Ler A Tatuagem de Camélia – Capítulo 32 Online
3: Operações de Recuperação e Amigos Próximos
O som do solo descongelando era, curiosamente, bastante crocante.
Amber rapidamente passou a gostar de pisar em na neve fina, sentindo um prazer semelhante ao de esmagar migalhas de biscoito espalhadas, graças ao som que produzia.
— Por aqui, aqui!
— Vamos rápido!
Niflheim estava atualmente no meio das operações de recuperação. Graças a isso, Amber se divertia feliz com um hobby que nunca tinha revelado a ninguém.
Nos arredores do castelo, grande parte da neve já havia derretido, revelando o solo, mas, se fosse um pouco mais para o norte, ainda era possível encontrar terreno congelado.
O gelo grosso era quebrado pelos soldados com martelos, mas as áreas com uma camada fina eram inteiramente domínio de Amber, principalmente porque todos conheciam sua predileção por pisar nele.
Uma indulgência fofa da Grã-Duquesa que todos fingiam não notar, optando por fazer vista grossa.
— Nesta vila não houve uma única vítima, tudo graças a seguir perfeitamente as instruções da senhora.
— Que notícia maravilhosa.
Amber, que até então pisava deliberadamente apenas no gelo, respondeu com indiferença, como se não estivesse fazendo nada do tipo.
Gallard, o vice-comandante dos Cavaleiros dos Gigantes de Gelo, quase caiu na gargalhada diante da fingida indiferença da Grã-Duquesa, conseguindo se segurar por pouco.
Aquela era a reação de alguém que acabara de brincar na neve derretida como uma criança?
Para Gallard, a Grã-Duquesa parecia bastante adorável.
Ele só tinha visto sua presença digna de longe, mas agora, servindo-a de perto, notava inúmeros detalhes encantadores.
Não é à toa que o Grão-Duque está tão apaixonado e não consegue ficar longe.
Para um vice-comandante, assumir uma missão de escolta era uma designação bastante injusta.
No entanto, Gallard aceitou com entusiasmo. Era uma excelente oportunidade para conhecer melhor a sua senhora.
— Obrigado, Grã-Duquesa. Muito obrigado… Buaaa.
— Pare de chorar. Tudo bem, desde que ninguém tenha se machucado. Podemos reparar as casas e os canais danificados na primavera.
— Sim. Na vila vizinha, mais da metade morreu… Mas ficamos no abrigo até o fim. Não importava os sons que ouvíssemos, não saímos.
— Isso é bom, vocês fizeram certo. Não se preocupem mais, chefe da vila.
A chefe da vila, uma senhorinha desdentada, estava meio sem palavras, talvez pelo choque do ocorrido.
Mesmo assim, Amber a ouviu com paciência, sem franzir a testa uma única vez.
‘Impressionante.’
Gallard achou verdadeiramente notável. Como ela podia oferecer a mão e acariciar seus ombros sem demonstrar o menor sinal de descontentamento?
Não só entre a realeza, mas nenhum nobre trataria os plebeus com tanta gentileza.
Gallard ficou curioso sobre a origem de sua ternura.
— Há uma diferença significativa nos danos entre as vilas que seguiram as instruções e as que não. É lamentável, mas isso pode fortalecer a união delas.
— Os que não obedeceram estão todos mortos?
— …Hum. Bem, sim, pode-se dizer isso.
Enquanto se dirigiam para a próxima vila, Gallard pensou que aquilo era um mal necessário que uma diferença tão clara tivesse surgido.
Em tempos de guerra, desobedecer ordens podia levar ao desastre.
Esse incidente provavelmente reforçou a importância de seguir comandos para sobreviver, e não apenas cuidar de si mesmo.
— Mesmo assim, é triste pelos que morreram. Teria sido melhor se tivessem sobrevivido.
— A senhora tem um coração bondoso.
‘Tenho?’
Amber murmurou para si. Nora, a criada que a acompanhava, iniciou animadamente uma conversa.
— Senhora, gostaria de terminar o desenho que começou mais cedo?
— Devo?
Com o consentimento de Amber, Nora rapidamente tirou os materiais de desenho que havia trazido, uma prancheta para desenhar na carruagem, um cavalete portátil pequeno, papel e carvão.
Atualmente, Amber estava percorrendo o norte para incentivar os esforços de recuperação.
Ela acreditava que mostrar seu rosto e se envolver diretamente era mais eficaz para acalmar os ânimos do que ficar trancada no castelo em tempos tão críticos.
Embora os danos fossem menores que no passado, muitos ainda estavam feridos, então Amber mobilizou um grupo de médicos do castelo para atendimento móvel, o que se mostrou muito eficaz até agora.
‘Será que o povo do Norte não me odeia agora?’
Segurando o carvão, a mão de Amber se movia lentamente.
Desenhar com precisão dentro de uma carruagem em movimento era improvável, mas isso pouco importava, já que ela não era artista.
— Uau! A senhora desenhou um gatinho tão fofo!
— …É uma maçã.
— Eh?!
