Ler A Tatuagem de Camélia – Capítulo 34 Online

Modo Claro

‘Droga.’

Naquela noite, apesar da hora avançada, Amber não demonstrava nenhum sinal de querer deixar a sala de estar.  

Com a intenção de buscá-la, pois já estava tarde, Igmeyer, um tanto surpreso com a voz animada e vibrante de Amber, ficou parado por alguns instantes em estado de choque.

‘O que há para conversar com tanta alegria?’  

Observando Amber de costas, falando animadamente diante da lareira bem iluminada, Igmeyer passou a mão pelos cabelos, irritado, se afastou com passos firmes.

‘Ela nunca me mostrou essas expressões.’

Amber sempre parecia estar lutando.

Adaptando-se a este lugar miserável, frio e árido, vivendo em um castelo onde nada parecia funcionar direito, suportando o clima interminavelmente sombrio… e tolerando seu marido inferior.  

‘Ah, não. Essa última parte sou apenas eu e minhas deficiências.’

O motivo de tais pensamentos era claro.

Aquele sujeito de Shadroch. O que parecia tão delicado quanto um pavão bem cozido, precisamente ele era o problema.

Filho de um Marquês. Nascido em berço de ouro, ele era o companheiro de brincadeiras da princesa.

Mesmo que Igmeyer não soubesse muito sobre as complexidades da vida, entendia que não era qualquer um que poderia se tornar amigo de infância da realeza.  

Claro.

A amizade com a realeza é estabelecida quando o rei e a rainha aprovam.  

Aparência, caráter, histórico familiar, nascimento e até personalidade são avaliados, e o melhor pontuador “coincidentemente” se torna amigo.  

Nicholas Eaton era um desses “aprovados”.

— Tsc. Se ao menos ele tivesse um péssimo caráter, eu já o teria expulsado.

— Parece que o senhor está alimentando alguns pensamentos ruins, mestre.

Hmph.

O mordomo o ajudava a se trocar.

Ao tirar a capa pesada, o casaco e a camisa, seu físico musculoso foi revelado.  

Normalmente, ele se orgulhava do seu corpo, um testemunho de seu esforço e sobrevivência, mas agora se sentia um pouco insatisfeito.  

— Tenho cicatrizes demais.

— Elas foram adquiridas antes do senhor ter sua força atual, não foi?

— Sim.

Quando criança, ele havia aprendido a manejar a espada sozinho e lutado em inúmeras situações de vida ou morte.  

Então, era inevitável que seu corpo não fosse imaculado.  

— Mas não há cicatrizes nas minhas costas. Eu nunca fugi como um covarde. 

— Sim. O senhor é admirável.

Embora soubesse que era infantil, Igmeyer tocou seu próprio antebraço e flexionou os músculos do peito desnecessariamente.  

Huwern, o competente mordomo, fingiu não notar as gracinhas do seu senhor e trouxe roupas limpas para ele.

— Ainda assim, Amber prefere um homem com dignidade. 

— O senhor acha?

— Bem, eu…

Atípico, Igmeyer hesitou.  

Nicholas Eaton, sem dúvida, possuía uma certa graça.  

Durante o jantar, ele havia se esforçado para entreter Amber, incluindo-a cuidadosamente nas conversas sem demonstrar desdém ou superioridade em relação a Igmeyer  

Não o ignorou, nem o menosprezou, não havia sinais disso.

Era claro que ele tinha sentimentos por Amber, mas seu olhar parecia mais admiração que amor romântico.  

Portanto, não havia razão legítima para encontrar falhas ou arranjar um pretexto para mandá-lo embora.

— Aposto que ele nunca se envolveu em confusões como eu. Isso é ainda mais irritante. 

A frustração genuína escapou de seus lábios, e Huwern sorriu discretamente, reconhecendo o afeto por sua esposa escondido sob os resmungos.  

— O senhor parece se importar muito com a Grã-Duquesa.

