Ler Amor com sabor de hortelã – Capítulo 05 Online

Modo Claro

Mesmo que alguém fosse homofóbico, geralmente esconderia isso na faculdade por vergonha, mas não Ki Yeonghan. Yoon Yejun sorriu levemente. Quem era ele para julgar pessoas assim?

— Aff, sério… Esse cara não ouve mais ninguém ultimamente.

O homem, ao terminar a ligação, virou-se com uma expressão irritada. Observando suas costas, Yoon Yejun desviou naturalmente o olhar. O homem foi até o cinzeiro, apagou o cigarro ali resmungando e saiu andando como se nada tivesse acontecido.

Yoon Yejun soltou um sorriso carregado de deboche. Donghoon, que fumava a poucos passos dali, olhou para ele e perguntou:  

— Qual é desse sorriso bobo?

— Você fala como um velho.

— Então por que tá rindo assim?

— Aquele cara é hilário.

Ele apontou com o queixo para na direção do homem que se afastava. Donghoon começou:

— Ah, aquele cara.

— Qual é o nome dele?

— Não sei.

Infelizmente, Yoon Yejun não sabia o nome do homem. Ele só lembrava dele como um lunático bonito e mal-educado. Nem todo mundo era um possível interesse amoroso, mas aquele cara era o oposto do seu tipo. Yoon não gostava de pessoas chamativas. Simples e discreto, era o melhor.

 — Ele é de Ciências Políticas. Bem conhecido.

— Por quê?

— Você não saberia, já que estava de licença. Mas nossos semestres coincidiram.

Donghoon coçou o nariz com o dedo indicador e falou casualmente:  

— A personalidade daquele cara é um lixo.

Parece que todo mundo via isso claramente. Yoon Yejun assentiu em concordância.

Na aula de “Relacionamento e Comunicação”, não havia um livro específico. Os alunos imprimiam o material da plataforma do curso com antecedência e faziam as anotações durante as aulas. 

O conteúdo era razoavelmente bom. Ao contrário dos trabalhos em grupo cansativos, era basicamente memorização. Ki Yeonghan, balançando a caneta e inclinando a cabeça, se concentrou na tela da apresentação antes de olhar para as fileiras da frente. Era de se esperar que os alunos cochilassem em uma aula de sociologia, mas naquele auditório, poucos dormiam ou usavam o celular.

Ki Yeonghan concluiu que era porque os alunos tinham que sentar ao lado de seus parceiros de grupo. Em uma disciplina onde era preciso fingir ser um casal com um estranho o semestre inteiro, ninguém ousaria dormir ou fazer bagunça.  

Exceto uma pessoa.

Ki Yeonghan lançou um olhar afiado para o cara ao seu lado, que estava cochilando como uma galinha bicando milho. O jeito que a cabeça dele tombava para frente e para trás era, no mínimo, feio de ver.

Se pelo menos dormisse com a cabeça na mesa, seria menos irritante, mas aqueles solavancos quebravam completamente a concentração de Ki Yeonghan.  

Yoon Yejun tombou a cabeça novamente e então acordou com um sobressalto. Seus olhares se encontraram. Ki Yeonghan levantou uma sobrancelha, encarando os olhos sonolentos de Yoon Yejun antes de analisá-lo de cima a baixo.

Yoon Yejun sentiu o olhar, mas ignorou. Em vez disso, esfregou os olhos e virou as anotações conforme o que o professor dizia.

— Ei!

Ki Yeonghan chamou. Yoon Yejun apenas encarou, sem responder.  

— Dorme com a cabeça na mesa.

— … O quê?

— Estou dizendo porque sua cabeça fica balançando, tá me distraindo. Se não quer estudar, beleza, mas por que atrapalhar os outros?

Yoon Yejun olhou para Ki Yeonghan com uma expressão de descrença.

— Hã…

Deu uma risadinha debochada, com um tom baixo.

  

— Só ignora. Sua concentração é tão frágil assim? Alguém cochilando te incomoda tanto? Como você estuda, então?

Ele é quem estava atrapalhando, e agora faz drama? Ki Yeonghan cerrou os dentes.

— Quem tá sendo chato é você. Veio para faculdade para brincar?

— Por que você fala desse jeito informal? Parece alguém sem educação.

— Ah, então na sua escola ensinaram que tudo bem dormir na aula e incomodar os outros? Não sabe o que é um ambiente de estudo? 

