Ler Lamba-me se puder – Capítulo 138 Online
A expressão dela estava mais séria do que nunca. Observando o rosto de Ariel, sem qualquer traço de sorriso, Koy abriu a boca.
— Tudo bem.
Ele logo acrescentou:
— Eu confio no Ash.
O rosto de Ashley, sorrindo radiante para ele, ainda surgia vívido diante de seus olhos. Assim como a expressão devastada dele ao virar as costas. Aquilo ainda fazia o peito de Koy doer e ele abaixou a cabeça, fingindo beber o vinho para disfarçar as lágrimas que acumulavam em seus olhos.
‘A natureza de uma pessoa não muda.’
Então tudo ficaria bem. Apesar de todos os artigos e rumores sobre o advogado Ashley Miller, Koy acreditava.
Para ele, Ashley ainda era o mesmo de antes — o mesmo Ashley Miller de sempre.
Ariel o observou em silêncio e não disse mais nada.
— Foi realmente bom rever você.
Ariel disse isso enquanto o abraçava de maneira afetuosa. Koy a abraçou de volta e em seguida, apertou a mão de Garrett.
— Obrigado pelo convite. Foi um prazer conhecê-lo, Garrett.
— Venha de novo qualquer dia.
— Me liga, hein? Com frequência.
Koy acenou com a cabeça diante das palavras de Garrett e Ariel, trocou mais algumas despedidas e então se virou. Vendo aquelas costas, que pareciam tão deslocadas na familiar paisagem noturna, Ariel ficou parada por um momento, sentindo um desconforto estranho. Só depois que Koy dobrou a esquina no final da rua e desapareceu completamente é que Ariel respirou fundo e finalmente se virou e entrou no prédio.
— O nome da pessoa que ele está procurando é Ash? — perguntou Garrett, segurando o ombro de Ariel enquanto caminhavam pelo corredor e ele pressionava o botão do elevador.
Ariel acenou com a cabeça brevemente e então falou:
— Sim, Ashley Miller.
O som do elevador chegando ecoou pelo corredor vazio como um efeito sonoro perfeitamente sincronizado. Garrett arregalou os olhos e olhou para Ariel. Ela continuou olhando para frente quando disse:
— Isso mesmo. Aquele Ashley Miller. O advogado.
E, deixando Garrett totalmente paralisado no lugar, ela entrou pelas portas que se abriram. Ele entrou às pressas logo depois, ainda com uma expressão de choque estampada no rosto.
— Não… não é possível! De verdade? Aquele Ashley Miller?
Garrett repetiu a mesma pergunta diversas vezes, mas nada mudou. Ariel pressionou o andar de destino, recuou e murmurou com indiferença:
— Quando o Koy encontrar ele, vai descobrir sozinho o quanto aquele desgraçado virou um completo filho da mãe.
***
— Jess, quero um café. Com três doses de expresso.
— Sim, doutora.
Ao passar pela mesa e dar a ordem, o secretário se levantou rapidamente para preparar o café. Ele também não esqueceu o brownie cheio de chocolate que ela tanto gostava. Só depois de dar um gole no café que o secretário havia trazido e colocar o brownie na boca é que a advogada finalmente suspirou e se afundou profundamente na cadeira. O secretário, confirmando que os nervos afiados dela estavam enfim se acalmando, se aventurou a falar.
— Hoje a senhora parece especialmente cansada, doutora.
— Nem me fale.
Ela disse isso abanando a mão.
— O outro lado veio bastante preparado. Ah, e separe aqueles materiais do julgamento do Billy Austin da outra vez. Acho que vai ser útil.
— Entendido.
Ele estava prestes a sair, mas hesitou. A advogada ergueu o olhar, como quem pergunta o que houve, e o secretário, após uma breve hesitação, mostrou um sorriso constrangido.
— Ahn… eles não têm chance de ganhar, certo? Os danos pareciam bem claros, então…
Ao ouvir a pergunta cautelosa, a expressão da advogada ficou rígida. O secretário riu rapidamente, tentando disfarçar.
— Não, é que… eles estão resistindo melhor do que eu pensava. Mas duvido que eles realmente achem que podem ganhar contra a Morgan Pharmaceuticals…
— É contra a Miller.
— Perdão?
O secretário parou ao ouvir as palavras da advogada. Ela o encarou com olhos afiados e disse:
— Eles não estão enfrentando a Morgan. Estão enfrentando o escritório Miller. Não existe a menor chance de algum ser humano, que mal ganha mil dólares por semana, nos vencer.
— Humanos, na verdade…
Quando o secretário corrigiu com cuidado, a advogada soltou um suspiro impaciente.
— E então? O que muda se eles se unirem?
O secretário baixou os olhos, evitando o olhar dela.
— …Nada.
— Caia na real, ‘Querido’ Will
A advogada disparou, sem nenhuma piedade:
— Nós estamos aqui para fazer o nosso trabalho. Se você quisesse lutar pelos fracos e oprimidos, deveria estar trabalhando para um defensor dos direitos humanos, não na Miller.
— Desculpe.
Ele se desculpou rapidamente, mas ela não parou por aí.