Amber olhou seriamente para o desenho.
Realmente não parecia uma maçã? Mesmo que estivesse ruim, um gato era um exagero.
— Ah, Grã-Duquesa, você desenhou um cachorro.
— É uma maçã.
— Ah, é? Que maçã mais fofa então.
Sir Gallard Lundsten acrescentou sua observação.
Amber suspirou suavemente e saiu da carruagem com seu desenho.
— Senhor, o que isso parece para você?
— Uh… um passarinho pequeno?
— É uma maçã.
— Argh!
Depois disso, ela perguntou a todos os cavaleiros que encontrou, mas nenhum identificou o desenho como uma maçã. Ela tinha certeza de que havia desenhado uma!
Depois de perguntar a cerca de dez cavaleiros, Amber finalmente admitiu a derrota e desistiu.
‘Aliás… é surpreendente quantos cavaleiros sobreviveram.’
Ela tinha um relacionamento bom o suficiente com os cavaleiros para ter conversas tão triviais. Algo que nunca teria sonhado na sua vida passada.
‘Certamente há cavaleiros que morreram, mas não é necessário me culpar por essas mortes.’
Como foi essa época no passado?
Foi uma primavera terrível.
Durante essa breve estação, Nidhogg ficou quieto, e não houve expedições.
Igmeyer realizou cerimônias em memória dos cavaleiros caídos, e suas famílias choravam diariamente. Novos cavaleiros tiveram que ser escolhidos, e como era impossível encontrar candidatos adequados no norte devastado, trouxeram alunos das escolas de cavalaria da capital.
Esses recém-chegados brigavam ferozmente com os cavaleiros atuais, muitos dos quais eram antigos mercenários, e a atmosfera piorava a cada dia.
As coisas não serão assim desta vez.
O futuro havia mudado.
Amber deveria estar aliviada e feliz, mas, estranhamente, não conseguia sorrir.
Porque ela sabia o que viria a seguir.
‘Se eu engravidar, Nidhogg virá novamente.’
Até então, ela não usava contraceptivos. Não precisava se preocupar com gravidez antes de deter o Grito de Nidhogg.
Mas agora que um evento tão significativo havia sido alterado, o futuro era incerto. Ela poderia descobrir que estava grávida a qualquer momento.
— Grã-Duquesa, hum…
Naquele momento.
— Bem, é que… estamos ficando sem ervas. Ainda não acabaram, mas neste ritmo, a quantidade que preparamos será totalmente insuficiente…
— Quanto falta? Você pode estimar?
— Sim.
Apesar de parecer nervoso, o médico era competente e respondeu prontamente à pergunta.
— No ritmo atual, usamos um saco de ervas para cada três vilas. Se continuarmos assim, só teremos ervas suficientes para mais três, ou seja, acabaremos depois de visitar mais três lugares.
— Temos cerca de dez pela frente, então estamos em falta.
— Sim. Além disso, o uso das ervas não cura os pacientes imediatamente. Só temos conseguido dar tratamentos emergenciais enquanto economizamos o suprimento… Os pacientes em estado crítico precisarão ser revisitados. Levando isso em consideração…
Enquanto ajeitava os óculos e falava de forma direta, o médico logo hesitou novamente, talvez percebendo com quem estava falando.
— Eu já previra que ficaríamos sem ervas.
Os mortos não precisam de remédio. Mas sim os vivos.
Com tantas pessoas feridas, era natural que tanto os médicos quanto os medicamentos estivessem em falta.
‘Com o orçamento, comprar galinhas, óleo e comida era prioridade. Estávamos tão sem dinheiro que nem pudemos comprar bandagens, então tive que fazer eu mesma.’
Depois de dispensar o médico, Amber olhou para o céu.
Estava lindo, salpicado de algumas nuvens.
‘Deve estar na hora dos suprimentos de Shadroch chegarem…’
Amber se perguntava se seus amigos, ao receberem sua carta, enviariam apoio, algo que ela aguardava ansiosamente.
Quanto tempo havia se passado?
Após concluir sua inspeção pelas vilas do norte e retornar ao castelo, Amber finalmente tirou uma pausa para descansar e tomar chá, algo que não fazia há muito tempo.
Exausta da viagem, agora ela nem queria sair do quarto.
Mas, justo quando saboreava aquele momento de descanso, alguém bateu na porta.
— É o mordomo, senhora. Tenho algo para dizer.
Não se pode simplesmente adiar o relatório de um mordomo. Relutantemente, Amber pôs a xícara sobre a mesa e se levantou
— Entre. O que houve?
Parte dela imaginava que fosse um incêndio, a outra esperava pela chegada daquilo que tanto aguardava.
Embora a boca estivesse seca, Amber não deixou transparecer. Huvern falou com calma e compostura:
— Chegou um comunicado do portão do castelo. Uma pessoa vinda de Shadroch apareceu alegando trazer presentes.
—….
O nome da pessoa é Nicholas Eaton. A senhora o conhece?
Nicholas Eaton!
Ah, um nome pelo qual ansiava. Um amigo que sentia imensa falta, em quem pensava com frequência.