O cara não recuava. Melhor não discutir. Não vale a pena se envolver com um maluco desses. Com a paciência que ganhou trabalhando em vários empregos, atendimento, aulas particulares, fábrica, Yoon Yejun curvou os olhos num sorriso suave.

— Desculpa. Fui mal-educado. Sinto muito por atrapalhar seus estudos. Não vou mais cochilar, então vá estudar.

Ele levantou as mãos como quem presta reverência, apontando para as anotações de Ki Yeonghan. Claro, tudo cheio de sarcasmo.

O rosto de Ki Yeonghan ardia de raiva. Mesmo quando ele tentava encerrar, o cara fazia escândalo. Yoon Yejun voltou o olhar para o professor, estalando a língua mentalmente. Conhecia bem esse tipo. Gente que nunca deixa ninguém ter a última palavra. Arrumam qualquer desculpa para brigar. Melhor evitar. Por que temer merda? Só suja.

Dez minutos antes do fim da aula, o professor, terminando mais cedo do que o previsto, falou:

— Conforme o cronograma, o trabalho é um relatório, e o tema desta semana é… Se já se conhecem, podem fazer um role-play. Como a maioria é de estranhos, basta conversar em um café. O tamanho do relatório não importa, mas como falei na orientação, foquem nas emoções. E… como é uma aula de quinta, entreguem até 10 da manhã. Nem um minuto a mais. Por hoje é só.

O professor guardou o notebook. Alguns alunos atrasados se aproximaram dele. Ki Yeonghan ficou sentado, exausto de ter que lidar com o cara ao lado o tempo todo.  

Mas Yoon Yejun, como se já tivesse esquecido a discussão anterior, falou com naturalidade. Foi direto ao ponto:

— Que horas amanhã?

Ki Yeonghan respondeu de forma seca:

— Vamos acabar logo com isso, 9h.

— Foi mal, trabalho até tarde. Dá para ser um pouco mais tarde?

— Estou abrindo mão do meu dia livre para vir a escola por sua causa, e ainda não posso escolher o horário? Que egoísmo. 

— Aff!   

Yoon Yejun soltou um suspiro audível. Ki Yeonghan sentiu uma breve pontada de culpa, mas só por um instante.

Ele já tinha cedido o suficiente. Quem diabos viria à faculdade numa sexta-feira, sem aula, só por causa de um trabalho bobo?  

Após hesitar, Yoon Yejun assentiu, derrotado.

— Tá bom. 9h. Em frente à faculdade? 

— Tanto faz.

Ki Yeonghan arrumou a mochila. Se o cara trabalhava até tarde não era problema dele. Pegou suas coisas e saiu da sala sem se despedir, tinha aula da graduação para ir.  

  

8h57.  

Ki Yeonghan olhou para o celular. Nenhuma mensagem de Yoon Yejun. Ficou indignado. Eles haviam trocado algumas mensagens rápidas no dia anterior.

— Vamos nos encontrar no café em frente à faculdade.

— [Ok.] 

— Até 9h.

[Ok.] 

O cara só respondia “Ok”, seco. Era ridículo, mas Ki Yeonghan ignorou.  

Enquanto esperava, ele pensou em seus relacionamentos passados. Todos foram curtos. Aceitava confissões se achasse razoáveis, saía sequencialmente e, embora não pudesse dizer que dava tudo de si, fazia o básico. Depois levava um fora.

Nunca entendeu o porquê. Quando perguntava, as ex no início choravam, mas depois vinham os xingamentos, diziam que ele nunca seria capaz de amar, nem quando estivesse velho e morto. Ki Yeonghan não era do tipo que aceitava um “Acabou? Vaza.” sem reagir. Ele rebatia. Esse era seu passado.  

Por que pensar nisso agora? Mas, considerando a disciplina, era inevitável.  

— Tss… 

Estalando a língua, Ki Yeonghan checou o celular de novo. Eram exatamente 9h. Mas Yoon Yejun, seu parceiro de grupo, não aparecia. Ligou sem hesitar.

O outro não atendeu. ‘Que inferno?’ Ki Yeonghan encarava o celular, ouvindo apenas o toque interminável. Tentou mais algumas vezes.

Mesmo resultado. Assim que deu 9:02…

— Uffa… ah… D-desculpe…

O cara apareceu, subindo as escadas do café. Estava ofegante. Havia algo estranho naquela respiração rouca. Seu cabelo estava molhado nas pontas, como se não tivesse secado direito. Era um milagre estar vestido de forma decente. Segurava um pager vibrando, tinha pedido café.

