Ler Lamba-me se puder – Capítulo 128 Online
—Posso deixá-lo ir assim?
A secretária, alguns passos atrás, perguntou. Se Dominique desse a ordem, ela teria corrido atrás de Ashley imediatamente, mas tal comando não veio. Em vez disso, ele levou o charuto à boca, inalou profundamente a fumaça e exalou lentamente. A secretária ficou em silêncio, observando a fumaça se dispersar pelo ar.
—Miss Bernice, quer apostar comigo?
Ainda olhando pela janela, Dominique disse:
—Quanto tempo acha que meu filho vai demorar para voltar?
—…O senhor acha que o Junior vai voltar?
A secretária perguntou com cautela, e Dominiqe sorriu friamente.
— Desde antes de nascer, ele teve tudo. Tudo de que precisava, tudo que desejava. Até o ponto de nunca ter percebido o que é a carência. Quanto tempo ele realmente aguentará, fugindo com aquele pobre desgraçado que não tem nada? Quanto tempo conseguiriam se manter escondidos?
—Ele não terá escolha a não ser voltar.
Ele parecia certo de sua vitória. A secretária, mantendo a expressão impassível de sempre, não disse nada.
Huff, huff, huff.
Koy chegou em casa com a respiração ofegante, quase vomitando devido ao esforço intenso de pedalar. Ele segurou a náusea enquanto largava a bicicleta de qualquer jeito e entrava na casa. Como nos últimos dias, a quietude do interior o recebeu. Olhando apressadamente para o relógio, ele engoliu em seco e disse a si mesmo:
—Está tudo bem, ainda dá tempo.
A estação de trem ficava a cerca de uma hora de carro. De bicicleta, levaria pelo menos o dobro, mas, se necessário, ele poderia pegar um Uber.
‘Tudo bem, juntei dinheiro para usar nessas horas.’
Koy jogou a mochila apressadamente e levantou o colchão da cama. Ele tinha agrupado o dinheiro que juntara com elásticos e afixado atrás do colchão. Se soubesse que precisaria usá-lo tão urgentemente, teria apenas amarrado com elásticos e escondido em algum lugar da casa.
Mesmo assim, não havia outro lugar adequado, então teve que se contentar com o método complicado. Ele trabalhou com cuidado para não rasgar as cédulas enquanto as retirava. Quando finalmente separou a última, não restava alternativa senão chamar um Uber.
—Tudo bem, tudo bem.
Animado, ele enfiou o dinheiro na mochila e se acalmou. De repente, lembrou-se das roupas que Ashley havia comprado que ele mal usara. Quis pegá-las, mas não havia tempo para isso. Apressadamente pegou apenas o necessário, jogou a mochila sobre o ombro e se virou imediatamente. Ele pensou em chamar um táxi a caminho, quando de repente a porta se abriu.
Creeeak…
Um som sinistro ecoou pelo interior iluminado apenas por uma lâmpada piscante. Koy se virou, assustado, e congelou. Nem mesmo um ladrão ousaria entrar naquele trailer decadente. Apenas duas pessoas entrariam ali: o próprio Koy e outra pessoa.
— …Koy.
Koy simplesmente encarou o pai, que o olhava com o rosto pálido.
***
Ashley já havia trocado de faixa várias vezes, avançando pela estrada. Ele cortou na frente de outro carro e lançou um rápido olhar para o relógio do painel. A hora marcada para encontrar Koy estava se aproximando; se continuasse assim, poderia até chegar um pouco mais cedo. Ele conferiu novamente o retrovisor lateral, mas não havia nenhum movimento suspeito atrás dele.
‘O fato de o celular estar ali desde o começo já era estranho.’
Ashley sabia que era uma armadilha — uma isca cuidadosamente preparada. Mas não podia deixar essa oportunidade escapar. Ficar parado e ser levado para o leste, separando-se de Koy para sempre, seria o pior cenário possível.
Temendo que alguém pudesse persegui-lo assim que saísse da mansão, ele acelerou ao máximo. Agora parecia seguro relaxar um pouco. Ashley achava que Dominique não o perseguiria imediatamente, mas mesmo assim não reduziu a velocidade. Queria fugir daquele homem o mais rápido e longe possível. E, ao fazer isso, estaria se aproximando de Koy.
Koy.
Só de pensar nele, seu coração se aquecia e sentia um alívio reconfortante. Ao imaginar Koy correndo em sua direção, um sorriso involuntário surgiu em seus lábios.
Eles pegariam o trem juntos e deixariam tudo para trás. Iriam para outro estado e começariam do zero. ‘Vai dar tudo certo.’ Conseguiriam um quartinho pequeno, onde viveriam juntos.
