Ler Lamba-me se puder – Capítulo 135 Online

Modo Claro

 

― Terminamos.

Ao ouvir a voz monótona, Ashley abriu os olhos. A equipe médica estava recolhendo os instrumentos depois de retirar a agulha de seu braço. Ele se sentou na cama, abaixou a manga e ajeitou a roupa.

Seu olhar acabou encontrando o próprio rosto refletido no espelho pendurado na parede. Os olhos fundos e as olheiras se destacavam em seu rosto pálido. Não era nenhuma novidade, então ele apenas passou a mão pelos cabelos e se virou.

Usando uma camisa branca com alguns botões abertos, sem gravata, e um terno por cima, Ash saiu para o corredor. A mulher que o aguardava ali, a secretária de seu pai, endireitou a postura.

Ashley passou por ela sem sequer olhar em sua direção, embora ela tivesse esperado por horas durante o procedimento. Como se já esperasse tal reação, a secretária prontamente o seguiu e falou.

― O senhor está se sentindo bem? O Stewart disse que seus feromônios estavam bastante acumulados.

― Já não estão.

Era óbvio. Ele havia usado a injeção para drená-los. A secretária continuou andando ao lado dele sem permissão:

― O senhor Dominique Miller pediu que eu verificasse seu estado. Ele anda preocupado por você continuar removendo os feromônios desse jeito, usando medicamentos.

Ashley riu alto ao ouvir isso. A risada irritada fez a secretária se calar.

― Preocupado? Ele? Comigo?

Ashley perguntou, sua voz ainda carregada de riso. O tom sarcástico que retornou impiedosamente já era quase rotineiro. A secretária acrescentou com sua expressão habitual e impassível:

― Ele também perguntou se o fato de o senhor não conseguir removê-los de maneira normal teria relação com aquele garoto.

Pela primeira vez, os passos de Ashley hesitaram. Mas o momento durou pouco. Ele voltou a caminhar e respondeu:

― Maneira normal? Você diz aquele amontoado de pessoas nuas, fazendo sexo?

― A maioria dos alfas dominantes fazem assim.

Ashley virou o rosto para ela. Toda a sua expressão era puro desdém.

― Porque muitos fazem, isso torna normal?

― Então… é por causa do senhor Niles?

Surpreendentemente, a secretária evitou o olhar. Ash virou o rosto e voltou a encarar o caminho à frente. ‘Se ele dissesse que era por causa do Koy, aquele homem provavelmente diria para fazer exatamente isso. Que seria melhor do que usar injeções.’

Mas agora, Ash recusava aquilo com todas as suas forças.

Se eu o encontrar de novo, posso acabar matando ele.

Ao sair do prédio e atravessar em direção ao estacionamento, a secretária continuou:

― Se o senhor não quer tirar os feromônios em festas, ele pediu para procurar um parceiro fixo. Selecionei alguns candidatos em potencial. Não seria má ideia conhecê-los.

Eles já tinham chegado até o carro que Ashley havia estacionado. Assim que ele subiu na Bentley Bentayga e antes que pudesse dar a partida, a secretária estendeu a pasta de documentos que carregava. Sem alternativa, Ashley abaixou o vidro e pegou a pasta. A secretária então disse:

— Recomendo que o senhor encontre todos, se possível. Mas, se não quiser, basta escolher algumas pessoas que lhe agradem nesta lista e me avise. Nós definiremos a data e o local.

Sem responder, Ashley jogou a pasta de qualquer jeito no banco do passageiro e arrancou com o carro. A secretária permaneceu onde estava, apenas observando o veículo se afastar.

Ao sair do estacionamento e entrar na rua, o carro rapidamente se misturou ao trânsito intenso. As buzinas soando de todos os lados não o incomodavam mais; ele já estava acostumado. Ashley esfregou o braço, onde ainda restava uma sensação de ardência, enquanto mantinha os olhos fixos à frente.

Dominique nunca havia comentado nada do tipo, e por isso ficou claro: ele só estava fazendo aquela sugestão porque a formatura de Ashley estava próxima. Formar-se e casar logo em seguida — era um padrão entediante, repetitivo. Mas também o mais seguro.

O fato de Dominique, que permaneceu em silêncio até agora, fazer tal proposta provavelmente se devia à sua formatura iminente. Casamento após a formatura – um padrão clichê e entediante. Mas também era o mais seguro.

Durante toda a faculdade, ele nunca namorou ninguém. Não era que ele estivesse se esforçando para evitar; ele simplesmente não sentia vontade. Ele foi a algumas festas para liberar feromônios. Mas o cheiro dos feromônios dos ômegas era repugnante para ele, e após repetidos episódios de náusea e quase desmaiar, o único método restante eram as injeções para extrair os feromônios.