— Eu?

— Sim.

— Isso é impossível.

Igmeyer riu secamente.

Ele nunca soube realmente o que era amor. Não o recebeu de seus pais, nem nunca o deu a alguém.  

Então, embora não soubesse exatamente que sentimentos definiam o amor, duvidava que o que sentia por Amber fosse isso.

— O amor não deveria ser doce?

Murmurando para si, Huvern assentiu com serenidade.

— Isso é verdade. Mas alguns amores também são amargos. Eles têm uma mistura complexa de sabores. 

— Isso é papo de velho, já ouvi muitos.

Igmeyer zombou sarcasticamente, mas Huwern não se abalou. Afinal, ser chamado de velho não era estranho para ele.  

— Não pense que o amor tem uma única forma.

— Só porque você diz isso, não significa que eu ame a Amber.

— Claro, é natural que o senhor diga isso.

Quanto mais ele falava, mais Igmeyer se sentia enredado na conversa.  

Suspirou silenciosamente e começou a andar inquieto pelo quarto.

Parecia que uma hora havia passado. ‘Seria apropriado buscá-la agora?’  

‘Soaria muito possessivo? Só quero garantir que ela durma em um horário razoável.’  

Mas Amber era uma adulta, afinal. Querer passar tempo conversando à lareira com um velho amigo não era algo que ele deveria interromper.  

Mesmo que esse amigo fosse um homem…

— Se o senhor não está feliz com a situação atual, há uma solução.

— Qual é?

Preso em seu dilema, Igmeyer se animou quando Huwern calmamente ofereceu uma sugestão.  

Qualquer solução para mudar a situação era bem-vinda, então ele aguardou ansiosamente a proposta séria do mordomo.  

— Convide a Grã-Duquesa para um encontro.

— Convidar para o quê?

— Um encontro. Um passeio a dois.

A voz de Igmeyer vacilou ligeiramente, surpreso com a sugestão inesperada.

No entanto, Huwern permaneceu firme. Ele havia se mantido quieto sobre conselhos românticos devido à sua posição como mordomo, mas esperava que o casal se aproximasse.  

Se o relacionamento deles não estava completamente rompido, não era tarde para começar a construí-lo gradualmente agora.  

Além disso, para Huwern, parecia que os objetivos de ambos convergiam: proteger o Norte.

Ter isso em comum significava que eles tinham muito o que conversar.  

Tudo o que precisavam era do ambiente certo e tempo juntos para aprofundar o relacionamento.  

— O gelo do Lago Freyja está derretendo, e o lugar está belíssimo. O senhor ainda não a levou lá.

— É… verdade.

— O Lago Freyja é uma joia de Niflheim. Ela certamente vai adorar. Além disso, não faz sentido que a Senhora do Norte nunca tenha visitado um lugar que todos comentam. 

— Hmm… você tem razão.

Convencido pelo argumento, Igmeyer se sentiu persuadido.

Até ele havia visitado o Lago antes.  

‘Verdade, Amber esteve ocupada com os preparativos para a guerra. Uma viagem ao Lago Freyja se encaixaria no propósito de descansar.’ 

A região também era famosa por seu mercado, cheio de coisas interessantes.

O mercado de cavalos era especialmente impressionante, quem sabe ele encontraria um bom cavalo para presentear Amber.

E, o mais atraente, se fosse oficialmente um “encontro”, ele teria legitimamente uma desculpa para manter aquele cara longe dela.  

‘Ela estará muito cansada para ficar acordada até tarde depois que voltarmos.’

Mesmo que não estivesse, ele planejava garantir que ela ficasse pelos próximos dias.  

Igmeyer deu um sorrisinho descarado e estalou os nós dos dedos.

Ele decidiu preparar algumas comidas nutritivas antes de propor o encontro.  

O Lago Freyja era uma joia de Niflheim.

Caminhos bem conservados o tornavam um local favorito para casais, famílias e idosos desfrutarem de passeios.  