Bzzz — o pager vibrou.

— Vou pegar meu café.

Desceu para o primeiro andar e voltou com um americano gelado, cubos de gelo boiando. 

Ki Yeonghan não disfarçou sua expressão azeda. As sobrancelhas arqueadas.

— Dois minutos atrasado? Três, contando a pausa do café.

— Ah…

— Você deve ser péssimo com horários. Eu cheguei dez minutos antes. Não é o normal?

Poucas pessoas eram pontuais, mas Ki Yeonghan sempre chegava antes. Isso dava a ele moral para esculachar. Diante das palavras afiadas, o rapaz, claramente constrangido, se desculpou novamente, curvando a cabeça. Sabia que estava errado, e isso irritava ainda mais Ki Yeonghan. Zero traços admiráveis.

Yoon Yejun puxou uma cadeira e sentou. Ki Yeonghan, de braços cruzados, nem se incomodou em endireitar sua postura, encarando o outro com expressão de puro desdém. 

Ki Yeonghan ligou o gravador. Precisavam fazer o trabalho. O outro acalmou a respiração e deu um gole no café. Observando a condensação no copo, Ki Yeonghan falou, puramente por obrigação:

— Seu trabalho deve ser puxado. Você chegou atrasado, afina.l

Mas o tom estava longe de ser amigável.  

— Ah… É, terminei às duas da manhã.

— O quê, você trabalha em bar?

— Não. Estava dando aula particular ontem.

Devia ter vários empregos. Ki Yeonghan o olhou de relance, assentiu levemente, deixando para lá. Então lembrou que era um trabalho em dupla. Tentou moderar seu tom habitual. Se fosse muito duro, vai saber o que o rapaz escreveria no relatório.

— Parece que você faz vários bicos.

  

— Fico com dois empregos durante o semestre.

— Aulas particulares, bar e loja de conveniência nas férias. Mas enfim.

Ki Yeonghan inclinou a cabeça, respondendo às palavras do homem.  

— Como devo te chamar? 

— Meu nome?

— Sim.

Diante da pergunta, a expressão de Ki Yeonghan se fechou completamente. Uma onda de indignação tomou conta. Detestava se sentir em desvantagem. Pela primeira vez, sentiu-se injustiçado por saber o nome do outro, enquanto ele não sabia o seu.

— Yoon Yejun, você não deveria pelo menos saber o nome do seu parceiro de grupo? Não é como se fossem dezenas para decorar.  

— Você nunca me disse.

E assim, Ki Yeonghan ficou sem palavras. Só sabia o nome de Yoon Yejun porque tinha prestado um pouco de atenção, não porque tivesse se esforçado para memorizar.

Ainda assim, não conseguiu conter a irritação. Sem disfarçar o mau-humor, Ki Yeonghan encarou o homem.  Yoon Yejun, com o rosto calmo, olhou para o café e deu mais um gole. Ki Yeonghan assentiu e resmungou:

— Ki Yeonghan.

— Certo.   

O silêncio voltou. Uma conversa animada cortou o ar. Apesar do horário, outra mesa estava ocupada no café, calouros e um veterano bancando o líder, rostos ainda vermelhos da bebedeira da noite anterior. Quando o veterano soltou uma piada, os novatos caíram na risada. Que vida despreocupada. Ki Yeonghan desviou os olhos para o grupo animado.  

— Meu nome é Ki Yeonghan, tenho 24 anos e sou do curso de Ciência Política e Diplomacia.

— Yoon Yejun, 26 anos. Comunicação e Mídia. Voltei esse ano depois de um tempo afastado, então…

Yoon Yejun levantou a mão e coçou a nuca. Seu pescoço era delicado. Ki Yeonghan o observou em silêncio. Era diferente dos caras brutos e másculos. Tinha traços mais delicados. Uma dúvida que o incomodava veio à tona:

  

— Por que você pediu para ficar no mesmo grupo, no começo? 

Ele realmente queria saber. Ki Yeonghan sabia que não era feio. Tinha uma boa altura, não vinha de família pobre, então nunca se sentiu inferior. Claro, muita gente reclamava da sua personalidade, mas ainda assim recebia declarações com frequência. Só que essa era a primeira vez com um homem.

