Ler Lamba-me se puder – Capítulo 127 Online
Ao ouvir o som da porta se fechando, Ashley confirmou que estava sozinho e imediatamente se levantou. Por enquanto, havia ganhado um pouco de tempo — mas o verdadeiro trabalho só estava começando.
Ele saiu às pressas da cama e foi até a janela. Puxou discretamente a pesada cortina e observou o lado de fora. Pessoas iam e vinham em ritmo apressado — exatamente como Dominique havia dito na noite anterior: todos estavam se preparando para deixar a mansão.
‘Se eu disser que não estou me sentindo bem, talvez consiga ganhar um dia.’
Dominique não era alguém que se deixava enganar por um truque tão simples, mas provavelmente deixaria passar. Assistir à tentativa desesperada e inútil do filho por um dia seria, para ele, uma diversão a mais. Afinal, tinha certeza de que ele jamais escaparia de suas mãos — e, até aquele momento, o próprio Ashley acreditava nisso também.
Ele sempre vivera conformado, aceitando o destino e se movendo como uma marionete nas mãos do pai. Mas agora era diferente. Agora ele tinha Koy — alguém mais precioso do que qualquer coisa. Por ele, enfrentaria Dominique sem hesitar.
Pouco depois, quando a secretária retornou, Ashley ainda estava deitado na cama, como antes. Ela informou que não havia conseguido encontrar o medicamento apropriado e transmitiu o recado de Dominique: a partida seria adiada para a noite. Exatamente como ele havia previsto.
A secretária colocou uma tigela de sopa sobre a mesinha de chá e disse:
— Tome quando se sentir melhor. Se esfriar, trarei outra.
Deitado, Ashley murmurou:
— …Preciso arrumar minha mala.
— Já deixei tudo preparado, não precisa se preocupar — respondeu ela prontamente.
Essa também era uma resposta esperada. Ashley, ainda fingindo uma voz cansada, disse:
— Quero verificar. Traga aqui.
— …A mala, senhor? — perguntou ela, após um breve silêncio.
Ashley resmungou com ironia, mantendo o tom abatido:
— Eu quero arrumar as minhas próprias coisas, isso também não é permitido?
A secretária hesitou por um momento antes de responder:
— Vou confirmar com o senhor Miller.
Ela saiu e, algum tempo depois, voltou trazendo a mala. Ashley entendeu perfeitamente o significado daquele gesto.
‘Faça o que quiser.’
A lembrança dos olhos violetas de Dominique, sempre zombeteiros, cruzou sua mente — mas ele rapidamente a afastou e fechou os olhos.
— Vou descansar mais um pouco antes de abrir. E diga a todos para não se aproximarem do quarto. Está barulhento demais.
— Entendido. Vou avisar para manterem silêncio.
Logo depois que ela saiu, Ashley esperou por alguns minutos. O silêncio tomou conta do ambiente. Nenhum som.
Ele então se levantou, o coração acelerado, e foi até a porta. Quando a abriu, confirmou o que esperava: o corredor estava completamente vazio. A secretária certamente havia proibido qualquer um de se aproximar do andar dos quartos para não perturbá-lo.
Fechando a porta com cuidado, ele foi até a mala e a abriu apressadamente, remexendo tudo em busca de algo útil. Então, ao encontrar um certo objeto inesperado, ficou paralisado.
Era um telefone celular.
***
♬♪♪♬♩♪……
O toque repentino de um celular ecoou pela cafeteria, fazendo Koy, que estava concentrado em sua tarefa, sobressaltar-se. Ele olhou para o visor e, ao ver o nome que aparecia, seus olhos se arregalaram.
— A–Ash?
— Koy.
A voz do outro lado da linha fez seus olhos se encherem de lágrimas. Koy assentiu apressadamente e respondeu:
— S–sou eu. Ash, sou eu, o Koy.
— Eu sei.
A voz de Ashley trazia um leve sorriso, mas, na verdade, ele também estava se contendo para não deixar a emoção transbordar. Koy lutou para não chorar e continuou, falando rápido:
— C–como você está? Está bem? Não se machucou, né?
— Estou bem. Não se preocupe comigo. E você? Como está?
— Eu também estou bem. — Koy respirou fundo, tentando controlar a voz trêmula. — O meu pai ainda está no hospital, então eu não fui vê-lo. Não precisa se preocupar, ele não me bateu nem nada dessa vez.
— Entendo… ainda bem.
Havia tantas coisas a dizer, mas não havia tempo. Decidiram deixar o resto da conversa para depois, e Ashley foi direto ao ponto.
— Koy, ouça com atenção. O que vou te dizer agora é importante.
— T–tá bem. — respondeu ele, endireitando a postura, o coração acelerado.
Ashley falou rapidamente:
— Daqui a três horas parte um trem. Quero que a gente se encontre na estação. Vamos pegá-lo e fugir para outro estado.
— U–um trem? — Koy ergueu a voz sem perceber, depois se apressou em tapar a boca, olhando ao redor. Felizmente, como as aulas já haviam terminado, não havia mais ninguém por perto. Confirmando que estava sozinho na cafeteria, ele voltou a colar o telefone ao ouvido.
