Ler No c* da Cobra – Capítulo 24 Online

Modo Claro

— Eu disse a ele para fugir daqui. Disse que o ajudaria a escapar…

Era uma história absolutamente tediosa, tão comum e previsível que não valia a pena ouvir. Ainda assim, Benedict manteve a paciência, unicamente porque a voz trêmula da mulher era agradável aos seus ouvidos. Talvez devesse fazê-la chorar de verdade.

Se decapitasse o homem, ela certamente iria se desfazer em lágrimas. Ah, mas talvez ela gritasse primeiro ao ver a cabeça decepada. Gritos também eram do seu agrado, então não era uma má opção. Benedict bateu os dedos contra o cabo da espada como se tocasse um teclado, pressionando e soltando irregularmente, quando…

— … Então, por favor, me puna.

Punição. A palavra chamou sua atenção. Benedict riu suavemente.

— E o que você acha que será essa punição?

Ele perguntou com deboche, e a mulher hesitou. Tão inocente e frágil, ela provavelmente nem compreendia o perigo em suas palavras.

— Uma escrava que desobedeceu às ordens de seu mestre duas vezes… e ainda teve a audácia de roubar um criminoso condenado. Impressionante.

Abaixando-se lentamente sobre um joelho, Benedict encontrou o olhar dela. Geralmente, havia alguns motivos para tal comportamento. Intimidade com a outra parte, algum ganho pessoal, ou talvez piedade e compaixão equivocadas. A mulher se encaixava na última categoria.

— Então, você morreria por ele?

Benedict agarrou as mãos que ela mantinha cuidadosamente repousadas no colo e as levantou, expondo seus pulsos delicados. A implicação era clara.

— Se é isso que você deseja, concederei seu pedido.

Seus olhos gentis e redondos se contorceram em angústia. Exatamente como ele imaginara. Ele sorriu friamente.

— Mestre…

— Responda.

Após abrir e fechar a boca várias vezes sem emitir som sob seu duro interrogatório, a mulher baixou finalmente a cabeça, incapaz de falar.

— Então é até aqui que vai sua determinação.

Benedict largou as mãos da mulher como se as descartasse e puxou a espada.

— Não, por favor, não…

Assustada, a mulher abriu os braços desajeitadamente, protegendo o servo. Seus olhos se estreitaram.

— Saia da frente.

— P-Por favor, poupe-o.

— Eu disse para sair da frente.

Sua voz carregava um aviso gelado. Enfrentando sua presença imponente de frente, o rosto da mulher empalideceu. Ainda assim, ela não desistiu. Tremendo, rastejou em sua direção e agarrou cautelosamente a manga de sua mão que segurava a espada.

— Mestre, por favor…

— ….

— Poupe-o.

Olhos cheios de lágrimas olharam para ele. Por que ela estava indo tão longe? Sua previsão estava errada. Aqueles que enfrentavam a morte iminente invariavelmente descartavam essa compaixão patética. No entanto, essa mulher persistia em suas ações tolas, sabendo que falhariam.

‘É assim que são os nascidos com poder divino?’

Ele especulou que talvez a habilidade misteriosa conhecida como poder divino pudesse explicar o comportamento tolo de sua escrava.

— Se você o perdoar só desta vez…

Benedict encarou profundamente os olhos suplicantes da mulher. Eles eram como contas de vidro rosa, tão transparentes que ele podia ver através delas. Tão puros, diferentes da imundície do mundo, que evocavam uma sensação de aversão. E por isso ele sentiu vontade de testá-la.

Conseguiria manter sua pureza mesmo no desespero? Permaneceria inabalável em sua bondade, mesmo à beira do abismo?

A mulher despertava nele um desejo — um desejo baixo, sádico, de testá-la, empurrá-la e, por fim, corrompê-la, revelando uma criatura vil como todas as outras. Benedict segurou o queixo dela, forçando-a a encará-lo.

— Hmm….

Finalmente, a mulher desabou em lágrimas. As gotas que se agarravam precariamente às suas pálpebras inferiores perderam a sustentação e caíram.

— ….

Na verdade, Benedict não era de dar muita importância às lágrimas alheias. Exceto por uma infância de que mal se lembrava, ele próprio não chorava e desprezava o ato de tentar obter algo por meio do choro. Acima de tudo, lágrimas eram apenas mais um fluido corporal que o enojava. Mas talvez as lágrimas daquela mulher fossem algo que ele quisesse ver.

‘Não achei que tinha predileção por fazer os outros chorarem.’

Não era tão ruim. Seus olhos avermelhados, seus soluços suaves, seu corpo delicado e trêmulo. Benedict envolveu suas bochechas com as mãos, enxugando suas lágrimas com os polegares. Devem ter um gosto doce, como a polpa de uma fruta. Ele perguntou por impulso: 

— Se eu o poupar?

Um lampejo de confusão cruzou seus olhos claros e gentis. Seus longos e úmidos cílios prateados piscaram como os de uma vaca, coelho, cervo. Todos herbívoros. Benedict dispensou o pensamento passageiro e perguntou novamente: 

— O que você me dará em troca se eu atender ao seu pedido? Toda transação tem um preço, não tem?

Os olhos da mulher se arregalaram de surpresa diante de sua proposta. Seus pensamentos eram totalmente transparentes. Como podia ser tão incapaz de esconder seus verdadeiros sentimentos? Benedict era tão astuto quanto habilidoso em manipular pessoas. Para ele, o ser à sua frente era absurdamente ingênuo. Como um coelhinho entrando na toca de uma serpente.

