Ler Lamba-me se puder – Capítulo 133 Online
Enquanto subia as escadas, o coração de Koy batia cada vez mais rápido. Como será que Ashley vai reagir ao vê-lo? Ele nem ousava imaginar. Mas, em vez de diminuir o passo, seus pés só aceleravam. O desejo de vê-lo, de reencontrá-lo o quanto antes, superava qualquer outro pensamento.
Quando finalmente parou diante da porta do quarto do segundo andar, onde Ashley estava, seu peito arfava tanto que chegou a sentir uma leve tontura. Koy respirou fundo e segurou a maçaneta. A mão tremia, mas, com esforço, ele conseguiu girar e abrir a porta.
Um vento fresco foi o primeiro a recebê-lo. Logo depois, a cena comum de um quarto amplo se revelou além da porta escancarada: uma cama king-size de um lado, uma lareira do outro. De costas para ele, um homem alto e de ombros largos olhava pela varanda.
Era ele.
Koy conteve a respiração e deu um passo hesitante para dentro. Quando fechou a porta atrás de si, o barulho distante da festa lá embaixo se tornou apenas um eco vindo da varanda.
Deu alguns passos trêmulos — e, então, o outro pareceu perceber a presença dele. Lentamente, virou o rosto.
Ah…
Koy parou onde estava. E Ashley também. Ficaram os dois imóveis, apenas se encarando em silêncio. O vento bagunçava levemente os fios platinados de Ashley, e aqueles olhos violeta — os mesmos que Koy tanto lembrava — o fitavam fixamente.
‘É o Ash.’
Os olhos de Koy embaçaram, e ele fungou, tentando conter as lágrimas. Ashley parecia o mesmo, e ao mesmo tempo… diferente. Vestia camisa branca, gravata e um terno impecável — um visual que lhe conferia uma distância fria, quase inalcançável.
Enquanto Koy hesitava, sem saber o que fazer, Ashley moveu-se primeiro. Mas o único gesto que fez foi erguer lentamente uma das mãos.
Ah…
Koy voltou a hesitar. E então percebeu o que causava aquela sensação estranha.
Ashley estava fumando.
Ficou olhando, em silêncio, para o cigarro com a ponta incandescente quando Ashley, tragando a fumaça, a expeliu lentamente, o rosto sereno, indiferente.
Aquela imagem — tão familiar, tão natural — deixou Koy sem palavras. As lágrimas, que há pouco ameaçavam cair, secaram de repente. Ele pigarreou, tentando disfarçar o embaraço, e finalmente conseguiu falar:
— Hã… já faz um tempo.
— …É.
Ashley respondeu, a voz baixa e contida. O simples fato dele não o ignorar já bastou para Koy sentir um pequeno alívio.
— V-você… fuma agora?
Tentando parecer natural, Koy buscou um assunto qualquer. Ashley levou o cigarro aos lábios novamente, como se fizesse de propósito, e respondeu:
— Não sou mais um atleta.
— É…
Ainda assim, eles não tinham idade suficiente para comprar cigarros ou álcool. Ashley definitivamente havia mudado. O olhar frio em seu rosto enquanto encarava Koy era especialmente evidente. Por causa disso, Koy permaneceu ali, incapaz de se aproximar mais dele. O vento soprou outra vez. O céu, agora tingido pelo entardecer, se estendia atrás de Ashley — um tom azul-escuro profundo que se estendia infinitamente
A fumaça do cigarro de Ashley veio junto com o vento, fazendo Koy tossir baixinho. Ao vê-lo, Ashley tragou mais uma vez e logo apagou o cigarro, pressionando a ponta contra o parapeito da varanda. Em seguida, ergueu a mão e abanou o ar, dispersando a fumaça que ele mesmo havia soltado.
Aquele simples gesto fez o peito de Koy se aquecer. ‘Sim… ainda é o Ashley de sempre’. A maneira gentil e discreta com que ele demonstrava consideração devolveu a Koy um pouco de coragem, e ele se arriscou a falar:
— Hã… e a faculdade…? Conseguiu entrar, né?
— Consegui.
A resposta de Ashley foi curta, seca. Nada mais. Determinado a continuar a conversa, Koy se apressou em dizer algo mais, buscando qualquer assunto possível:
— Ah… é a mesma faculdade do seu pai?