Por ter se tornado praticamente uma cobaia, o medicamento melhorou aos poucos, e aqueles dias em que passava mal por vários dias, enjoado e sem forças, foram diminuindo com o tempo.

O doutor Stewart, responsável por acompanhá-lo, demonstrava pena de Ashley, mas também uma satisfação visível por conseguir uma amostra rara de um alfa dominante. Não existiam instituições especializadas em pesquisar alfas dominantes — e alguém se oferecer como voluntário? Era algo quase impossível.

Claro que não era porque ele queria. Apenas não havia outro jeito. Mas até esse método começava a cansá-lo.

Dominique não estava errado. Se ele tinha que liberar feromônios regularmente de qualquer maneira, o casamento era o método mais seguro e racional. Não importava com quem.

Quando o carro parou no semáforo, Ashley tirou um cigarro do bolso e o colocou na boca. Ao inalar profundamente a nicotina, uma sensação de alívio a invadiu.

Ele começou a fumar inicialmente para suportar o cheiro opressivo e misturado dos feromônios nas festas, mas agora fumava constantemente, sem motivo aparente. Ele também experimentou álcool e drogas, mas sendo um alfa dominante, ele não ficava intoxicado ou viciado. Sua vida havia se tornado verdadeiramente entediante.

O sinal abriu, e Ashley voltou a dirigir. Pela janela ainda aberta, o vento entrou junto com o cheiro de poluição. Ele apertou o botão e fechou o vidro.

 

***

 

O nome dela era Melanie. Alguém havia comentado que ela seria uma combinação perfeita para Ashley. Ele a conheceu depois de já ter se encontrado com outras seis pretendentes.

Considerando a classificação de Ashley, Dominique tinha definido todos os encontros com ômegas. O fato de todas serem mulheres se devia ao histórico: Ashley havia namorado apenas mulheres antes. Apenas Koy fora uma exceção — o único homem. E Dominique, baseado nisso, concluiu que ele teria mais interesse em mulheres do que em homens.

Mas, para Ashley, tanto fazia. Mulher, homem, aquilo não tinha a menor importância. Desde “aquele dia”, nada mais despertava seu interesse. A vida era entediante, e entediante, e novamente entediante. Viveria a vida que lhe foi imposta, e um dia acabaria morrendo. Essa era a única fonte de conforto que lhe restava.

Por isso, mesmo quando chegou ao local na hora marcada, ele não sentia qualquer expectativa. As candidatas anteriores foram rejeitadas simplesmente porque o cheiro delas não lhe agradou. Duas, inclusive, tinham feromônios tão fortes que o fizeram vomitar. Nesse aspecto, Melanie foi a primeira de quem ele gostou desde o início. O cheiro de feromônios nela quase não existia.

— Eu… eu não exalo muito cheiro… a menos que eu esteja no ciclo de cio…

Ela disse isso com a voz envergonhada, o fim da frase se perdendo. Mas, para Ashley, isso era ótimo. Eles conversaram naturalmente durante a refeição, caminharam juntos depois, ele a levou de carro até sua casa.

— …Hm…

Depois de acompanha-la até a porta, Melanie o chamou no momento em que ele se virou para partir. Ashley parou e olhou para trás. Então, ela hesitou antes de perguntar:

— Podemos… nos ver de novo?

Sua voz tremia levemente. Embora estivesse claramente muito nervosa, Ashley não sentiu nenhuma comoção. Ele teria que se casar com alguém da lista de qualquer maneira. Pensando que não haveria mal em vê-la mais uma vez, ele acenou com a cabeça. Imediatamente, o rosto de Melanie iluminou-se e suas bochechas coraram. Ashley ficou parado, olhando para ela, e então falou:

— Gostaria de ver um filme comigo no fim de semana?

— S-sim, claro!

Melanie respondeu imediatamente. Ashley esboçou um leve sorriso. O olhar dela ficou vago por um instante, quase atordoado, e ele disse, em um tom mais suave:

— Então eu passo para buscá-la no sábado às quatro. Tudo bem?

— Sim, claro. Está ótimo, perfeito!

Ela repetiu a mesma resposta várias vezes, completamente corada, antes de se despedir apressada e entrar em casa. Ashley permaneceu ali por alguns instantes, depois se virou e voltou ao carro.

Ela era diferente das candidatas anteriores em vários aspectos. A ideia de “simplesmente casar com qualquer uma” começou a mudar dentro dele. Ele queria conhecê-la melhor. E os encontros, que aconteciam apenas nos fins de semana, passaram a ocorrer a cada três dias. Logo, os dois estavam trocando mensagens com frequência.

O assunto do casamento entre as duas famílias começou de forma mais séria, cerca de um mês antes da formatura.

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°

Continua….

 

Tradução:  Ana Luiza

Revisão:  Thaís

 

 

 

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Em breve será disponibilizado uma sinopse!
Nome alternativo: Kiss Me If You Can

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