brincando, Chrissy! — O homem gritou, perdendo a paciência. — Não permitirei que esse julgamento continue! Ligue agora para o advogado de Davis e feche um acordo razoável! As condições que você propôs são inaceitáveis. Faça uma oferta que a outra parte possa aceitar! É assim que a negociação funciona. Quero isso resolvido ainda hoje! Se continuar agindo por conta própria, vou substituí-lo imediatamente! Entendido?!
Não respondi. Apenas o encarei com firmeza, os lábios cerrados. Ele percebeu minha recusa e cerrou o punho sobre a mesa, prestes a explodir, quando:
Toc, toc.
A batida repentina na porta quebrou a tensão. O procurador virou o rosto, e eu fiz o mesmo. Era o assessor dele.
— Com licença, senhor, desculpe interromper a reunião… há uma visitante.
— Quem é?
Perguntou o procurador, ainda com o tom irritado. O assessor hesitou, nervoso:
— É… a mãe de Anthony Smith.
O rosto do procurador empalideceu. Ele me olhou, e balancei a cabeça, indicando que não sabia de nada.
— Deixe-a entrar.
Falou, a voz agora mais contida. O assessor abriu espaço, e uma mulher de meia-idade entrou lentamente. Era uma senhora com o rosto abatido e a pele sem vida – a imagem de alguém cujo mundo havia desabado.
— Senhor procurador… Senhor Promotor…
Ela, com um leve aceno de cabeça. Seus passos vacilavam, e tanto eu quanto o procurador nos levantamos instintivamente, prontos para ampará-la caso caísse. Mas ela conseguiu chegar até a frente da mesa do procurador.
— Por favor, sente-se.
Ela negou com um aceno.
— Desculpe incomodar. Não vou tomar muito do tempo de vocês.
Sua voz tremia, tanto quanto suas pernas.
— Eu queria saber como ficou o julgamento… Ouvi dizer que a maioria desses casos é resolvido com um acordo. E… quando isso acontece, a pena costuma ser reduzida, ou até suspensa. O senhor deve saber, mas como é… uma família muito influente… Então eu queria saber o que vai acontecer.
Ela falava como se fosse a própria ré, esperando uma sentença. Mas a única que não devia estar sendo julgada era ela. Perder um filho já era uma punição suficiente.
O procurador desviou o olhar, desconfortável.
— Ah, claro, claro… Faremos tudo dentro da lei. Fique tranquila, faremos o possível.
A hesitação em sua voz era evidente. A mulher percebeu, confusa, olhando alternadamente para ele e para mim. Eu não disse nada – apenas mantive o olhar fixo no procurador.
Ela engoliu em seco e continuou:
— Isso não vai acabar em impunidade, não é? Ele vai pagar pelo que fez, certo?
Lágrimas brotaram em seus olhos.
— Meu filho era uma boa pessoa… mas todos os jornais o difamam. Dizem coisas horríveis! Ele nunca usou drogas, nunca enganou ninguém. E aquele homem… depois de fazer aquilo com meu filho… e ainda assim…
Sua voz falhou, e logo ela começou a chorar.
— Todos chamam meu filho de lixo. Como eu posso aceitar isso?
Soluçou, cobrindo o rosto.
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Continua…
Ler Fuja se puder Yaoi Mangá Online
m caso chocante acontece: um alfa, junto com seu grupo, estupra e assassina um ômega. O promotor encarregado do caso, Chrissy Jin, recusa qualquer acordo e decide levar o caso a julgamento, determinado a garantir uma punição adequada.
É nesse contexto que ele encontra pela primeira vez Nathaniel Miller, representante da maior firma de advocacia dos Estados Unidos, o Miller. Mas a arrogância de Nathaniel não lhe agrada em nada.
Pouco depois, ao voltar de um encontro com seus pais adotivos, Chrissy se envolve num acidente de trânsito: por azar, o carro em que bateu é justamente o de Nathaniel. Diante do valor absurdo do conserto, Chrissy não tem escolha a não ser ir até o homem para explicar sua situação, mas o lugar onde Nathaniel se encontra é, na verdade, uma festa de feromônios.
Lá, Chrissy quase acaba sendo violentado por Nathaniel, mas consegue atingi-lo com um caco de vidro e escapa. A partir desse incidente, a atitude de Nathaniel muda radicalmente: ele demite o advogado responsável pelo caso e decide assumir a defesa pessoalmente.
Os dois passam a se enfrentar no tribunal. No entanto, mesmo em meio a essa relação de hostilidade, Chrissy se sente estranhamente atraído por ele. Nathaniel, por sua vez, não disfarça seu interesse por ele. Em meio a essa tensão crescente, um dos membros do júri surpreende Chrissy com uma revelação inesperada….
Nome alternativo: Run Away If You Can