Ler Lamba-me se puder – Capítulo 146 Online
Até mesmo Koy, que normalmente é desatento, percebeu a mudança repentina no clima. Sob o olhar rígido e tenso de Ashley, que o fitava como se estivesse congelado, ele piscou, confuso e preocupado. ‘O que aconteceu? Por que ele está agindo assim de repente?’ Por mais que tentasse pensar, nada lhe ocorria, e por isso não ousou dizer nada, apenas observava o humor de Ashley com cautela.
— Então… — Koy começou hesitante.
— Você…
Koy tentou falar cuidadosamente, mas mais uma vez foi interrompido. Ashley ainda olhava para ele com um olhar frio e perguntou:
— Ainda não manifestou, certo?
— Ah… sou beta, ainda… — respondeu, envergonhado.
Como já havia passado do período normal de manifestação, sua característica biológica praticamente já estava definida. Koy percebeu que dizer “ainda” não fazia sentido algum, e seu rosto ficou quente de vergonha. Contudo, Ashley não riu, nem zombou dele. Apenas o observava com aquela expressão fria que deixava Koy cada vez mais inquieto. De repente, Ashley virou as costas.
— Vem. Eu te levo.
Surpreso com a oferta inesperada, Koy olhou para ele, chocado, e então correu atrás dele, dizendo:
— Eu… está tudo bem. Posso ir sozinho.
— Como? Vai pegar táxi? Ou pretende ir a pé?
Koy ficou mudo. Na verdade, ele nem tinha pensado em como voltaria. Vendo-o instantaneamente sem palavras, Ashley soltou uma risadinha curta, como quem já esperasse por isso, e voltou a andar. Koy hesitou, mas acabou entrando no carro logo atrás dele. Assim que ele colocou o cinto de segurança, Ashley finalmente deu partida.
— Quando é o encontro?
— Hm? — Koy piscou, pego de surpresa. Depois de um instante, riu sem jeito. — Ah… não é bem um encontro. A gente só vai jantar e ver um filme.
— Koy.
— Sim?
Quando respondeu rápido demais, Ashley olhou para ele de relance e torceu visivelmente o canto da boca.
— As pessoas chamam isso de encontro, Koy.
Koy não conseguiu responder imediatamente e ficou em silêncio. Ele não tinha pensado dessa maneira, mas agora que Ashley mencionou, parecia realmente ser o caso. ‘Será que Julie também pensa assim?’ Perdido em pensamentos, ele hesitou e então falou:
— Então… acho que talvez seja melhor não encontrá-la?
Ele não tinha qualquer intenção amorosa. Se por acaso Julie estivesse criando expectativas, seria correto deixar sua posição clara. Mas Ashley respondeu com indiferença:
— Com quem você se encontra não é da minha conta.
Koy levantou a cabeça por reflexo. Seu coração afundou ao ver o perfil frio de Ashley iluminado pela luz da lua. Como se estivesse zombando dele, Ashley completou:
— Espero que você tenha um encontro divertido, Koy.
Koy não conseguiu responder. Apenas abaixou a cabeça. E assim permaneceram em silêncio, sem trocar mais nenhuma palavra, até chegarem ao destino.
***
Ashley reduziu a velocidade ao entrar em um beco escuro onde nem a luz dos postes alcançava. Enquanto o carro avançava lentamente por aquela rua sombria — perfeita para um assaltante armado pular na frente, atirar no carro e roubar o aparelho de som — Koy começou a ficar inquieto por dentro.
Ele já tinha acordado várias vezes noites ao som de tiros, então não era uma paranoia sem fundamento. Era assustador imaginar o que poderia acontecer se, por acaso, alguém perigoso atacasse enquanto eles passeavam em um carro tão caro. Mesmo sendo um alfa dominante com habilidades físicas excepcionais, Ashley ainda era humano. Se levasse um tiro, ele morreria.
A ideia de Ashley ter vindo até um lugar desses por causa dele, correndo risco desnecessário, deixou Koy ainda mais aflito.
— Eu… eu acho que aqui já está bom. Eu posso ir sozinho.
Para mostrar que queria descer, Koy tentou abrir a porta, mas ela estava trancada. Ele congelou por um instante. De repente, uma lembrança antiga lhe veio à mente. ‘Será que esse carro também tem algum mecanismo especial que impede de abrir por dentro?’
Sem saber o que fazer, ficou hesitante. Ao contrário dele, Ashley continuou completamente calmo.
— Onde você mora? Preciso ir mais adiante?
— Ah… — Koy hesitou, depois apontou para um lado e respondeu com sinceridade: — É ali. Naquela esquina.
Ashley não demonstrou reação alguma e apenas dirigiu na direção indicada por Koy. Não era muito longe. Logo ele estacionou o carro e, como se estivesse esperando por aquele momento, a porta do passageiro onde Koy estava fez um “clique” e se abriu.