De repente, ele pensou em seu irmãozinho tolo, que flertava com caras e se envolvia em relacionamentos sem a menor noção. Isso o deixou ainda mais curioso. Será que esse cara era…

— Você gosta de homens? 

No momento em que Ki Yeonghan perguntou, a música cortou abruptamente. Ele podia sentir as poucas pessoas ao redor observando seu rosto. Yoon Yejun respondeu com uma voz calma:  

— Não.

— Ah!  

— Achei que seria mais fácil com alguém do mesmo gênero. Trabalho em muitos empregos de meio período, então geralmente termino tarde. Chamar uma garota para sair à noite seria falta de consideração. Mesmo que não fosse você, Ki Yeonghan, eu teria chamado quem estivesse sentado ao meu lado para formar o grupo.

Fazia sentido, mas não foi agradável de ouvir. Não se tratava de gostar ou não do cara. Era mais como se Yoon Yejun estivesse destruindo o orgulho elevado que Ki Yeonghan carregava. Mesmo assim, ele escondeu suas emoções.

Em vez disso, tomou um gole do americano gelado à sua frente. O calor que o dominava naquela manhã esfriou. Encolhendo os ombros, ele abotoou o casaco. Mesmo em meados de março, o clima ainda estava frio.

Não havia muito o que dizer ou fazer. Ele imaginou que poderiam encerrar a conversa e dar o dia por encerrado. Já tinha material suficiente para o relatório. O cara havia quebrado o horário combinado e nem sabia seu nome. Primeira impressão? Absolutamente a pior.  

Ki Yeonghan esfregou a ponte do nariz e levantou a cabeça. Seus olhares se cruzaram. Os olhos do outro cara eram surpreendentemente claros. Mais próximos do castanho do que do preto, com um brilho sutil e intrigante.

‘Bem, não há mais nada para fazer agora.’

— Vamos encerrar por aqui?

— O quê?  

Yoon Yejun perguntou, parecendo surpreso. Ki Yeonghan verificou a hora. Eram 9h12. Exatos dez minutos desde que o cara havia chegado.  

— Não há mais nada a dizer. Já tenho o suficiente para o relatório.

— Hmm…

Yoon Yejun arrastou as palavras. Parecia ter algo a dizer. Ki Yeonghan esperou em silêncio para ver o que sairia da boca dele.

— Como é sua família?

— Por que eu teria que te contar isso?

— Fiquei pensando, sua personalidade é bem ruim.

As sobrancelhas de Yoon Yejun se franziram, seu rosto demonstrando desgosto. Ki Yeonghan hesitou, depois revirou os olhos levemente. E se o cara escrever isso no relatório? Como iriam escrever separados, poderiam falar mal um do outro sem que o outro soubesse. Assim como Ki Yeonghan planejava mencionar que o cara chegou dois minutos atrasado e nem sabia seu nome, Yoon Yejun poderia fazer o mesmo.

Mordendo o interior da bochecha, Ki Yeonghan endireitou a cabeça inclinada. Com um tom mais amigável que usara até então, disse:  

— Tenho um irmão mais novo. 

— Eu sou filho único.  

— Você não…

Ki Yeonghan, prestes a retrucar por reflexo, fechou os lábios.

— Entendo.  

Ele forçou uma resposta educada.  

Ki Yeonghan refletiu novamente sobre seus relacionamentos passados. Já tinha sentido curiosidade sobre alguém? Nunca. Ele saía, comia, assistia a filmes, e era isso. Respondia perguntas porque estavam “namorando”, mas, além disso…  

‘Como eu tenho namorado até agora?’ Um canto de sua mente se confundia. Com uma expressão complicada, Ki Yeonghan olhou para o celular ainda gravando. Ele esperava que seus relatórios fossem minimamente alinhados, mas não tinha ideia de por onde começar ou parar.

Yoon Yejun, encarando Ki Yeonghan, abriu a boca:  

— Quantas vezes você namorou?

— Duas.

— Quanto tempo durou?

— As pessoas geralmente perguntam isso no primeiro encontro?

— Só por curiosidade.

Yoon Yejun terminou a frase e mostrou um leve sorriso. Tinha feito o mesmo na frente do professor. Na área de fumantes em frente ao prédio de Humanas, ele também ria assim com os amigos. Seus olhos se curvavam gentilmente, e a pinta sob seu olho subia e descia com o movimento das maçãs do rosto.