Tendo finalmente parado de chorar e recuperado um pouco de compostura, a mulher abriu os lábios com dificuldade.

— Qualquer coisa. Eu farei tudo que o senhor pedir…

— Isso não me atrai. — Benedict deu de ombros com um sorriso entediado. — É natural que uma escrava obedeça ao mestre.

— Então… — A mulher, aflita, perguntou com um brilho esperançoso nos olhos: — O senhor poderia me dizer o que quer…

O que fazer. Se quisesse, poderia esmagar suas esperanças, substituí-las por desespero e infligir dor. Seria mais fácil para Benedict do que quebrar o caule de uma flor. Mas não tinha vontade de destruí-la completamente.

Era talvez semelhante a possuir uma joia preciosa e moldá-la à sua vontade, mas não querer riscá-la e diminuir seu valor. Satisfeito com essa racionalização, Benedict concluiu que aquela mulher era um troféu. Bastante bonita e moderadamente útil, mas não de valor absoluto ou único. Fingindo um sorriso benevolente, ele falou:

— Me dê seu colar, e eu considero isso.

— Me-Me-Meu colar?

Como esperado, o rosto da mulher empalideceu. Sua mão foi ao peito, tremendo como se alguém tentasse roubá-lo. De fato. Seu sorriso se aprofundou. Benedict notara o colar pela primeira vez quando rasgou suas roupas para tratar um ferimento em seu ombro. Era um pingente simples, um pedaço de madeira liso e redondo enfiado em um cordão, desgastado pelo uso.

Aos olhos dele, era praticamente lixo, um adereço sujo e patético que normalmente não olharia duas vezes. Mas ele o deixou. Após tratar o ferimento, ordenou que todas as roupas rasgadas e esfarrapadas fossem descartadas, mas mesmo ao vesti-la com novas, não descartou o colar.

Não havia motivo especial. Ele simplesmente não se incomodara em tirá-lo. Era algo trivial que teria imediatamente esquecido em circunstâncias normais. No entanto, durante a jornada até sua propriedade, Benedict testemunhara sua escrava tocar o colar várias vezes. Cada vez, sua expressão se tingia de ternura. ‘Ela teve um amante?’

Ele não sabia os detalhes da conexão, mas o colar parecia um símbolo de afeto. No mínimo, era algo que ela estimava como lembrança de alguém. Ele suspeitava de sua importância desde o início, mas foi a partir de então que isso começou a desagradá-lo.

Sua escrava nunca mais pisaria em sua terra natal, arruinada. Ela viveria seus dias aqui, enterrada nesta terra. Portanto, era certo que ela apagasse laços desnecessários ao passado. Nada era mais tolo do que se agarrar a memórias e não se adaptar à realidade. Assim, Benedict decidiu aproveitar a oportunidade para romper pessoalmente e à força o apego persistente da mulher.

— P-Por que o colar…?

Sua voz suave tremia de maneira patética. Era uma voz à beira das lágrimas. Seus dedos finos remexeram no pescoço, puxando o cordão para revelar o pingente. Um gesto desesperado para proteger algo precioso.

— É apenas, apenas como o senhor vê, um simples pedaço de madeira. Não é útil para o senhor…

— Então você não teria problema nenhum em me dar, certo? — Mas Benedict interrompeu seu apelo lamentoso. — Por quê? A vida dele não vale esse colar?

— …!

Seus olhos cor-de-rosa tremeram violentamente, e ele sentiu sua vitória.

— Não tenho intenção de tomá-lo à força.

Entretanto, era evidente que a consequência de sua escolha seria a morte do servo, e a mulher tinha apenas uma opção restante.

Continua…

Tradução: Elisa Erzet 

Ler No c* da Cobra Yaoi Mangá Online

Sinopse:
Ele falhou em salvar Hilde 999 vezes. Isso significava que o coração de Benedict havia sido dilacerado 999 vezes. Implorando por uma última chance, ele voltou no tempo, mas perdeu todas as lembranças sobre ela — a mulher que sempre esteve gravada em cada uma de suas memórias, emoções e alma. Isto é, até que ele capturou uma escrava, uma prisioneira de um reino caído.
— Eu… eu pensei que talvez seu ferimento fosse em parte culpa minha, mestre.
A mulher era absurdamente irritantemente gentil. É por isso que o incomodava, por isso que permanecia encrustada em seus pensamentos, ela estava tão estranhamente, persistentemente cravada em sua mente.
— Existe sempre um preço para um acordo. Não é?
— Qualquer coisa. Eu farei o que você pedir…
— Isso não é muito atraente. Um escravo obedecendo ao seu mestre é um dado adquirido.
Ele queria fazer aqueles olhos cor-de-rosa chorarem até ficarem inchados. No entanto, ao mesmo tempo, queria desesperadamente abraçar e beijar a mulher.
Mesmo assim, Benedict não se lembrava. Ele não recordava do quanto a amava, o quão desesperadamente ansiava que ela vivesse.
Ela era sua linda e preciosa escrava, exercendo poder divino e curando os outros. Um dia, ele decidiu que daria tudo a ela. Foi então que o passado esquecido desabou sobre ele.

Gostou de ler No c* da Cobra – Capítulo 24?
Então compartilhe o anime hentai com seus amigos para que todos conheçam o nosso trabalho!