Ler Lamba-me se puder – Capítulo 140 Online
Ao redor, tudo estava silencioso. Koy continuou completamente paralisado, apenas encarando Nelson. De repente, sentiu como se tivesse voltado àquele tempo em que era pequeno e miseravelmente frágil. Só de vê-lo, o Koy criança — aquele que se encolhia instintivamente e morria de medo — ressurgiu sem aviso. Ele achou que já tinha superado tudo, mas não. Sua boca secou, a garganta ardia, e nenhum som saía.
Era como viver um pesadelo impossível. Koy não conseguia se mover; apenas ficou ali, imóvel. O tempo parecia se arrastar infinitamente.
Quem quebrou o silêncio primeiro foi Nelson. Já estava quase anoitecendo, mas ele parecia ter acabado de acordar: o rosto estava amassado, sem vida, e ele deu um enorme bocejo antes de se afastar para o lado.
— Entra aí.
Com um tom desleixado, soltou as palavras, coçou a cabeça e voltou a bocejar. Ao ver aquilo, Koy finalmente recobrou o fôlego. Apressou-se em entrar, e logo o interior luxuoso da casa encheu sua visão. Por fora, já dava para imaginar que a mansão era enorme, mas por dentro, era ainda mais impressionante. Por um instante, ele ficou paralisado pela grandiosidade, mas rapidamente retomou o foco.
— Aonde… aonde está o problema? — perguntou, baixando a voz o máximo possível, temendo que ela tremesse.
Nelson não reagiu muito. Apenas fez um gesto vago e começou a andar. A escadaria se dividia em duas, unia-se ao centro e depois se separava novamente. Koy o seguiu em silêncio, tentando controlar o coração acelerado.
Jamais teria imaginado que veria Nelson de novo. Pouco antes da formatura, ele se metera em confusão e havia deixado a escola; depois disso, ninguém mais teve notícias dele. E agora ele estava ali, no Leste. E, ao que tudo indicava, muito rico. A mansão era gigantesca, revestida de mármore por toda parte, com detalhes dourados brilhando aqui e ali — tudo parecia gritar sucesso. Mas havia algo muito mais urgente para Koy do que o luxo daquela casa.
‘Parece que ele não me reconheceu.’
A reação de Nelson tinha sido completamente comum: apenas o comportamento de um dono de casa recebendo alguém para consertar algo, nada além disso.
‘Faz sentido. A Ariel também disse que eu mudei bastante.’
Além de tudo, era surpreendente perceber que ele agora olhava para baixo quando encarava Nelson. Quando era criança, Nelson lhe parecia gigantesco — mas agora era menor que Koy. Provavelmente sempre tivera estatura normal, talvez até abaixo. Koy é que era bem menor e infinitamente mais frágil naquela época. Pensar nisso lhe causou uma estranha sensação.
‘Ele já começou a perder cabelo…’
Quando reparou o topo da cabeça dele, já um tanto ralo, Nelson abriu a porta de um dos cômodos.
— É aqui.
Nelson havia parado em uma área de lazer do segundo andar. Parecia que uma festa tinha acontecido ali até o dia anterior — o ambiente estava um caos, com garrafas vazias e todo tipo de lixo espalhado por toda parte. No meio daquela bagunça, alguns homens e mulheres estavam largados, misturados uns aos outros, bebendo ou apagados. Provavelmente cansados de uma noite de farra, e ainda não haviam se recuperado. Koy fingiu não vê-los e apressou o passo, entrando na pequena cozinha que ficava em um canto da área. Era um espaço equipado para preparar bebidas e comidas simples — e ali estava a pia que ele precisava consertar. Naturalmente, aquele lugar também estava uma completa bagunça.
Antes de começar o reparo, Koy começou a juntar e organizar o lixo largado para todo lado. Foi então que ouviu vozes animadas atrás de si.
— O quê, chegou mais alguém?
Como esperado, a fala arrastada e enrolada denunciava que o homem estava completamente bêbado. Nelson respondeu no mesmo tom desleixado:
— Ele veio para consertar o encanamento. Deixa ele quieto.
— Eu pensei que fosse algum intruso tentando invadir o nosso paraísooo.
Outra voz, rindo, se intrometeu. No exato momento em que Koy juntava o lixo em um canto, acabou vendo sem querer que eles estavam inalando um pó branco amontoado sobre a mesa. Koy se enrijeceu por completo. As palavras de aviso do chefe surgiram em sua mente — e ao mesmo tempo, ele percebeu como Nelson havia conseguido ficar tão rico.
— Putz… a sua mercadoria é realmente a melhor. Onde é que você consegue uma coisa tão boa assim?
Ouvindo o comentário de admiração entre fungadas, Koy teve certeza de que seu palpite estava correto. Ele não podia perder mais tempo. Começou a se mover mais rápido do que antes, seu único pensamento era terminar o trabalho e sair dali o mais rápido possível. Atrás dele, Nelson riu e disse:
— Eu disse, só eu consigo isso. Nem pensem em fazer nada estúpido. Se mexerem comigo, nenhum de vocês sairá ileso.
Apesar da fala arrastada, o aviso tinha um tom assustador. Claro que Koy não tinha a menor intenção de se envolver com pessoas que lidavam com esse tipo de droga; por isso, abriu rapidamente a torneira para verificar o problema.
Logo outra voz masculina soou:
— Aaaah… queria eu ser um desses alfas dominantes. Eles podem encher a cara com isso a vida toda sem dar nada! Os desgraçados não ficam bêbados, não ficam viciados em droga nenhuma… Porra, e ainda nadam em dinheiro.