Dessa vez, Ashley nem respondeu em voz alta — apenas assentiu com um leve movimento de cabeça.
O silêncio que se seguiu foi sufocante. Koy nunca tinha sentido algo tão constrangedor entre eles antes. Não sabia o que fazer, nem como quebrar aquela distância. Sentindo-se cada vez mais perdido, desviou o olhar e fingiu observar o quarto, as cortinas, qualquer coisa.
Então, foi Ashley quem falou primeiro:
— Tenho uma coisa que quero te perguntar.
— Hã? Ah… sim, claro.
Koy respondeu depressa, endireitando a postura. Ashley o fitava diretamente, o olhar firme, quase frio.
— Naquele dia… por que você não foi?
Koy ficou mudo. Não era que ele não esperasse essa pergunta — sabia que ela viria, mais cedo ou mais tarde. Mas ouvir aquelas palavras saindo da boca de Ashley, naquele tom contido e duro, deixou-o completamente sem reação.
Após alguns segundos de hesitação, ele respondeu com dificuldade:
— Meu pai estava muito doente… eu não podia deixá-lo sozinho.
— …E o telefone?
Ashley perguntou de novo, a voz mais baixa, mas ainda tensa.
— Por que não me ligou?
Koy abaixou o olhar. Quando falou, sua voz tremia levemente.
— Meu pai foi levado às pressas para a emergência… e logo depois me disseram que ele podia… que ele podia morrer a qualquer momento. Eu fiquei… completamente perdido. Não conseguia pensar em nada. …Desculpa.
E essa parte era a mais pura verdade. O caos daquela noite o deixara em estado de torpor — ele mal conseguia raciocinar. Só conseguiu respirar de novo quando o pai foi transferido para o quarto, quando ficaram a sós. Mesmo assim, quando o telefone tocava sem parar ao lado dele, Koy simplesmente não teve coragem de atender.
O motivo era o mesmo que o impediu de ir até a estação.
E, pelo modo como Ashley o olhou em silêncio, parecia que ele também deduziu isso — pelo menos em parte.
— Koy — disse Ashley, baixando o tom de voz — o que eu quero saber de verdade é o seguinte…
Ele olhou para as próprias mãos, como se quisesse acender outro cigarro, mas suspirou e passou os dedos pelos cabelos, frustrado.
— Você podia ter ido até a estação, nem que fosse por um momento. — A voz de Ashley soava tensa, contida, mas as palavras vinham afiadas. — Você sabia que eu estava te esperando. E mesmo que seu pai estivesse doente… a pior parte já tinha passado. Dizer que não podia deixá-lo por alguns minutos… isso não faz sentido.
Ashley havia pensado naquele dia inúmeras vezes — sem parar, desde então. Mesmo depois de ir para o leste, mesmo no meio da correria das provas e da faculdade, aquele dia continuava o assombrando. E agora, finalmente, tinha diante de si a chance de obter uma resposta. Abaixou um pouco o tom, tentando esconder a voz trêmula.
— Fala a verdade, Koy. — A pergunta saiu quase como um sussurro. — Você… nunca teve a intenção de vir, não é?
Koy não conseguiu responder de imediato. Apenas olhou para Ashley, os olhos vacilantes. No fundo, ele sabia que o outro estava certo. Ele podia ter ido. Poderia ter explicado tudo pessoalmente, poderia ter feito com que Ashley entendesse. Mas não foi.
E o motivo, por mais que doesse, ele não podia negar.
— …Me desculpa. —
A voz dele saiu fraca, embargada. Koy abaixou a cabeça, incapaz de encarar Ashley.
— Se eu tivesse te visto… — murmurou, com um nó na garganta — eu sabia que meu coração amoleceria. Se eu tivesse ido até a estação, talvez eu tivesse abandonado meu pai e fugido com você.
Ashley não disse nada. Apenas ficou olhando para Koy em silêncio, o olhar fixo e sombrio. Koy, sentindo-se envergonhado, só conseguia olhar para a ponta dos próprios tênis, quando a voz quebrada de Ashley chegou aos seus ouvidos.
— Então… você me abandonou.
Koy ergueu os olhos num sobressalto. E naquele instante, o rosto de Ashley ficou gravado em sua mente — algo que ele jamais esqueceria. Ashley sorria, mas era um sorriso sem alegria: vazio, quebrado, o tipo de sorriso que nasce do cansaço, da rendição. Um sorriso que dizia “eu já imaginava, mas ainda assim doeu”.