Não importava se a vida seria pobre ou limitada — desde que tivesse Koy ao seu lado, sua razão de viver, bastaria.
Acreditando nisso, Ashley trocou de faixa mais uma vez e continuou acelerando.
***
—Koy.
Seu pai chamou-o novamente, e Koy permaneceu imóvel, congelado. A última lembrança que tinha dele o deixou paralisado. O medo de que o pai pudesse bater nele novamente fazia com que seus olhos oscilassem, observando a mão e o cinto do pai, sem saber para onde se mover.
—Koy.
Chamou mais uma vez, tossindo. Sob a luz fraca do abajur, o rosto do homem parecia ainda mais pálido, quase branco como papel. Quando ele deu um passo para dentro, Koy recuou involuntariamente. O pai cambaleou um pouco antes de finalmente dizer com dificuldade:
—V-você está bem? Me desculpe… eu, naquela hora… perdi o controle por um momento.
Ele tossiu novamente, e o som de sua respiração soou anormalmente áspero. Foi então que Koy percebeu: algo no pai estava diferente do habitual.
Ofegante, ele se aproximava, um passo de cada vez — dois passos e parava, depois mais dois. Cada vez que avançava, Koy recuava até que suas costas tocaram a parede. Sem espaço para fugir, o garoto suava frio, agarrando com força a alça da mochila.
Seu pai notou o gesto depois de se aproximar mais alguns passos.
—…Koy, o que é isso? As aulas… já acabaram, não foi?
O tom de alerta na voz do pai fez Koy travar.
—E-eu… vou estudar… na casa de um amigo.
Ele conseguiu mentir, gaguejando, mas o pai claramente não acreditou. Era natural; se fosse o contrário, Koy também não teria acreditado.
—Koy.
O rosto do pai empalideceu ainda mais. Sua mão magra se estendeu na direção do filho, e ao vê-la, Koy engoliu em seco e encolheu os ombros, aterrorizado. O olhar dele vacilou, abalado pela expressão de medo do filho.
—Não me diga… que você está tentando fugir daqui…?
***
Ao longe, a estação de trem começou a surgir. O rosto de Ashley se iluminou aos poucos. Finalmente, finalmente.
Finalmente, ele iria deixar aquele lugar.
Só de escapar daquele homem, seu peito se enchia de uma excitação quase dolorosa. Ashley não conseguia conter a empolgação e acelerou ainda mais. Ao trocar de faixa novamente, um enorme caminhão surgiu de repente à sua frente.
***
Koy permaneceu encostado na parede, incapaz de dizer uma palavra. O pai se aproximava, e ele não tinha para onde escapar.
‘Ashley está esperando. Preciso sair daqui…’
Enquanto sua mente trabalhava freneticamente, seu corpo permanecia rígido. Tremendo, Koy apenas observava o pai se aproximar.
—Koy.
O pai chamou novamente, e desta vez sua voz também tremia.
—Não pode ser… não… certo? Isso não está acontecendo, não é? Você não vai… me deixar, como sua mãe fez?
As palavras saíam entrecortadas, e o rosto dele pálido e trêmulo, como se não pudesse acreditar. Como se não pudesse imaginar tal situação.
Mas a decisão de Koy já estava tomada.
—Eu… vou.
Ele reuniu a voz quase apagada e falou com esforço:
—Eu vou… embora daqui. Por favor… me deixe ir.
Com o pai bloqueando o caminho, não havia outra saída para Koy além de implorar. De repente, os olhos do pai brilharam e a mão veio em sua direção.
—Haaa…!
Koy estremeceu, gritando e fechando os olhos com força. Encolhido e aterrorizado, estava pronto para o pior… mas o que aconteceu em seguida não foi o que ele esperava.
—Koy…
De repente, o pai segurou ambos os braços dele. Surpreso pelo contato, Koy engoliu em seco, estremecendo, e o ouviu falar apressadamente:
—Eu… eu errei… não vá embora.
O ambiente estava silencioso, apenas a respiração ofegante do pai quebrava o silêncio, batendo suavemente nos ouvidos de Koy. Aquelas palavras inesperadas o deixaram atônito. Tenso, olhos fechados com força, ele só conseguiu compreender lentamente o que o pai estava dizendo.
‘…Hã?’
Koy abriu os olhos devagar, hesitando. Seus olhos vacilaram e se moveram timidamente para o lado. O pai ainda o observava, parado, imóvel. A luz fraca do abajur piscava atrás das costas de Koy, iluminando vagamente o rosto pálido do pai.
Ele olhava para Koy com o rosto contorcido, quase chorando, completamente abalado.
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Continua….
Tradução: Ana Luiza
Revisão: Thaís
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Em breve será disponibilizado uma sinopse!
Nome alternativo: Kiss Me If You Can