Em seguida, um cheiro ardido se espalhou pelo ar. Koy pensou que fosse cigarro, mas aquela fumaça que passou pelo seu campo de visão não era um cigarro comum. Outro sujeito acendeu aquilo e perguntou:
— Você já foi lá, né? Naquele negócio… a festa de feromônios. Eles usam drogas pra caramba por lá, não é?
— Tô curioso. Como é? Dizem que fica lotado de alfas dominantes. Eles têm mesmo aqueles olhos roxos?
— Ouvi dizer que há bebidas caras e drogas por todo lado e que eles simplesmente transam com qualquer um que pegarem.
— Isso sim é paraíso.
— É o paraíso.
Logo atrás, ouviu-se uma gargalhada estrondosa. Koy desmontou silenciosamente o sifão e verificou a sujeira acumulada dentro dele. Como esperado, havia restos de comida e uma massa desagradável e indefinida; ele começou a raspar tudo aquilo quando a voz de Nelson foi ouvida.
— Não importa o quão especiais eles sejam, quando os feromônios se acumulam, eles nem se lembram de nada. De qualquer forma, sem minhas drogas, essas festas nem funcionariam…
Enquanto ele continuava se gabando, outra mulher perguntou:
— Então você faz negócios com aqueles alfas dominantes mesmo fora das festas? Você tem o contato deles e tudo mais?
— Claro que sim. Quem você acha que eu sou? Quem mais nessa cidade consegue fornecer drogas de alta qualidade sempre que quiserem?
Em seguida, ele começou a listar com orgulho os nomes dos alfas dominantes famosos. Desde políticos até celebridades, presidentes de empresas, professores renomados — os nomes saíam um após o outro, e todos soltavam exclamações de admiração enquanto o ouviam com atenção.
— Então, aconteça o que acontecer, você não precisa se preocupar — comentou alguém.
Nelson assentiu com arrogância.
— É claro. Vocês sabem quem é o meu advogado?
Ao ouvir o nome que veio logo depois, as mãos de Koy, que se moviam habilmente, congelaram sem que ele percebesse.
— É o Ashley Miller. Vocês conhecem, né? Aquele cara do escritório Miller.
— O quê?
— Miller? Sério?
Como se refletissem o choque de Koy, os presentes começaram a gritar de todos os lados.
— Aquele lá é caríssimo! E você está dizendo que o Ashley Miller é o seu advogado?
— Nem pensar, é mentira.
— É, essa foi demais.
Quando as vaias começaram, Nelson explodiu imediatamente, berrando com uma voz áspera:
— Seus desgraçados, vocês estão dizendo que não acreditam em mim? O Ashley Miller era meu subordinado no colégio, sabiam disso?!
‘O quê?!’
Koy quase deixou escapar um grito de pura incredulidade. Conseguiu segurar, mas a reação de todos não foi muito diferente da dele.
— Aí, não dá. Você exagerou agora, cara.
— Tem que pegar mais leve com as drogas.
— É isso, faz buraco no cérebro. Igual no dele.
As gargalhadas seguiram, altas e caóticas. Todos riam descontroladamente. Os únicos que não riam eram Koy e Nelson.
Com o rosto vermelho e tremendo de raiva, Nelson levantou-se de repente e correu para algum local da mansão. Ele voltou em menos de um minuto — segurando uma arma.
— CALA A BOCA, SEUS FILHOS DA PUTA!
Nelson rugiu. Koy olhou ao redor, desesperado, mas aqueles que riam antes caíram novamente na mesma gargalhada estrondosa ao vê-lo assim. Pareciam totalmente fora de si, provavelmente por causa das drogas.
A visão atordoada de Koy, captou o momento exato em que Nelson puxou o gatilho — e então o som ensurdecedor de um disparo tomou conta do lugar.
A polícia, chamada pelos vizinhos, apareceu em menos de dez minutos e prendeu todos ali.
Infelizmente, Koy foi levado junto
***
Gritos, choros e roncos ecoavam de todos os lados. Encolhido dentro da cela apertada, Koy ainda estava atordoado. Não conseguia acreditar que havia sido preso. Ele só tinha ido até lá porque foi chamado para fazer um conserto — por que, então, precisava estar ali?
Desde o momento da prisão, ele insistiu que não estava envolvido, que não tinha nada a ver com aquilo, mas a polícia ignorou suas alegações e simplesmente jogou todos na mesma cela. Graças a isso, Koy acabou em uma cela apertada com viciados que ele nunca tinha visto antes, incluindo Nelson.
‘O que eu faço agora?’
Só conseguia pensar na cena deles usando drogas. ‘E se eu acabar com uma ficha criminal por causa disso?’ Só de imaginar essa hipótese fez sua cabeça latejar. Ele soltou um longo suspiro, sem perceber, quando—
— Nelson, faz alguma coisa!
Alguém gritou. Os poucos que ainda tinham um mínimo de consciência voltaram toda a atenção para ele. Quando Koy olhou também, inconscientemente, Nelson soltou um resmungo irritado:
— O que vocês querem que eu faça, seus merdas? A culpa é toda de vocês.
O rapaz que tinha gritado primeiro não se intimidou e rebateu:
— Faz a gente sair daqui! Você não disse que conhece um monte de gente? Liga pra alguém, manda tirarem a gente daqui!
— Ligar pra quem e dizer o quê?
Nelson zombou, como se aquilo fosse absurdo, e outro sujeito berrou do nada:
— Para o Ashley Miller! Você não falou que ele é seu advogado?!
Diante do nome inesperado, Nelson ficou completamente imóvel.
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Continua….
Tradução: Ana Luiza
Revisão: Thaís
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Em breve será disponibilizado uma sinopse!
Nome alternativo: Kiss Me If You Can