— …Obrigado por ter me trazido.
Depois de agradecer, Koy ficou um momento em silêncio antes de perguntar:
— Hm… você não quer subir para tomar uma xícara de chá?
Assim que falou, se deu conta de que um carro tão chamativo deixado ali, estacionado naquele lugar, com certeza acabaria sendo roubado. Mas já tinha feito o convite; não dava para voltar atrás. Ele começou a se desesperar, até que Ashley respondeu:
— Obrigado, mas eu vou recusar.
‘Ufa… ainda bem.’ Koy soltou um suspiro de alívio sem perceber. Ashley o observou fixamente. Com a luz fraca do poste atrás dele, era difícil distinguir sua expressão.
Koy sabia que precisava descer do carro agora, mas não conseguiu mover o corpo imediatamente. ‘Ele precisava marcar um próximo encontro. Se deixasse Ashley ir embora assim, eles nunca mais se veriam. ‘Pelo menos peça o número de telefone dele, rápido. Agora!’
— Eu tenho uma coisa para perguntar.
— Ah, sim.
A voz repentina de Ashley fez Koy se sobressaltar enquanto ele assentia depressa. Ashley o encarava com aquela expressão indecifrável quando perguntou:
— Você disse que veio até aqui para me ver, não foi?
— S-sim.
Koy acenou com a cabeça novamente. Com uma voz ainda mais grave, Ashley falou:
— O que exatamente você queria fazer ao me ver?
Desta vez, Koy não conseguiu responder prontamente. Tantas emoções vieram de uma vez, bloqueando suas palavras. Como ele poderia colocar tudo em apenas algumas palavras? Mesmo agora, seu coração pesado oprimia seu peito.
— Eu…
Koy começou com dificuldade. Sua voz tremeu, então ele tossiu para tentar conter o turbilhão dentro de si antes de continuar:
— Eu só… queria ver você.
Apesar de tudo que sentia, era só aquilo que ele conseguia dizer. Na escuridão, Koy conseguiu enxergar Ashley franzindo levemente a testa.
— Só isso?
Diante da reação quase indignada, o rosto de Koy ficou vermelho. É claro que aquilo soava absurdo. Passaram-se mais de dez anos, e ele aparece do nada dizendo algo assim.
Mas, como Ashley havia dito, aquilo era tudo — então ele não tinha mais o que acrescentar. Se o fruto de mais de uma década de trabalho árduo e economia fosse apenas ver o rosto de Ashley Miller, qualquer um teria a mesma reação. No entanto, para Koy, a presença de Ashley Miller em sua vida era incomparavelmente maior do que qualquer um poderia imaginar, então esse preço era, na verdade, muito barato.
E claro, Ashley não tinha como saber disso — e Koy também não tinha intenção de expor seus próprios sentimentos e sobrecarregá-lo.
‘Eu sei que nós já terminamos há muito tempo.’
Koy pensou. O fato de Ashley ainda não ter se casado, de não ter ninguém especial, era para ele uma sorte absurda. Não que ele tivesse a arrogância de acreditar que isso tinha a ver com ele — sabia que haveria outros motivos, trabalho, falta de interesse, o que fosse. Ele só era grato por existir essa chance de criar coragem. Se Ashley tivesse alguém ao seu lado, mesmo que não fosse casado, Koy jamais teria ousado aparecer para vê-lo.
— Eu… eu fui até o seu escritório de advocacia.
Koy disse, tentando juntar coragem.
— Você ficou sabendo? Eles me pediram para deixar um recado, então deixei meu contato lá.
Fazia mais de um mês. Se o recado tivesse sido entregue, ele provavelmente teria recebido alguma resposta. Lembrando que Ashley perguntou quando ele tinha chegado à costa leste, Koy concluiu por conta própria que Ashley definitivamente não tinha recebido a mensagem.
— Eu sei.
— Ah…
A resposta indiferente o fez piscar, atordoado. Ao ver a expressão completamente inexpressiva de Ashley, o coração de Koy começou a bater descompassado, inquieto.
— Então… você não teve tempo de me ligar, certo? Você devia estar ocupado, sem tempo.
— Não.
Koy perguntou rapidamente, com um sorriso cheio de esperança, mas Ashley negou impiedosamente.
— Eu não tinha a menor intenção de encontrar você.
Koy congelou no instante. Ele ouviu claramente, mas não conseguia processar. ’O que eu acabei de ouvir? O que o Ashley acabou de dizer?’ Enquanto ele apenas olhava para Ashley, atordoado, de repente se lembrou:
‘É melhor você não aparecer na minha frente.’
‘Você acha mesmo que eu ficaria feliz em ver você?’
Tarde demais, Koy ficou completamente imóvel.
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Continua….
Tradução: Ana Luiza
Revisão: Thaís
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Em breve será disponibilizado uma sinopse!
Nome alternativo: Kiss Me If You Can