Ler Lamba-me se puder – Capítulo 69 Online
— Então, nenhum dos seus amigos sabe? Que você se manifestou.
Koy mudou de assunto e perguntou.
— É.
Ashley respondeu.
— Quem sabe da minha manifestação são só alguns professores, o treinador, meu pai e a secretária dele… Bom, tem uma pessoa meio misteriosa também.
— Q-quem?
Koy perguntou em alerta. Ashley o olhou de cima com uma expressão séria antes de falar:
— Tem alguém que vive se esgueirando para dentro da minha casa. Essa pessoa sabe do meu segredo.
— S-sério? Meu Deus, você não devia instalar um sistema de segurança ou coisa assim?
Ashley balançou a cabeça diante da sugestão de Koy.
— Não precisa. É uma pessoa bem pequena, nem chega à metade do meu tamanho.
— Mesmo assim, vai que acontece alguma coisa? Mesmo você, se for atacado enquanto dorme, seria perigoso.
Ashley ficou pensativo por um instante antes de responder:
— É verdade. Quando eu estava doente, essa pessoa entrou escondida e por pouco não me causou um problema sério.
— Tá vendo?! Mas… não aconteceu nada, né? Né?
Ashley continuou o encarando com uma expressão séria e continuou:
— Não parecia que queria me matar, mas… como é que essa pessoa consegue passar pela segurança da entrada principal e ir até minha casa? Dá medo.
— Passar pela segurança da entrada?
Koy repetiu as palavras dele, até que percebeu algo estranho. Parou no lugar e Ashley assentiu com expressão solene.
— Sim. De alguma forma, deu a volta pela montanha e apareceu na minha casa.
Só então Koy entendeu o que aquilo queria dizer. Ashley, ainda com tom baixo e conspirador, acrescentou:
— E sabe qual é o meio de transporte dessa criatura? Nem carro, nem moto. É uma bicicleta. E velha ainda por cima, praticamente sucata.
Koy ficou com o rosto completamente vermelho, como um tomate, e Ashley fez uma careta proposital.
— Como é que eu vou competir com alguém que empurra uma bicicleta pela montanha? Não dá medo?
— N-não sei!
Koy virou às pressas e correu em direção à sala de aula. Claro que isso não adiantava nada — Ashley deu apenas alguns passos e já o alcançou com facilidade.
— Mas sabe o que é ainda mais assustador, Koy?
Koy não respondeu, apenas continuou correndo desesperado. Ashley correu tranquilamente ao lado dele e anunciou:
— Essa criatura trocou de bicicleta!
— Chegaaa!
Koy não aguentou mais e socou o ar. Só que, mesmo com o golpe que mais parecia um carinho, o punho nem acertou direito — só roçou no braço dele. Ainda assim, Ashley soltou um gemido exagerado e caiu no chão, gemendo de dor. Koy, que estava correndo, parou de súbito e se virou em pânico.
— A-ash?!
‘Meu Deus’! Koy empalideceu e voltou correndo. Ashley estava agachado no chão, segurando o braço que havia sido “atingido”. Koy se ajoelhou, apavorado.
— A-ash, você tá bem? Desculpa! Você acabou de se manifestar, seu corpo ainda deve estar sensível… Ai, meu Deus, me desculpa mesmo! Devo ligar pro 911?
Ele se preparava para pegar o celular, mas Ashley segurou seus braços de repente. Koy arregalou os olhos, vendo o sorriso se formar no rosto dele.
— Te peguei.
— Você me enganou!
Koy começou a se debater, mas obviamente não teve efeito nenhum. Ashley se levantou em um pulo e passou um braço pelo ombro de Koy, puxando-o para si.
— Dessa vez foi você que caiu na minha.
— Você me enganou primeiro.
— Sim. Desculpa.
Disse com o tom mais não arrependido do mundo. Koy até tentou se irritar com ele, mas o que sentia de verdade era alívio.
‘Que bom que ele não se machucou de verdade…’
Ashley, ao vê-lo suspirar e levar a mão ao peito, sorriu. ‘Se não estivesse na escola, eu teria beijado ele agora mesmo’. Mas se segurou, e ao invés disso, o abraçou de lado e começou a andar. Quando finalmente recuperaram o fôlego, Koy se lembrou da conversa anterior.
— Ei, Ash.
— Hm?
Ashley respondeu imediatamente, como sempre. Koy usou tudo que lembrava do que tinha pesquisado e perguntou:
— Então, sobre o que a gente tava falando… Quer dizer que… normalmente tudo bem, mas em casa você libera os feromônios, certo? Então se eu for na sua casa, vou acabar ficando exposto?
— Sim.
Ashley respondeu de prontidão, mas por dentro estava tenso. ‘Talvez ele nunca mais queira voltar lá…’ E se fosse assim, tudo bem. ‘A culpa é toda minha por essa manifestação miserável…’
Mas, para sua surpresa, Koy apenas assentiu.