— Quando sentir que está perdendo o foco, memorize isto: nosso chefe é o Ashley Dominique Miller. E ele não tolera falhas.
— Pois é. Ele também é um Miller ‘Dominique’, afinal.
A advogada encerrou o assunto com firmeza, diante do secretário que havia concordado a contragosto:
— Não se esqueça: nós trabalhamos para um monstro pior do que o próprio pai dele era.
Então ela arrancou mais um pedaço do brownie e o jogou na boca, como se quisesse enfatizar. O secretário, sem ter o que fazer, saiu quase fugido da sala.
E antes que o fim de semana chegasse, mais uma matéria anunciando a vitória do escritório Miller havia se espalhado pelos jornais.
***
— Sabia que iam perder. Era óbvio.
Com o resmungo do chefe, Koy parou o que estava fazendo e olhou para ele. O chefe, ainda segurando o celular, colocou-o de qualquer jeito no bolso de trás da calça. Prestes a voltar ao trabalho com o martelo, ele encontrou o olhar de Koy e pigarreou, meio sem jeito.
— Aquelas pessoas que tinham entrado com ação por causa dos efeitos colaterais do novo medicamento. Perderam o processo, claro. Desde que saiu a notícia de que a Morgan Pharmaceuticals tinha contratado o escritório Miller, todo mundo já imaginava. Os Miller, aqueles desgraçados. Um dia Deus ainda vai castigar eles, pode escrever.
Koy, que estava prestes a voltar ao trabalho, congelou ao ouvir o nome que não podia simplesmente ignorar.
— …Miller?
— Sim. Ah, é mesmo, você falou que veio da Costa Oeste, não foi?
Um dos funcionários, que também tinha ficado com cara de bobo, deu de ombros e voltou ao trabalho. O chefe continuou falando enquanto encaixava as tábuas do tamanho já medido:
— Dizem que, se você pagar bem, eles são capazes de declarar o próprio Diabo inocente. Nesse julgamento agora mesmo, as vítimas se uniram porque aquele remédio claramente causou efeitos colaterais, mas aqueles bastardos conseguiram fazer o caso ser julgado improcedente com algum argumento esfarrapado que o Miller inventou. Aquelas pessoas apostaram suas vidas nesse processo. Todas elas devem estar falidas agora—como é que vão viver agora? Malditos sejam, merecem arder.
— Hm…
Diante da torrente de maldições, Koy piscou, constrangido e então abriu a boca cuidadosamente.
— Será que existe a chance desses efeitos colaterais… não terem sido reais…?
Imediatamente, o chefe fez uma careta.
— Koy, você está nos Estados Unidos. Aqui, com dinheiro, você faz qualquer coisa. E gente como nós nem consegue consultar o escritório Miller. Você sabe quanto é a taxa inicial deles? Vários milhões de dólares, só pra começar. Acha mesmo que dá pra ganhar deles? Nem pensar. Nunca.
O chefe balançou a cabeça novamente e encaixou com força a borda da tábua no lugar. Koy observou em silêncio por um tempo antes de voltar a conectar o cano da água.
Havia pouco mais de um mês que Koy conseguira um emprego em uma pequena empresa especializada em reformas e consertos, graças ao reconhecimento de suas habilidades. Era tão pequena que chamar de empresa até parecia exagero, mas o chefe era uma boa pessoa e os dois ou três funcionários que trabalhavam com ele eram, no mínimo, decentes. O custo de vida absurdo e o aluguel caríssimo tornavam tudo mais difícil do que ele imaginava, mas a privação de recursos nunca fora estranha para ele. Não tinha do que reclamar. Era o que ele havia esperado — e, para ser sincero, não era um começo ruim.
No entanto, o que fugia completamente das suas expectativas era a reputação de Ashley Miller. Ele ouvira comentários de todos os lados, mas todas as histórias terminavam do mesmo jeito.
O Demônio do mundo jurídico.
Sempre que alguém falava sobre ele, fazia questão de destilar maldições. Ashley Miller era alvo de ódio — todos se apressavam para difamá-lo. E não era para menos: em qualquer grande processo contra grandes corporações, o nome do escritório Miller estava lá. E ele sempre vencia. Sem se importar com os métodos. Por isso mesmo, as pessoas dali diziam sem hesitar que, se o adversário fosse o escritório Miller, o melhor era desistir.
Mas, apesar de tudo, Koy ainda não conseguia acreditar. O Ashley Miller que vivia em sua memória nunca poderia ser aquele homem de quem todos falavam. O rosto de Ashley sorrindo radiante para ele ainda estava vívido em sua mente. Já se passaram mais de dez anos; tempo suficiente para qualquer pessoa mudar. Mas a essência não muda. ‘Ashley Miller não poderia ter mudado’. Ele repetiu isso para si mesmo enquanto conectava o cano da pia da cozinha.
Ele julgaria a verdade por si mesmo, depois de encontrá-lo pessoalmente.
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Continua….
Tradução: Ana Luiza
Revisão: Thaís
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Em breve será disponibilizado uma sinopse!
Nome alternativo: Kiss Me If You Can