— Não durou nem alguns meses. Satisfeito?

Na verdade, o mais longo tinha sido dois meses.

— Ah.

Yoon Yejun soltou um som curto. O sorriso gentil que Ki Yeonghan notou se aprofundou levemente.

— Sabia.

O olho esquerdo de Ki Yeonghan tremeu, e seu rosto se contorceu sem disfarces.

— E você… Quanto tempo namorou? 

Seu tom era agressivo. Olho por olho, dente por dente. Com aquele tom socialmente inapto, duvidava que o cara tivesse namorado por muito tempo.

— Bem, eu normalmente meus namoros duram cerca de um ano.  

— …

Sem palavras, Ki Yeonghan virou o rosto. Ele mesmo havia cavado sua cova. Yoon Yejun acrescentou, como um pescador que acabava de fisgar um peixe enorme:  

— Eu não ajo grosseiramente com os outros, como certas pessoas.

A expressão de Ki Yeonghan endureceu. Falar daquele jeito, dizendo o que vinha à mente na frente de alguém, era irritante.

‘Grosseiro? Olha quem fala.’

Ki Yeonghan mordeu o canudo do seu americano gelado, mas até isso o sufocava. Arrancou o canudo e engoliu de uma vez. Longe de ser refrescante, o café gelado fez sua cabeça latejar.

— Yoon Yejun   

Ki Yeonghan chamou o homem à sua frente. Batendo na mesa com as unhas, chamou sua atenção. Yoon Yejun, que estava olhando para seus dedos, levantou a cabeça com um olhar indiferente.

— Você está entendendo errado. Vamos ter que nos encontrar mais algumas vezes para o relatório. Sabe o que eu posso escrever sobre você, e ainda fala desse jeito? Fazendo pose de bonzinho na frente do professor, se exibindo.

Yoon Yejun manteve uma expressão vazia. Ki Yeonghan, com um olhar descontente, mordia repetidamente a parte interna da bochecha. Quanto mais falava, mais sentia que estava caindo na armadilha.

 

Yoon Yejun soltou uma risadinha. Com um suspiro curto, quase zombeteiro. Ki Yeonghan apenas o encarou. Engolindo suas emoções, Yoon Yejun pressionou os lábios, assentiu lentamente e falou:  

— Ki Yeonghan.

— O quê?

— Só sou gentil com quem eu quero ser. Só trato como humano quem merece.

  — … Hã!  

Ki Yeonghan ficou pasmo, incrédulo.  

— Eu não me importo com o que você escreve no seu relatório. Você sabe que eu também tenho muito a dizer. Quando marcamos, eu avisei que meu trabalho terminava tarde, mas você insistiu às 9h. Quem marca um primeiro encontro às nove da manhã? E os dois minutos que atrasei. Desculpe por isso. Mas você precisa ser tão minucioso como se estivesse caçando um rato? 

— Dois minutos são suficientes para cozinhar um miojo.  

— Você deve gostar do seu miojo al dente.

Yoon Yejun não recuou. O interior de Ki Yeonghan fervia, pronto para explodir. E, pelo tom de voz, estava claro que esse cara continuaria sendo espinhoso,  o que fazia o tempo que teriam juntos parecer um buraco negro à frente.

 

Ki Yeonghan fechou os olhos com força. Evitar merda porque é nojento? Isso não estava em seu dicionário. Mesmo que tivesse que pegá-la com um graveto, ele não fugiria.  

Lambeu os lábios levemente, cruzou os braços e se recostou na cadeira. Não porque estivesse disposto a ouvir, mas sim porque seu orgulho doía ao perceber que seu corpo estava um pouco mais inclinado para frente do que o de Yoon Yejun.  

O moreno o encarou. Seu rosto bonito estava marcado de irritação. Mas como não estava discutindo mais, parecia que ele não tinha intenção de continuar a briga. ‘Talvez eu tenha exagerado’, — pensou ele. 

Sentindo uma pontada de culpa, mas achando melhor estabelecer os limites desde o começo, Yoon Yejun tirou a carteira do bolso.

— Aqui.

Ele colocou ingressos de cinema sobre a mesa, que havia pegado da carteira. O cinema ficava a dez minutos a pé da faculdade. Havia reservado ingressos para o filme mais assistido do momento. Chegou atrasado naquela manhã justamente porque estava fazendo a reserva. Ki Yeonghan estava visivelmente hostil, e, como provavelmente responderia de forma seca, Yoon Yejun planejava assistir ao filme e escrever o relatório.