Perto do lago, havia uma praça onde barracas se abriam sempre que não nevava. Seguindo os cheiros tentadores de frango grelhado ou ensopado temperado, chegava-se ao mercado movimentado. No coração dele, estava o maior mercado de cavalos do Norte.  

Todo cavaleiro de Niflheim compra seu cavalo aqui. Os pais até trazem seus filhos que sonham em se tornar cavaleiros para comprar pôneis. 

— Uau. Eu não fazia ideia de que este lugar existia.  

— Olhe à vontade, e se suas pernas cansarem, é só me avisar. Eu te carrego.  

O ar fresco e o calor do sol. As folhas brotando e as crianças correndo sob o raro dia de bom tempo, tudo contribuia para uma atmosfera agradável.  

Era um dia de paz.

Chegando ao Lago Freyja com Igmeyer, Amber sentiu um toque de emoção ao olhar ao redor.  

‘Eu não fazia ideia… de que existia um lugar onde as famílias vinham passar tempo juntas.’

Um dia, quando o bebê nascer e puder andar, ela precisaria trazê-lo aqui.  

A primavera ali é preciosa, porque Niflheim tem primaveras e outonos, invernos e mais invernos, mas não tem verão.  

Quão valiosa é essa estação em uma terra sem verão!  

— Mas Igmeyer, por que você quis me trazer aqui?

Amber estava genuinamente curiosa. Queria entender porque Igmeyer, que nunca fez algo assim, decidiu agir dessa forma.

— É estranho um marido querer aproveitar um encontro com a esposa?

— Nem um pouco.

— Eu só queria experimentar o que as outras pessoas fazem. Fiquei curioso porque os cavaleiros ficam com aquele sorriso bobo em encontros, o que há de tão bom em namorar.

A proposta repentina de Igmeyer para um encontro havia sido na noite anterior.  

Nicholas estava no castelo há cinco dias. Amber, depois de voltar de uma “lição” dada a Nicholas sobre a importância de fazer exercício, Igmeyer lhe apareceu com uma flor.  

Era uma pequena flor branca.

“Você aceitaria sair comigo amanhã? Conheço um ótimo lugar.”

Ele parecia incrivelmente desajeitado ao dizer isso.

Ela não poderia recusar, nem tinha motivo para isso, e a expressão adoravelmente envergonhada dele fez Amber sorrir.

‘Por que ele está tão nervoso?’

Já haviam dormido juntos várias vezes, por que um encontro seria difícil?

— Você já teve muitos encontros?

— Hmm.

— Com certeza sim. Foi errado da minha parte perguntar.

Resmungando, Igmeyer, no entanto, a puxou para perto dele no meio da multidão, tentando protegê-la. As pessoas já abriam espaço ao reconhecerem o casal.

— Na verdade, não tive muitos. Preferia participar de debates a sair em encontros.

— … Parece que você teve muitos admiradores.

— Houve muitos, mas, bem, eu não estava interessada em namorar.  

— Sério?

Por um momento, Igmeyer visivelmente fez biquinho. Amber, percebendo, levantou uma sobrancelha.

— E você?

— Eu? O que você acha…?

‘Como eu saberia?’

Amber murmurou baixinho.

Pelo jeito dele, parecia improvável que tivesse tido muitos relacionamentos. Mas ela não podia afirmar, afinal… considerando o quanto era bom de cama, o homem era surpreendentemente experiente.

‘A investigação de antecedentes não mencionou nada sobre seus relacionamentos com mulheres. Mas duvido que eu tenha sido a primeira.’

Com essa conclusão, Amber fez biquinho.

— Essa é a cara que você faz quando está chateada.

— Você consegue perceber?

— Claro. Pode falar, Princesa. 

Enquanto a luz do sol se refletia no lago, fazendo-o brilhar como diamantes espalhados, Amber lutava para encontrar palavras.

