Ler Lamba-me se puder – Capítulo 137 Online
Ao pisar no aeroporto, Koy sentiu-se como se estivesse meio fora de si. O ar da costa leste era completamente diferente daquele da costa oeste, onde ele tinha vivido até então. Aqui, não havia o calor ensolarado, nem a brisa fresca e suave que o acompanhava todos os dias. Tampouco havia os sorrisos descontraídos das pessoas, tão acolhedores quanto o próprio sol.
Ele se assustou com a pressa das pessoas que passavam rapidamente por ele com expressões impassíveis. Encolhendo os ombros, continuou a caminhar. Aquele céu cinzento, no lugar do azul límpido ao qual estava acostumado, lhe causou uma estranha sensação. Esforçando-se para não trombar com as pessoas que corriam como cavalos de corrida olhando apenas para a frente, Koy puxou sua mala com empenho.
Depois de finalmente chegar ao motel que havia reservado, ele se acomodou e antes de qualquer outra coisa, começou a procurar uma casa para morar. No metrô as pessoas esbarravam nele sem sequer olhar para trás — tudo lhe parecia estranho. Koy sentiu como se tivesse entrado em outra dimensão enquanto as horas simplesmente passavam.
— Koy, que bom que você chegou!
Quando a amiga da escola abriu a porta e o viu, ela imediatamente o abraçou com entusiasmo. Só então Koy conseguiu relaxar e a abraçou de volta.
— Quanto tempo, Al. Tudo bem com você?
— Claro que sim! Entra.
Al abriu passagem para que ele entrasse no apartamento. Ao entregar-lhe o buquê de flores que havia trazido, Koy se deparou com um homem que ele nunca tinha visto antes, o que o fez parar por um instante. O homem sorriu e estendeu a mão.
— Olá, ouvi falar muito de você. Sou Garrett White, o namorado da Al.
— Ah, sim. Eu sou Connor Niles, colega de classe da Al. Pode me chamar de Koy.
Depois de trocarem um aperto de mão, Ariel se interpôs entre os dois.
— Você deve estar com fome, né? Já está quase tudo pronto. Quer beber alguma coisa antes? Eu preparei vinho.
Ariel conduziu Koy até a sala de estar e logo voltou com uma taça de vinho. Enquanto ela e Garrett terminavam os preparativos, Koy os observou enquanto bebia calmamente.
Segundo Ariel havia contado antes, Garrett era jornalista e trabalhava na mesma redação que ela. Eles moravam juntos havia cerca de seis meses e até o momento, pareciam estar se dando muito bem. Enquanto arrumavam a mesa, trocavam pequenas brincadeiras e mesmo sem falar, moviam-se de forma sincronizada, como se estivessem habituados à presença um do outro.
Quando terminaram e se sentaram à mesa, Koy arregalou os olhos ao ver a quantidade de comida. Ariel sorriu, sentando-se, e perguntou:
— A viagem foi cansativa? Conseguiu encontrar um lugar para ficar?
Koy recebeu o prato com salada que ela lhe serviu e respondeu:
— Ainda estou procurando. Vi dois lugares hoje, mas vou começar a procurar pra valer a partir de amanhã.
— O aluguel aqui não é brincadeira.
Garrett comentou com expressão preocupada. Era algo para o qual Koy já estava preparado, então ele apenas sorriu de forma um pouco desconfortável. Na verdade, esse era um dos motivos pelos quais Ariel havia começado a morar com Garrett — dividir o aluguel absurdo. Encontrar colegas de quarto era algo bastante comum. Koy já imaginava que acabaria tendo que fazer o mesmo.
— Não é melhor ficar na costa oeste? O clima lá é tão bom .
Antes que Koy respondesse, Ariel entrou na conversa.
— Viver em outro estado uma vez na vida também é bom. Eu mesma vim parar aqui, não foi?
Ariel havia se mudado para a costa leste pouco depois de se formar. Desde então, trabalhava ali como repórter, e com o tempo acumulou uma boa experiência, tornando-se alguém relativamente conhecida. A ajuda dela também foi fundamental para que Koy conseguisse chegar até ali.
Koy anunciou que iria para a costa leste pouco tempo depois que o pai faleceu e todos que o conheciam ficaram igualmente surpresos. É claro, uma reação absolutamente natural — e ele não se sentiu nem um pouco desconfortável com isso.
‘Por que de repente?’
A dúvida de todos era sempre a mesma. Afinal, Koy tinha vivido a vida inteira na mesma cidade, na mesma vizinhança. Ele decidindo ir para um lugar onde não conhecia ninguém, ainda por cima para o extremo oposto do país, era algo que deixava qualquer um curioso. Mas Koy apenas respondia que queria ir. As únicas pessoas que conheciam o real motivo eram Ariel e Bill, só os dois.
Juntar dinheiro para pagar a passagem de avião e sobreviver até conseguir um trabalho na costa leste levou anos. Mas, no fim, ele conseguiu — e estava ali.
— Ainda não consigo acreditar. Você realmente está aqui.
Depois do jantar, eles seguiram para a sala com algumas bebidas, Ariel iniciou uma conversa. Ela realmente parecia não acreditar que Koy iria mesmo para o leste. Talvez tivesse pensado que ele desistiria no meio do caminho. Quando soube que Koy e Ashley tinham namorado e terminado, Ariel reagira da mesma forma. Se Bill não tivesse presenciado tudo pessoalmente, ele também não teria acreditado nas palavras de Koy.