— O que é isso?

Como esperado, Ki Yeonghan franziu a testa no momento em que viu os ingressos.

— Desculpe por explodir antes. Vamos assistir a isso. Não podemos ficar sentados num café para sempre. 

— Por que eu assistiria a um filme com você? 

Como previsto.  

‘Como eu vou lidar com esse cara daqui para frente…’  Yoon Yejun cerrou os dentes.  

— Preciso de material para o relatório. E mais conteúdo é bom para você também, certo?  

Falando em um tom mais suave e persuasivo, Yoon Yejun viu Ki Yeonghan, que antes o encarava com fúria, baixar o olhar e ler os ingressos, parecendo considerar, então olhou para ele. ‘Seus olhos são realmente bonitos.’ Pensou Yoon Yejun, o fitando de volta. Brilhavam como mármore polido. Isso o fez imaginar como seriam os pais de Ki Yeonghan.

Se ele não falasse tanto, provavelmente seria popular. Mas não é meu tipo.

— Mas por que você comprou?

— Ah, queria conseguir algum material para o relatório. 

Aquela maldita boca.  

Era bem cedo, então o cinema estava quase vazio. Yoon Yejun sentou em um banco fora da sala de exibição, segurando os ingressos. Esperava por Ki Yeonghan, que havia saído por um instante. O cara havia resmungado o caminho todo até ali, fazendo os ouvidos de Yoon Yejun arderem. O fato de alguém ter namorado um sujeito assim era um milagre. Se conseguiram isso, podiam fazer qualquer coisa.

Yoon Yejun olhou para os ingressos em sua mão. Ele não viu o trailer e comprou porque era o filme mais bem classificado. Curioso sobre o enredo, ele pesquisou depois e descobriu que era uma comédia romântica. Preferia filmes de ação. Comédias românticas ainda vendiam esses dias? Certamente seria sem graça.  

‘Quando foi a última vez que me importei com romance?’

Ao contrário do egocêntrico Ki Yeonghan, Yoon Yejun não era um lobo solitário, e com certeza já tinha se apaixonado antes. Contou os anos lentamente. Dois anos atrás. O último mal contava como um relacionamento, já que terminou de forma vaga.

Yoon Yejun esticou os lábios em sorriso amargo, depois os voltou à posição normal. Já estava acostumado. No máximo, se perguntava uma vez por ano como aquela pessoa estaria.

‘Quando é que ele volta…’

Resmungando para si mesmo, viu Ki Yeonghan aparecer. Imerso em pensamentos nostálgicos, não conseguiu esconder o choque com o que viu.

‘Ele é louco?’

Ki Yeonghan carregava uma montanha de comida. Nachos, pipoca, cachorro-quente e dois refrigerantes. Era um milagre conseguir carregar tudo aquilo. Observando-o se aproximar precariamente, Yoon Yejun levantou e foi até ele.  

— Ei, pega alguma coisa para você.  

Ki Yeonghan resmungou imediatamente. 

Yoon Yejun pegou os nachos, o cachorro-quente e um dos refrigerantes, perguntando:

— Não tomou café da manhã?  

Sentando-se, Ki Yeonghan colocou a pipoca ao seu lado. Como se estivesse sedento, ele engoliu a bebida de uma vez.  

Agora que pensava nisso, Ki Yeonghan nunca usava termos educados como “sunbae” ou “hyung”, nem por formalidade. Yoon Yejun, por conta de seus vários empregos de meio período, estava acostumado a chamar os outros com sufixos, mas muitos achavam estranho antes de entrar no mercado de trabalho. Ki Yeonghan usava naturalmente.

“Ei”, “você”, “Yoon Yejun.” Especialmente ao dizer “Yoon Yejun”, ele pronunciava cada sílaba com clareza — Yoon. Ye. Jun. Ssi — como uma batida seca.

— Eu sei que você deseja que o relatório pareça ótimo só por sua causa, então como eu deixaria isso passar?

Yoon Yejun prendeu a respiração, ouvindo aquele discurso descarado e rude. Como alguém podia ter uma personalidade tão distorcida? Nunca tinha visto ninguém assim.

No café, Ki Yeonghan já deveria estar mais quieto, chamando-o de “hyung” e seguindo-o por aí, mas esse cara era teimoso além do normal.