— É só que… eu queria ter namorado mais homens.

— Hã?!

— É injusto. Agora que estamos casados, não posso conhecer ninguém, mas meu marido já se divertiu bastante por aí.

— Quem disse que eu me diverti?

— Não se divertiu?

Ao lançar essa pergunta, Amber olhou para Igmeyer e viu uma expressão peculiar em seu rosto.  

— Nem um pouco. Onde eu teria encontrado tempo? Estava ocupado demais lutando e ganhando dinheiro.

— Sério? Então por que você é tão… experiente?

(Elisa: Virjão bom de cama )

‘Ele sabe exatamente onde tocar para dar prazer a uma mulher, certo?’

Amber achava difícil acreditar nas palavras de Igmeyer.

Toda vez que estavam juntos, tudo o que Amber fazia era ter orgasmos até desmaiar de exaustão. Enquanto isso, o homem parecia saber exatamente como devorá-la até os ossos.

Isso não vinha da experiência?

Igmeyer respondeu, parecendo injustiçado.

— Cresci entre mercenários. Vi e aprendi muita coisa, só isso.

— Hã?

— É verdade. A Princesa não imagina o que acontece em um acampamento de mercenários.

Com ele insistindo tanto, Amber sentiu que tinha que acreditar nele.  

Na verdade, Amber não se importava se ele era virgem ou não.

Preferia um homem que soubesse como conduzir o prazer passo a passo a um virgem que achasse que apenas penetrar era o suficiente.

Só esperava que ele não tivesse estado com muitas outras mulheres.

— Que bom. Sinto que conheci mais sobre você.

Valeu a pena deixar Nicholas para trás.  

Amber caminhou lentamente com Igmeyer, banhada pela felicidade e a luz do sol.  

Enquanto isso, Igmeyer discretamente fazia sinais com a mão atrás das costas.

Pensar que esse encontro terminaria apenas com um passeio era ingenuidade. Igmeyer havia se preparado completamente para o encontro.

— Vamos ver os cavalos agora?

— Cavalos?

— Pensei que seria bom você ter um bem dócil para cavalgar confortavelmente. Talvez um pônei grande.

Amber ficou surpresa com a sugestão inesperada.

— Um cavalo, do nada?

— Ouvi dizer que você sabe cavalgar. Seria bom continuar praticando um hobby que gosta, especialmente na primavera.

— Sim, é verdade, mas…

‘Por que ele continua me surpreendendo assim?’

Amber mexeu levemente os dedos dos pés.

Era assim que se sentia ao receber um presente inesperado, algo que ela nem imaginava?  

No passado, receber presentes era algo natural para Amber.

Mas agora, as circunstâncias mudaram. A ideia de comprar algo para si ou gastar com seus hobbies e gostos era impensável.

— Se isso for um fardo ou se você não gostar…

— Não, não, de jeito nenhum!

— De qualquer forma, eu ia insistir para você aceitar.

A resposta apressada fez Igmeyer rir.

— De que cor você gosta?

— Não sei, foi tão de repente… mas desde pequena sempre quis um cavalo branco.

— Então vamos ver se encontramos um cavalo branco. Talvez um puxado para o bege.

Ainda atônita, Amber seguiu pelo caminho que o homem indicava.

Passaram por barracas vendendo comidas tentadoras, e alguns passos depois, encontraram vários comerciantes com seus cavalos.

— Vejamos, esses são todos cavalos de guerra, não servem. Vamos mais adiante.

Igmeyer conseguia identificar o temperamento e aptidão de um cavalo à primeira vista.  

Amber, que não era totalmente leiga, também não se demorou muito perto deles.

Cavalos de guerra são grandes, resistentes e selvagens. Ela havia aprendido desde cedo que eram difíceis de domar.  

— Esses parecem bons. A musculatura está no ponto, e têm carne o suficiente para não se cansarem facilmente em longas distâncias.