— Ash… — Koy tentou chamá-lo, hesitante.
Mas Ashley ergueu uma mão, cortando suas palavras. Um gesto calmo, mas definitivo. Como se dissesse “chega”.
— Ouvi dizer que você desistiu da faculdade.
Koy hesitou, depois assentiu devagar. Ashley continuou, a voz quase sem expressão:
— Por causa do seu pai?
Koy só conseguiu confirmar novamente.
— Não há ninguém além de mim para cuidar dele…
A voz dele saiu fraca, quase inaudível. Ashley soltou um longo suspiro, pesado, como se algo apertasse o peito. Koy o observou com dificuldade — havia uma pergunta que queimava dentro dele desde que o viu, e já não podia mais conter.
— Ash… depois da festa, você vai voltar pro leste, não é?
— Sim. — respondeu Ashley, sem hesitar. — Eu só vim até aqui para te ver.
A franqueza repentina da resposta deixou Koy sem ar. Ele piscou, atordoado, tentando dizer algo — mas as palavras simplesmente não saíam. Vendo sua expressão confusa, Ashley esboçou um meio sorriso amargo.
— Queria só confirmar se eu estava enganado… — murmurou Ashley, com um tom calmo demais, quase resignado. — …Mas não. Eu estava certo, afinal.
A serenidade fria em sua voz fez o coração de Koy se apertar. Um pânico surdo subiu-lhe à garganta.
— A–Ash… — chamou, a voz trêmula. — Eu… eu posso te ligar, não é?
Ashley não respondeu. O silêncio dele soou como um muro. Koy engoliu em seco e, com a voz que ia se apagando, tentou continuar:
— A gente não precisa terminar assim… A gente podia se ver nas férias, ou…
— É melhor que você não apareça mais na minha frente.
Koy piscou, sem entender. O tom de Ashley era leve, quase indiferente, mas o conteúdo da frase pesava como chumbo.
— …Você não está… me ameaçando, está?
— Quem sabe. —
A resposta ambígua fez Koy encolher os ombros, tenso.
— Você… você não vai me bater, vai? —
Ashley soltou uma risada curta, quase sem humor. Depois, seu rosto se desfez num sorriso amargo.
— Talvez você ache que seria melhor se eu te batesse.
Um Koy atordoado abriu os olhos arregalados. Vendo Koy assim, Ashley desviou o olhar e, de repente, se moveu.
Koy o viu se aproximar. Passo a passo, firme, até que a distância entre eles praticamente desapareceu. O coração de Koy batia tão forte que mal conseguia respirar. Ele pensou que Ashley fosse apenas passar por ele — mas, em vez disso, o outro o segurou pela cintura e o puxou para si com força.
Koy engoliu o ar num sobressalto. E então os lábios se encontraram.
No início, o toque foi suave — quase hesitante —, mas logo se tornou urgente, intenso. A boca de Ashley se abriu sobre a dele, e suas línguas se entrelaçaram num beijo profundo, desesperado.
Koy, paralisado por um segundo, logo cedeu. Passou os braços em volta do pescoço de Ashley, colando o corpo ao dele. O beijo se tornou mais feroz — os lábios se chocando, o som molhado da respiração misturada.
‘Eu queria que esse beijo nunca terminasse.’
O pensamento veio como um sussurro no peito de Koy.
Koy respondeu ao beijo com todo o seu ser. Ashley mordeu de leve o lábio inferior dele, sugando-o com força. O ar frio da noite roçou nas bocas úmidas, provocando arrepios.
Quando finalmente se separaram, os dois estavam ofegantes. Ashley o olhou por um momento e então riu baixinho.
— Estou tonto.
Koy piscou, confuso. ‘Será que ele também bebeu?’, pensou de relance. Mas Ashley não o soltou. Continuava com os braços firmes ao redor de sua cintura, o rosto muito próximo.
Então, com a voz baixa e decidida, perguntou:
— Vou te perguntar só mais uma vez… vem comigo para o leste.
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Continua….
Tradução: Ana Luiza
Revisão: Thaís
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Em breve será disponibilizado uma sinopse!
Nome alternativo: Kiss Me If You Can