— Entendi. Tá bom.
— …Só isso?
A resposta simples demais fez com que Ashley instintivamente o olhasse de lado.
— Ué? É…
Koy respondeu, coçando a cabeça.
— É só tomar banho direitinho depois, né? Tá tudo bem. Eu já tomo banho duas vezes por dia mesmo.
Ele ainda completou com um sorriso iluminado:
— E eu fiquei com você esse tempo todo e não manifestei nem nada, né?
Ele não mencionou que seu pai havia dito para parar de ver Ashley. Afinal, não pretendia obedecer mesmo.
‘Vamos continuar juntos.’
Ashley se lembrou das palavras dele e um sorriso suave surgiu em seu rosto.
— …Tá bom.
Ashley respondeu.
— Vamos ficar juntos.
— Sim.
Koy assentiu. Não importava o que seu pai dissesse — ele não pretendia se afastar de Ashley.
Tomando essa decisão, Koy sorriu para ele, radiante.
— Eu vou ficar com você.
Naquele momento, Ashley precisou reunir todas as forças que tinha para não agarrá-lo e enchê-lo de beijos. Apertou tanto os punhos que as unhas fincaram nas palmas. ‘Aqui é a escola’, repetia como um mantra. ‘Tenho que me segurar… pelo Koy’.
Eles ainda não estavam oficialmente juntos. Ashley torcia para que esse dia chegasse logo, mas ninguém sabia quando seria. Para ele, cada dia… não, cada hora, cada minuto, cada segundo era uma tortura.
— Koy.
Já perto da sala de aula, Ashley quebrou o silêncio. Koy sentiu o olhar dele, mas Ashley manteve os olhos à frente enquanto dizia:
— Eu não consigo esperar por muito tempo.
…
Koy piscou, sem conseguir reagir de imediato. Ashley soltou o braço que o envolvia e entrou na sala antes dele. Koy, ainda parado no corredor, entrou em seguida, com passos tímidos e olhando em sua direção, antes de se sentar ao lado dele. Ashley se virou e sorriu para ele de propósito.
“Então admita logo, Koy. O que você sente.”
Outros alunos entraram, e a aula começou. Ashley olhou para Koy, que rapidamente endireitou a postura. Seu rosto tenso deixava claro o quanto as palavras de Ashley o haviam abalado. Vendo aquela expressão, Ashley pensou:
‘Talvez eu não aguente e acabe sequestrando ele de vez.’
***
— Um, dois, três… pronto!
Ao comando de Ariel, todos pararam de se mover. A música cessou, e depois de alguns segundos, o grupo relaxou. Koy também se curvou, ofegante, tentando recuperar o fôlego.
Os treinos da equipe de líderes de torcida eram mais intensos do que ele imaginava. O nível de atividade física era muito maior do que esperava, e os membros do time tinham uma resistência absurda.
Desde que entrou, Koy sentiu compaixão por todos os líderes de torcida do mundo. Só agora percebia o quanto de esforço, treino e até lágrimas havia por trás daqueles sorrisos e pulos vibrantes. Acima de tudo, eles eram sinceros em seu papel.
— Nós vamos levar a Buffalo High School à vitória!
Ao grito de Ariel, todos responderam com energia. Koy também gritou junto, sentindo-se tocado pelo orgulho que elas demonstravam.
Mas aquele momento de emoção durou pouco. Como sempre, para ele havia treino extra.
— Você não tem músculo nenhum.
Ariel não perdia uma chance de cutucar seu corpo e criticar duramente. Com razão — todos na equipe estavam com o físico bem trabalhado por causa do treinamento constante. Ariel, como capitã, era a melhor de todos.
— Ariel já ganhou até campeonato de boxe amador.
Certa vez, a vice-capitã comentou isso com orgulho, e Koy ficou boquiaberto… ao mesmo tempo em que lembrava do rosto inchado de Ashley e sentia um arrepio na espinha.
— Certo, bom trabalho por hoje.
Enquanto todos se dispersavam, Ariel bateu palmas para chamar a atenção. Assim que o grupo se voltou para ela, a capitã continuou:
— Logo vai ter o jogo de reinício das aulas, então vamos preparar os uniformes com antecedência. Quem tiver qualquer problema, fale comigo ou com a vice capitã. Essa partida é praticamente o começo da temporada, então temos que dar tudo de nós.
— Sim!
— Claro!
As respostas vieram com entusiasmo, e Ariel assentiu, então abriu um sorriso animado.
— Nesse espírito, que tal fazermos uma confraternização hoje no Green Bell?
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Continua….
Tradução: Ana Luiza
Revisão: Thaís
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Em breve será disponibilizado uma sinopse!
Nome alternativo: Kiss Me If You Can