Yoon Yejun já tinha visto pessoas se confundirem da gentileza com fraqueza, mas nunca hostilidade. Incapaz de esconder a expressão azeda, encontrou os olhos de Ki Yeonghan e levou os lábios ao canudo à sua frente.

— … Obrigado.

Que estresse. E, ainda assim, a coca gelada estava irritantemente saborosa.

Ki Yeonghan encarou a tela grande com olhos frios.  

A comédia romântica, com seus protagonistas brigando, era aceitável. Algumas pessoas riam muito em certas partes, mas não era tão engraçado assim.  

Na verdade, ele mal prestava atenção ao enredo do filme. Sua atenção estava mais em Yoon Yejun, sentado ao seu lado.  

Yoon Yejun, que vivia cochilando na aula, adormeceu assim que o filme começou. Achava que aquilo era uma clínica do sono? Falar de relatório e depois dormir?

Mesmo que Yoon Yejun não se importasse, Ki Yeonghan tinha muito a escrever. Os modos dele em um encontro eram os piores. Ele chegou atrasado, fez escândalo, sugeriu um filme e depois dormiu durante ele.  

Yoon Yejun mal comeu. Beliscou alguns nachos antes do filme e os deixou cuidadosamente no colo. ‘Exagerei?’ Ki Yeonghan franziu os lábios. Havia comprado tudo aquilo por birra, já que Yoon Yejun pagou os ingressos. Não havia nada de agradável naquele cara.

Ki Yeonghan o observou de canto de olho. Os lábios estavam levemente entreabertos. Os cílios eram longos e curvados. Ki Yeonghan não planejava olhar de perto, mas como já tinha notado antes, aquele rosto não era feio, talvez… Qual era mesmo a palavra?…

Franzindo a testa enquanto tentava definir, Ki Yeonghan encarou o rosto de Yoon Yejun.  

 

De repente, a cabeça de Yoon Yejun tombou e voltou, e Ki Yeonghan virou rapidamente o rosto para a tela. Ser pego encarando seria constrangedor. Não que tivesse culpa de nada, mas seu corpo reagiu mais rápido que seus pensamentos.

‘O quê há com esse filme?’

Mal tirou os olhos e os protagonistas brigões já estavam se beijando apaixonadamente. Brigam daquele jeito e depois querem se beijar? Não fazia sentido para uma pessoa normal.

A cabeça de Yoon Yejun tombou novamente. Mesmo sem olhar diretamente, o movimento era grande demais para ignorar. Mas o peso em seu ombro foi inesperado. Yoon Yejun encostou nele.

Sem hesitar, Ki Yeonghan levantou o ombro e empurrou a cabeça dele. Yoon Yejun acordou assustado, e olhou em volta. Limpou os lábios com as costas da mão, verificando discretamente a reação de Ki Yeonghan. Pelo menos não babou. Ki Yeonghan fingia estar concentrado na tela. — “Eu te amo, eu te amo.”— ‘Ah, vão se danar.’ Praguejou internamente diante das declarações ardentes dos atores.

Se espreguiçando, Yoon Yejun tomou um gole de coca, bocejou e se recostou. ‘Finalmente planeja assistir? Já é alguma coisa. Esse cara é irritante demais.’

Mas, como se nada tivesse acontecido, Yoon Yejun voltou a cochilar. Depois de ter sido empurrado, deveria estar mais atento ao se encostar em alguém.

Yoon Yejun se inclinou em Ki Yeonghan novamente.  

Honestamente, não era pesado, mas irritante. Estava fazendo de propósito? Ki Yeonghan o empurrou outra vez. Desta vez, o cara nem acordou, dormindo descaradamente.

— Ei! 

Ki Yeonghan se inclinou em direção a Yoon Yejun e sussurrou. Nenhuma reação. Rangendo os dentes, Ki Yeonghan chamou novamente, quase cantando. 

— … Oi!

Era absurdo. Desmaiou? Morreu? Mas o som leve e constante da respiração provava que estava dormindo.

Como alguém consegue dormir sendo empurrado e chamado? Ki Yeonghan fechou os olhos com força, depois os abriu e se inclinou mais. Estava quase cara a cara. Nunca imaginou ver o rosto de Yoon Yejun tão de perto. A bochecha, pressionada contra seu ombro, estava levemente inchada. Os lábios entreabertos murmuravam algo. Tão irritante. Quanto mais olhava, mais sua expressão se enchia de desgosto.

