Ler Zodíaco: Asas do Juízo e Desejo – Capítulo 04 Online
Capítulo 4 – Olhos que Ferem, Toques que Curam
A constelação de Libra pendia acima do céu sem tempo. Suas estrelas pareciam pulsar com inquietação. Elian as encarava do jardim suspenso, onde árvores de vidro sopravam folhas que não caíam — apenas desapareciam no ar.
— Você sempre fica aqui quando quer fugir de mim? — A voz de Scorvan veio atrás dele, suave, quase zombeteira.
Elian não se virou.
— Eu não fujo. Apenas reflito.
— Reflito — repetiu o escorpiano, imitando o tom dele com desdém. — Você se ouve, juiz? Parece uma encarnação da própria formalidade.
Elian deu um leve suspiro e enfim se virou.
— E você, parece uma encarnação do caos.
— Ah, então somos complementares — disse Scorvan, aproximando-se lentamente. — Justiça e veneno.
Elian o fitou. Os olhos dourados encontrando os olhos cor de vinho escuro, com um brilho ardente. Eles estavam perto demais.
— Cuidado com o que diz — murmurou Elian. — Palavras constroem realidades neste plano.
— Ótimo. Então me diga o que constrói esse silêncio entre nós — disse Scorvan, encostando os dedos levemente no braço de Elian. Um toque tênue. Mas o juiz estremeceu.
— Não me toque.
— Você disse para não mentir. E eu sinto que quer exatamente isso.
Elian se afastou um passo. Mas o estrago já estava feito. O toque ficou, queimando na pele dele.
Mais tarde, Scorvan foi até a sala de registros, onde Elian analisava sentenças de outros signos.
— Você julga todos?
— Quando sou convocado.
— E quem julga você?
Elian não respondeu.
— É isso que me intriga — continuou Scorvan, andando lentamente em torno da mesa. — Você se posiciona como imparcial. Mas se afasta do mundo. Do toque. Do desejo. Da dor. Como pode julgar o que não vive?
Elian ergueu o olhar.
— Eu vivi.
— Então me conte.
— Isso não é da sua conta.
Scorvan se inclinou sobre a mesa.
— Tudo que toca minha alma vira minha conta. E você… me toca mais do que deveria.
O juiz empurrou a cadeira para trás, levantando-se bruscamente.
— Não me provoque.
— Estou só dizendo a verdade.
— A verdade… — Elian passou as mãos pelos cabelos longos, visivelmente agitado — …não é o que você sente. É o que pode ser provado.
— E esse arrepio em sua pele? Posso provar.
Scorvan avançou, rápido. As mãos se fecharam nos ombros do juiz, e os dois ficaram tão perto que o ar pareceu vibrar entre eles.
Elian tentou se desvencilhar, mas hesitou. Scorvan não forçava. Apenas… esperava.
— Você não quer lutar comigo, Elian.
— Quero justiça.
— Justiça não elimina desejo.
Por um segundo, Elian fechou os olhos. E nesse segundo, Scorvan fez algo inesperado: encostou a testa na dele. Sem beijo. Sem pressão. Apenas pele contra pele.
E Elian… não afastou.
— Você me confunde.
— Porque sou a primeira coisa real que te toca em eras.
Aquela noite, Elian não foi ao jardim. Ficou em sua câmara, deitado no leito feito de névoa e cristal. Os dedos ainda sentiam o calor da pele de Scorvan. O peso do toque. A verdade que ele negava.
Fechou os olhos e viu o rosto do escorpiano. O sorriso torto. Os olhos ferozes. E o jeito como, por um instante, tudo nele gritava por cuidado — mesmo quando ele se vestia de ameaça.
Scorvan, em sua câmara protegida, observava o teto translúcido.
— Ele não me afastou. — Murmurou para si mesmo, tocando os próprios lábios com dois dedos. — Ele não me afastou…
E pela primeira vez, desde que foi julgado, o escorpiano sorriu sem ironia.
Na manhã seguinte, os dois cruzaram-se na sala dos oráculos. Nenhum disse nada de imediato. Mas algo havia mudado.
Os olhares não se evitavam mais. Tocavam-se como um segredo compartilhado.
Elian entregou um registro a Scorvan.
— Leia.
— Confiança? — perguntou o escorpiano, erguendo uma sobrancelha.
— Observação. Quero saber sua interpretação sobre a sentença de Gêmeos.
Scorvan pegou o pergaminho, mas em vez de se afastar, sentou-se ao lado de Elian. De propósito. Perto demais. O ombro deles quase se tocava.
Elian não protestou.
E enquanto Scorvan lia em silêncio, o juiz o observava de lado.
Os dedos dele, os lábios que se moviam sem som, o olhar concentrado… e de repente, Elian percebeu: estava fascinado.
E fascínio… podia ser o começo de algo perigoso.
Ou de algo inevitável.
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Sinopse:
Nas profundezas do cosmos, onde os signos do zodíaco são mais do que símbolos — são forças vivas que mantêm o equilíbrio do universo — um antigo julgamento ameaça ruir a harmonia das estrelas.
Elian, o representante de Libra, é conhecido por sua imparcialidade e beleza serena, escolhido desde o nascimento para ser o Juiz Celestial. Mas tudo muda quando ele recebe a missão de julgar Scorvan, o perigoso e enigmático guerreiro de Escorpião, acusado de trair os deuses. No entanto, quanto mais Elian mergulha nos segredos por trás do suposto crime, mais se vê envolvido pelo magnetismo sombrio de Scorvan — e por um desejo que desafia tudo o que ele jurou proteger.
Presos entre o dever e a paixão, os dois se veem no centro de uma conspiração antiga que ameaça reescrever o destino das constelações. Elian terá de escolher: manter o equilíbrio do céu… ou mergulhar no caos por amor ao homem que deveria condenar.