Ler Lamba-me se puder – Capítulo 139 Online
— Ainda não encontrou ele?
Era fim de semana, e Ariel, que tinha ido almoçar com Koy, franziu o rosto ao ouvir a confissão dele. Koy, constrangido, corou e murmurou:
— Ah, sim… é que eu estive ocupado.
— Você não veio para cá justamente para encontrar o Ash? O que poderia ser mais urgente do que isso?
Felizmente, o garçon chegou com as bebidas e os pratos pedidos. Só depois que ele se afastou, Ariel voltou a falar:
— Fala a verdade. Depois de ouvir e ver tudo o que tá rolando, você pensou que não valia a pena, não foi? Tudo bem se quiser desistir. É normal ficar desapontado. Eu até acho ótimo.
— Não, não é isso.
Koy balançou a cabeça, constrangido.
— Como eu poderia ficar desapontado sem nem tê-lo visto? É que… entre procurar casa e começar no trabalho… acabou não sobrando tempo.
— Você sabe que isso é desculpa, né?
Ariel não mudou nada — jamais aceitava fugas ou justificativas. Koy hesitou, até que finalmente falou, com dificuldade:
— Pra falar a verdade… eu tô sem coragem.
— Depois de vir até aqui?
— Pois é.
Koy sorriu sem graça e começou a mexer sem motivo nas batatas fritas.
— Agora que a chance é real, não parece tão simples. Vai que o Ash me esqueceu… ou, mesmo que lembre, e se já estiver namorando alguém? Aí eu só vou atrapalhar…
— Agora que a possibilidade é real, não é fácil. E se o Ash esqueceu de mim? Mesmo que se lembre, se ele estiver namorando alguém, eu só seria um incômodo…
Sua voz foi sumindo, sem confiança.
Ele sabia que Ashley não havia se casado. Ashley Miller era um dos advogados mais famosos da Costa Leste, um dos homens mais ricos do país. Sempre saíam notícias sobre ele; era fácil descobrir qualquer coisa de sua vida pessoal. Koy já havia visto fotos dele atualmente, é claro, e até mesmo do seu pai, Dominique Miller.
Dominique Miller tinha se aposentado alguns anos antes, deixando a empresa para o filho e desde então vivia recluso. Mesmo nas poucas fotos — claramente tiradas muito antes — dava para ver como Ashley se parecia com ele. Sobretudo aqueles cabelos loiro platinado, quase prateados, e os olhos violeta.
Mas não era igual.
Koy tinha certeza disso. Ele aceitava que Ashley não seria o mesmo de antes. Mas discordava totalmente da frase “tal pai, tal filho, iguaizinhos”. As pessoas diziam que eram cópias, mas, quanto mais Koy observava, mais diferentes eles pareciam. Principalmente a expressão — como podiam dizer que Ashley se parecia com Dominique, aquele homem de rosto frio e cruel como uma serpente? Era absurdo.
E também porque o rosto de Ashley sorrindo para ele ainda era tão vívido. Talvez por isso fosse tão difícil acreditar na reputação atual — e tão difícil encontrar coragem para ver com os próprios olhos.
‘O que vai acontecer quando eu encontrar o Ashley de novo?’
Koy já tinha imaginado isso de mil maneiras. Mas, agora que a possibilidade era real, o medo o dominava.
Talvez ele nem queira me ver…’
Ariel franziu o rosto diante da expressão desanimada e sem confiança de Koy, ficando um tempo sem dizer nada, até que finalmente mudou de assunto. De qualquer forma, aquilo era um problema entre os dois. Não era algo para outra pessoa ficar opinando, nem ela tinha essa intenção. Meter-se no namoro dos outros e fofocar sobre tudo era coisa de adolescentes. Eles agora eram adultos, e todas as decisões precisavam ser tomadas por eles mesmos. A responsabilidade pelos resultados também seria exclusivamente deles.
‘Se desistirem no meio do caminho, melhor ainda.’
Era o que ela pensava quando levou o sanduíche à boca.
— Ah, Al.
Ao ouvir alguém chamar, ela ergueu a cabeça e viu uma mulher de rosto familiar olhando para ela.
— Ah — disse Ariel, abaixando o sanduíche que segurava e cumprimentando-a com entusiasmo.
— Julie, oi. Quanto tempo. Como você está?
Depois de um leve abraço, elas se afastaram, e Julie continuou sorrindo:
— Que sorte te encontrar! Eu estava querendo te ver.
Ao dizer isso, Julie lançou um olhar rápido para o outro lado da mesa. Ariel, percebendo que ela espiava Koy, abriu a boca:
— Julie, este é Koy, meu colega do ensino médio.
— Olá, eu sou a Julie. Prazer em conhecê-lo.
O rosto de Julie iluminou-se quando ela estendeu a mão para Koy. Ariel conhecia bem esse tipo de situação. Era óbvio para qualquer um que Julie estava interessada em Koy. E Ariel não perdeu a oportunidade.
— Quer almoçar conosco? Você está com alguém?
Julie respondeu no mesmo instante.
— Não, posso sim. Eu já estava indo embora porque não tinha lugar para sentar.