Ashley prosseguiu:
— Vamos fugir juntos. Desta vez vai dar certo, eu prometo. Confie em mim.
Koy engoliu em seco. Por alguma razão, sentia que seria diferente dessa vez. Na última, haviam agido por impulso, sem pensar. Mas agora parecia haver um plano. Além disso, ele mal podia esperar para ver Ashley novamente.
Mesmo assim, havia algo que precisava confirmar. Segurando o ímpeto de aceitar de imediato, Koy perguntou com hesitação:
— T–tem certeza de que pode fazer isso? Quer dizer… não vai acontecer nada com você? Você foi preso, lembra?
Ele não fazia ideia das condições sob as quais Ashley havia sido libertado. O medo de que algo irreversível pudesse acontecer o sufocava. ‘E se, por causa daquela decisão, acabasse nunca mais podendo vê-lo?’
Percebendo o pavor na voz de Koy, Ashley respondeu com firmeza:
— Se não fugirmos agora, Koy… desta vez, nós realmente vamos ser separados.
No instante seguinte, Koy sentiu como se o coração fosse afundar. Pálido como um lençol, ouviu Ashley continuar rapidamente:
— Meu pai está aqui. Ele quer me levar para o Leste. Estão todos se preparando agora. Se não for agora, nunca mais vamos nos ver.
Ashley não teve coragem de contar que Dominique o desprezava e era contra o relacionamento deles, então preferiu disfarçar.
— Parece que meu pai já escolheu algumas parceiras para mim. Mas, é claro, eu não vou me casar com nenhuma delas. A única pessoa que eu amo é você.
Ao ouvir isso, Koy ficou sem ar. ‘Ashley… se casando com outra pessoa?’ O pensamento o paralisou por completo, até que ele escutou Ashley acrescentar:
— Essa é a nossa única chance. Vamos fugir juntos, Koy. Vamos casar e viver só nós dois.
Aquelas palavras eram doces demais. Koy se lembrou do que ouvira na igreja quando criança — ‘será que até a voz da serpente que tentou a primeira mulher da humanidade era tão doce quanto essa?’
— …Eu vou. — disse ele por fim, com a voz trêmula.
— Eu vou, Ashley. Vou com você pra qualquer lugar.
— Ótimo, Koy. — respondeu Ashley, incapaz de conter a empolgação na voz. — Nos encontramos na estação de trem. Darei um jeito de sair daqui e te encontrar lá.
— Tá bem, combinado. — respondeu ele apressado, levantando-se da cadeira. Antes de desligar, falou rapidamente:
— Eu te amo, Ash.
— Eu te amo, Koy.
Só depois de ouvir a resposta de Ashley, Koy encerrou a ligação. Queria continuar ouvindo sua voz, mas sabia que não havia tempo para isso.
‘Logo vou poder ouvir até me cansar…’
Embora soubesse que nunca se cansaria da voz de Ashley, pensou, enquanto recolhia suas coisas às pressas e corria na direção onde havia deixado a bicicleta. Três horas. O tempo era apertado. Havia um lugar onde precisava ir antes da estação. Da última vez, não teve cabeça pra isso, mas agora seria diferente.
‘Tenho que levar todo o dinheiro que juntei.’
Subindo na bicicleta e pedalando com toda a força, Koy correu desesperadamente em direção ao trailer. Não importa para onde fossem, a coisa mais necessária era dinheiro. Além disso, os dois ainda eram menores de idade. Como Ashley estava fugindo secretamente, não conseguiria levar muito dinheiro.
‘Precisamos de dinheiro.’
Rangendo os dentes, Koy pedalou o mais rápido que podia.
***
A porta, empurrada com cuidado, abriu-se com um rangido baixo e sinistro. O corredor ainda estava completamente vazio.
Ashley deu uma olhada ao redor e saiu depressa. Felizmente, a mala que a secretária havia preparado estava impecavelmente organizada — não faltava nada. Ele segurou com firmeza a pequena mala de viagem, do tamanho permitido para bagagem de mão, e atravessou o corredor o mais rápido possível.
Os funcionários pareciam ocupadíssimos, indo e vindo entre o jardim e o interior da casa. Muitos seguranças também haviam desaparecido, provavelmente porque tinham ido ao aeroporto cuidar dos preparativos da viagem.
‘Devem estar verificando se não há nada suspeito acontecendo.’
Restavam poucos minutos. Felizmente, a garagem estava vazia, e Ashley conseguiu alcançar seu Cayenne com facilidade. Como sempre, a chave do carro estava deixada à mostra, largada sobre o painel.
Ele abriu a porta do motorista, destravou o freio de mão e começou a empurrar o carro lentamente, tomando cuidado para que o motor não fizesse barulho. O murmúrio distante das pessoas chegava até ele, mas ninguém percebeu sua fuga.
Depois de empurrar o carro por alguns metros, Ashley finalmente se acomodou no banco do motorista e deu partida. Até então, ninguém tentou detê-lo.
Nem mesmo Dominique Miller, que o observava pela janela.
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Continua….
Tradução: Ana Luiza
Revisão: Thaís
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Em breve será disponibilizado uma sinopse!
Nome alternativo: Kiss Me If You Can