— Gosto deles. Todos são bonitos.

Finalmente, Igmeyer avistou um grupo adequado de cavalos.

Amber examinou cada um de aparência gentil enquanto eles piscavam suavemente. Então, notou um cavalo branco amarrado sozinho ao fundo.  

— Por que aquele está separado?

— Geralmente, significa que tem um temperamento forte.

— Fiquei curiosa. Podemos perguntar ao comerciante?

Ao ver a atitude interessada de Amber, Igmeyer logo percebeu que ela já tinha se encantado pelo animal.

De fato, era incrivelmente bonita, com crina elegante, dorso firme, pernas retas e uma cauda com um brilho dourado.

Montada sobre aquele corpo branco como a neve, com olhos castanhos intensos, Amber pareceria uma rainha do gelo, perfeitamente combinando, como se fossem feitas uma para a outra.

Mas se o temperamento da égua fosse selvagem demais, poderia ser perigoso.

Preocupado, Igmeyer a acompanhou e foi franzindo a testa a cada explicação do comerciante.

— Ah, se vieram ver essa aqui, me desculpem, mas não está à venda.

— É mesmo? É tão linda, não é à toa que quero ficar com ela.

— Não, não é isso. Ela tem um temperamento terrível… fica calma até alguém montar, mas depois dispara e derruba a pessoa.

Além do temperamento ruim, era inteligente também. Amber poderia se machucar seriamente se não tivesse cuidado.

— Amber, ela não serve.

— Mas…

Apesar do aviso do comerciante, Amber não conseguia simplesmente ir embora.

‘Parece tão solitária. Isolada.’

Apesar de sua aparência nobre, havia inquietação em seus olhos castanhos profundos, que Amber conseguia ler.  

— Você quer vir comigo?

Hesitando a princípio, Amber caminhou finalmente com confiança até o lindo animal branco e falou com ela.  

— Meu irmão dizia que cavalos são inteligentes o suficiente para entender a fala humana. Você é esperta, então vai entender também.

Bufa

A égua bufou e virou a cabeça, mas Amber, imperturbável, continuou a conversa como se nada tivesse acontecido. Enquanto isso, Igmeyer cerrava os punhos e observava.  

— Vou te dar um bom feno para comer. Escovarei sua pelagem e te darei água limpa. Não vou te prender. Se decidir que posso montar, então montarei.

Honestamente, era uma oferta revolucionária para um dono de cavalo. Comprar um e deixá-lo escolher se quer ser montado era algo inédito.  

Onde mais encontraria um ambiente de trabalho tão inovador?

O cavalo parecia mais receptivo do que antes.

— Também te darei cubos de açúcar. Cuidarei de você, quer eu monte ou não.

Amber sussurrou suavemente e estendeu um pouco a mão.

Igmeyer, contendo o impulso de avisá-la do perigo, observou a cena.  

Ele não deveria interferir.

Como princesa, Amber havia recebido a melhor educação desde pequena, inclusive em equitação. Ela sabia bem o que era um cavalo e como lidar com ele. E não estava estendendo a mão de forma imprudente.

Além disso, um homem que dá conselhos não solicitados é o pior, não é?  

— Vamos ser amigas. Você não gosta de ficar sozinha aqui, gosta? No fundo, está solitária, não é mesmo.

O animal, como se estivesse irritado, bateu os cascos dianteiros e empurrou a cabeça para frente.

Amber olhou calmamente em seus olhos. Não demonstrou medo nem surpresa, apenas permaneceu tranquila e gentil.

— Serei sua amiga. E você será minha também?

Uma amiga, não uma dona. Uma parceira, não uma possuidora.  

Ver um cavalo dessa maneira.

Igmeyer olhava para Amber com admiração.

Claro, havia cavaleiros que cuidavam bem de seus cavalos, e o próprio Igmeyer tratava o seu com respeito.  

Mas a relação sempre fora clara: ele via o cavalo como uma montaria, não como um amigo.