As duas olharam ao mesmo tempo para Koy. Ele, claro, não tinha motivo para recusar.
— Obrigada.
Assim que ele concordou, Julie puxou a cadeira entre Ariel e Koy e sentou-se, sorrindo. Ariel levantou a mão para chamar um garçom e pedir o menu, enquanto examinava Koy com calma.
Depois de se formar no ensino médio, Koy de repente cresceu mais de dez centímetros. Os ombros ficaram consideravelmente mais largos e aquele rosto bonito — que ficava tão bem em roupas femininas — tornou-se bem mais masculino. Na verdade, ninguém tinha previsto que ele mudaria tanto. Provavelmente, os colegas de escola nem conseguiriam reconhecê-lo agora. Nem mesmo Ashley.
‘Aliás, nem eu imaginava que o Koy se tornaria um homem tão bonito.’
Mesmo já sendo um homem adulto, Koy ainda mantinha um ar juvenil que dava até um frescor ao seu visual. No colégio, ele era magro, frágil e tinha uma aura sombria, mas agora era impossível associar sua aparência atual àquela época. Do jeito que ele estava hoje, certamente faria muito sucesso. Assim como a mulher à sua frente demonstrava claramente.
O problema era que Koy ainda era desajeitado demais. Mas talvez isso fosse parte do charme. E combinava bem com sua imagem juvenil e inocente.
Julie também parecia ter gostado de Koy, já que o sorriso simplesmente não saía do rosto dela. Observando Koy, que respondia de forma atrapalhada enquanto era levado pela conversa habilidosa de Julie, Ariel tomou seu drink com satisfação. Já estava pensando que era hora de, aos poucos, encontrar uma brecha para deixá-los a sós.
E, perto do final da refeição, Koy trocou contatos com Julie.
***
Koy recebeu um serviço do chefe para ir até uma mansão nos arredores da cidade numa tarde de sexta-feira. Ele finalmente conseguiu sair do trânsito completamente parado e avançou por um trecho mais tranquilo da estrada cercada pela floresta. Os dias estavam correndo de forma caótica, mas ele já estava se adaptando bem. No fim de semana, combinara de ir ao cinema com Julie. Desde que se mudara para o Leste, era a primeira vez que ele marcava um encontro com alguém que não fosse Ariel. O fato de essa pessoa não ser Ash deixava um peso no fundo do seu peito.
Mas não havia o que fazer. Na semana anterior, ele finalmente reunira coragem para procurar Ashley. Parado diante do prédio luxuoso onde ficava o escritório de advocacia, ele já se sentia intimidado — mas mesmo assim se obrigou a entrar. No entanto, acabou sendo detido pelo segurança antes mesmo de alcançar a recepção. No momento em que mencionou querer ver Ashley Miller, ele foi expulso. Trataram-no como um vagabundo ou até um terrorista.
〈É óbvio demais.〉
Depois de ouvir o que acontecera, Ariel declarou de imediato:
〈’Agora você entende? Ashley Miller se tornou alguém inacessível, até mesmo para mandar uma simples mensagem’.〉
Ele percebeu que havia sido ingênuo. Mas ele não podia simplesmente desistir. Precisava de uma abordagem diferente, não apenas aparecer aleatoriamente e deixar seu nome. Enquanto dirigia, perdido em pensamentos, ele sem perceber chegou ao seu destino.
As mansões luxuosas que ladeavam o caminho ficavam tão afastadas da rua que o silêncio ao redor era absoluto. Vendo os carros de alto padrão estacionados em frente à propriedade onde deveria fazer o serviço, Koy pegou as ferramentas da velha caminhonete em que veio e seguiu para a porta.
Seu trabalho era verificar a pia da cozinha, cujo sistema de drenagem não estava funcionando corretamente. O chefe havia explicado que, quando os primeiros donos compraram a casa, a empresa deles cuidou de toda a reforma e decoração do interior, e desde então faziam manutenções frequentes. Em outras palavras, era um cliente regular.
Koy pigarreou e tocou a campainha da entrada. Lembrando-se da orientação do chefe —’É um cliente difícil, então evite falar ao máximo possível.’ — ele ficou parado, esperando. Do lado de dentro, ouviu passos se aproximando. Pouco depois, a porta se abriu.
— Boa tarde, eu…
Koy, prestes a oferecer um sorriso e uma saudação padrão, congelou de surpresa. O homem à sua frente estava de pijama e um roupão, como se tivesse acabado de rolar na cama, com o cabelo espetado para todos os lados. Seus olhos sonolentos e tez pálida o faziam parecer doente, mas não foi sua aparência que chocou Koy.
Mesmo tendo passado mais de dez anos, ele reconheceu aquele homem na mesma hora. Como poderia esquecer? Era o rosto do agressor que havia transformado sua vida em um inferno — até o dia em que Ashley o salvou.
Nelson.
Koy ficou completamente pálido, encarando-o fixamente, incapaz de dizer qualquer coisa.
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Continua….
Tradução: Ana Luiza
Revisão: Thaís
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Em breve será disponibilizado uma sinopse!
Nome alternativo: Kiss Me If You Can