— Ei, Yoon Yejun.

Incapaz de conter a raiva crescente, Ki Yeonghan o chamou. Sua paciência, que fora treinada apenas para estudar, estava no limite.

Continua…

Tradução: Elisa Erzet 

Ler Amor com sabor de hortelã Yaoi Mangá Online

Apresentação dos Personagens
Yeonghan (Top)— Inteligente e aluno exemplar, sempre ocupou o primeiro lugar na turma. Na universidade, é conhecido por sua altura e beleza, mas também por seu temperamento difícil. Ele não liga para o que os outros pensam e age conforme seu humor — mas só mostra fraqueza diante de Yoon Yejun.
Yoon Yejun (Bottom) — Sociável e esforçado, tem fama de ser gentil e bondoso. Por traumas da infância, ele sempre tentou mostrar apenas seu lado perfeito aos outros — até conhecer Yeonghan. Aos poucos, aprende a mostrar seu eu verdadeiro e a mudar.
 Para ler quando quiser:
Uma história de amor universitária cheia de tensão, onde um protagonista explosivo é “dominado” por um parceiro carinhoso.
 Frase icônica:
‘É assim que um adestrador se sente ao domar uma fera que não entende palavras?’
Sinopse:
— Já formou o grupo?
Yeonghan, que não conseguiu cancelar sua matrícula em uma aula de cultura geral, acaba formando dupla com Yoon Yejun, um aluno de outro curso, para um trabalho. Acostumado a viver sem se importar com ninguém, Yeonghan solta comentários rudes sem pensar, deixando Yejun perplexo. Com uma primeira impressão desastrosa, os dois travam uma batalha intensa durante o projeto — mas, aos poucos, começam a se entender. Até que, em um dia comum, Yeonghan —ainda inconsciente de seus próprios sentimentos, diz algo que machuca Yejun, levando o relacionamento ao pior momento…
Será que conseguirão reconhecer o que sentem e ficar juntos?
Cena Destacada:
— …Yeonghan.
Yeonghan levantou os olhos e respondeu por ele:
— Quer me beijar?
Ele não respondeu, apenas piscou e o encarou novamente. Yejun também desviou o olhar, sem querer. De repente, a mão de Yeonghan cobriu a dele. Seus dedos se moveram de modo provocante, acariciando o dorso da mão de Yejun. Seus ossos eram firmes, seus nós dos dedos, grossos.
— Vou entender seu silêncio como uma resposta, — concluiu Yejun.
Mas eu não disse “então vamos”. Afinal, foi Yeonghan quem sugeriu o beijo e agora pressionava. Mas por que só ele se sentia envergonhado?
— Se me obedecer… deixo você me beijar.
Yeonghan, que observava a mão de Yejun, franziu a testa.
— Quanto mais eu tenho que obedecer?
— Acha que já me obedece?
Yejun não entendia, mas não podia discutir ali. Continuou, firme:
— Fale direito. Sem grosseria.
— …….
— Se fizer tudo do meu jeito… Deixo… você me beijar. Quantas vezes quiser.
Yejun se inclinou devagar. Apoiou a mão no peito de Yeonghan e o empurrou para trás. De repente, Yeonghan caiu de costas no sofá. Esticou o braço, envolveu a nuca de Yejun e o puxou para perto.
Quando seus lábios quase se tocaram, Yejun recuou.
— Responda primeiro. Vai me obedecer?
Se tudo desse certo, o controle estaria nas mãos dele até o fim da noite. Yejun sorriu, cauteloso. Yeonghan, abaixo dele, parecia ferido em seu orgulho. Seu rosto estava tenso, o canto da boca torcido — mas seus olhos ainda fixos nos lábios de Yejun. E não só isso: — a mão em sua nuca apertava cada vez mais. A vitória estava próxima.
— …….
Yeonghan não conseguia responder facilmente. Hesitou, seus lábios se moveram sem som.
— Se não responder…
No momento em que Yejun começou a se afastar:
— Eu… vou te obedecer.
Ao ouvir aquela voz, Yejun sentiu um calafrio.
‘É assim que um adestrador se sente ao domar uma fera que não entende palavras?’
Yeonghan puxou Yejun para si, quase como um abraço, e uniu seus lábios novamente. Um toque leve, depois se separou. Então sussurrou:
— … Se eu te obedecer, está tudo bem, então?
Nome alternativo: Mint Candy Lover

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