— …

‘O que aconteceu?’

Tenso, Igmeyer viu o animal lentamente abaixar a cabeça.  

Era surpreendente.

— Hã… nunca imaginei que ela se comportaria assim, tão mansinha. Estou surpreso!

— Quanto custa?

Depois de pagar o valor ao comerciante, que falava sem parar, Igmeyer olhou para Amber. Ela já estava junto à égua, acariciando seu pescoço. Felizmente, não demonstrava nenhuma agressividade.

Parecia até estar buscando carinho.

— Você sabe ser fofa.

Igmeyer resmungou sarcasticamente, o animal de repente levantou a cabeça e começou a raspar os cascos dianteiros como se o desafiasse.

Por mais absurdo que parecesse, um cavalo que também agisse como guardião não seria ruim para Amber.

— Amber. Vamos jantar.

— E quanto a ela?

— Não se preocupe. Vou garantir que seja levada com segurança até o castelo.

Nenhum “encontro” era de fato só os dois. Sempre havia guardas secretos por perto.

Amber assentiu, sabendo disso também.

— Nos vemos depois. Seu nome será Salt.

— Salt? Por quê?

— É essencial para a sobrevivência. Significa que é tão importante para mim quanto o sal.

— Você gostou tanto assim dela? Está me deixando com ciúmes.

— Está com ciúmes da égua, sério?

Trocando provocações enquanto caminhavam, Amber discretamente entrelaçou seu braço com o dele. Seu toque suave despertou algo dentro do homem.

‘Ah… droga. Eu não sou tão canalha assim.’

Igmeyer estava profundamente decepcionado com seu autocontrole.  

Ultimamente, só de olhar para Amber, seu corpo reagia queimando de desejo.

Seria porque seus corpos se encaixavam tão perfeitamente desde aquela vez sobre as moedas de ouro?

Igmeyer suspirou profundamente, encarando seu membro problemático com olhos sombrios.  

Ele queria tocar essa mulher agora mesmo e saboreá-la, porém, estavam em público, e em plena luz do dia. Não tinha escolha a não ser se conter.  

‘Pare de imaginar, Igmeyer Niflheim.’

Repreender a si se mostrou inútil, pois ele continuava sentindo os toques suaves em seu braço.

— Estou com vontade de comer algo picante faz tempo, e você?

— …Hãã!

— Igmeyer?

Virando-se para ele com um olhar inocente, Amber viu Igmeyer lutando para suprimir seus desejos crescentes, balançando levemente a cabeça.

No fim das contas, não importava. A coisa que ele mais queria comer não estava em nenhum cardápio.

Continua…

Tradução: Elisa Erzet 

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Amber, era uma princesa tão linda quanto uma fada.
Seu marido, que viveu como mercenário, era muito diferente dela em todos os sentidos.
Devido a um casamento forçado, Amber caiu em desespero. Ao longo dos anos de seu casamento, se ressentia veementemente de tudo sobre seu marido.
No entanto, quando ele encontrou seu fim tentando protegê-la e ao filho que ela estava esperando, Amber foi tomada pelo arrependimento e desejou voltar no tempo…
O ponto de partida da regressão foi a noite de núpcias.
— Você não olhou para mim nem uma vez durante o banquete do casamento, pensei que estivesse chateada por se tornar esposa de um homem humilde.
Ela já era como cinzas queimadas, mas ele parecia um espírito de fogo dançando sobre as ruínas.
O abraço dele era forte demais para suportar, então Amber desviou finalmente o olhar.
🌸🌸🌸
‘Foi só após te conhecer que percebi que havia um vazio dentro de mim. E então fiquei feliz, sabendo que você vai completar esse vazio.
Mas conforme essa parte em mim era preenchida, fui ficando mais ganancioso.
Ah, se eu fosse um pouco mais perverso, eu teria devorado você inteira.
 
Ps: Meu outro maridinho

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