Mesmo sem ouvir o motivo de sua vinda, um homem que detestava o frio, Amber sentiu que já sabia, e chegou a cambalear levemente.
Queria mandá-lo entrar imediatamente, mas não podia.
Afinal, aquele era o castelo de Igmeyer.
— Onde está o Grão-Duque?
— Foi direto ao portão.
— Eu vou também. Envie alguém na frente para avisá-lo que Nicholas é um velho amigo meu.
— Eu farei isso.
Memórias da infância juntos surgiram como névoa.
“Olha, princesa! Tem um coelhinho aqui!”
“Sério? Onde está a mãe dele? Onde está a coelha?”
“Ah, mas parece machucado… Vamos levar e cuidar dele? Eu aprendi a fazer curativos!”
Nicholas era o filho mais novo do Marquês Eaton, conhecido por sua natureza gentil.
Eles se conheceram pela primeira vez em uma festa no jardim organizada pela irmã mais velha de Nicholas, Lady Rosalyn. Amber e Nicholas, da mesma idade, se tornaram amigos imediatamente.
Ambos compartilhavam o amor pelos animais e tinham personalidades gentis, o que provavelmente explicava porque se davam tão bem.
Assim, passavam o tempo livre vagando pelos jardins do palácio e os pequenos bosques.
Amber sabia quem era o primeiro amor de Nicholas, e ele sabia por quem Amber suspirava.
Apesar da diferença de gênero, eram amigos, mesmo com o passar dos anos e se vendo com menos frequência, a amizade deles permaneceu igual.
Era um amigo precioso, que vinha consolá-la quando chorava e oferecia o ombro quando ela estava triste.
Para Amber, já fazia tanto tempo que não via Nicholas… se considerassem o tempo antes e depois da sua regressão.
— Igmeyer! Ouvi dizer que Nicholas chegou!
Pouco depois, Amber chegou correndo ao portão. Lá estava Igmeyer, inclinado numa postura muito desleixada, mas, honestamente, ela nem reparou.
Só queria ver Nicholas.
— Onde ele está? Você não o deixou esperando no frio, deixou?
Ao agarrar Igmeyer e perguntar, as íris vermelhas do homem cintilaram.
— Devia ter deixado ele virar um boneco de neve.
— Você só pode estar brincando.
— Esse seu amigo trouxe uma carreta de coisas.
Os lábios de Igmeyer torceram-se.
Os cavaleiros, percebendo o descontentamento do homem, se retiraram discretamente, mas Amber não percebeu.
Normalmente, teria percebido na hora, mas agora, toda a sua atenção estava concentrada em Nicholas.
A presença de Nicholas Eaton, para ela, representava naquele momento, “tudo o que ela havia inevitavelmente perdido ao se casar”.
— Nick!
Perto do portão, havia um espaço que servia como sala de recepção para visitantes.
Nicholas e os servos a aguardavam ali e, ao ver seus cabelos loiro-escuros tão familiares, Amber quase chorou.
— Vossa Alteza! Ou melhor, agora devo chamá-la de Grã-Duquesa do Norte. Tem passado bem?
— Ah, mas o que é isso? Como você veio parar aqui?!
No coração dela, já o teria abraçado com força, mas não podia fazer isso de verdade, especialmente diante do marido e depois do casamento.
Em vez disso, tomada por uma emoção avassaladora, Amber examinou Nicholas dos pés à cabeça.
Para ser sincera… até pouco antes do reencontro, o rosto de Nicholas estava um tanto apagado em sua memória.
‘Então era assim que você era. Sim, este era seu rosto.’
Seus traços gentis, típicos de Shadroch, e o vestuário exuberante ficaram gravados em sua memória.
Continua…
Tradução Elisa Erzet
Ler A Tatuagem de Camélia Yaoi Mangá Online
Amber, era uma princesa tão linda quanto uma fada.
Seu marido, que viveu como mercenário, era muito diferente dela em todos os sentidos.
Devido a um casamento forçado, Amber caiu em desespero. Ao longo dos anos de seu casamento, se ressentia veementemente de tudo sobre seu marido.
No entanto, quando ele encontrou seu fim tentando protegê-la e ao filho que ela estava esperando, Amber foi tomada pelo arrependimento e desejou voltar no tempo…
O ponto de partida da regressão foi a noite de núpcias.
— Você não olhou para mim nem uma vez durante o banquete do casamento, pensei que estivesse chateada por se tornar esposa de um homem humilde.
Ela já era como cinzas queimadas, mas ele parecia um espírito de fogo dançando sobre as ruínas.
O abraço dele era forte demais para suportar, então Amber desviou finalmente o olhar.
🌸🌸🌸
‘Foi só após te conhecer que percebi que havia um vazio dentro de mim. E então fiquei feliz, sabendo que você vai completar esse vazio.
Mas conforme essa parte em mim era preenchida, fui ficando mais ganancioso.
Ah, se eu fosse um pouco mais perverso, eu teria devorado você inteira.
Ps: Meu outro maridinho