Koy ainda lembrava com total clareza do dia em que os três se sentaram no Green Bell e ele contou tudo o que havia acontecido. No começo, Ariel franziu o rosto, desconfiada. Mas quando Bill, com muita seriedade, confirmou que era tudo verdade, ela acabou ficando sem palavras.
Mesmo assim, isso não significava que eles concordassem com a decisão de Koy. Ir para a costa leste apenas para ver Ashley era um absurdo. Na opinião deles, Koy acabaria desistindo por conta própria. Era óbvio, afinal, arriscar a vida inteira por alguém com quem já não tinha mais contato, alguém com quem tudo havia acabado — era uma ideia impensável.
Mas Koy finalmente tinha conseguido. Ariel se lembrou do dia em que recebeu a ligação dele. Não apenas naquele dia, mas até agora, sentada ali frente a frente com ele, tudo ainda parecia surreal. Quem diria que Koy realmente faria aquilo.
Quase dez anos haviam se passado desde então. Durante esse tempo, Koy trabalhou sem descanso, dia e noite, juntando dinheiro até finalmente conseguir chegar ali. Ariel, de repente, sentiu uma expressão emocionada tomar conta do próprio rosto. Já fazia vários anos desde que ela própria deixara a costa oeste. Logo, os dois mergulharam em uma conversa animada sobre o passado.
— Como está a Whitney? Ela está bem?
Ariel perguntou, animada, sobre a colega do ensino médio e irmã de clube. Koy imediatamente respondeu com o que sabia. Uma das irmãs tinha se casado logo após o colegial e já havia tido seu terceiro filho; outra havia começado um pequeno negócio que estava indo muito bem; outra tinha se mudado para outro estado e ninguém mais sabia notícias dela; e assim por diante.
— O Bill vai mudar de equipe nesta temporada.
— Ah, é? — respondeu Ariel, distraída, tomando um gole de vinho. Bill havia se tornado profissional e jogava em um time de hóquei no gelo. Ele provavelmente estaria entre os cinco ex-alunos mais bem-sucedidos.
Eles compartilhavam alegremente lembranças do passado, rindo, com Garrett dando risadas e inserindo comentários ocasionais, até que ele interveio.
— Mas, Koy, o que te trouxe até aqui? Deve ter sido difícil deixar para trás a cidade onde você vivia. Todos os seus amigos estão lá, não é?
Ariel, já um pouco bêbada, lançou a Garrett um olhar hostil. Era um aviso, criticando a pergunta desnecessária, mas Koy a conteve.
— Está tudo bem, Al. Você está certo, Garrett. Eu vim porque tenho um objetivo aqui.
— …Que tipo de objetivo?
Dessa vez, Garrett olhou para Ariel antes de perguntar com cautela. Ariel suspirou e respondeu no lugar dele:
— Ele veio encontrar alguém. Pronto, satisfeito agora?
— Ah, entendi… Então, nesse caso, você não precisa necessariamente ficar aqui, certo? Uma viagem curta já bastaria.
Ariel tirou as pernas que descansavam confortavelmente sobre a coxa de Garrett e se desculpou com Koy:
— Desculpa, Koy. Ele também é jornalista, então fala demais. Ficar perguntando é parte do trabalho dele.
— Al, eu só queria ser amigável…
Vendo Garrett protestar, Koy deu um sorriso amargo e balançou a cabeça.
— Está tudo bem, Al. Então, Garrett. É que… como posso dizer…? Tem alguém que eu quero encontrar, mas não é fácil me encontrar com essa pessoa… então eu vim tentar uma oportunidade… Ou seja, se surgir uma chance, eu gostaria de vê-lo…
Diante da explicação atrapalhada de Koy, incapaz de encontrar palavras melhores, os olhos de Garrett brilharam e ele fez uma sugestão:
— Você está procurando por alguém? Quem? Sem problema, isso é minha especialidade. Pode falar. Eu encontro essa pessoa até amanhã — não, no máximo em uma semana — e faço vocês se encontr—
— Garrett White.
Ariel finalmente franziu a testa e chamou seu nome completo. Garrett parou no mesmo instante. Ariel o encarou com uma expressão severa:
— Ele sabe onde a pessoa está. Não é alguém difícil de encontrar. Então você não precisa se oferecer para ajudar.
— …Certo.
— Obrigada.
Com o rosto rígido após encerrar o assunto, Ariel voltou sua atenção para Koy.
— Você sabe que não há garantia de que ele vá te receber, certo?
O tom dela, diferente daquele usado com Garrett, era mais suave. Koy sorriu sem jeito.
— Tudo bem. Eu…
Ele hesitou e baixou o olhar.
— Eu só… quero vê-lo mais uma vez.
Foi por isso que ele veio, disposto a viver ali sem promessa alguma. Ashley talvez nunca aceitasse encontrá-lo. Mas, morando na mesma cidade, talvez um dia eles se cruzassem por acaso nas ruas. Era tudo o que Koy desejava. Ariel o observou por um momento antes de falar:
— Ele mudou muito desde aquela época. Se você pensar nele como antes, vai acabar se decepcionando bastante.
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Continua….
Tradução: Ana Luiza
Revisão: Thaís
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Em breve será disponibilizado uma sinopse!
Nome alternativo: Kiss Me If You Can